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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

domingo, 10 de setembro de 2017

Chorar não me faz menos homem.....Também preciso de colo...


O homem também chora, embora muitas vezes não assuma o seu choro e tente disfarçar as suas lágrimas e o seu pesar. O homem chora muitas vezes escondido, perdido em seus assombros e penúria, triste, amargurado ou com fúria, mas ele chora convulsivamente e se descabela, soluçando e se esvaindo em lágrimas. Jesus chorou, Pedro chorou e tantos outros heróis choraram ao longo do tempo, ao longo da história. Mas mesmo assim fica um ponto de interrogação: Por que o homem chora? Sabemos que crianças e adolescentes choram e, principalmente, mulher chora, mas para o homem ainda há um tabu e uma "certa" vergonha em ser pego chorando. Apesar de tudo, o homem também chora. Peguei-me pensando nesse tema porque não faz muitos dias chorei, depois de tanto tempo tentando me provar que "homem não chora". O motivo foi justo, pois decorre de algo muito íntimo e pessoal. Percebi que não sou mais forte do que ninguém e também tenho os meus momentos de fraqueza, ou de grandeza, pois não há nada vergonhoso ou negativo quando alguém sente algo e, sem querer, se derrama em lágrimas copiosas que parecem nunca se estancar. A vida nos ensina que, acima da razão, existe a emoção, a comoção e o sentimento que vem de repente e nos leva na sua corrente, nos domina, nos fragiliza e nos deixa em pedaços. Chorei sim, chorei de amor, por amor, me lavei por dentro ao lembrar-me do que passei e recordar fatos que se referem ou se remetem a mais de 30 anos passados,e que me trouxeram ao momento que hoje vivo . Não tenho vergonha de confessar: chorei. Quando eu era pré-adolescente eu chorava muito, não porque apanhava, mas porque já sentia a dor das pessoas, dos animais e até da Natureza. E nunca, até então, eu tinha visto um adulto chorar. Imaginava que choro era só para crianças birrentas ou muito sentimentais como eu. O dia que eu vi um adulto chorar aquilo mexeu muito comigo, tanto que eu não esqueci. Depois vi outros e outros e até o meu pai – o homem mais forte que eu conheci – o meu herói, amigo, companheiro, conselheiro, exemplo, espelho... Aí então eu desabei, percebi que o choro era muito mais comum do que eu pensava e também aprendi que "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã". (Salmos 30.5b). Aquela imagem ficou na minha mente, depois vieram as poesias, caí de cabeça nos versos e ali encontrei respostas para muitas de minhas perguntas. Resolvi me dedicar á escrita e mercê disto me tornei Bloguista. Existe um mistério no choro. Existem muitos motivos para chorar e eu não devo enumerá-los aqui. A idéia não é discutir a técnica, mas os efeitos, as razões e, principalmente, a essência do choro. Durante décadas pensei nesse assunto e evitei escrever sobre ele, mas ele é muito real e comum na vida da maioria das pessoas. O homem também chora, disfarça, mas chora, inventa desculpas, finge, lava o rosto, se penteia, mas quando o coração amolece a lágrima desce e não tem como segurar. Posso afirmar que Jesus se abraça a quem chora. Ele chorou no túmulo do seu amigo Lázaro (João 11.35) e ainda hoje chora ao ver a humanidade perdida e despercebida como está. Jesus chorou comigo, me abraçou, me consolou. Eu senti o seu toque e o calor de suas mãos. Ele me restituiu a alegria e me deu forças para caminhar e inspiração para escrever o que você acabou de ler. Jesus nunca nos abandona.

Réu confesso....


‘’A adoração se manifesta como a forma expressa de Cristo, em inspiração e criação, pelo qual nos ajuda a caminhar pela Graça, sem a opressão da perfeição e das farsas para espelhar algo assim, como se o mundo fosse a monstruosidade e, nós, resistentes, em algum gueto moralista, legalista, religioso e distante da vida. ’’ Ao acordar as 08h35min, de mais um 10 de setembro, sento-me na cama, com o corpo um pouco curvado e sinto uma enxurrada de situações vivenciadas e experimentadas. Em meio a essa constatação, sem rodeios, chego a conclusão de, diante do espelho, no banheiro, agora, como se estivesse em um confessionário, o quanto sou um poço de inveja e não há como negar e como sou levado a esconder essa verdade inquestionável de que a raiva passou avassaladora, desejos de ver o outro subjugado para afirmar e reafirmar minhas convicções bateu e causou uma sonoridade estridente. Não sei quanto a vocês, aquela sensação de vitimização, de se conceber acima do bem e mal, de ser palco de injustiças e traições, de que queria mais e muito mais, de uma necessidade de provar, de comprovar, de demonstrar e de expor todas minhas potencialidades. Querer ser lembrado, importante, notado, visto e clicado, até para aliviar essa doentia e, ao mesmo tempo, gostosa necessidade de ser aplaudido. Ora, é bem verdade, há um fluir e confluir caudaloso da teimosia, de desejar o que é do outro, de não se conformar com a ascensão de quem está ao lado, de uma peleja para minhas considerações serem aceitas, registradas, publicadas e cumpridas. Sem sombra de dúvida, tornemos celebres, sereis como Deus e como sou pego, com a boca na botija, em tais anseios, mesmo sem perceber, ao qual, para isso, valho – me das farsas, das máscaras e maquiagens de uma pessoa boa, cordial, prestativa, justa, honesta e por ai vai. Lá no fundo, abro as portas e encaro essa loucura de querer ter o do outro, de suas ilusões, como Caim, que se esqueceu de si mesmo, de suas potencialidades, de sua história, de sua identidade, semelhante ao irmão do filho pródigo. Vamos prosseguir, neste confessionário, acalento, nas gavetas da minha alma, uma desforra de acolher a morte do outro, de uma satisfação pelo erradicar dos marginalizados presos nas penitenciárias, porque são um peso para sociedade e, evidentemente, camuflo com os discursos de uma tolerância zero, em face da criminalidade. De observar, o aparente silêncio diante de questões intricadas, como o aborto, a eutanásia, a homossexualidade e outros são evitados, por meio de uma narrativa bíblica fechada ou de defesas mais assemelhadas com o receio de encarar o evangelho de Cristo, sem cabresto, sem cordas que impedem a navegação, sem encarar a Cruz dos recomeços abertamente. Aliás, chego a conclusão de que não acredito, já faz algum tempo, em revelações, em profecias, em forças místicas e sobrenaturais em um púlpito, mas prefiro a quietude, até para não me indispor com ninguém. De certo, a pornografia atrai, o dinheiro fácil - atrai, o não fazer o que é certo me - atrai, olhar para mulher do outro - atrai, a verdade em pontos de vista – atrai, a descrença com relação bíblia – atrai, a oração como uma espécie de meditação ou reduto para não lidarmos com nossa transitoriedade e pequenez – atrai, desejar a morte de todos os políticos corruptos – atrai, de desconfiar da igreja – atrai e a lista seria interminável. Agora, tudo isso e muito mais, escondo e adoeço no conformismo de uma vida restrita ao tempo sem fim ou a eternidade, como uma aposta (se houver, tudo bem; caso oposto, terminaremos como fagulhas pulverizadas, no cosmo). Não paro por aqui, escondo e me adoeço com uma visão de um Deus que nos deixou, aqui, neste mundo, de egoísmo, de individualismo, de pessoas submetendo pessoas como meios e objetos. Chego a conclusão de arriscar, semelhante a Soren Kierkgard e saltar, ao meandros ou enredos de II Coríntios 12.09 para encontrar uma esperança que não nos tira das contradições, das contrariedades, de respostas que não vem e, talvez, não virão, de perdas e rupturas inesperadas, de vasos que se espatifaram e não encontramos animo para pegá – los, de todo um emaranho de questões que nos abalam e, mesmo assim, essa Graça não nos tira de cena, coloca – se a disposição, sem nenhum passe de mágica, senta, ao nosso lado, nada fala, simplesmente, ouve e ouve, sem o retrucar, sem a réplica, sem a minha vez de falar e defender; ouve e ouve, para, então, levantar a face e se dispor a ir, longe de nos alienar, longe de nos deformar, longe de nos desumanizar, longe de nos enganar, longe de nos distanciar do compromisso e do comprometer com a vida, com o próximo e com a nossa história e com uma eternidade que se forma, a cada dia. Paz e bem

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Igreja Viva, comunhão em comunidade...


“Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno”. [C. S. Lewis em Os Quatro Amores] Onde existem pessoas, estamos sujeitos ao sofrimento Cresci no ambiente de comunhão da comunidade cristã. Ali, aprendi, fui desafiado, encorajado, nutrido e também ferido e decepcionado. Conheci o gosto da tristeza, da traição, da indiferença. Onde existem pessoas e relacionamentos, estamos sujeitos ao sofrimento das relações. Por isso me aproximo do tema de maneira realista, como quem experimentou da ambiguidade deste contexto, mas também experimenta o amor e esperança viva do potencial curador da comunidade cristã através da presença transformadora do Cristo em nós. Depois de experimentar a dor na comunidade, este trecho em Os quatro amores me relembrou a tentação e os riscos da estagnação neste lugar de dor e isolamento, e me encorajou a caminhar na direção da reconciliação e da renovação do amor pela comunidade. Lembrei que também sou parte da comunidade com potencial de agregar ou ferir. Fui relembrada da aridez da vida quando nos isolamos e dos riscos que isto representa à saúde emocional e espiritual. Meu trajeto de cura também foi em comunidade, experimentando o potencial reconciliador e restaurador que o Espírito Santo promove em nosso meio. Estou falando do corpo de Cristo, família que nos foi dada e que encontramos espalhada ao redor do mundo. Esta expressão visível de Deus que nos identifica para além de traços culturais e idiomas, este corpo de Cristo que se norteia pela Palavra e busca viver essa dinâmica comunitária sob este paradigma. A fé cristã é relacional, comunitária. É pessoal, porém não é privada. Precisamos uns dos outros para crescer. É desejo de Deus que estejamos todos reunidos em nossa diversidade, promovendo unidade, sendo instrumento e um sinal visível com a missão de levar a luz de Cristo a todos os homens. Apesar da natureza espiritual da comunidade cristã, precisamos lembrar de que consiste em um agrupamento de seres humanos feridos que necessitam ser resgatados, redimidos e que caminham num constante processo de transformação e conversão de seu próprio coração ao coração de Deus. Os conflitos relacionais serão frequentes, as dores serão inevitáveis, mas somos o povo da reconciliação e isso precisa ser praticado em nosso meio. Mas como entendemos o conceito de comunidade e quais são nossas expectativas e frustrações? Entender o conceito e a dinâmica da comunidade minimiza a possibilidade de frustrações A comunidade é comumente descrita como um lugar ou local, e a maioria das pessoas se refere a ele como algo que não permanece com eles uma vez que eles deixam esse espaço particular. É preciso ampliar esta percepção, inserindo o aspecto relacional, pessoas reunidas com um interesse comum, visão, missão ou direção. Embora a comunidade geralmente seja um termo descrito para se referir a um lugar em que ocorre a interação social em torno de laços comuns, a conexão e o sentido de pertença não são necessariamente presentes ou experimentados. É preciso atentar para essa dinâmica relacional. Em comunidade sabemos que o espaço é compartilhado e que temos limites e possibilidades na interação, mas construímos um espaço de confiança e liberdade para caminhar na direção um do outro. Isso transcende a noção de lugar, mas pode incluir a localização como uma referência para onde esses relacionamentos são desenvolvidos. Buscamos um sentimento de pertencimento e compromisso uns com os outros. Estas expectativas por si só, podem gerar frustração. Expandindo o conceito de comunidade para a realidade da vida cristã, vemos através deste paradigma que o pecado e a independência criaram nossa alienação de Deus e uns dos outros e que Deus deseja restaurar-nos através do seu Espírito. Nosso modelo para desenvolvimento de relacionamentos deve ser a compreensão do Deus Trino, a Trindade, como uma comunidade relacional própria, vivida em interdependência e em reciprocidade amorosa. Um chamado à amizade O cristianismo pode ser descrito como um chamado à amizade. Como seguidores de Cristo, somos convidados a um relacionamento com Ele, em que não somos mais chamados de servos, mas amigos. É de grande importância reconhecer a necessidade de integrar o mandamento de Deus para amar a Deus com todo o nosso coração e também amarmos nosso próximo. A consciência de que a amizade de Deus para nós é um presente define a prerrogativa de todas as outras relações a serem estabelecidas em comunidade. Assim como a amizade de Deus para nós é graça, as pessoas que Ele nos dá em amizade também são graça para nós. Essa integração é fundamental para a vida cristã e estabelece o paradigma relacional em que devemos viver. O modelo de interdependência é retratado na vida da Trindade e foi vivido por Jesus no mundo como ele encontrou pessoas. Como Jesus vivia entre amigos e em comunidade, e quando se encontrou com pessoas, ele mostrou a graça presente na interdependência. Em nosso relacionamento com o Cristo a consciência de nossas vulnerabilidades nos confronta com a necessidade de uma vida de humildade e reconhecimento de que somos seres dependentes que precisam da graça de Deus e essa relação nos ensina a deixar nosso isolamento. Uma vida de amizade com Deus presume uma aliança e nossas amizades espirituais também devem ser cultivadas como uma aliança de quem assume um compromisso alegre de uma vida compartilhada à medida que somos moldados à imagem de Cristo. Sobre a tensão entre dependência e independência,devemos abordar o tema ao lembrar aos cristãos que, na pessoa de Cristo, Deus nos ensinou que a dependência tem uma dimensão que precisa ser abraçada e que não afeta nosso estado de dignidade como pessoas: "A recusa de depender dos outros não é uma marca de maturidade, mas de imaturidade (...) Nós chegamos ao mundo totalmente dependentes do amor, cuidado e proteção dos outros. Passamos por uma fase de vida quando outras pessoas dependem de nós. E a maioria de nós vai sair deste mundo totalmente dependente do amor e dos cuidados dos outros ". A importância do equilíbrio entre autonomia e independência Fomos criados para a interdependência. Existe uma estreita conexão entre nosso aprendizado e crescimento, e a maneira como desenvolvemos relacionamentos. O que caracteriza uma aliança, um relacionamento, é "conhecer com" ou "na presença de" e isso é algo integral e essencial para aprender e conhecer. Em todas as nossas experiências formativas, percebemos que nossos encontros com a realidade são mediados e interpretados neste contexto de relacionamento, na presença de outro. Uma das principais dificuldades no estabelecimento de relações autênticas, transparentes e significativas é a presença de pecado em nossos corações, que conduz ao desejo de independência e que nos leva ao individualismo radical. Nossa constante luta entre viver a partir do medo ou a partir do amor é o que prejudica nossa capacidade de abrir nossos corações a Deus e aos outros, pois nos limitamos ao nosso próprio conhecimento sobre quem somos e quem é Deus sem a perspectiva mais ampla que o outro pode oferecer e trazer para nossas vidas. A cultura também fala contra a dedicação a relacionamentos profundos e significativos. Somos ensinados a viver vidas autônomas e independentes e, em vez de compartilhar nossas vulnerabilidades e fraquezas para um processo de crescimento e cura e estimulados a aprender a gerir sozinhos essas características da melhor maneira possível na tentativa frustrada de impedir novas interferências em outras áreas de nossas vidas. Através do nosso desenvolvimento como pessoas, aprendemos a temer o desconhecido, e ao fazê-lo, ignoramos as contribuições e as perspectivas que os relacionamentos podem nos trazer ou de como ele nos desafiará para mudanças e crescimento. Como base para a interdependência saudável, existe o contributo fundamental do autoconhecimento, que proporciona benefícios à comunidade como um todo. Em seu poema "Cura", Wendell Berry afirma que “quanto mais coerente alguém se torna em relação a si mesmo como criatura à luz do Criador, mais plenamente adentra na comunhão com todas as criaturas”. Quando a autoconsciência e o autoconhecimento são nutridos, as pessoas entram em comunidade com expectativas mais equilibradas, além de uma noção mais realista de suas limitações e possibilidades. O equilíbrio entre a solicitude que traz crescimento e a vida em comunidade é essencial. Extremos são perigosos. Afinal, o que esperar da comunidade? Essa noção de limitações e possibilidades é o que dá o tom para o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis. As pessoas vão ao encontro da comunidade sobrecarregadas de expectativas e culpa por não ser o que deveriam ser. Embora uma comunidade ideal não exista, uma comunidade deve ser onde as pessoas entendem que são aceitas, apesar de suas fraquezas e limitações existentes. Onde seus dons e possibilidades são incentivados e ativamente envolvidos. Onde oferecemos oportunidades de recomeço e reconciliação. Ao nos aproximarmos como comunidade cristã, é importante perguntar o que posso ser em comunidade, o que posso oferecer e como posso caminhar. A grande dificuldade dos nossos dias é o caminho inverso, o questionamento do que a comunidade pode me oferecer e como pode satisfazer minhas necessidades e contribuir para a minha vida. Quando foco em Deus e no outro, o Espírito Santo trabalha nas minhas fragilidades enquanto ofereço o que posso e quem sou à comunidade, enquanto sirvo as pessoas ao meu redor e isso é tratado no coração de outros da mesma forma. Quando adentro a comunidade com esta perspectiva, administrar expectativas, tolerar frustrações e permanecer em unidade torna-se um caminho mais viável. Na comunidade cristã, com nossas práticas espirituais, temos o espaço para celebração, oração, confissão, perdão, transformação. Precisamos uns dos outros, precisamos de Deus em nós e entre nós. Que nas diferentes fases da vida e momentos de nossa caminhada com Deus, possamos encontrar esperança de nutrir, recomeçar e reencontrar a beleza da comunhão com Ele e uns com os outros. Quanto a mim, sugiro: comece ao redor da mesa, nutrindo a fé e compartilhando a vida. Não despreze o potencial dos pequenos encontros, transformadores, que se expandem para toda a comunidade. Paz e bem

A centralidade da Cruz...


Porque, quando estive com vocês, resolvi esquecer tudo, a não ser Jesus Cristo e principalmente a sua morte na cruz. (1 Coríntios 2.2, NTLH) Qualquer pessoa que estude o cristianismo pela primeira vez logo ficará impressionada com sua ênfase na morte de Jesus e, como já vimos, particularmente com o espaço desproporcional que os evangelistas dedicam à sua última semana de vida. Os autores dos Evangelhos haviam aprendido essa ênfase com o próprio Jesus. Em três ocasiões distintas e solenes Jesus predisse sua morte dizendo: “Era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas… e… fosse morto” (Mc 8.31). Era necessário que isso acontecesse — ele insistiu — porque havia sido predito nas Escrituras do Antigo Testamento. Jesus também se referiu à sua morte como a sua “hora”, a hora para a qual ele viera ao mundo. No começo, ele repetiu que ela ainda “não havia chegado”, mas finalmente pôde dizer que “sua hora chegara”. Talvez o mais impressionante de tudo isso seja o fato de Jesus ter determinado, de modo deliberado, como gostaria de ser lembrado. Ele instruiu seus discípulos a tomar, partir e comer o pão em memória de seu corpo, que seria partido por eles, e a tomar, derramar e beber o vinho em memória de seu sangue, que seria derramado em favor deles. A morte era representada por ambos os elementos. Nenhum simbolismo poderia ser mais claro. Como ele queria ser lembrado? Não por seu exemplo ou seu ensino, não por suas palavras ou obras, nem mesmo por seu corpo vivo ou pelo sangue que corria em suas veias, mas por seu corpo entregue e seu sangue derramado no sacrifício da cruz. Assim, a igreja acertou na escolha do símbolo do cristianismo. Ela poderia ter escolhido qualquer outra entre muitas opções — por exemplo, a manjedoura, simbolizando a encarnação; a carpintaria, que comunica a dignidade do trabalho manual; ou a toalha, símbolo do serviço humilde. No entanto esses símbolos foram ignorados em favor da cruz. A escolha da cruz como o símbolo supremo do cristianismo foi totalmente extraordinária porque na cultura greco-romana a cruz era objeto de vergonha. Como, então, o apóstolo Paulo pôde dizer que se gloriava nela? Esta é uma pergunta cuja resposta buscaremos esta semana. Para saber mais: 1 Coríntios 1.17-25 Paz e bem

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Permanecei comigo Senhor....


Certamente você já conhece a história dos discípulos de Emaús. Eu gosto dessa passagem, quando eles se encontram com Jesus no caminho e não o reconhecem. Cristo falava e eles não entendiam. Como isso foi possível? Muitas vezes, preciso que me falem de Deus, como os discípulos. Então, vou à Missa e ouço a homilia do padre com atenção. Há uma parte do Evangelho com os discípulos de Emaús que me comove. E eu tenho usado essa passagem como uma oração pessoal, em meio à dor e às tentações. Uso também quando não sei o que fazer. É muito simples: peço a Deus que permaneça comigo. “Permanecei comigo, Jesus, porque escurece e eu não posso vencer sozinho as tentações nem enfrentar o mundo e a adversidade. Permanecei comigo, Jesus, porque sem ti nada sou”. Sempre quis ser como eles: ter esse encontro com Jesus sem reconhecê-lo e, ao final, saber que era Ele quem esteve comigo. Sentir arder o meu coração, como no Evangelho: “Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram… mas ele desapareceu. Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 28-32) Sou fraco e falho com facilidade. Por isso, me apego aos sacramentos, à oração, à leitura de bons livros que me inspirem, à Eucaristia, às minhas visitas diárias a Jesus no sacrário. Lá, fico com Ele, falo, digo-lhe que o amo, peço que fique comigo. E, com certeza, Ele fica. Não o vejo. Nem preciso. Basta recebê-lo todas as manhãs na Santa Comunhão. Como és bom, Jesus! Estes dias, encontrei uma bela oração, muito semelhante à passagem do Evangelho, mas ainda mais bonita, que é atribuída a Padre Pio. Ela me comoveu profundamente. Ela me lembrou os discípulos de Emaús, quando eles pediram a Jesus: “Permanecei conosco…” Por isso, nesses dias, esta tem sido a minha oração: “Permanecei, Senhor, comigo, porque é necessária a Vossa presença para não Vos esquecer. Sabeis quão facilmente Vos abandono. Permanecei, Senhor, comigo, pois sou fraco e preciso da Vossa força para não cair tantas vezes. Permanecei, Senhor, comigo, porque Vós sois a minha luz e sem Vós estou nas trevas. Permanecei, Senhor, comigo, pois Vós sois a minha vida e sem Vós esmoreço no fervor. Permanecei, Senhor, comigo, para dar-me a conhecer a Vossa vontade. Permanecei, Senhor, comigo, para que ouça a Vossa voz e Vos siga. Permanecei, Senhor, comigo, pois desejo amar-Vos muito e estar sempre em Vossa companhia. Permanecei, Senhor, comigo, se quereis que Vos seja fiel. Permanecei, Senhor, comigo, porque, por mais pobre que seja a minha alma, deseja ser para Vós um lugar de consolação e um ninho de amor. Permanecei, Jesus, comigo, pois é tarde e o dia declina… A vida passa; a morte, o juízo, a eternidade se aproximam e é preciso refazer minhas forças para não me demorar no caminho, e para isso tenho necessidade de Vós. Já é tarde e a morte se aproxima. Temo as trevas, as tentações, a aridez, a cruz, os sofrimentos – e quanta necessidade tenho de Vós, meu Jesus, nesta noite de exílio! Permanecei, Jesus, comigo, porque nesta noite da vida, de perigos, preciso de Vós. Fazei que, como Vossos discípulos, Vos reconheça na fração do pão; que a comunhão eucarística seja a luz que dissipe as trevas, a força que me sustente e a única alegria do meu coração. Permanecei, Senhor, comigo, porque na hora da morte quero ficar unido a Vós; se não pela comunhão, ao menos pela graça e pelo amor. Permanecei, Jesus, comigo; não Vos peço consolações divinas porque não as mereço, mas o dom de Vossa presença, ah! sim, vo-lo peço. Permanecei, Senhor, comigo; é só a Vós que procuro; Vosso amor, Vossa graça, Vossa vontade, Vosso coração, Vosso Espírito, porque Vos amo e não peço outra recompensa senão amar-Vos mais. Com um amor firme, prático, amar-Vos de todo o meu coração na terra para continuar a Vos amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.” Paz e bem

Uma estranha felicidade que esta ao alcance de suas mãos..


A pregação de Jesus começou com um chamado à conversão (Mc 1, 15) e, pouco depois, com um vasto programa de felicidade (cf. Mt 5, 1 ss): Bem-aventurados os pobres, os que choram…, os que padecem perseguição… Os ouvintes devem ter ficado pasmos. Nunca ninguém tinha ligado a felicidade – a bem-aventurança –, à pobreza, às lágrimas, às perseguições… Estaria falando sério? Ou estaria desvendando um mistério desconhecido, até então nunca imaginado? A essa última indagação pode-se responder que sim: essa felicidade de que fala Jesus é um mistério “novo”, que quebra os esquemas e as experiências da história humana. É um mistério que só pode ser esclarecido pelo próprio Cristo, que veio a este mundo para fazer novas todas as coisas (Ap 21, 5). Mais ainda. É um mistério que só pode ser captado contemplando a vida de Cristo, do começo ao fim. Nela encontraremos todas as luzes sobre essas alegrias novas que, em meio às dores deste mundo, desabrocham em forma de vitória sobre o mal, sobre a tristeza e sobre a morte, em felicidade eterna que já pode ser saboreada na terra pelos que vivem “em Jesus Cristo”. É por isso que o Catecismo da Igreja diz, sinteticamente: «As bem-aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem o seu amor» (n. 1717). As bem-aventuranças são uma perspectiva cristã do amor que leva à felicidade. São um aparente enigma, decifrado apenas por quem é capaz de dizer, como São Josemaria: «Que eu veja com teus olhos, Cristo meu, Jesus da minha alma». Pois todas elas são retratos do amor de Cristo e lições para o nosso amor. Mistérios de felicidade no amor ─ Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. É a alegria do amor que não fica diminuído nem cativo por causa do apego às coisas materiais, ao dinheiro, às ambições egoístas. Quando Cristo pediu ao jovem rico que vendesse tudo e, assim, ficasse livre para seguir seu caminho de amor, o rapaz não conseguiu livrar-se desses apegos, e retirou-se triste, porque tinha muitos bens (Mc 9,22). Não ajunteis para vós – nos diz Jesus – tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, e os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está o teu coração (Mt 6, 19-21). Felizes os que, com coração desprendido, desdobram-se para ajudar material e espiritualmente os indigentes e desvalidos da terra (1 Jo 3, 16-18). 2 ─ Felizes os que choram, porque serão consolados Esta bem-aventurança fala do coração que chora porque ama, e dói-lhe ver-se a si mesmo e ver os outros afastados de Deus pelo pecado. Esse foi o motivo por que Jesus chorou à vista da cidade de Jerusalém, rebelde a seu apelo de conversão (Lc 19, 41 ss). São as lágrimas que voltaram a escorrer por suas faces, misturadas com gotas de sangue, quando, no Horto das Oliveiras, aceitou beber o cálice amargo dos nossos pecados para nos livrar deles com o Sacrifício da Cruz. As lágrimas de contrição encheram de paz e de uma alegria inédita a alma da pecadora que chorou, arrependida, aos pés de Jesus (Lc 7, 36 ss); foram fonte de alegria no céu e na terra quando o filho pródigo voltou à Casa do Pai (Lc 15, 32); e também fazem felizes agora os que alcançam o perdão de Deus numa contrita confissão. 3 ─ Felizes os mansos, porque receberão a terra em herança O amor de Jesus estendia-se a todos, quer o amassem quer o odiassem. Tinha infinita paciência para com os pecadores. E, nos momentos duríssimos da Paixão, como diz São Pedro, ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças… Carregou os nossos pecados em seu corpo para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a santidade (1 Pd 2, 23-24). A paz com que sofria sem revidar nem perder a paz nem queixar-se, deixou Pilatos boquiaberto. Nunca tinha visto tamanha paz em meio a tanto horror (cf. Jo 19, 8-9). Aprendei de mim – diz-nos Jesus –, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis repouso para as vossas almas (Mt 11, 29). 4 ─ Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados “Justiça” significa santidade, plenitude do amor a Deus e ao próximo. Jesus desejava a nossa santificação e a nossa salvação eterna mais do que a própria vida: Eu vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Um batismo (de sangue) eu devo receber, e como estou ansioso até que isso se cumpra! (Lc 12, 49-50). E, porque nos quer felizes, pede-nos aspirar a um amor grande, pois só esse amor poderá saciar de gozo a nossa alma: Sede, pois, perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48). A sede de justiça levava São Paulo a exclamar, cheio de gozo: Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda bênção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, no amor, diante de seus olhos (Ef 1, 3-4). 5 ─ Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia Quando Jesus foi criticado pelos fariseus, porque tinha compaixão dos pecadores e se aproximava deles, respondeu-lhes: Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes. Não é a justos que vim chamar à conversão, mas a pecadores (Lc5, 32). Do alto da cruz, rezava pelos seus algozes: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!(Lc 23, 34). E a todos nós pedia-nos aprender com ele a desculpar, a perdoar e a ajudar os outros a sair do seu erro: Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido… Se vós perdoardes aos outros as suas faltas, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. Mas, se vós não perdoardes aos outros, também vosso Pai não perdoará as vossas faltas (Mt 5, 12.14-15). Uma das maiores alegrias cristãs é a alegria de perdoar. 6 ─ Felizes os puros no coração, porque verão a Deus Se o teu olhar for puro, ficarás todo cheio de luz. Mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas (Mt 6, 22-23). O “olhar” é a intenção com que fazemos as coisas, e a maneira limpa de encarar as coisas da vida e as nossas relações com os outros. A pureza de coração exclui a mentira, a trapaça, o egoísmo interesseiro, a cobiça carnal… Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração (Mt 5, 27). Nada dificulta tanto ver e entender as coisas de Deus como um coração sujo. Do coração sai tudo, dizia Jesus (Mc 7, 21). Se o coração é puro, a alma se torna transparente, e nela Deus pode ser visto como num espelho. Essa é a alegria que experimentava São Paulo quando escrevia aos coríntios: A razão da nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência de que, no mundo e particularmente entre vós, temos agido com simplicidade de coração e sinceridade diante de Deus, não conforme o espírito de sabedoria do mundo, mas com o socorro da graça de Deus (2 Cor 1, 12). 7 ─ Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus No dia em que São João Batista nasceu, seu pai, Zacarias, profetizou que aquele seu filho prepararia o caminho do Senhor, de Jesus que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz (Lc 1, 76.79). Os anjos anunciaram o nascimento de Jesus com uma mensagem de paz: Paz para os homens de boa vontade (Lc 2, 14); e, antes da paixão, Cristo se despediu com uma promessa de paz: Não vos deixarei órfãos… Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz… Não se perturbe o vosso coração nem se atemorize! (Jo 14, 18.27). Ele, que foi “portador da paz”, declara que nós seremos felizes se procuramos ser no mundo «semeadores de paz e de alegria» (São Josemaria), isto é, se ajudamos os outros a acolher na alma a paz que procede da luta por viver na fé e no amor de Cristo. 8 ─ Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus Jesus havia anunciado que os seus discípulos, ao longo dos séculos, muitas vezes sofreriam perseguição, calúnias, martírio (cf. Mt 5, 11-12; Jo 15, 18-21). A história atual está sendo o cenário de uma das maiores perseguições já sofridas por cristãos: desde a perseguição procedente de leis e governos empenhados em banir os valores cristãos, até o martírio sangrento de muitos milhares de cristãos – mais, nos últimos decênios, do que os mártires da perseguição romana nos três primeiros séculos –, que estão sendo agora torturados, encarcerados, exilados, degolados pelos que odeiam “o povo da Cruz”. Jesus os chama “felizes”! Muitos mártires morreram com paz, rezando e pronunciando com amor o nome de Jesus – como os dezenove recentemente decapitados na Líbia (2015) –, perdoando os seus assassinos e rezando por eles. Não só tinham a certeza da felicidade eterna no Céu, mas já possuíam a graça da fé que consegue dizer como São Paulo: Estou crucificado com Cristo… Cristo vive em mim… Vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim (Gl 2, 19-20). Uma loucura divina Você meditou um pouco no que acabamos de comentar? Estivemos tratando de um modo muito breve essa página capital da mensagem de Jesus[1]. Mas, se quiser ser feliz de verdade, peça ao Espírito Santo que o ajude a aprofundar nessa loucura divina, mais sábia do que os homens (1 Cor 1, 25). Deixe-me insistir. As bem-aventuranças são um segredo maravilhoso, mas só podem ser compreendidas olhando para o amor de Jesus e contemplando-as em sua vida. Mais ainda. Somente quando nos decidimos a viver na intimidade da Trindade – numa vida de Sacramentos, de fé e de oração – é que começamos a saboreá-las. Descobrimos então a alegria nova de viver: – sob o olhar de Deus Pai – em união com Jesus Cristo – e movidos pela graça do Espírito Santo. (Pe. Faus) Paz e bem

Mostre seu coração para Deus...


As diferentes situações de oração podem nos conduzir ao silêncio interior e nos ajudar a respirar o mesmo alento do Espírito Santo. Pelas diferentes atitudes interiores que ela desperta, a oração revela o que está oculto e permite que entremos em comunhão com Deus, que está presente em nós, nos outros e em toda a criação. Deus nos criou segundo seu olhar de amor, e nos convida a reconhecer seu rastro em nossa história e em sua criação. Ao rezar, nos colocamos sob este olhar criador. Podemos rezar em qualquer lugar, inclusive quando não temos tempo. Um simples movimento do coração voltando-se para Deus já basta. São apenas alguns segundos convertidos em oração. É uma atividade elevada e simples, que não requer apenas um minuto e que podemos fazer a qualquer momento. Jesus rezava assim, constantemente e por todas as coisas, enquanto caminhava ou descansava. Nossa história está inscrita em nosso corpo como as notas musicais em uma partitura. Deus quer fazer uma sinfonia, colocando-nos, homens e mulheres, à frente de sua criação, para proteger o fruto de seu amor. Em sua encíclica sobre a ecologia, o papa Francisco fala com eloquência: “Todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, de seu desmensurado carinho por nós. A terra, a água, as montanhas, tudo é carícia de Deus” (Laudato si´, n. 84). O papa cita São João da Cruz na mesma encíclica: “São João da Cruz ensinava que tudo o que há de bom nas coisas e experiências do mundo «encontra-se eminentemente em Deus de maneira infinita ou, melhor, Ele é cada uma destas grandezas que se pregam». E isto, não porque as coisas limitadas do mundo sejam realmente divinas, mas porque o místico experimenta a ligação íntima que há entre Deus e todos os seres vivos e, deste modo, «sente que Deus é para ele todas as coisas». Quando admira a grandeza duma montanha, não pode separar isto de Deus, e percebe que tal admiração interior que ele vive, deve finalizar no Senhor” (Laudato si’, n. 234). A criação, de modo diferente em suas obras, evoca a imagem do Criador, embora seja apenas um pálido reflexo de sua beleza. Escutamos sua voz no canto dos pássaros, no murmúrio do vento, no mexer das árvores, no rugido da água. O Cântico das criaturas, de Francisco de Assis, chamado também de Cântico do irmão Sol, é uma ilustre resposta a esta presença do senhor na beleza da criação: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e que, com a sua luz, nos ilumina. Ele é belo e radiante, com grande esplendor; de Ti, Altíssimo, é a imagem.” Paz e bem