FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O ENCONTRO DE ZAQUEU



Pe Geovane Saraiva* Jesus, no seu caminho para Jerusalém, ao atravessar a cidade de Jericó, encontra-se com Zaqueu. Que encontro belo e maravilhoso! O Senhor Jesus o chama pelo nome e pede que desça da árvore.
Ao contrário da multidão que só vê o mal e coisas negativas em Zaqueu, Jesus olha para ele com profundo amor, dizendo que ele tem jeito, que tem boas qualidades, que ele é filho de Abraão e que o Filho do Homem vai buscar e salvar o que estava perdido.
Zaqueu é um personagem do Evangelho que quer ver e tem uma vontade enorme de ver, mas ele não pode ver. Ele tem a desvantagem de ser de baixa estatura e também é descriminado por ser cobrador de impostos. O desejo dele, porém, é maior que tudo, ao ponto de subir em uma árvore para ver Jesus passar por aquele lugar. O Filho de Deus percebeu a ânsia, a vontade de Zaqueu e se manifestou, dizendo: “Zaqueu desce depressa porque hoje devo ficar em tua casa” (cf. Lc l9, 1-10).
É preciso, a exemplo de Zaqueu, de uma grande vontade, de atitudes e gestos concretos. Na passividade e na indiferença nada acontece. Nossa vontade de ver Jesus deve está associada também a uma vontade de praticar e de realizar a missão confiada a nós pelo Divino Mestre e Senhor da nossa vida e da história.
Jesus percebeu o desejo que brotou do coração de Zaqueu, que estava sem paz e intranqüilo, como tão maravilhosamente se expressa Santo Agostinho: “O meu coração está inquieto enquanto em vós não descansar”.
Jesus de Nazaré foi à casa de Zaqueu e a acolhida foi a melhor possível; foi uma grande benção para o seu lar. A visita produziu frutos, começando com a conversão desse pecador. “Senhor, eis que eu dou a metade de meus bens aos pobres e se explorei a alguém, vou devolver quatro vezes mais”.
A salvação que chegou a casa desse homem de baixa estatura não é um acontecimento qualquer, nem qualquer mensagem. Mas foi fruto do desígnio redentor de Deus que é Pai e que quer a redenção da humanidade, a nossa redenção.
A nossa vontade de ver Jesus, de ir ao encontro da “árvore da vida”, de fazermos uma experiência rica e profunda do amor de Deus, de um encontro pessoal com Cristo. Ele que é o caminho, a verdade e a vida, quando isso acontecer, a salvação terá chegado à nossa casa.
* Pároco de Santo Afonso

Última Alteração: 10:30:00
Fonte: Pe. Geovane Saraiva Local:Fortaleza (CE)

SUTIL MANIPULAÇÃO CONTRA A VIDA NA AMÉRICA LATINA



Por Carmen Elena Villa
A América Latina se converteu no território no qual certas ideologias intensificam seus esforços para substituir e alterar os valores fundamentais como a família e o respeito à vida desde sua concepção até sua morte natural, denuncia o sacerdote argentino Juan C. Sanahuja, fundador e diretor do portal virtual Noticias Globales (http://www.noticiasglobales.org/), que promove notícias a favor da vida, denunciando ao mesmo tempo o engano e a manipulação.
O Pe. Sanahuja é jornalista pela Universidade de Navarra, na Espanha, e doutor em Teologia pela mesma instituição. Também é membro correspondente da Pontifícia Academia para a Vida e vice-assessor do Consórcio de Médicos Católicos de Buenos Aires.
Autor de «El desarrollo sustentable. La nueva ética internacional» («O desenvolvimento sustentável. A nova ética internacional»), passando por Roma, ele falou com a Zenit sobre o tema da manipulação contra a vida na América Latina.
– Quais são os fatores, na sua opinião, que foram gerando uma mentalidade antivida na América Latina?
– Juan C. Sanahuja: Além das metas de população antinatalista, que se impõem em alguns países, ou considerações dos Estados Unidos, há três objetos muito claros que devem ser estudados em profundidade.
O primeiro foi o Informe Kissinger de 1974, que diz que não se pode impor o controle de natalidade, mas que é preciso mostrar a cara, falando de direitos de saúde sexual e reprodutiva ao invés de impor metas demográficas. É uma maneira mais sutil e, portanto, mais eficaz para formar nas pessoas a mentalidade antivida.
O segundo é a mudança de padrões culturais dos países do terceiro mundo. Dentro deles está o conceito de religião.
O terceiro são os que foram impostos por políticos nascidos nestes países. Políticos do terceiro mundo que formam uma rede nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Deu-se ao longo destes anos – e vemos que está tendo êxito — uma nova série de políticas em suas universidades para transmiti-las. Isso está mais lento na América Latina porque a Igreja Católica pesa muito e porque muitas igrejas cristãs também difundem a mentalidade a favor da vida. Junto com as catequeses, conferências cristãs souberam defender os valores de uma família.
– Onde esta mentalidade penetrou mais fortemente?
– Juan C. Sanahuja: A mentalidade antivida colonizou o mundo jurídico, os juízes, os advogados e o mundo médico. Daí a oposição que estas pessoas apresentam diante da objeção de consciência plasmada na Conferência sobre a mulher realizada em Pequim em 1995. Não quero dizer que todos os juízes, advogados e médicos estejam colonizados, mas sim uma parte. Eles se declaram contra pontos não-negociáveis que o Papa Bento XVI estabeleceu claramente: a vida humana, a família e direitos dos pais à educação dos filhos.
É uma engenharia social da qual a mídia participa. Mas temos a grande força da verdade. Estas mudanças culturais estão baseadas num cúmulo de mentiras e manipulações.
– Você poderia citar alguns exemplos da manipulação das causas do aborto?
– Juan C. Sanahuja: Na Argentina, por exemplo, está se levando a cabo um debate, porque desde os anos 30 o código penal não penaliza o aborto em caso de morte da mãe e em caso de estupro de uma demente. Agora a pressão é muita para que se ampliem essas causas a todo tipo de estupro e que se inclua também a saúde psíquica. Na Espanha, mais de 90% dos abortos são praticados por motivos psíquicos da mulher. É uma causa muito aberta.
Além dos números amplificados de aborto, dá-se um engano claro com a chamada pílula do dia seguinte, que é abortiva.
– Em que países da América Latina você vê que existe uma maior pressão antivida?
– Juan C. Sanahuja: Vejo sobretudo no México, no Brasil e na Argentina uma pressão muito grande. No Brasil e na Argentina, por parte do governo federal de cada um dos países. No México me parece que a situação é diferente; ultimamente, o governo federal se distanciou; inclusive há dois estados que incluíram o respeito à vida desde sua concepção até sua morte natural. No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e na Argentina, com o de Cristina Kirchner, ambos estão empenhados em legislar a favor do aborto.
– Quais ideologias existem por trás desta manipulação antivida?
– Juan C. Sanahuja: Ideologia de gênero é um enorme guarda-chuvas onde se inclui o aborto, a anticoncepção, a esterilização da mulher, a homossexualidade. Tudo isso argumentado pela sentença que diz que o sexo biológico com o qual se nasce não importa, a sexualidade se constrói ao longo da vida e cada um faz o que quer com sua vida e seu corpo. Isso vem bem contrastado pela V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano, realizada em Aparecida (maio de 2007), que declara como isso provocou modificações legais que «ferem gravemente a dignidade do matrimônio, o respeito ao direito à vida e a identidade da família».
– Você crê que a Igreja serviu como muro de contenção para deter a mentalidade antivida na América Latina?
– Juan C. Sanahuja: A raiz cristã serviu como muro de contenção, sim. Mas temos de ser conscientes de que este não é um tema só de questão religiosa. Não matar, o direito de educar aos filhos, a homossexualidade como atitude antinatural, são três questões que pertencem à lei natural que Deus inscreveu no coração do homem. Isso deveria ser evidente em todas as pessoas, sejam crentes ou não. A Igreja anuncia a lei natural, mas devemos levar em conta que estamos defendendo valores naturais e não religiosos.


Última Alteração: 10:44:00
Fonte: Zenit.org Local:Roma (Itália)

O IMPACTO DA TECNOLOGIA SOBRE A FAMILIA



Dom João Petrini fala sobre os impactos da tecnologia sobre a família - 27/11/2008 - 13:16
“As inovações tecnológicas introduziram novos valores e novos comportamentos no quotidiano das pessoas, algumas tendo incidência muito forte na maneira de compreender a família”. A afirmação é do bispo auxiliar de Salvador, na Bahia, dom João Carlos Petrini, durante a conferência “O impacto da tecnologia sobre a estrutura familiar”, proferida na manhã desta quinta-feira, 27, no Congresso Internacional promovido pela Pontifícia Academia para a Vida e pela CNBB, em Indaiatuba (SP).
Segundo dom Petrini, com a descoberta e a difusão da contracepção química, a sexualidade foi separada da procriação “e isto alterou substantivamente a percepção da sexualidade e das de intimidade”.
Dom Petrini reconheceu as conquistas das novas tecnologias, mas alertou também para os riscos que apresentam. “Entre as mudanças que aconteceram na família e no modo de compreender a vida humana, algumas constintuem irrenunciáveis conquistas de civilidade. Outras, pelo contrário, expressam a tendência a não reconhecer limites ao arbítrio individual para redefinir a experiência humana, no que diz respeito ao corpo e à esfera da intimidade, mesmo quando isso coloca em risco o desenvolvimento da própria humanidade”.
Na sua opinião, a valorização da família passa pelo reconhecimento de sua cidadania. “A família constitui o maior recurso humano e social disponível, e é de interesse dos poderes públicos não desperdiçar esses recursos”, afirmou. Para ele, o Estado deve considerar a criança, o idoso, a mulher, o adolescente “não como categorias abstratas ou indivíduos isolados, mas como membros de uma comunidade familiar”. Ainda de acordo com dom Petrini, uma primeira política social em favor da família é a criação de uma “cultura de família”.


Última Alteração: 13:16:00
Fonte: CNBB Local:Indaiatuba (SP)

NA ALEGRIA DA ESPERANÇA



Na alegria da esperança - 27/11/2008 - 14:35 Há primores de beleza literária que não envelhecem. Um deles é para mim a página em que o notável escritor Gustavo Corção comparou a Igreja com Penélope, pela arte com que é organizada a sua liturgia. Não há quem não conheça a história que a Mitologia compôs a respeito da mulher de Ulisses. Para escapar aos pretendentes que a assediavam pedindo-lhe a mão, durante os misteriosos vinte anos da viagem de Ulisses após a guerra de Tróia, Penélope pretextou dever terminar antes uma colcha fúnebre que estava tecendo para honrar seu sogro Laerte. Quando acabasse, aceitaria um casamento. Mas, na sua maravilhosa fidelidade ao marido ausente - talvez morto? - desfazia sempre durante a noite o trabalho que tinha feito durante o dia. Até que o esposo voltou finalmente. Assim a Igreja, aguardando a volta do Divino Esposo, no fim dos tempos, vai tecendo e destecendo ano por ano a maravilhosa tapeçaria da liturgia. E é o branco da Páscoa e do Natal, o vermelho da Paixão e de Pentecostes, o roxo da Quaresma e do Advento, e o verde dos longos domingos do Tempo Comum, vividos na alegria da esperança e da fidelidade. Estamos recomeçando com a Igreja mais uma vez o trabalho do glorioso tecido. Estamos entrando de novo no Advento. E a preparação para a chegada de Cristo no Natal. Mas, ao mesmo tempo, alongando o olhar da fé para a última chegada no final dos tempos. Advento é, portanto, tempo de esperança e de expectativa. Não propriamente de penitência, como era interpretado anteriormente. São quatro semanas que vamos viver densamente com a Igreja a caminho do Natal. Rezando, cantando, suplicando, meditando. Grandes companheiros estão ao nosso lado nesse caminho: Isaías, o maior dos profetas, que pede que "os céus se rasguem para que Deus possa descer" (Is 63, 17); João Batista que vem "preparar os caminhos do Senhor"; São Paulo, que melhor do que ninguém nos sabe falar do mistério da Encarnação; e, sobretudo, a Virgem Maria, a Estrela da Manhã que anunciou a chegada do Sol Divino. Com essa companhia poderemos fazer do Advento uma preparação digna para o Natal. E insisto nessa palavra "preparação digna" para o Natal. Não esvaziá-Io de seu conteúdo divino. Não permitir que o Natal se reduza à exterioridade de festas sociais sem nenhum sentido espiritual; ou à porfia de troca de presentes, estimulada pelo comércio, com mal disfarçada ambição de lucros exagerados; ou ao envio de mensagens sem nenhum sentido de amizade e de fé, e simplesmente por uma praxe que eu chamaria de burocrática. É claro que não queremos com isso diminuir o valor desse clima de alegria e de encontro fraterno, de que a atmosfera do mundo fica impregnada no tempo do Natal. Só queremos que em tudo haja sinceridade e dignidade. Para isso nada melhor do que as várias formas de celebração do Advento. E a novena do "Natal em Família", hoje difundida em todo o Brasil, com grande resultado, para cultivar o espírito de oração, a harmonia das famílias e a reflexão sobre temas de vida cristã. E o costume de se "armar" o presépio, que fala tanto, sobretudo ao coração das crianças, marcando-as com lembranças que enriquecerão um dia o entardecer de sua vida. Com tudo isso alimentamos o espírito de alegria e de esperança com que nos devemos preparar para o Natal. E realizamos a atitude de vigilância que a Igreja nos inculca pelas orações e pelas leituras deste tempo do Advento. Não se espera a Deus de mãos vazias. Nem agora, para o Natal, nem muito menos para sua última chegada no fim dos tempos, que já é antecipada para cada um no dia da própria morte. "Vigiai" - nos diz a Igreja com palavras de Jesus no Evangelho - porque não sabeis quando o senhor da casa voltará: à tarde, à meia-noite, ao canto do galo, ou de manhã; para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo. E o que vos digo, digo a todos: vigiai! " (Mc 13, 35-37). Acordados, no serviço do bem. Jamais adormecidos na maldade! LEITURAS do 1º domingo do Advento do ANO BIs -1563, 16b-17; 19b; 64, 2b-7. 29 –1 Cor 1, 3.9. 39-Mc 13, 33.37.Contato:Pe. Lucas de Paula Almeida, CM (031) 34260069 - (031) 99760069

Última Alteração: 14:35:00
Fonte: Pe. Lucas de Paula Almeida, CM Local:Belo Horizonte (MG)

VATICANO CONDENA ATAQUES NA INDIA

O diretor dos serviços de informação do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, classificou como “trágicos e alarmantes” os ataques que atingiram ontem à noite hotéis de luxo, restaurantes e hospitais na cidade indiana de Bombaim.
Pelo menos 100 pessoas morreram e outras tantas terão ficado feridas, nas diversas explosões e disparos. Várias pessoas foram feitas reféns em pelo menos dois hotéis de cinco estrelas da cidade, o Taj Mahal e o Oberoi.Segundo o Pe. Lombardi, estes acontecimentos dizem respeito “à comunidade internacional no seu conjunto”.


Última Alteração: 14:50:00
Fonte: Agência Ecclesia Local:Cidade do Vaticano

PAPA UNI-SE A MARCHA PELA LIBERTAÇÃO DOS SEQUESTRADOS NA COLOMBIA

Bento XVI enviou uma mensagem aos participantes na marcha que terá lugar esta Sexta-feira, em Bogotá, para pedir a “libertação dos sequestrados”.
“Elevo a Deus uma fervorosa oração para que acabe esse flagelo e se chegue em breve à concórdia e à paz nessa amada nação”, disse ontem o Papa, no Vaticano.Esta marcha em foi convocada por diversas organizações civis colombianas, a partir de uma proposta da ex-prisioneira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Ingrid Betancourt. Trata-se da quarta marcha organizada este ano com este propósito.
No passado mês de Fevereiro, Bento XVI pedira orações pelos “filhos e filhas” da Colômbia, que “sofrem a extorsão, o sequestro e a perda violenta dos seus entes queridos”."Peço ao Senhor que se ponha definitivamente termo a esse sofrimento desumano e se encontrem caminhos de reconciliação, respeito mútuo e concórdia sincera, restaurando-se assim a fraternidade e a solidariedade, que são as bases sólidas para alcançar o justo progresso e construir uma paz estável”, indicou.


Última Alteração: 15:52:00
Fonte: Agência Ecclesia Local:Cidade do Vaticano

DEUS FEZ A CRIANÇA.

O filho, segunda Pessoa da Trindade, o Rei do céu, o Criador assume um corpo e se faz pequeno, criança que nasce em uma gruta de uma pequena e desconhecida cidade da Palestina.
Sabemos que não se trata de folclore, somos conscientes de que não é teatro, mas que nos encontramos diante de um mistério divino, um mistério pleno de graça no qual queremos penetrar. Por que Deus se fez criança? Por que escolheu nascer na pobreza de uma manjedoura? São perguntas para as quais não encontramos respostas imediatas. A lógica humana parece nos sugerir ser incompatível combinar a potência de Deus com essa pequenez que Ele mesmo assume nascendo do ventre de uma mulher.
Freqüentemente nós consideramos grandes as pessoas que vivem bem, que têm sucesso. Ou mesmo nós próprios perseguimos uma grandeza oferecida pelo poder, por um trabalho de prestígio, por uma considerável conta no banco... Ao contrário, Deus, no Natal, escolhe revelar-se como pequeno, pobre, necessitado de tudo. Fiel a si mesmo, prefere este caminho para revelar-nos o seu rosto, para manifestar aos homens a sua verdadeira identidade, o seu amor de Pai que quer tocar cada homem.
O Antigo Testamento nos diz que nenhum homem podia olhar o rosto de Deus e continuar a viver. Moisés “cobriu o rosto, por que tinha medo de olhar em direção a Deus” (Ex 3,6). Também o profeta Elias cobriu o rosto com o manto quando se encontrou diante do Senhor (cf. 1 Rs 19,13).
Pelo contrário, com a encarnação chega o momento no qual Deus quer mostrar aos homens o seu rosto e o faz assumindo o rosto de uma criança, de uma criança frágil e indefesa.
Eis a “grande invenção” de Deus para destruir o medo do homem, para anular a distância que nos separa dele.
Com freqüência, experimentamos o medo de Deus: a idéia de um Deus juiz, de um Deus severo que castiga o pecado e que, por isso, nos provoca medo de encontrá-Lo. Outras vezes, o medo nasce porque nos sentimos indignos de estar diante dele, ou mesmo, tememos perder a nossa liberdade na medida em que acolhemos a sua vontade. Quando medo de mudar a direção da própria vida, quando nos colocamos à escuta da palavra de Deus!
Desde sempre, o medo é o inimigo número um do homem, separando-o de Deus.
O mesmo pecado original acontece na marca do medo, quando Adão disse ao seu Criador: “Tive medo e me escondi” (Gn 3,10).
Mas Deus quer destruir o medo. E, para realizar isto, Ele escolhe tornar-se criança. Uma criança não provoca medo, o seu choro não afasta ninguém; a sua fragilidade não suscita competição, mas ternura; o seu ser necessitado não representa nenhuma ameaça, nem perigo. Ninguém tem medo de uma criança, nem mesmo quem se sente pequeno e com menos talentos ou quem se reconhece como pecador.
“Não temam, eu vos anuncio uma grande alegria... Isto será para vós um sinal: encontrareis um menino envolto em faixas, deitado em uma manjedoura” (Lc 2,10), são palavras com as quais o Anjo convida os pastores a irem até Belém. O sinal para reconhecer que Deus veio habitar no meio dos homens é um menino envolto em faixas. Nada de excepcional: um menino recém-nascido entregue aos cuidados da sua mãe, necessitando de tudo. Mas aqui está contida a potência do amor de Deus, o seu convite a abrir-lhe o coração, a acolhê-lo na própria vida e na própria história.
Também aqueles que estão na escuridão, na angustia, na fadiga da vida podem aproximar-se deste Deus criança e tomá-lo nos braços sem medo de serem rejeitados ou de serem considerados desprezíveis. Maria, sua mãe, está ali, pronta a colocá-lo nas nossas mãos e nos diz: “Segura-o, não temas, é o teu Senhor que nasce para ti".Pe. Luigi Prandin
Maria Luigia Corona

Última Alteração: 16:30:00
Fonte: Comunidade Missionária de Villaregia Local:São Paulo

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ORAÇÃO AO DEUS DO IMPOSSIVEL

Esta oração foi feita por uma pessoa que estava em grande angústia:
"Meu Senhor, minha alma está perturbada e angustiada; o medo e o pânico tomam conta de mim. Sei que isto acontece por causa da minha falta de fé, da falta de abandono nas tuas mãos santas e de não confiar totalmente no teu poder Infinito. Perdoa-me Senhor e aumenta a minha fé. Não olhe para a minha miséria e para o meu egocentrismo.
Eu sei que estou apavorado porque teimo e insisto, por minha miséria, em ficar contando apenas com as minhas forças humanas miseráveis, com os meus métodos e com os meus recursos. Perdoa-me Senhor e salva-me, ó meu Deus. Dá-me a graça da fé Senhor, dá-me a graça de confiar no Senhor sem medidas, sem olhar para o perigo, mas olhar somente para Ti, Senhor; socorre-me ó Deus.
Sinto-me só e abandonado, e não há quem possa me ajudar, a não ser o Senhor. Abandono-me em tuas mãos, Senhor, nelas eu coloco as rédeas da minha vida, a direção do meu caminhar, e deixo os resultados nas tuas mãos. Eu creio em Vós Senhor, mas aumenta a minha fé. Eu sei que o Senhor ressuscitado caminha ao meu lado, mas assim mesmo eu ainda temo, porque não consigo abandonar-me inteiramente em tuas mãos. Socorre a minha fraqueza, Senhor.
Sei meu Senhor, que para vós não há 'beco sem saída', não há problema sem solução. Sei que o Senhor pode fazer jorrar água da pedra e sei que pode transformar água em vinho e pedras em pães. Sei que o Senhor dá ordens aos ventos e ao mar..., sei que nenhum passarinho cai por terra sem a vossa vontade, e que os fios de meus cabelos estão todos contados (Mt 10,29-30). Eu sei, Senhor que o Senhor cuida das aves do céu e dos lírios dos campos, que não semeiam e não ceifam, e o Senhor lhes dá o alimento e as vestes, que valem muito menos do que nós. Eu sei de tudo isto, Senhor, mas a minha fé é fraca; me perdoe, me cure e aumente a minha fé, Senhor! Eu não desisto de procurar-Te e de alcançar uma fé firme.
Em Teu Nome, levanto a minha cabeça Senhor e expulso o medo e a angústia de minha alma. Em Teu Nome, Senhor, eu não temerei mal algum, porque sei que o Senhor é o meu Pastor e nada me faltará; eu sei que o Senhor é protetor da minha vida; eu nada temerei.(...)
Para Vós não há "beco sem saída"
Eu aceito tudo Senhor, aceito tudo. Eu sou todo teu, e tudo o que sou e que tenho te pertence, meu Deus. Não quero estar apegado a nada; e sei que o Senhor está me libertando de todas essas amarras que me prendem a este mundo. O Senhor me quer livre, desapegado e despojado de tudo. Agora entendo um pouco mais Senhor o que o Senhor está fazendo em mim com este sofrimento que às vezes esmaga a minha alma.Sei que TUDO concorre para o bem dos que te amam, Senhor (Rm 8,28) e eu te amo Senhor; sou miserável pecador, mas te amo. Então, sei que tudo que o Senhor permitir que me aconteça será para o meu bem, ainda no fogo desta provação o Senhor está me moldando, está me lapidando, está me salvando e mudando para melhor. Sei que é no cadinho do fogo do sofrimento que o Senhor purifica as almas. Daí-me a graça de suportar tudo Senhor, na fé, com paciência, resignação, te dando sempre graças. Sei que amanhã eu colherei os frutos de toda esta provação. Bendito sejas, Senhor! (...)
Sei que o Senhor ressuscitado caminha a meu lado, eu seguro em tuas mãos, lanço-me nos teus braços. Sei que o Senhor cuida de mim. Diante de cada problema quero te perguntar: Como vamos resolver isto, Senhor? Eu não sei, mas o Senhor sabe. Dá-me teu Santo Espírito, dá-me tua sabedoria e tua força. Vem, Espírito Santo, ocupa a minha mente e o meu coração. Quero ser teu, ó Divino Espírito Santo, quero ser renovado em vós, na fé e no amor de Deus.
Não permito Senhor que a tristeza tome conta de mim. Quero alegrar-me SEMPRE no Senhor, porque o Senhor está perto (Fil 4,4s). Em Teu Nome, eu lanço fora toda a tristeza de minha alma e toda preocupação. Em Teu Nome não permito que minha alma seja sufocada e minha vida esmagada e estragada pela tristeza.
Não quero mais ficar olhando para a tempestade que me assusta Senhor, e me enfraquece a fé; quero apenas olhar para o Senhor, com olhar fixo e confiante, no meio da tormenta e da dúvida. Não me deixe ser engolido pelo medo da tempestade, Senhor. Ainda que eu tenha de atravessar o vale da morte, não temerei, pois o Senhor vai comigo. (...)Sei que o Senhor estará comigo sempre, para me livrar de todos perigos."
"Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos todos os seus inimigos e fujam de Sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém."

AMOR SENTIMENTO OU ATITUDE ?

JOÃO 4.1-21
Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus; etodo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. (1Jo 4.7.)
Um fazendeiro rico morava sozinho, no meio de centenas de hectares deterras cultivadas. Era um homem avarento e egoísta. Não permitia que ninguémentrasse em sua fazenda para apanhar nem sequer um pedaço de lenha.Quantas vezes deu tiros para espantar mulheres e crianças que, sem conheceremo perigo, invadiam suas terras para catar os “cavacos” para o fogão delenha. E aquele homem morreu ali, sozinho. Não havia herdeiros para suafortuna. E todos os seus bens, que ele guardara com tanta usura, foram para ogoverno. Como a sua história teria sido diferente se ele conhecesse o amor deDeus e soubesse repartir. Como teria espalhado amor e seria amado.O que deixamos de plantar jamais iremos colher. Há tanta “lenha” nasterras de seu coração! Não permita que elas apodreçam ao léu. Deixe queaqueçam casas inteiras e sejam usadas para fazer a comida de alguém. Semeieamor. Vale a pena!
Servir ao Senhor traz prazer ao coração,Servir ao Senhor provando a gratidão,Entoando-lhe doce canção,Que sobe aos céus como uma oferta.Oferta de quem, na certa,Vive para Deus, sempre alerta,Deixando o caminho mau,Trilhando o caminho estreito,Levando sempre no peitoA verdade, o amor, a bondade,A presença do Senhor!
Pai, tu és maravilhoso e transbordas o nosso coração da doçurado teu amor. Ensina-nos a repartir com o nossopróximo as bênçãos que nos dás. Amém.

PAPA CONVIDA A RENOVAR DIALOGO SOBRE BELEZA E VERDADE PARA UM NOVO HUMANISMO CRISTÃO.

Bento XVI enviou uma mensagem ao presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, o arcebispo Gianfranco Ravasi, por ocasião da XIII reunião plenária das sete Pontifícias Academias, aberta esta manhã, no Vaticano.
A mensagem do papa foi lida pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone. O evento, organizado este ano pela Pontifícia Insigne Academia de Belas Artes e Letras dos Virtuosos do Pantheon, tem como tema central “Universalidade da beleza: estética e ética em confronto”.
Em sua mensagem, o Santo Padre faz um convite ao empenho de modo “apaixonado e criativo” para promover nas culturas contemporâneas “um novo humanismo cristão que saiba percorrer com clareza e decisão o caminho da autêntica beleza”.
O pontífice destaca que é urgente “um renovado diálogo entre estética e ética, entre beleza, verdade e bondade”, ressaltando que essa necessidade nos é reproposta “não somente pelo atual debate cultural e artístico, mas também pela realidade cotidiana”.
Em diferentes níveis “emerge dramaticamente a cisão, e por vezes o contraste entre as duas dimensões, a da busca da beleza - compreendida, porém, redutivamente como forma exterior, como aparência a ser buscada a todo custo - e a da verdade e bondade das ações que se realizam para alcançar uma certa finalidade”, escreve o papa.
“Uma busca da beleza que fosse estranha ou alheia à humana procura da verdade e da bondade se transformaria, como infelizmente se dá, em mero estetismo e, sobretudo para os mais jovens, num itinerário que desemboca no efêmero, no aparecer banal e superficial ou até mesmo numa fuga rumo a paraísos artificiais, que mascaram e escondem o vazio e a inconsistência interior”, constata Bento XVI.
O pontífice acrescenta que essa busca, “aparente e superficial, não teria certamente um respiro universal, mas resultaria inevitavelmente totalmente subjetiva, se não até mesmo individualista, acabando por vezes na incomunicabilidade”.
Mas como responder a esse desafio? Na mensagem, o papa ressalta “a necessidade e o compromisso de um alargamento dos horizontes da razão”.
Nessa perspectiva, Bento XVI enfatiza que “é necessário voltar a compreender também a última conexão que liga a busca da beleza com a busca da verdade e da bondade”. E adverte: “Uma razão que quisesse desfazer-se da beleza resultaria reduzida à metade, como também uma beleza desprovida da razão se reduziria a uma máscara vazia e ilusória”.
Em seguida, o papa retoma a sua reflexão sobre a relação entre beleza e razão, feita no encontro com o clero da Diocese de Bressanone, nordeste da Itália, em agosto passado. “Devemos buscar uma razão muito ampliada na qual coração e razão se encontram, beleza e verdade se tocam”, exorta o pontífice.
Bento XVI acrescenta que se esse compromisso é válido para todos, o é ainda mais para o fiel “chamado pelo Senhor a dar razão a todos da beleza e da verdade da própria fé”. A beleza das obras de que fala o Evangelho “vai além, envia a outra beleza, verdade e bondade que somente em Deus têm a sua perfeição e a sua fonte última”.
Em seguida, o papa faz uma exortação: “O nosso testemunho deve alimentar-se dessa beleza, o nosso anúncio do Evangelho deve ser percebido na sua beleza e novidade”.
Por isso, “é necessário saber comunicar com a linguagem das imagens e dos símbolos. A nossa missão cotidiana deve tornar-se eloqüente transparência da beleza do amor de Deus para alcançar eficazmente os nossos contemporâneos, muitas vezes distraídos e absorvidos por um clima cultural nem sempre propenso a acolher uma beleza em plena harmonia com a verdade e a bondade, mas mesmo assim sempre desejosos e nostálgicos de uma beleza autêntica, não superficial e efêmera”.
Por outro lado, ressalta Bento XVI, também no recente Sínodo dos Bispos foi evidenciada a importância “do saber ler e escrutar a beleza das obras de arte”, como também foi reiterada “a bondade e eficácia” do caminho da beleza. Esse caminho é “um dos possíveis itinerários, talvez o mais atraente e fascinante para compreender e alcançar a Deus”.
O papa convida a retomar, à distância de dez anos da publicação, a Carta aos Artistas de João Paulo II. Um texto que nos convida a refletir “sobre o íntimo e fecundo diálogo entre a Sagrada Escritura e as diversas formas artísticas”.
Uma Carta, observa ele, que exorta a renovar a reflexão “sobre a criatividade dos artistas e sobre o tanto fecundo quanto problemático diálogo entre estes e a fé cristã, vivida na comunidade dos fiéis”.
Por fim, o pontífice faz uma exortação aos acadêmicos e aos artistas a “suscitarem maravilha e desejo do belo, a formarem a sensibilidade dos ânimos e a alimentarem a paixão por tudo aquilo que é autêntica expressão do gênio humano e reflexo da Beleza divina”.
Concluindo a mensagem, o papa expressa palavras de elogio ao vencedor do Prêmio das Pontifícias Academias, atribuído este ano ao estudioso de literatura italiana, Dr. Daniele Piccini.
Faz-se também uma menção de mérito ao jovem pintor, Dr. Giulio Cateli, e à Fundação de arte italiana “Staurós”, condecorados com uma Medalha de seu pontificado.
Por sua vez, em seu pronunciamento, o Arcebispo Gianfranco Ravasi ressaltou que na Bíblia encontramos uma forte fusão entre ética e estética que não exclui a contemplação do belo.
Tanto no Antigo como no Novo Testamento a beleza é sempre também uma epifania de Deus e jamais se encontra um estetismo fim a si mesmo. Portanto, a verdadeira estética não pode separar-se de seu fundamento, concluiu o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura.

Última Alteração: 08:21:00
Fonte: Radio Vaticano Local:Cidade do Vaticano

lll CONGRESSO MUNDIAL CONTRA EXPLORAÇÃO INFANTIL

Realiza-se a partir desta terça-feira até o próximo dia 28, no Rio de Janeiro, o III Congresso Mundial contra a exploração sexual das crianças e adolescentes, promovido pelo Governo brasileiro, em colaboração com o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e algumas ONGs em defesa do menor.
Do encontro participam cerca de 3.000 representantes de 148 países, e foi inaugurado pelo Presidente Inácio Lula da Silva. Além de abrir o congresso, o presidente Lula também deve assinar no evento o projeto de lei aprovado no Senado Federal que torna crime o recebimento, envio e armazenamento de imagens de exploração sexual infantil.
Também está previsto o lançamento de um portal coordenado pela Polícia Federal. Este portal vai rastrear, monitorar e investigar sites e páginas da web com indícios de exploração sexual de menores.
Segundo a subsecretária de Promoção dos Direitos das Crianças e do Adolescente da Presidência da República, Carmen Oliveira, o uso da internet para a exploração sexual infantil será um dos grandes focos desta edição do congresso.
"Esses novos cenários, como a internet, são os que mais nos preocupam. Estamos tentando correr atrás do prejuízo, porque a internet é um território desregulado. Não queremos censura, mas medidas simples como o projeto de lei que será sancionado pelo presidente Lula", disse.
Outra medida do governo federal que será apresentada no congresso é a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta com provedores, para que eles forneçam a identificação de usuários suspeitos de praticar ou participar da exploração sexual de menores.
O Congresso será dividido em cinco sessões: formas de exploração sexual com fins comerciais; contexto legislativo e transparência; políticas intersetoriais integradas; iniciativas de responsabilidade social; e estratégias para a cooperação internacional.

Última Alteração: 08:52:00
Fonte: Radio Vaticano Local:Rio de Janeiro (RJ)

ARQUIDIOCESE DE FLORIANOPOLIS MANIFESTA SOLIDARIEDADE AS VITIMAS DA CHUVA.

A arquidiocese de Florianópolis (SC) redigiu nota em solidariedade às vítimas da chuva que atinge Santa Catarina desde o fim de semana. Já são 1,5 milhão de pessoas atingidas. Dessas, já se somam 69 mortos. O número foi divulgado hoje pela Defesa Civil do estado. O número de desabrigados já ultrapassa os 53 mil habitantes. Em nota, a arquidicecese pede ajuda em favor dos desabrigados. Veja o texto na íntegra, abaixo.
ARQUIDIOCESE DE FLORIANÓPOLIS ASA (Ação Social Arquidiocesana)Fui atingido pelas enchentes e me socorreste!
Prezados Irmãos e Irmãs,
Milhares de pessoas em nosso Estado estão sendo duramente atingidas pelas enchentes, principalmente em nosso litoral e no Vale do Itajaí. Inúmeras famílias choram seus mortos. Não poucas perderam tudo. Sabemos que, quando as águas baixarem, os problemas não só continuarão, como se agravarão. Mais do que nunca, é necessário escutarmos a voz do Senhor, que nos lembrava, domingo passado, na Solenidade de Cristo Rei, como será nosso julgamento: “Eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber... eu estava nu e me vestistes... Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mateus 25,35-36.40).Queremos manifestar nossa solidariedade com as famílias enlutadas. Que sua dor atraia os olhares do Bom Pastor e seja Ele próprio a fortalecê-las. Incentivamos as Paróquias que em suas dependências acolhem milhares de desabrigados a renovarem sua atenção e dedicação em favor dos que sofrem. Pedimos que as Ações Sociais Paroquiais, especialmente as das regiões não afetadas, se unam à ASA – Ação Social Arquidiocesana, na campanha em favor dos desabrigados. A participação nessa Campanha poderá ser feita levando-se em conta o seguinte: 1ª) Doação de roupas (agasalhos, roupa de cama, roupa de banho etc.). Maneira de doá-las: lave-as, se for o caso, pois os desabrigados não terão condições de fazê-lo; coloque-as numa sacola ou pacote e escreva, por fora: (1) o que há dentro, (2) se é para homem ou mulher, e (3) para que idade servirá. 2ª) Doação de alimentos: não perecíveis. 3ª) Doação em dinheiro: depositar no BANCO DO BRASIL, Agência 3174-7, Conta 17611-7, em nome de Ação Social Arquidiocesana/Flagelados SC 2008. Favor comunicar sua doação por e-mail asa@arquifln.org.br ou por fax: (48) 3224.8776.
O que nos for entregue será repassado pela ASA e pelas Ações Sociais das Paróquias aos necessitados. Locais para a entrega de roupas e alimentos: Secretarias das Paróquias da Arquidiocese de Florianópolis (horário de expediente).
Duração desta Campanha: até o dia 15/12/08.Florianópolis, 25 de novembro de 2008 – Dia de Santa Catarina de Alexandria, Padroeira Arquidiocesana e do Estado de Santa Catarina.
+Dom Murilo S.R. Krieger, scjArcebispo de Florianópolis ePresidente da ASA

RITIMO SINODAL



No mês de outubro tivemos um sínodo, cujas repercussões ainda continuam. Seu tema era atraente. Tratava-se da Bíblia, com tudo o que envolve este vasto assunto de dimensões religiosas e culturais muito importantes para a humanidade. Daí o interesse, não só da Igreja Católica, e de outras Igrejas, mas também de outras religiões.
Basta ver a repercussão da presença de um rabino judeu, convidado a falar diante do papa e dos bispos, ocasião que ele aproveitou para reiterar uma queixa dos judeus sobre a atuação de Pio XII. Na opinião deles poderia ter feito mais do que fez para evitar o holocausto contra os judeus praticado pelo regime nazista.
Foi notável também a presença do patriarca de Constantinopla, Bartolomeu Primeiro, sinalizando a lenta mas persistente reaproximação entre Católicos e Ortodoxos, incentivada pelo atual papa.
Mas isto mostra também que o sínodo, e os sínodos em geral, se tornaram o melhor palco para a Igreja fazer suas propostas, administrar suas estratégias, e apresentar seus objetivos.
Existe um fato mais amplo e mais consistente. Os sínodos, na maneira como são realizados atualmente, nasceram do concílio. Foram instituídos por Paulo VI com a declarada intenção de prolongar o processo conciliar. Com isto, vai sendo retomada uma dimensão eclesial fundamental e indispensável para a vivência da unidade e da missão da Igreja, que é o seu caráter sinodal. A Igreja necessita cultivar a postura de quem se reúne, para refletir, para escutar o que os outros têm a dizer, e buscar saídas para os impasses existentes. A Igreja não tem todas as respostas prontas. Ela precisa se perguntar o que Deus lhe pede nas circunstâncias históricas que vão mudando, e perguntar aos outros, de onde vêm, com freqüência, as melhoras observações.
Este caráter sinodal não é expresso só pela realização eventual de algum sínodo, ou durante o tempo em que se realiza determinado sínodo. Os sínodos são manifestações de uma realidade que tem caráter de permanência e de constituição.
Prova disto é a continuidade que a Igreja procura dar aos diversos sínodos já realizados. Nesta semana, por exemplo, se reuniu a Comissão do Sínodo da América. Ora, ele foi realizado ainda em 1997. Mas ele continua como referência para a “Igreja na América”, como diz o título do documento que resultou dele. Não só pelas recomendações que ele fez. Mas também para lembrar que a Igreja tem necessidade permanente de conferir os acontecimentos, e ver quanto eles repercutem na sua vida.
Em vista da celebração do solene jubileu do milênio, a Igreja realizou “sínodos continentais”, nos cinco continentes. Pois bem, todos estes sínodos continuam com os seus “conselhos pós sinodais”, como se chamam oficialmente as comissões eleitas no final de cada sínodo para levar adiante o seu processo.
Estes “conselhos” se reúnem cada ano. Para o continente africano já está decidido que em breve será feito outro “sínodo para a Igreja na África”. Pode ser que se decida realizar também um outro sínodo para a América. Motivos não faltariam, se olhamos as significativas transformações políticas ocorridas ultimamente, não só nos Estados Unidos com a crise de agora e com a eleição de Barak Obama, mas também na maioria dos países latino americanos, onde estão em curso, com muita evidência, grandes transformações que a Igreja não pode ignorar.
Mas me parece que a Igreja tem um interesse especial com sua presença na América. Nosso continente traz marcas profundas da Europa. Pois bem., a Igreja se dá conta que o Evangelho tem a vocação de se encarnar nas culturas de cada continente, continuando a dinâmica da encarnação do Filho de Deus. A experiência americana, com sua dose européia e com sua criatividade própria, serve de ponte para a presença da Igreja em outros continentes, onde ainda ela precisa abrir os caminhos de sua inserção. A Igreja na América precisa se dar conta deste seu compromisso.
(http://www.diocesedejales.org.br/)


Última Alteração: 09:05:00
Fonte: Dom Demétrio Valentini - Bispo de Jales Local:Jales (SP)

PERDIDA A UNIDADE NA IGREJA ?

Padre Elílio de Faria Matos Júnior No Credo professamos: Credo unam sanctam catholicam et apostolicam Ecclesiam. Sim, a Igreja de Cristo é una, santa, católica e apostólica, e os grandes tratados de eclesiologia têm procurado comentar essas quatro notas, uma a uma. Na verdade, não pode faltar à Igreja nenhuma dessas notas sem que sua essência mesma seja destruída. Mas a Igreja, conforme a promessa do Senhor (cf. Mt 16), não pode ser destruída[1], o que significa que as notas que a constituem hão de permanecer para sempre.
Infelizmente, porém, aparecem, aqui e ali, certos teólogos que se prontificam a deturpar ou mesmo negar uma ou mais das referidas notas, o que os coloca fora do âmbito da fé divina e católica. As heresias sempre existiram ao longo da história da Igreja, e já nos tempos apostólicos temos testemunhos de que não estiveram ausentes. Entretanto, guiada pelo Espírito prometido por Jesus, a Igreja as venceu todas, iluminando com a luz da Verdade as mentes de todos os que se submetem ao doce domínio de Cristo e condenando com clareza os impiedosos erros a respeito do desígnio salvífico de Deus.
Nos últimos tempos, contudo, criou-se um novo clima na vida da Igreja, ninguém poderá negá-lo. Infelizmente, muitos na Igreja, inclusive alguns pastores de almas, já não mostram o zelo necessário no combate ao erro e na promoção da Verdade. Tal postura tem facilitado enormemente a difusão de heresias e de distorções da doutrina entre os fiéis.
Nesse sentido, deparei-me recentemente com um texto de um conhecido teólogo brasileiro[2], texto que nega abertamente uma das notas essenciais da Igreja, a sua unidade e conseqüente unicidade. Quando professamos Credo unam Ecclesiam, estamos afirmando que a Igreja de Cristo não está dividida em várias igrejas ou denominações cristãs, e que, portanto, ela é una e única. Mas vamos ao texto que nega a unidade da Igreja; eis o que está dito expressamente:
A Igreja de Cristo aparece na história como um espelho quebrado em muitos pedaços. Em cada um deles se reflete algo do mistério da Igreja. Mas não conseguimos em cada pedaço divisar, no tempo da peregrinação, o mistério na sua totalidade. Esse passo é graça de Deus que não merecemos, mas que devemos buscar a cada dia, na fidelidade ao Espírito do Senhor, para retomar o caminho da unidade perdida (o negrito é meu).[3]
E ainda:
O importante é que todos nos disponhamos a aprender o caminho das “realizações deficientes” da Igreja de Cristo em cada uma de nossas igrejas em direção ao projeto de Deus, para que o Espírito Santo, em sua ação eficaz, possa recompor o ‘espelho quebrado’ numa unidade articulada (o negrito é meu).
Vejamos bem o teor dessas afirmações. Está dito que: a) a Igreja una de Cristo não existe no tempo presente; b) as diversas igrejas refletem, cada qual a seu modo, algo do mistério da Igreja una, mas nunca mostram a Igreja em sua integralidade; c) a Igreja una, que ainda não existe, deve ser, sob a ação do Espírito, objeto de nossa busca.
Ora, todas e cada uma dessas afirmações estão em contradição aberta com o autorizado ensinamento da Igreja católica. É de fé divina e católica a doutrina segundo a qual a Igreja de Cristo já existe neste mundo em sua unidade e integralidade (enriquecida de todos os meios necessários à salvação), e que ela se identifica com a Igreja católica entregue a Pedro e a seus sucessores, embora fora de seus quadros visíveis haja elementa Ecclesiae, de modo que resulta absurda a afirmação de que a Igreja de Cristo é ainda um sonho a se realizar no futuro através de uma espécie de articulação de todas as igrejas hoje existentes.
Pio XI, em 1928, já condenava a absurda opinião apresentada por nosso teólogo. Veja as palavras pontifícias sobre os hereges de antanho, que parecem ter sido mesmo escritas justamente para combater as descabidas idéias acima referidas:
Pois opinam: a unidade de fé e de regime, distintivo da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu até hoje e nem hoje existe; que ela pode, sem dúvida, ser desejada e talvez realizar-se alguma vez, por uma inclinação comum das vontades; mas que, entrementes, deve existir apenas uma fictícia unidade.
Acrescentam que a Igreja é, por si mesma, por natureza, dividida em partes, isto é, que ela consta de muitas igreja ou comunidades particulares, as quais, ainda separadas, embora possuam alguns capítulos comuns de doutrina, discordam todavia nos demais. Que cada uma delas possui os mesmos direitos, que, no máximo, a Igreja foi única e una, da época apostólica até os primeiros concílios ecumênicos.
Assim, dizem, é necessário colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiqüíssimas variedades de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conheçam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progressos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.[4]
Ora, é fato que, ao longo de 2000 anos de história do Cristianismo, houve inúmeras divisões. Muitos grupos se separaram da Igreja católica, constituindo comunidades permanentes, que, inclusive, reclamam para si a autêntica herança de Cristo. O caso mais patente de divisão, tanto pelo fato de estar mais próximo de nós como pelas suas conseqüências de maior amplitude e atualidade, foi a Reforma Protestante, ocorrida no séc. XVI.
Entretanto cabe-nos uma pergunta: Com as divisões, a Igreja perdeu sua unidade, ficou também dividida? Muitos pretendem que sim; a Igreja teria, depois das divisões, perdido sua unidade. Essa é a tese defendida pelo teólogo a que nos referimos. A Igreja una ter-se-ia cindido em muitas partes como um espelho quebrado em muitos pedaços, de modo que cada parte do espelho – cada denominação cristã, inclusive a Igreja católica – já não poderia sozinho refletir a totalidade da imagem, isto é, do mistério da Igreja.
A Igreja católica, a bom título, não concorda com essa posição. A doutrina católica sempre sustentou que a unidade, da qual a Igreja foi dotada por vontade divina, tem subsistido e subsistirá para sempre. Mesmo as divisões ocorridas ao longo da história do Cristianismo não a destruíram e jamais poderão fazê-lo. A unidade, com todas e cada uma das notas essenciais da Igreja, permanece para sempre, pois é o Senhor que guia e sustenta a sua obra.
O Concílio do Vaticano II reafirmou a doutrina tradicional segundo a qual a Igreja de Cristo perdura ao longo da história e realiza, já neste mundo, a nota da unidade. A Constituição Lumem gentium, ao falar sobre a Igreja de Cristo, ensina:
Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele, embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica.[5]
Esse texto, ao declarar que a Igreja de Cristo existe neste mundo como sociedade visível subsistente na Igreja católica entregue a Pedro e a seus sucessores, afirma que unidade e unicidade da Igreja também existem atualmente, pois que a Igreja de Cristo é una e única. O texto conciliar rejeita toda afirmação que pretenda sustentar que a Igreja una e única é uma realidade ainda a ser construída no futuro, ou que se dará somente na escatologia. A Igreja de Cristo já existe atualmente provida de todos os elementos necessários à salvação.
Verdade é que o concílio não usou o verbo “ser” (est) para falar da identificação da Igreja de Cristo com a Igreja católica, mas preferiu a expressão “subsistir em” (subsistit in). Muitos, a partir disso, pretenderam que o concílio tivesse abrido mão da identificação da Igreja de Cristo com a católica, e até sustentaram que a Igreja de Cristo pudesse subsistir também em comunidades eclesiais não-católicas. Mas assim se interpreta mal o Concílio. O Concílio não mudou a doutrina sobre a Igreja, nem poderia fazê-lo, mas tão somente a aprofundou, realçando-lhe certos aspectos. Se usou a expressão subsistit in (subsiste em) em vez do verbo est (é) para falar da relação entre a noção de Igreja de Cristo e de Igreja católica confiada a Pedro, não foi com a intenção de negar a identificação entre ambas, mas de, professando firmemente a doutrina tradicional, abrir-se ao reconhecimento de que fora dos quadros visíveis da mesma Igreja católica há verdadeiros elementos eclesiais, embora não em sua plenitude.
Em outras palavras, há uma única subsistência da verdadeira Igreja de Cristo. A unicidade da Igreja o exige. Mas fora dessa única subsistência visível não há o vazio eclesial; há elementos da verdadeira Igreja fora da Igreja católica, em maior ou menor número conforme a Comunidade eclesial, elementos esses que, por pertencerem à Igreja de Cristo subsistente na Igreja católica, impelem à unidade católica (cf. LG 8).
Recentemente, Bento XVI, ao discursar para os membros da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, fez questão de enfatizar a indefectibilidade da Igreja nos seguintes termos:
Em particular a Congregação para a Doutrina da Fé publicou no ano passado dois Documentos importantes, que ofereceram alguns esclarecimentos doutrinais sobre aspectos fundamentais da doutrina sobre a Igreja e sobre a Evangelização. São esclarecimentos necessários para o desenvolvimento correto do diálogo ecumênico e do diálogo com as religiões e culturas do mundo. O primeiro Documento tem o título "Respostas a questões relativas a alguns aspectos sobre a doutrina da Igreja" e repropõe também nas formulações e na linguagem os ensinamentos do Concílio Vaticano II, em plena continuidade com a doutrina da Tradição católica. Deste modo é confirmado que a Igreja de Cristo, una e única, tem a sua subsistência, permanência e estabilidade na Igreja Católica e que por conseguinte a unidade, a indivisibilidade e a indestrutibilidade da Igreja de Cristo não são anuladas pelas separações e divisões dos cristãos. Paralelamente a este esclarecimento doutrinal fundamental, o Documento repropõe o uso lingüístico correto de certas expressões eclesiológicas, que correm o risco de ser mal compreendidas, e chama para esta finalidade a atenção sobre a diferença que ainda permanece entre as diversas Confissões cristãs em relação à compreensão do ser Igreja, em sentido propriamente teológico (o negrito é meu).[6]
Desse modo, fica evidenciado que o ensinamento autorizado da Igreja, sustentado pela Tradição, é o de que a Igreja de Cristo, malgrado todas as divisões que se deram no interior do Cristianismo, não está dividida neste mundo em muitos pedaços, como sugere o texto do teólogo que citamos, mas subsiste (perdura integralmente, em sua unidade e unicidade) na Igreja católica governada pelo sucessor do Apóstolo Pedro, o Papa. A permanência da Igreja neste mundo em sua integralidade é dom do Senhor, que devemos humildemente reconhecer. Isso não significa, porém, que não devamos trabalhar para que os batizados em sua totalidade, atualmente divididos, estejam um dia em plena comunhão pela mesma fé, mesmos sacramentos e mesmo governo. Não significa também que a Igreja já mostre neste mundo todo o seu esplendor, o que fica reservado para a escatologia.
[1] A indefectibilidade da Igreja foi recentemente inculcada por Bento XVI no discurso feito aos Bispos do Brasil na Catedral da Sé em São Paulo, aos 11 de maio de 2007. O Papa vale-se das palavras de Santo Agostinho. Eis o texto: “Mas tende confiança: a Igreja é santa e incorruptível (cf. Ef 5,27). Dizia Santo Agostinho: ‘Vacilará a Igreja se vacila o seu fundamento, mas poderá talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos’ (Enarrationes in Psalmos, 103,2,5; PL, 37, 1353.)”.
[2] Trata-se do Pe. Cleto Caliman, que reside atualmente em Belo Horizonte.
[3] CALIMAN, Cleto. Creio na Igreja Católica. São Paulo: Paulus, 2007 (Col. “Por que creio”), p. 49ss.
[4] Encíclica Mortalium animos, n.9. Cf.:http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19280106_mortalium-animos_po.html
[5] Constituição dogmatica Lumem gentium sobre a Igreja, do Concílio do Vaticano II, n. 8.
[6] Discurso do Papa Bento XVI à Congregação para a Doutrina da Fé reunida em Sessão plenária (31/1/08); cf.: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2008/january/documents/hf_ben-xvi_spe_20080131_dottrina-fede_po.html.

Última Alteração: 09:11:00
Fonte: Padre Elílio de Faria Matos Júnior Local:Minas Gerais

NOVO ANO LITURGICO

Com o primeiro domingo do Advento começa um novo Ano Litúrgico. Advento é um termo latino que designa o ato de chegar. Os poetas romanos falaram da “chegada do dia”. O que a Igreja celebra é o advento de Jesus por ocasião de seu Natal, festa que deve ser, piedosa e cuidadosamente, preparada. O ciclo litúrgico terminou com a solenidade de Cristo Rei e começa com uma meditação sobre o segundo advento do Redentor na parusia, ou seja, na sua volta gloriosa, no final dos tempos, para estar presente ao Juízo Final. Por isto cumpre uma atenção especial à vigilância. Todo o Antigo Testamento foi uma preparação para o instante da Encarnação do Verbo Divino. Eis por que aparecem no Advento as leituras sobretudo dos Profetas Isaías, Miquéias e Malaquias atinentes à chegada do Messias. Surgem a figura de João Batista que preparou os caminhos do Senhor e de Maria, a mãe de Deus, Imaculada em sua Conceição. Apesar da cor roxa própria do Advento, domina, porém, uma atenta alegria tanto que no terceiro domingo deste tempo se podem usar paramentos róseos. Isto porque se trata de um período no qual borbulha nos corações dos fiéis a esperança, atitude fundamental de todos os que crêem na redenção da humanidade. Cumpre então ao batizado ser irrepreensível, mas na mais total confiança em Deus que quer a salvação de todos. No horizonte da História refulgiu a Luz que “ilumina todo homem que vem a este mundo”(Jo 1,9). Aí o fundamento que a expectativa do Natal oferece. Trata-se de se mergulhar nesta realidade sublime: Deus, Amor infinito, Pai misericordioso, tanto amou o mundo que lhe deu o seu Filho único (Jo 3,16) para que todos tenham a vida em abundância (Jo 10,10). Não se trata de algo ilusório, mas de um fato histórico que é visível no nascimento de Cristo. É preciso, contudo, celebrar esta vinda do Messias em Belém e, depois, no fim dos tempos, numa contínua vigilância, isto é, em estado de sentinela, estado de alerta, velando atentamente para que Cristo possa encontrar preparados os corações para O acolher. Thomas Merton escreveu: "A vida espiritual é antes de tudo uma questão de se manter acordados”. Abre-se novamente então o espaço para uma revisão de vida. Mudança para melhor no relacionamento na família, no local de trabalho, em todas as circunstâncias da vida social. As horas passam e muitos levam mecanicamente os muitos contactos de cada hora sem uma abertura para Cristo presente no próximo com quem Jesus se identificou. É preciso, de fato, uma vida alimentada pela justiça do Reino de Deus, ajustando cada um sua fé com uma existência na qual há coerência entre o que se crê o comportamento pessoal e social. Mister se faz sair de uma desconstrução interior e exterior para a busca da unidade que é o cerne da conversão para Deus e para Sua presença em todos os acontecimentos. Todas as ações impregnadas de um amor sempre mais intenso e transbordante para com os irmãos e irmãs, sobretudo os mais sofredores. Renovação do julgamento interior para compreender a própria história à luz dos ensinamentos do Mestre divino e não segundo nossas categorias de pensamentos egoístas e parciais. Se é verdade que a cicatriz do pecado original desfigura o mundo e lança penumbras no coração este é o contexto do ano que oferece a luminosidade que brilhou em torno de um Presépio. Ecoa neste tempo do Advento o grande clamor: “Vinde Senhor Jesus”! Este anseio deve significar que Ele renovará todos os sentimentos, corrigirá todos os erros. A maneira com que cada um viver o Advento condicionará todas as grandes graças que a data do Natal reserva para os que se renovarem nestes dias abençoados. Deve também estar viva o sinal da presença divina em cada ato que se praticar. Jesus é o Emanuel, o Deus conosco. A aliança entre o homem e o Ser Supremo flui da promessa de salvação que os anjos anunciam no Natal: "Hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor" (Lc 2,11). Daí esta renovação radical que possibilite os efeitos desta vinda do Verbo Eterno a este mundo, trazendo a verdadeira liberdade e a total cura interior. À generosidade divina é necessário que a resposta humana seja sincera e abrangente, deixando o campo livre para a atuação do poder de Deus que vence toda paralisia espiritual, toda indolência nos caminhos da santidade pessoal. * Professor no Seminário de Mariana - MG




Última Alteração: 09:17:00
Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Local:Mariana (MG)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A IMPORTÂNCIA DA LEI NO ANTIGO TESTAMENTO.


A LEI SEM A GRAÇA NÃO SALVA
MAS NOS LIVRA DO PECADO MORTAL ______________________________________________________________
Pergunta :
Se os cristãos afirmam que apenas com a Lei de Deus, a salvação não é possível , e que a Lei necessita do complemento da graça oferecida a todos , de modo vicário , com o sacrifício salvífico do Cristo na cruz , como pode o catolicismo afirmar que os condenados que viveram antes da vinda do Cristo foram levados ao inferno de onde não sairão?
Se a Lei não era suficiente para redimir o homem , o mesmo deveria valer para os pecadores.Todos deveriam aguardar no limbo a vinda do Cristo e a redenção operada com a sua morte e ressurreição , para serem julgados plenamente , não é correto ?
Resposta :
O homem vivia em um estado de paz e amizade com Deus no paraíso ; conhecia a vontade divina , e a necessidade de obedecê-Lo. Contudo , o homem transgrediu esse limite , violou a Lei de Deus e foi expulso desse estado de plenitude.
Deus não o abandonou totalmente ; deu-lhe a Lei e a promessa da redenção em Cristo.
Portanto , a Lei foi ,ao mesmo tempo, expressão do amor divino e manifestação da punição de Deus.
A Lei não salva, mas nos revela a pessoa de Deus e do Messias.
O apóstolo Paulo afirma que "pela lei , vem o pleno conhecimento do pecado", Romanos 3:20.
É pela lei e seus preceitos que podemos perceber que nossa vida não se harmoniza com a vontade de Deus.
A lei nos indica Jesus, a fim de que recebamos a salvação.
Paulo chamou a lei de "aio" (educador) para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé (Cfr Galátas 3:24)
Os homens santos e justos do Antigo Testamento , por terem feito a contrição perfeita e crido no messias , aguardavam no Cheol , o limbo dos patriarcas , o momento de serem levados a Deus.
Portanto , aqueles que além do pecado original , ainda perseveraram no pecado grave e mortal , o fizeram por livre escolha ; conheciam o poder da misericórdia divina e não a aceitaram ; foram por isso condenados .
O amor de Deus , mesmo antes da vinda do Cristo , deveria ser acolhido por todos ; e o pecado repudiado.
Seria injusto da parte de Deus , assegurar ao homem , mergulhado no pecado mortal , uma possibilidade infinita de redenção , se ele mesmo fechou a porta para qualquer ato de arrependimento para com Deus.E como se sentiriam aqueles que tudo fizeram para encontrar a salvação em meio tão adverso ?
De nada adiantaria que os pecadores réprobos aguardassem , no limbo , a comunicação definitiva dos méritos alcançados por Jesus com sua morte e ressurreição - sacrificio que aplacou a ira divina e superou as obras antigas da lei , ainda imperfeitas , para permitir a salvação , mas suficientes para tirar os homens da condenação eterna - pois nada de bom restava nessas almas .
Esse é o mérito da Lei e das obras da Lei , salvar o homem do inferno e dár-lhes , posteriormente , a salvação pela graça de Deus , através de Seu Filho.
A Graça não é , rigorosamente, incompatível com a Lei (Rm. 3:31; Mt. 5:17).
A Lei não era suficiente para salvar sem a complementação da graça , mas era suficiente para impedir a condenação eterna ; opção escolhida pela humanidade em Adão.
Sem a Lei , sem a preparação do caminho , não seria possível a realização do sacrifício vicário do Cristo na cruz.
Os homens já estariam , todos , condenados ; e a graça não poderia ser comunicada retroativamente.
Autor: Prof Everton Jobim

A PESSOA DIVINA DE CRISTO

O Paráclito que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito de Verdade que procede do Pai, dará testemunho de mim" (Jo 15,26).____________________________________________________________
Na maravilhosa Pessoa de NS Jesus Cristo , a natureza humana não se torna divina , nem tampouco a essência divina se torna humana. Cristo possui , sim , duas naturezas , duas vontades e duas inteligências ; unidas , mas imiscíveis. Este erro é muito frequente , porque tudo em Cristo é atribuído à Sua Pessoa divina.
Deus é um ser incriado , indiviso , uno , substância simples , Espírito puro . Soberano , independente , Ser supremo , ilimitado e eterno - possuidor de inteligência e justiça infinitas .
O IV Concílio de Latrão e o I Concílio Vaticano - com base nas Sagradas Escrituras - atribuem a Deus a eternidade.
Deus é amor , é vida e fonte eterna de vida e santidade . Deus é um ser incondicionado , onipotente , onipresente e onisciente , transcendência absoluta . Deus não nasce , nem morre . É um ser perfeito e imutável.
Os seres criados , por definição , não possuem estas características ; portanto , em Cristo , Deus se une ao homem , mas não se torna homem , nem o homem se torna Deus . Em Cristo , o Deus inivisível , incondicionado e eterno , une-Se à natureza humana , corporal , visível e finita , para a redenção da obra da criação . Essa união é eterna , mas a distinção entre o humano e o divino é mantida. Deus não nasce e nem morre . Contudo , há dois mil anos , encarnou-Se para redimir o homem , na Pessoa do Deus Filho -- o Verbo eterno que viveu a paixão , morte e ressurreição , para redenção do homem e para a glória suprema de Deus. __________________________________________
Dogmas católicos sobre a Pessoa Divina de Jesus ___________________________________________
* É dogma que NS Jesus Cristo é Deus e é homem . O Cristo é plenamente Deus e plenamente homem (I Conc. Nicéia )
* É dogma que existem três Pessoas em Deus , não três substâncias , nem três deuses ; mas um Deus e três Pessoas ( I Conc. Nicéia )
*Em Cristo ocorre a união hipostática entre a substância divina e a substância humana. O Cristo possui a mesma natureza divina ( homousios), ele é a inteligência de Deus encarnada , o Logos divino.
* Cristo é o Verbo divino, unindo-se livremente à substância humana e assumindo livremente a paixão redentora.
* É dogma da Igreja que a Virgem Maria é a mãe de Deus , porque , ao nascer , Jesus já possuia as duas naturezas (Cf. Concílio de Éfeso)
* É dogma católico que Deus é o Pai natural de Cristo , porque Jesus não teve nenhum homem como pai.
* Da mesma forma como uniu-se à substância humana , Nosso Senhor Jesus Cristo também decidiu fazer-se presente no pão e no vinho consagrados , na celebração da eucaristia.
* São dogmas a Ressurreição ao terceiro dia , a Segunda Vinda e o Juízo Final , para a conclusão da obra da redenção. _____________________________________________________
Concílios da Igreja e dogmas sobre Jesus Cristo _____________________________________________________
A Santíssima Trindade _______________________________
Em Deus há três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma - Concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216).
Jesus Cristo é Verdadeiro Deus e Filho de Deus por essência -declarado no Símbolo "Quicumque" do Concílio de Toledo (400-447).
Jesus Cristo possui duas naturezas que não se transformam nem se confundem. Afirma o Papa São Leão I Magno (440-461) em sua epístola dogmática de 13 de Junho de 449: "Ficando então a salvo a propriedade de uma e outra natureza... natureza íntegra e perfeita de verdadeiro homem, nasceu Deus Verdadeiro, inteiro no seu, inteiro no nosso" (Dz. 143 ss.)
Também diz o Concílio de Calcedônia (451, IV Ecumênico):" Cada uma das duas naturezas em Cristo possui uma vontade física e uma própria operação física. "
A heresia que negava a divindade de Cristo era o arianismo , refutada no I Concílio de Nicéia . A heresia que negava a humanidade de Cristo era o monofismo ; o monofisismo e o monotelismo (variação mitigada do monofisismo) foram refutados , respectivamente , nos concílios de Calcedônia e no III de Constantinopla.
Provas da existência das duas vontades de Cristo , nas Sagradas Escrituras:
"Não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres..." (Mt 26,39) "Não seja feita Minha vontade, mas sim a Tua..." (Lc 22,42) "Desci do céu para fazer não a Minha vontade, mas sim a vontade de Quem Me enviou..." (Jn. 6,38) "Ninguém Me tira, Eu a doei voluntariamente, tenho o poder para concedê-la e o poder de recobrá-la novamente..." (Jo 10,18) Verdade também declarada pelo III Concílio de Constantinopla (680-681), sob Santo Agatão (678-681) Jesus Cristo é Filho Natural de Deus Concílio de Trento (1545-1563), na sessão IV de 13 de Janeiro de 1547 (sob Paulo III; 1534-1549). ____________________________________________________________
Essa união do divino no humano é um mistério da fé , porque não plenamente entendida pelos limites da inteligência humana , é uma verdade prefigurada no Livro do Gênesis quando se diz que Deus criou o homem "à sua imagem e semelhança". Está profetizada também no Antigo Testamento , em Isaías com a expressão "Deus Forte" e nas demais referências ao Salvador que nasceria de uma mulher jovem.
Deus se une efetivamente à humanidade na Pessoa do Cristo , que é , toda ela , divina ; apesar das distinção entre a dimensão natural e a dimensão divina. Cristo se subordina a Deus e isso expressa essa distinção . Cristo, na obra da mediação , age de conformidade com as suas duas naturezas , fazendo cada natureza o que lhe é próprio. Porém, devido à unidade da pessoa, o que é próprio de uma natureza é , às vezes , na Escritura, atribuído à pessoa denominada pela outra natureza ( João 10:17-l8; I Ped. 3:18; Heb. 9:14; At. 20:28; João3:13 )
Tudo que NS Jesus Cristo é , e tudo o que faz , se atribui à Sua Pessoa que é divina. Como homem , Cristo viveu e sentiu com todas as restrições experimentadas pelos homens. Mas em sua Pessoa , o divino sempre esteve presente e unido à dimensão humana . Após a sua morte , ao subir , em definitivo , ao céu , Cristo assumiu a forma corpórea gloriosa. Todos os homens justificados pelo Cristo, serão ressuscitados em um corpo glorioso no fim dos tempos .
Quando esteve presente entre os homens , na forma humana , o Deus Filho nunca deixou de estar no céu. E nunca deixou de ser onipresente . O Cristo é o 'arché' , o princípio através do qual tudo foi feito e que sustenta a realidade criada. O Cristo é a inteligência divina , a sabedoria divina.
Deus conhece toda a realidade criada , e está igualmente presente por toda a parte. Decidiu , livreamente , unir-Se ao homem para regenerar a realidade criada ; para expressar Seu amor pelas criaturas e para a Sua Glória. O Deus Filho é , portanto, o modo como Deus conhece a Si próprio e conhece a realidade criada.
As limitações da natureza humana de Cristo , nos seus tempos da carne , não diminuiram ou limitaram , em nada , os Seus atributos divinos. Deus quis unir-se ao Homem , em Cristo , porque decidiu , soberanamente , fazê-lo . Em Deus , nada é imposto como necessário , exceto a Sua Vontade e o Seu Amor por Si mesmo .
Em Cristo , mesmo na paixão e morte , Deus foi glorificado , porque essa paixão foi assumida voluntariamente pelo Deus Filho , para o cumprimento da Sua missão. A missão de derramar seu sangue perfeito para derrotar o pecado e a morte, definitivamente. ____________________________________________________________
TRINDADE IMANENTE (AD INTRA ) E ECONÔMICA ( AD EXTRA ) ____________________________________________________________
Ao discutir a doutrina da Santíssima Trindade, temos que distinguir o que é doutrinariamente conhecido como Trindade imanente e Trindade econômica , ou Trindade "ad intra" , e Trindade "ad extra" , respectivamente. A existência da Trindade imanente não implica em divisões , evolução , ou em algum tipo de fenômeno de causação no interior da divindade. Deus é sempre uno e indiviso , absoluto e incontrastável . Não possui causa externa a Ele.
A patrística distingue entre a "Theologia" e a "Oikonomia"; sendo o primeiro termo o mistério da vida íntima da Trindade , e o segundo as obras de Deus através das quais Ele Se revela e comunica a Sua vida. É através da "Oikonomia" que nos é revelada a "Theologia"; mas, é a "Theologia", que ilumina toda a "Oikonomia". As obras de Deus revelam quem Ele é em Si mesmo; e inversamente, o mistério do seu Ser ilumina a compreensão de suas obras. __________________________________________________________
Processão intelectiva e volitiva __________________________________
O Deus Filho é assim a processão intelectiva , o modo como Deus se conhece ; o Deus Espírito Santo é a processão volitiva , o modo como Deus se Ama e quer a Si próprio.
O Deus Filho procede do Deus Pai , o Deus Espírito-Santo procede do Deus Pai e do Deus Filho , sendo adorado com igual glória. Somente o Deus Pai não procede de ninguém.
Não há distinção entre as Pessoas divinas que desejam enviar o Espírito Santo . A Expiração é comum ao Deus Pai e ao Deus Filho , por essa razão , o Espírito Santo procede de ambos .
As Pessoas do Pai (Deus que conhece) e do Filho (Deus conhecido) estabelecem-se na relação de processão intelectiva ; as Pessoas de Deus (Deus que ama) e do Espírito Santo (Deus amado) constituem uma relação de volição , trata-se do amor de Deus por Ele mesmo .
Em cada Pessoa da Trindade , as outras duas estão presentes e assim está presente Deus , em Sua totalidade.
Em Deus não existe o tempo e o espaço -- um antes e um depois . Não há um momento em que Deus começa a Se conhecer , nem um momento em que começa a Se amar . Tudo ocorre simultaneamente . Apenas é feita a distinção em termos de relação real , porque desse modo foi revelado por Cristo , como carcaterística imanente da natureza divina . Deus é um ser racional e deseja , dessa forma , Se fazer conhecer aos homens. ______________________________________________
'Proceder' não é sinônimo de criar ou de causar , as Três Pessoas não são criadas , nem causadas ; procedem , eternamente , em Deus. A Santíssima Trindade 'ad extra' expressa o modo como Deus se manifesta no mundo. _________________________________________________________
As Obras feitas pelas Pessoas da Trindade _________________________________________________________
Existem três obras, que são atribuídas à Trindade ; a criação, a redenção e a santificação.
Ao Deus Pai atribui-se a obra da criação. Ao Deus Filho atribui-se a obra da redenção, para o cumprimento da qual se encarnou, tomando a natureza humana, assumindo a culpa do seu pecado, para resgatar a todos da morte , de modo sacrificial. Ao Espírito Santo são atribuídas as obras de regeneração e de santificação,na ministração dos sacramentos. A redenção é um assunto da graça divina , planejada antes da fundação do mundo , apresentada na forma de um pacto (de livre aceitação). É uma ação que envolve toda a Pessoa da Trindade , expressão da misericórdia infinita de Deus pelos homens.
O Deus Filho encarnou na forma humana , Ele salva e julga os homens; o Espírito Santo foi enviado em Pentecostes , Ele guia , auxilia , e defende a Igreja , contra o erro. Espírito Santo que atua em todos os sacramentos , transmitindo a graça santificante. O Espírito Santo passa a habitar com o homem após o recebimento do batismo ; batismo que apagou a culpa original , a culpa de Adão , que fechou o céu aos homens .
Com o recebimento da graça justificadora do batismo , passamos a integrar a família divina. Aptos a fazer as obras de valor sobrenatural.
Em todas as suas ações , Deus atua como uma unidade , ou seja , ainda que se atribua uma obra específica a uma das Pessoas da Trindade , todas as três Pessoas atuam conjuntamente , em substância.
A Santíssima Trindade foi uma revelação feita aos homens pelo Cristo , antes da vinda de Jesus essa verdade não era conhecida. Trata-se de um mistério da fé ; mistério em que nosso entendimento não pode , plenamente , penetrar ; mas que deve reverenciar. No fim dos tempos a revelação sobre a Trindade será completa. __________________________________________
SOBRE A SANTÍSSIMA TRINDADE__________________________________________
Disse São Tomas de Aquino:
"Quando falamos de Santíssima Trindade, temos que fugir dos erros opostos e caminhar com precaução entre ambos: Um é o de Ario, que afirma a trindade de substâncias com a trindade de pessoas ; e o outro o de Sabelio, que afirma a unidade de pessoas com a unidade de essência.
Para não cair no erro de Ario, é necessário que ao falar de Deus nos guardemos de usar os vocábulos "diversidade" e "diferença", por temor de alterar o conceito da unidade de essência, bem que para expressar a oposição relativa podemos empregar a palavra "distinção". Por isso, quando em qualquer escrito ortodoxo falemos as palavras diversidade ou diferença das Pessoas, devemos entender distinção. Do próprio modo, si se quer não alterar o conceito da simplicidade divina, devemos guardarmos de usar as palavras "separação" e "divisão", as quais significam divisão de um todo em diversas partes. Assim também, para não alterar o conceito da igualdade das pessoas divinas, devemos evitar a palavra "disparidade"; e por último para não alterar o conceito da semelhança entre as mesmas pessoas, não podemos dizer de nenhumas que seja dessemelhante e estranha a outra, porque, como disse Santo Ambrósio (De Fide, lib. II), entre o Padre e o Filho nada tem que seja dessemelhante, pois neles tem uma mesma e só divindade. Ao qual acrescenta Santo Hilário, que em Deus nada tem de separável. (De Trinitate, VII).
Enquanto ao erro de Salesio, para não cair nele, devemos abstermos de empregar a palavra "singular", por ser oposta ao conceito da comunicabilidade da essência divina. Porque como disse Santo Hilário em seu mesmo citado livro: Chamar Deus singular ao Padre e ao Filho, é um sacrilégio. Pela mesma razão não devemos tampouco usar a palavra "único", se não queremos adulterar o conceito de pluralidade de pessoas, pois, como disse também Santo Hilário, em Deus cabe a singularidade nem o sentido que implica a palavra "único". Dizemos certamente Filho único, por quanto, em efeito, Deus não tem vários; mas está mal dito Deus único, por quanto, a divindade é comum à várias pessoas. Tampouco devemos usar a palavra "confundido" por não tergiversar a ordem da processão das pessoas divinas, pois como disse Santo Ambrósio: O que é uno, não é confuso, assim como também tampouco é múltiplo ou que não contém diferença alguma. Evidente também, por último a palavra "solitário" , como oposta ao conceito da união entre as pessoas divinas, porque como disse Santo Hilário (IV, De Trinit.): O Deus à quem adorar devemos, não é um Deus solitário nem um Deus em quem se ache fale diversidade alguma."(Sum. Theol., I, q. XXXI, 2)."______________________________________________________
Autor: Prof Everton Jobim

A TEOLOGIA DOGMATICA

" Quem crer e for batizado será salvo , quem não crer não será ! " ( Marcos 16:16 )

O Papa João Paulo II _____________________________________________________________
Diz a Enciclopédia Católica ( v. Dogma ) :
" O Católico serve a Deus , honra a Trindade , ama o Cristo , obedece a Igreja , frequenta os sacramentos , assiste à Missa , observa os Mandamentos , porque ele acredita em Deus , na Trindade , na divindade de Cristo , na Igreja , nos sacramentos e no sacrificio da missa ; no dever de respeitar os Mandamentos e acredita neles como verdades imutáveis e objetivas . "
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"(...) Existem verdades , tais como a Trindade , a Ressurreição de Cristo , Sua Ascensão , que são fatos objetivos absolutos , poderiam ser cridos mesmo que suas consequências práticas fossem ignoradas ou julgadas de pequeno valor.
Os dogmas da Igreja tais como a existência de Deus , a Trindade , a Encarnação , a Ressurreição de Cristo , os sacramentos , o Juízo futuro têm uma realidade objetiva e são fatos tão reais e tão verdadeiros , quanto o fato de Augusto ter sido imperador de Roma e George Washington o primeiro presidente dos EUA ."
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" ...Verdades formalmente e explicitamente reveladas por Deus , são certamente dogmas em sentido estrito , quando propostas ou definidas pela Igreja . Como os artigos do Credo dos Apóstolos . Similarmente , verdades reveladas por Deus , formalmente , mas implicitamente , são dogmas em sentido estrito , quando propostas ou definidas pela Igreja . Como por exemplo : a doutrina da transubstanciação , a infalibilidade papal , a Imaculada Conceição , alguns ensinamentos da Igreja sobre o Salvador , os sacramentos e etc..." _____________________________________________________________
A Teologia , em sentido geral , é a ciência que estuda a natureza de Deus , a obra da criação e seu o relacionamento com a sua origem transcendente . Coadjuvada pela graça , sob a luz da razão , a teologia estuda os dados positivamente presentes na doutrina sobrenatural revelada.
A Revelação é a ação pela qual Deus livremente permite às criaturas que participem do Seu próprio conhecimento .
A teologia dogmática , por seu turno , é aquela dimensão da teologia que trata de matérias doutrinárias definidas como dogma pela Igreja. Isto é , verdades reveladas por Deus , de crença obrigatória para todos os cristãos.
Dogmas são verdades que Deus revelou , e que a Igreja confirma como reveladas , obrigando-nos a crer nelas , porque Deus não erra , nem nos engana. Constituem a expressão verbal da Revelação. São verdades irrefutáveis , inquestionáveis ; verdades de fé .
Dogmas são verdades eternas que subsistem na mente divina e são reveladas aos homens , intrinsecamente , como definitivas . São desse modo , fatos objetivos , proposições sobre a ordem natural , sobre a realidade sobrenatural e preceitos morais que constituem o corpo da doutrina revelada.
Existem nas Sagradas Escrituras os dogmas formais e explícitos , que são aqueles dogmas que estão expressamente definidos nas Escrituras , e existem os dogmas implícitos que não estão plenamente definidos , pois alguma parte de sua definição ainda não é completamente inteligível ao entendimento humano . Os dogmas implícitos requerem alguma elaboração filosófica por parte da Igreja , sob a assistência do Espírito Santo . Em ambos os casos são verdades reveladas por Deus , confirmadas pela Igreja , como eternas e imutáveis .
A teologia dogmática , portanto , diferencia-se da teologia que aborda questões especulativas e de toda teologia que não versa matérias seladas - isto é - fechadas com dogma pela Igreja .
A Teologia dogmática trata , sistematicamente , das verdades fundamentais da Revelação divina e da forma como o sagrado magistério elaborou seu ensinamento em relação a essas verdades.
Um bom caminho para se conhecer os dogmas da Igreja , é estudar os documentos dos concílios ecumênicos principalmente os documentos do Concílio de Trento , com seus diversos cânones dogmáticos na forma de anátema. São dogmas sobre Deus , sobre a lei moral , sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e as leis evangélicas ; sobre Maria Santíssima , sobre a Igreja , sobre os sacramentos , sobre o homem , sobre o destino do mundo , sobre a Parusia e o Juízo Final , entre outros temas teológicos da mais alta importância.
Prof.Everton Jobim

A AUTORIA DO PENTATEUCO

A Lei de Moisés ou Pentateuco -- em hebreu : Chamshê Torá -- é o conjunto dos cinco primeiros livros das Sagradas Escrituras , a saber :
Gênesis....................Bereshit
Exodo......................Shemót
Levítico...................Vayikrá
Números....................Bamidbar
Deteuronômio...............Devarim
Os nomes em grego estão relacionados com o conteúdo do livro respectivo ; as denominações hebraicas são constituidas pela palavra principal do início de cada livro.
O autor do Pentateuco é Moisés , sob inspiração divina. Existem três redações do Pentateuco: a judaica , a samaritana , e a grega(a Septuaginta) ; com a versão latina , denominada Vulgata.
A versão dos Setenta foi uma tradução feita para o grego por um grupo de judeus residentes em Alexandria , entre os anos de 250 a 150 A. C. A Vulgata é a versão latina feita por São Jerônimo e definitivamente aprovada no Concílio de Trento . O papa Damaso encarregou São Jerônimo de fazer uma tradução das Sagradas Escrituras . Jerônimo levou 20 anos para traduzir a Bíblia dos textos originais , para o latim.
O Pentateuco contém a história do homem , a origem do povo hebreu e toda sua legislação civil e religiosa , finalizando com a morte de Moisés. Os oito versículos finais da Torá tratam da morte e sepultamento de Moisés (Deteuronômio 34:5). A Torá contém cinco mil oitocentos e quarenta e cinco versículos.
No Antigo Testamento lemos a história dos pactos de Deus com a humanidade , em Adão , Noé , Abraão , Moisés e Davi - a história do povo hebreu , desde a vinda de Abraão à Palestina , até a instalação da dinastia dos Hasmoneus : história em conexão com a dos povos vizinhos , sobretudo dos grandes impérios : ao sul , o Egito ; e ao norte , Babilônia , Assíria , e Pérsia. No meio dessas civilizações , vivia o povo de Israel , sofrendo a sua influência.
O que conferia relevo à civilização hebraica era , acima de tudo , o valor das suas instituições religiosas e morais ; elementos básicos desta civilização que foram sua glória exclusiva - de fundamental importância para a humanização e a civilização dos povos vizinhos . Tal como verificou-se com a evangelização do mundo antigo , através da ação apostólica.
A Lei de Deus expunha os preceitos mediante os quais os homens poderiam viver apartados do pecado , fazendo as boas obras , conservando a esperança na misericórdia de Deus . Estas obras não purificavam os homens do pecado original , mas impediam a condenação eterna . As leis de Deus foram dadas por um gesto magnânimo da justiça e da misericórdia infinitas do Pai que não abandonou em definitivo a criatura decaída no pecado ; deu-lhe a lei e a promessa da redenção em Cristo .
Somente a graça santificante de Cristo tem a capacidade de remover o pecado original e fazer a alma humana nascer para a vida sobrenatural . Contudo , sem a observância das leis de Deus , os homens não poderiam recebê-la eficazmente.
A Torá impunha deveres para com os próprios adversários (Êx 23:4-5) e definia como princípio ético basilar para o relacionamento humano o : "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lev 19:18). A criatura humana , feita à imagem e semelhança de Deus , deve ser tratada , sempre , com a dignidade que Deus lhe atribuiu.
A Lei Mosaica exigia atenções especiais , para os estrangeiros , as viúvas , e os órfãos (Ex 22:21-23).
Contra os abusos da escravidão , um terrível mal da sociedade antiga , a Torá , além de múltiplas restrições (Ex 21:1-11; Lev 25:39-45; Dt 15:12-18), defendia o princípio de igualdade dos homens perante Deus (Lev 25:42).
O próprio Deus - Javé - pela pregação dos profetas , e , diretamente , Se faz advogado e protetor de Seu Povo .
NS Jesus Cristo confirmou a validade das leis de Moisés em diversas passagens. Ele fala do "Livro de Moisés" (Mc., 12, 26), da "Lei de Moisés" (Lc., 24, 44), atribui a Moisés os preceitos do Pentateuco (cf. Mt., 8, 4; Mc., 1, 44; 7, 10; 10, 5; Lc. 5, 14; 20, 28; João7, 19), e diz , em João 5, 45: "Vosso acusador é Moisés , em quem haveis posto a vossa esperança . Se crêem em Moisés , crerás também em mim , pois de mim escreveu ele "
Prof Everton N Jobim

JOÃO PAULOll COMENTA O SALMO 61


1. Acabam de ressoar as doces palavras do Salmo 61, um canto de confiança, que começa com uma espécie de antífona, repetida na metade do texto. É como uma jaculatória forte e serena, uma invocação que é também um programa de vida: «Só em Deus descansa minha alma, porque dele vem minha salvação, só ele é minha rocha e minha salvação, minha fortaleza: não vacilarei» (versículos 2-3.6-7).
2. O Salmo, contudo, mais adiante põe em contraposição duas formas de confiança. São duas opções fundamentais, uma boa e outra perversa, que comportam duas condutas morais diferentes. Antes de tudo, está a confiança em Deus, exaltada na invocação inicial, onde aparece um símbolo de estabilidade e segurança, a «rocha», ou seja, uma fortaleza e um baluarte de proteção.
O Salmista confirma: «De Deus vem minha salvação e minha glória, ele é minha rocha firme, Deus é meu refúgio» (versículo 8). Diz isso após ter evocado as confabulações de seus inimigos que «só pensam em derrubar-me de minha altura» (Cf. versículos 4-5).
3. Mas está também a confiança de caráter idólatra, ante a qual aquele que ora fixa com insistência sua atenção crítica. É uma confiança que leva a buscar a segurança e a estabilidade na violência, no roubo e na riqueza.
Então se faz um chamado sumamente claro: «Não confieis na opressão, não ponhais ilusões no roubo; e ainda que cresçam vossas riquezas, não lhes deis o coração» (versículo 11). Evoca três ídolos, proscritos como contrários à dignidade do homem e à convivência social.
4. O primeiro falso deus é a violência À qual a humanidade segue recorrendo por desgraça também em nossos dias ensangüentados. Este ídolo é acompanhado por um imenso cortejo de guerras, opressões, prevaricações, torturas e assassinatos execráveis, cometidos sem remorsos.
O segundo falso deus é o roubo, que se manifesta na extorsão, na injustiça social, na usura, na corrupção política e econômica. Muita gente cultiva a «ilusão» de satisfazer deste modo sua própria cobiça.
Por último, a riqueza é o terceiro ídolo ao que «se apega o coração» do homem com a esperança enganosa de poder-se salvar da morte (Cf. Salmo 48) e assegurar-se o prestígio e o poder.
5. Ao servir a esta tríade diabólica, o homem esquece que os ídolos não têm consistência, e mais, são daninhos. Ao confiar nas coisas e em si mesmo, esquece que é «um sopro», «aparência», e mais, se se pesa na balança, seria «mais leve que um sopro» (Salmo 61, 10; Cf. Salmo 38, 6-7).
Se fôssemos mais conscientes de nossa caducidade e de nossos limites como criaturas, não escolheríamos o caminho da confiança nos ídolos, nem organizaríamos nossa vida segundo uma hierarquia de falsos valores frágeis e inconsistentes. Optaríamos mais pela outra confiança, a que se centra no Senhor, manancial de eternidade e de paz. Só Ele «tem o poder»; só Ele é manancial de graça; só Ele é plenamente justo, pois paga «a cada um segundo suas obras» (Cf. Salmo 61, 12-13).
6. O Concílio Vaticano II dirigiu aos sacerdotes o convite do Salmo 61 a «não apegar o coração à riqueza». O decreto sobre o ministério e a vida sacerdotal exorta: «hão de evitar sempre toda classe de ambição e abster-se cuidadosamente de toda espécie de comércio» (Presbyterorum ordinis, n. 17).
Agora, este chamado a rejeitar a confiança perversa e a escolher a que nos leva a Deus é válido para todos e deve converter-se em nossa estrela polar no comportamento cotidiano, nas decisões morais, no estilo de vida.
7. É verdade, é um caminho árduo, que comporta inclusive provas para o justo e opções valentes, mas sempre caracterizadas pela confiança em Deus (Cf. Salmo 61, 2). Deste ponto de vista, os Padres da Igreja viram no Salmo 61 uma premonição de Cristo e puseram em seus lábios a invocação inicial de total confiança e adesão a Deus.
Neste sentido, no «Comentário ao Salmo 61», Santo Ambrósio argumenta: «Nosso Senhor Jesus, ao assumir a carne do homem para purificá-la com sua pessoa, não deveria ter cancelado imediatamente a influência maléfica do antigo pecado? Pela desobediência, ou seja, violando os mandamentos divinos, a culpa se havia introduzido, arrastando-se. Antes de tudo, portanto, teve de restabelecer a obediência para bloquear o foco do pecado... Assumiu com sua pessoa a obediência para transmitir-nos» («Comentário aos doze salmos»-- 61, 4: SAEMO, VIII, Milano-Roma 1980, p. 283).

LEITURA ORANTE DA BIBLIA


De fato, a Bíblia é uma forma de presença de Deus no meio de seu povo. Ela nos faz ouvir a Deus, a Ele nos conduz e nos faz conhecer seu amor. Se estivermos abertos à ação do Espírito Santo, a Bíblia nos fará não só ter um conhecimento teórico da Palavra de Deus, mas também experimentar vivamente o amor com que Deus nos ama. Essa experiência é fundamental na vida cristã. O Papa nos diz que a Bíblia é a história de como Deus ama seu povo (cf. Familiaris Consortio, 12). Não tanto a história de como nós amamos ou não amamos a Deus, ainda que isso também esteja registrado na Bíblia. Ela é, antes de tudo, a história de como Deus ama seu povo, de como Deus agiu, age e agirá na história da humanidade. Isso significa que, se quisermos saber e experimentar de como Deus ama seu povo, um dos caminhos mais diretos é a leitura da Bíblia, principalmente dos Evangelhos, que narram a culminância desse amor de Deus por nós na pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. De fato, Jesus, para nossa salvação, desceu do céu, fez-se homem, morreu na cruz e ressuscitou dos mortos.
Um dos métodos melhores para descobrir a Bíblia como caminho de encontro com Jesus Cristo e para fazer a experiência de seu amor neste encontro, é a leitura orante. Esse método usam-no muitos atualmente. Ele vem da antiga tradição da Igreja. Foi divulgado no Brasil pela Conferência dos Religiosos. Mas também, o próprio Papa João Paulo II o recomenda, quando, no documento “Igreja na América”, de 1999, fala do modo de encontrar Jesus Cristo na Igreja, hoje. O primeiro modo, segundo o Papa, é “a Sagrada Escritura, lida à luz da Tradição, dos (Santos) Padres e do Magistério, e aprofundada através da meditação e da oração” (n. 12).
A leitura orante da Bíblia se compõe de quatro passos, a saber, a leitura do texto, a meditação, a oração e a contemplação. O primeiro passo é a leitura do texto. Começa-se pela escolha de um trecho da Bíblia, de preferência um texto dos Evangelhos. Na leitura do texto, podemos conhecer primeiro a letra da Palavra de Deus, para penetrar em seguida no seu espírito e compreender seu sentido. Por essa razão, é preciso ler devagar, com toda atenção, e deixar-se envolver pelo texto. Assim, ele pode situar-nos no momento histórico em que foi escrito, para descobrir o que Deus queria dizer ao povo naquele tempo, o que Deus significava para aquele povo, como se revelava e como o povo na época reagia ao que Deus lhe revelava, isto é, à revelação de “como Deus amava seu povo”.
O segundo passo é a meditação do texto. Na meditação perguntamos o que diz o texto para mim, para nós, hoje?, o que Deus quer dizer a nós hoje através do texto lido? Na meditação, trata-se, portanto, de tornar o texto atual e trazê-lo para dentro de nossa vida e realidade, tanto pessoal como social. Para melhor meditar, será bom repetir a leitura do texto, revolvê-lo e por assim dizer ruminá-lo e mastigá-lo, até descobrir o que ele tem a dizer a nós, hoje.
O terceiro passo é rezar. A oração, aliás, deve estar presente desde o início da leitura orante, quando invocamos o Espírito Santo, a fim de que Ele nos ilumine e acompanhe na leitura. Também a meditação já é um pensar que vai se transformando em oração. De fato, a meditação nos deve levar à oração, nos deve levar a falar com Deus sobre o que o texto nos diz. Será uma oração de louvor e de súplica ao Deus que ama seu povo e me ama também individualmente.
Por fim, no quarto passo, entramos na contemplação. Os três passos anteriores terminam assim por nos fazer contemplar a Deus, nos colocam diante de Deus e nos fazem experimentar o mistério de seu amor, onde as palavras já não contam tanto, mas em que nos sentimos felizes de estar com Deus e de provar seu amor.
Essa forma de leitura orante da Bíblia nos qualifica, obviamente, de modo muito vivo para anunciar esta Palavra aos outros e cria em nós o elã missionário, o impulso de levar outros a encontrarem-se com Jesus Cristo vivo, no Espírito Santo. E Jesus nos conduzirá ao Pai.
Josp - 01/09/04_____________________________________________________________
Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia (Vocações Carmelitas On Line) ______________________________________
Para melhor entender o que é o Método da Leitura Orante da Bíblia é necessário saber que a palavra método, na língua grega, significa caminho, procedimento, meio pelo qual se quer atingir um objetivo. Leitura é o ato de ler. E ler, em sentido estrito, é decifrar e compreender um texto escrito. Orante, que ora, que reza, que induz à oração, que se faz oração, que leva à oração. No século XI, um monge chamado Guigo sistematizou e reorganizou o método através de quatro degraus espirituais: a leitura, a oração, a meditação e a contemplação, como meio adequado para um monge realizar uma Leitura Orante da Bíblia espiritualmente proveitosa. Guigo deu a estas quatro etapas o nome de Escada dos Monges, pela qual eles sobem ao céu.
• Primeiro Degrau: Leitura (Lectio)
Se for verdade que é importante saber rezar, é também muito importante saber ler. A verdadeira leitura é a que nos leva ao entendimento e à compreensão do texto escrito. Ao iniciar a Leitura Orante da Bíblia, você não vai estudar; não vai ler a Bíblia para aumentar o seu conhecimento nem para preparar algum trabalho apostólico; não vai ler para ter experiências extraordinárias. Mas você vai ler a Palavra de Deus para escutar o que Deus tem a lhe dizer, para conhecer a Sua vontade e, assim, "viver melhor em obséquio de Jesus Cristo". Em você deve estar a pobreza; deve estar também a disposição que o velho Eli recomendou a Samuel: "Fala Senhor que teu servo escuta" (1 S 3,10).
• Segundo Degrau: Meditação (Meditatio)
Segundo o monge Guigo, "a leitura sem meditação é árida, e a meditação sem leitura é errônea". Medita-se atualizando o que se leu, buscando o sentido para a vida, tanto pessoal como comunitária, tendo a preocupação de se perguntar: "O que o texto diz para mim, para nós?". Neste segundo passo, você entra em diálogo com o texto, para que o sentido se atualize e penetre na sua vida hoje. Como Maria, rumine o que escutou, e "medite na Lei do Senhor", para que, assim, "a Palavra de Deus habite abundantemente na sua boca e no seu coração".
• Terceiro Degrau: Oração (Oratio)
O monge Guigo dizia que "a leitura sem a meditação é morna e a meditação sem a oração é infrutífera". Oração nesse caso é entrar em diálogo com Deus dando uma resposta solicitada pela Palavra que nos foi dirigida por Ele. Você deve estar sempre preocupado em descobrir: "O que o texto me faz dizer a Deus?". É a hora da prece, o momento de "vigiar em orações". Até agora, Deus falou para você; chegou a hora de você responder a Ele. • Quarto Degrau: Contemplação (Contemplatio)
O resultado, o ponto de chegada da Leitura Orante é a Contemplação. Contemplação é ter nos olhos algo da "sabedoria que leva à salvação" (2T 3,15); é começar a ver o mundo e a vida com os olhos dos pobres, com os olhos de Deus; é você assumir sua própria pobreza e eliminar do seu modo de pensar aquilo que vem dos poderosos; é tomar consciência de que muita coisa, da qual você pensava que fosse fidelidade a Deus, ao Evangelho e à Tradição da Ordem, na realidade nada mais era do que fidelidade a você mesmo e aos seus próprios interesses; é saborear desde já, algo do amor de Deus que supera todas as coisas; é mostrar pela vida que o amor de Deus se revela no amor ao próximo; é dizer sempre: "faça-se em mim segundo a Tua Palavra". E assim tudo o que deve ser feito, será feito de acordo com a Palavra do Senhor". ____________________________________________________________
A Leitura da Bíblia , segundo a Constituição Dogmática 'Dei Verbum' do Concílio Vaticano II :
Leitura da Sagrada Escritura
" 25. É necessário, por isso, que todos os clérigos e sobretudo os sacerdotes de Cristo e outros que, como os diáconos e os catequistas, se consagram legitimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua e o estudo aturado, a fim de que nenhum deles se torne «pregador vão e superficial da palavra de Deus. por não a ouvir de dentro» (4), tendo, como têm, a obrigação de comunicar aos fiéis que lhes estão confiados as grandíssimas riquezas da palavra divina, sobretudo na sagrada Liturgia. Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fil. 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (5). " _____________________________________________________________
Diz o catecismo da Igreja sobre os modos de ler a Bíblia
117 O sentido espiritual - Graças à unidade do desígnio de Deus, não somente o texto da Escritura , mas também as realidades e os acontecimentos de que fala podem ser signos.
O sentido alegórico -- Podemos adquirir una compreensão mais profunda dos acontecimentos reconhecendo sua significação em Cristo; assim , a travessia do Mar Vermelho é um signo da vitória de Cristo e , por ele , do Batismo (cf. 1 Cor 10,2).
O sentido moral - Os acontecimientos narrados na Escritura podem nos conduzir a um obrar justo. Foram escritos "para nossa instrução" (1 Cor 10,11; cf. Hb 3-4,11).
O sentido anagógico - Podemos ver realidades e acontecimentos em sua significação eterna , que nos conduz (em grego: "anagoge") até nossa Pátria. Assim , a Igreja da terra é o signo da Jerusalém celeste (cf. Ap 21,1-22,5). ______________________________________
Os modos de ler as Sagradas Escrituras
Prof Everton N Jobim ______________________________________
Além da chamada 'leitura orante' -- tratada nos textos acima -- existem outras modalidades de leitura da Bíblia , como a 'leitura litúrgica' e a 'leitura militante' . Acima de tudo , o importante é ler a Bíblia e receber a graça do Espírito Santo , presente na inerrante Palavra de Deus -- fonte da doutrina revelada .
Não obstante , como a única autoridade que pode apresentar o sentido exato do Texto Sagrado é o magistério eclesiástico , a leitura 'orante' e 'militante' não podem sair dos limites da leitura litúrgica e da interpretação admitida pelo sagrado magistério.
A dita leitura 'militante' , a leitura , portanto , que convida à ação e à transformação não pode contrariar os limites do que é admitido pela doutrina una da Santa Igreja . E quando lemos o Texto Sagrado na santa missa ou em atos de culto , tampouco deixamos de orar e de nos transformar com essa leitura.
Portanto , essas modalidades de leitura da Bíblia são adjetivações que reforçam aspectos de um mesmo ato ; um ato uno e indiviso , em conformidade com as circunstâncias específicas da nossa vida.
A leitura da Bíblia é fundamentalmente dispor a nossa mente e o nosso coração para o recebimento da mensagem de Deus e assim amá-Lo e louvá-Lo , intensamente , como fonte derradeira de orientação espiritual , e , principalmente , de justiça , em nossas vidas e na vida da coletividade . O Texto Sagrado e a Sagrada Tradição , integram o mesmo depósito da fé , possuem a mesma origem e comungam os mesmos objetivos , consequentemente não pode haver uma divisão insuperável de leituras da Bíblia.
Não devemos confundir , tampouco , a riqueza estilística da Bíblia -- as figuras de linguagem e o linguajar da época -- com mitos e fantasias. O escritor sagrado utilizava frequentemente recursos linguísticos e liberdade poética , para expressar idéias religiosas e desenvolver pensamentos complexos. Mesmo nos dias atuais , utilizamos esse tipo de comunicação na forma oral e escrita. Essa riqueza estilística muitas vezes pode propiciar interpretações errôneas da Palavra de Deus , por essa razão é necessário seguir a leitura oficial do sagrado magistério . Somente ele possui o carisma da infalibilidade doutrinária.
Prof Everton N Jobim