FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Em tudo dai graças....


"O que falta cega pro que já se tem" Querer sempre mais – hábito entranhado no modo contemporâneo de viver no estilo "black friday". Autorizados pela cultura do consumismo e do individualismo a valorizar nosso querer, facilmente caímos na armadilha da insatisfação constante, restringindo nossos pensamentos a querer o que não temos. "O que falta cega pro que já se tem"*. Querer ter mais se confunde com ser mais importante, e nos faz incapazes de identificar os motivos de sermos gratos. Imaginamos algo que não temos, ou não somos, como possibilidade futura, perdendo os pés do presente. Não aceitamos o presente tempo, não valorizamos o presente recebido. Amargor e rancor vão sendo semeados em nosso ser. Sermos gratos, porém, areja, ilumina, nos torna graciosos. É ter graça sem ser tolo ou ingênuo, mas sim dotado de sabedoria, dando foco e brilho ao que se vive e se recebe, acolhendo a graça com humildade, sem se dar mais importância do que ao outro. Gratidão anda de mãos dadas com a alegria; sem negar a falta ou a dificuldade, aceitar o que se tem faz a vida leve. Ser grato, contudo, não é estar cego, mas aprender a ver, isto é, a reconhecer o que há de valioso, os presentes presentes. É poder ver o céu espelhado no mar escuro quando este nos dá medo... coisa de quando a alma não é pequena...** O olho que vê poesia pode ver. Olhar para a própria história e enxergar motivos de gratidão não é tarefa fácil - mágoas e feridas põem-se à frente. Impossível passar a borracha como numa "pseudoamnesia", porém podemos encontrar motivos pelos quais encontramos sentido no viver, o que nos fazem prosseguir. Do contrário, estagnamos. Com gratidão, cultivamos alegria, esperança, movimento... a vida tem graça. Paz e bem

Clame pela verdadeira graça da GRATIDÃO...


Todo mundo é grato por opinião. Mas será que é de fato? A gratidão pode ser uma atitude automática, que flui naturalmente. Ao sair do táxi, ao recebermos o cafezinho, quando alguém nos dá licença, temos oportunidade de agradecer e pessoas dotadas de espírito de gratidão não deixam passar essas ocasiões, enquanto outras se mostram desatentas ou apressadas demais para esses detalhes. Agradecemos por educação, porque fomos treinados para isso desde cedo; ou quando nos sentimos realmente inspirados para tanto. Há ocasiões em que simplesmente nos alegramos por algum bem feito a nós ou, em nível mais profundo, quando sentimos o dever de retribuição por esse bem feito a nós. Isso é ótimo. Mas, por vezes ficamos bloqueados e a gratidão só vem a fórceps, principalmente quando as dificuldades parecem falar mais alto do que as coisas boas que nos acontecem. Então, tendemos a cair na lamentação e murmuração, ficamos de mau humor e caímos na autocomiseração e de tão cansados e calejados que ficaram os nossos joelhos achamos que Deus parou de ouvir a nossa oração. Nessas horas, Deus costuma colocar ao nosso lado pessoas que estão sofrendo mais do que nós, para que aprendamos a sair de nosso emsimesmamento. E quando percebemos o quanto essas pessoas nos ajudam a agradecer, mesmo em meio a dificuldades, começamos a vislumbrar o sentido do nosso próprio sofrimento, uma vez que um dia poderemos ajudar a outros que sofrem menos do que nós. Compreende o ciclo virtuoso? “Reclamei de não ter sapatos até que vi quem não tinha pés” A gratidão nos aproxima da teoria da relatividade, pois tudo é uma questão de proporção. Há a frase que costumo recitar de não lembro quem, que dizia: “Reclamei de não ter sapatos até que vi quem não tinha pés”. É verdade, ficamos gratos quanto mais observamos a miséria dos outros. E, como disse, um dia poderemos deixar alguém grato por não estar passando a miséria que já passamos. Mas será que a gratidão tem apenas essa dimensão relativa, negativa, de olhar para o que não se tem para se ficar grato pelo que se tem, ou será que ela também abarca uma dimensão positiva, proativa? Penso que sim, que ser grato não significa apenas olhar para quem tem menos do que eu, mas também para o potencial de bem que há nas coisas que nos rodeiam. Portanto, a gratidão engloba a capacidade de ver as coisas que ainda não aconteceram, que estão em potencial, o que é a definição de fé: Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. (Hb 11.1). Uma criança mimada facilmente se torna uma pessoa ingrata E a gratidão muda a forma como você pede as coisas para Deus. Há duas formas de vir a Deus com um pedido de oração: como quem está pedindo uma esmola pelo amor de Deus, e como quem está esperando uma migalha cair da mesa do seu Senhor, porque sabe que a mesa do Senhor é farta. Veja: a diferença é sutil, mas libertadora. Quem pede esmola fica desesperado com os centavos e quer mais. Quem espera as migalhas, esperará contente porque sabe que a migalha faz parte de uma fartura que não tem tamanho e agradecerá por ela, mesmo antes de pô-la na boca. Assim é a oração daquele que tem fé: não como de uma criança mimada que quer porque quer o novo brinquedo, mas como da criança que confia nos seus pais, que eles terão o melhor para ela, mesmo que não seja aquele brinquedo exato que ela desejava, e que, ao pedir já está agradecendo a bênção que receberá, seja ela qual for. C.S. Lewis e a gratidão Então, a gratidão é, ao mesmo tempo, algo espontâneo e algo adquirido: espontâneo pela educação e pelo espírito de gratidão; e adquirido, pelo mesmo espirito de gratidão e pela disposição de agradecer mesmo quando não se está vendo o fruto da oração. C.S. Lewis defendia a ideia do “bom contágio”. De que, mesmo quando não estamos a fim de fazer alguma coisa pelas nossas emoções subjetivas, se o fizermos por uma decisão deliberada da nossa vontade, que pode parecer forçada de início, essa coisa se torna parte de nós e se afeiçoa à nossa face. Nesse contexto, Lewis menciona aquele mito do rei que era tão feio que usava uma máscara para conversar com os seus súditos, que não suportavam olhar para ele. Com o tempo, o rei decidiu que era hora de ele assumir o seu verdadeiro rosto, pois já havia conquistado a simpatia do povo. E qual não foi a sua surpresa quando ele tirou a máscara: percebeu que seu rosto havia se amoldado a ela. A ordem, portanto, é ser grato/grata como questão de fato, e não de opinião, mesmo quando não se está a fim e aparentemente não tem motivos para agradecer, que no fim, seremos mais belos e mais felizes do que os ingratos podem sonhar em ser. Paz e bem

Não esmorecer na oração......


Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa. — João 16.24 Existem dois obstáculos principais à oração. O primeiro surge quando o Diabo o impele a pensar: “Eu ainda não estou preparado para orar. Eu deveria esperar mais meia hora, ou mais um dia, até que eu esteja melhor preparado ou até que eu tenha terminado de cuidar disso ou daquilo”. Enquanto isso, o Maligno o distrai por meia hora para que você não pense mais na oração durante todo o resto do dia. De um dia para o outro, você acaba se envolvendo com outros interesses e é impedido de orar. Esse obstáculo, tão comum, mostra quão malicioso é o Maligno ao tentar nos enganar. Frequentemente ele tenta fazer isso comigo. O Diabo também tem influência sobre os nossos corpos, os quais são tão preguiçosos e insensíveis que nem ao menos conseguimos orar da maneira que desejamos. Mesmo quando começamos a orar, distraímo-nos com pensamentos fúteis e desconcentramos da oração. O segundo obstáculo surge quando perguntamos a nós mesmos: “Como você pode orar a Deus e fazer a oração do Pai-Nosso? Você é indigno demais e peca todos os dias. Espere até ser mais devoto. Mesmo que você esteja com disposição para orar agora, deve esperar até que tenha confessado o seu pecado e participado da Ceia do Senhor, para que então você possa orar mais fervorosamente e possa se aproximar de Deus com confiança. Somente após isso é que você poderá realmente orar a oração do Pai-Nosso de coração”. Esse obstáculo é sério e nos esmaga como se fosse uma enorme pedra. Apesar dos nossos sentimentos de indignidade, os nossos corações devem lutar para remover este obstáculo de tal forma que consigamos nos aproximar de Deus livremente e clamar a ele. Paz e bem

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Vaidade, virtude, pecado, defeito.....


Taí um tema árido, meio ingrato de abordar. Dependendo do ângulo que se aborde, pode parecer fútil, se olhar de forma mais severa, vira pecado mortal. E ninguém é mais sábio que Eclesiastes para abordá-lo – sugiro até uma lida, sem pressa, entre o 5.1 e 6.1, principalmente quando a vaidade se soma ao dinheiro. Mas, se enveredar pela política, a vaidade salta aos olhos, navegando no poder, se enlameando na Lava Jato, e finalmente se incorpora na personalidade absolutamente doentia e narcisística do já folclórico presidente Trump. No famoso filme “O Advogado do Diabo”, o excepcional ator Al Pacino termina dizendo, no seu papel demoníaco: “Não é à toa que acho a vaidade o mais fascinante dos pecados!”. No entanto, desconfie de quem afirme que é desprovido de vaidades. Afinal, ela é matreira, dissimulada. Do tipo que nos invade silenciosamente, se instalando nos porões da mente, nos sótãos do inconsciente, até se instalar na suíte principal. Meu falecido pai já ensinava que a falsa modéstia é o requinte da vaidade. Cuidado com os ministros de eucaristia que falam mal nas alcovas, com os irmãos de fé que sussurram no pé do ouvido, no bonzinho de plantão. Lobos mais ferozes habitam os mais humildes cordeirinhos. Prefiro lidar com os vaidosos de vitrine, exagerados e explícitos. Aqueles que omitem ou mentem a idade descaradamente. Os homens que pintam cabelo de acaju ou azul petróleo. As mulheres que se ornamentam de joias, bijuterias ou badulaques. Adoram ser vistas e pronto. Mesmo porque vaidade tem algo de feminino, meio que combina. Talvez pelo fato das meninas terem desenvolvido um olhar detalhista, atento a forma, ao estético, quase esteta. Ornamentar é atrair e quem sabe o flertar seria seguido pela dança do acasalamento do macho sedento. Sem machismo, mesmo porque homem vaidoso costuma ser exagerado, assim como quando homem gosta de cozinhar, costumar fazê-lo de forma excepcional. Sim, vaidade pode ser sinônimo de cuidar-se, preparar-se para quem o circunda. Sendo, dessa forma, algo virtuoso, que ajuda a preservar, manter, ter uma autoestima no lugar. Mas... O vaidoso imaturo é aquele sem noção do ridículo, sem a menor capacidade de autocrítica, com imensa dificuldade de assumir erros, falhas. Não aceita a idade, exagera em plástica, botox, implantes. Adora colunas sociais, quer cargos, poder, riqueza, exibir, ostentar. O pior é que odeiam o sucesso alheio. Hipercríticos, sempre se comparam. Sabe a multidão que foi na posse do Obama? Menor que a do Trump? Ele afirma e pronto! Os votos que a Hilary teve a mais? Fraude! O discurso que fez? O melhor de todos os tempos... Me lembra muito da alma mais honesta do mundo, do brasileiro mais rico do mundo, do melhor escritor do mundo... O grande problema de cultivar a vaidade é o fato dela ser casada com o narcisismo, e dessa união advir filho único que é o próprio ego. Que nasce, cresce e morre prisioneiro do espelho, condenado a envelhecer, testemunhando sua decadência. Ter que conviver com a angústia da insatisfação, dia após dia. Invejar e maldizer os que habitarão seu universo, desfilando maior beleza ou riqueza ou poder. Na minha luta diária contra a vaidade, a alegria de constatar minha finitude, imperfeição, meu constante e inexorável envelhecimento. A montanha de erros cometidos, e o tanto que me permitiram aprender. Os muitos acertos e feitos e o quanto sementes que caíram em terreno fértil frutificaram. A alegria de pedir e aceitar o perdão. O entendimento de que minha matéria se desfaz na mesma proporção que minha mente serena e paz toma minha alma. Que o fim da minha materialidade se aproxima me preparando para minha convicta fé na eternidade. E, sendo assim, devo abandonar pesos mortos nesta caminhada, tais como vaidade, inveja, culpas, medos, ciúmes, inseguranças, poder, e tantas outras emoções negativas que erradamente cultivamos sem percebermos. Como diz Eclesiastes: “tudo é vaidade e tempo que passa...”. Paz e bem Por: EDUARDO AQUINO

Baixa autoestima: os que adoram se odiar...


Nascemos sempre repletos de defeitos, não há quem não os tenha. Não à toa, tenho arquivada a entrevista da Gisele Bündchen na qual ela relata, em sua espontaneidade, o quanto se achava horrorosa e quanto sofreu com bullying e apelidos. Ela achava suas pernas magras, e o corpo, esquálido, até ser descoberta como modelo. Daí a ser considerada a mulher mais bonita do mundo foi um pulo. Imagina quantas tops estão por aí chorosas, malresolvidas, se escondendo do mundo, que, por sua vez, está querendo desesperadamente revelá-las? Quantos jovens brilhantes deixam de ocupar uma vaga por não se acharem capacitados numa empresa de ponta? Antes de mais nada, vivemos num tempo de falsidades, exibicionismos, exposição e de muita, muita imaturidade. Piorando a caótica realidade, as redes sociais na internet são inclementes ao expor pessoas a situações extremas e pesadas, ressaltando o ridículo, manipulando fatos, criando “verdades” e massacrando os defeitos nossos de cada dia. Daí a viralizar a baixa autoestima foi um pulo. Entre crianças (algo raro até há poucas décadas) e adolescentes, a baixa autoestima tem se manifestado de forma tão grave que o aumento de suicídios pós-ciberbullying já virou tragédia nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Também está entre os adultos jovens, principalmente quando se trata de temas ligados à vida afetiva, sexual e profissional, e, nas pessoas maduras, causada por problemas financeiros, conjugais e familiares. Tudo isso só da baixa autoestima! O achar-se pior que todo mundo virou lugar-comum. Não há photoshop, botox ou roupa de marca que resolva. Nem pós ou doutorado. Amor próprio não se compra, não se maquia, não se inventa... Amor próprio desenvolve-se com muita humildade, zelo, carinho e coragem. Entrar em redes sociais e ver pessoas sorridentes, acompanhar suas viagens, conhecer seus filhos unidos, seus carrões (quanta coisa falsa, muitas vezes!)... Ao comparar com a lida diária, quem assiste ao paraíso virtual se sente no inferno do dia a dia. Baixa autoestima sempre será uma distorção da imagem de si mesmo. É o péssimo comportamento de supervalorizar as características alheias e menosprezar as próprias. “Queria ter o nariz do beltrano, o corpo do fulano, a inteligência do ciclano…” e por aí vai. Sem contar que o sofrimento costuma sobrar para a família: “ tinha que ter cabelo tão ruim, mãe?!”. A arte mais difícil é amar-se. Odiar-se é fácil, basta um espelho, uma frustração, uma paixão malresolvida ou ouvir um sonoro “não” de alguém ou de uma vaga sonhada. É fácil se lamentar e achar a vida pesada, injusta. É fácil vestir seu uniforme de burro, horroroso, feio, zero à esquerda e se trancar no quarto, sentar no final da sala e querer ser invisível, querer morrer antes mesmo de merecer ter vivido. Pois amar a si mesmo dá um baita trabalho. É preciso encarar o espelho interno a cada dia e surpreender-se. Olhar de perto nossas imperfeições. Não duvide, não há quem não as tenha. É preciso surpreender-se ao encarar que temos virtudes, muitas, por sinal, que se escondiam atrás da fixação pela aparência. Esse coração enorme, por exemplo, o desejo de existir, fazer algo bom... E esse sorriso lindo, tão pouco usado pois o mau humor o roubava? Sim, o nariz pode ser largo, mas seus olhos são tão expressivos que, juro, não dá para censurar o nariz. Concordo que o cabelo é crespo, mas charmoso ao ser colocado de lado, e com essa voz rouca... Amar-se é ser benevolente, generoso consigo mesmo. Aprender a errar, não ser obrigado a ser nem o melhor, nem o pior, apenas você. Gostar de você mesmo é brincar com seu jeito de ser. Único, pois você faz a diferença, ninguém nunca será como você! Aproveite ser quem é. Deve ser encantador ser como é. Daria um livro. Escreva- o. Zoar a si mesmo e assim desarmar a maldade alheia. As pessoas aqui fora sempre querem umas às outras, desde que umas se disponham a se apresentar às outras com seus defeitos e suas virtudes. Não busque no outro ou em coisas materiais a solução para sua baixa autoestima ou passará a vida inteira codependente de alguém ou de coisas materiais para fingir ser feliz. Sorria, você está sendo filmado por sua estima própria. Paz e bem Por EDUARDO AQUINO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sabemos ser amigos...como os escolhemos ?


Se Platão é o autor de um dos tratados mais conhecidos sobre o amor (basta ler, entre seus diálogos, o “Fedro” ou o “Banquete”), Aristóteles é, sem dúvida, um dos autores clássicos que mais e melhor se expressou sobre a natureza da amizade. Em “Ética a Nicômaco”, talvez a mais conhecida de suas obras sobre o assunto, o filósofo diz que existem basicamente três qualidades geralmente amáveis – isto é, que se podem amar – que servem como motivos para a amizade: a utilidade, o prazer e a virtude. Mas isso não significa que as amizades decorrentes de qualquer uma destas três razões são necessariamente amizades “reais”. Para que uma amizade possa ser considerada autêntica, segundo Aristóteles, é necessário: “aos amigos, devemos desejar-lhes o bem no interesse deles próprios. Mas aos que desejam bem dessa forma só atribuímos benevolência, se o desejo não é recíproco; a benevolência, quando recíproca, torna-se amizade. Pois muita gente deseja bem a pessoas que nunca viu, e as julga boas e úteis; e uma delas poderia retribuir-lhe esse sentimento. Tais pessoas parecem desejar bem umas às outras; mas como chamá-las de amigos se ignoram os seus mútuos sentimentos? A fim de serem amigas, pois, devem conhecer uma à outra como desejando-se bem reciprocamente por uma das razões mencionadas acima” (pg. 140). Ou seja, o desejo de boa vontade deve ser mútuo e conhecido: Aristóteles diz que um homem não pode ser amigo de um objeto inanimado, porque seria “ridículo se desejássemos bem ao vinho” (pg. 140), porque um objeto não pode fazer o mesmo por nós: não é uma boa vontade mútua. Assim, se entende que se uma pessoa deseja o bem para outra, mas esse desejo não é recíproco, não podemos falar que entre essas duas pessoas realmente exista uma amizade. Por isso, Aristóteles define a amizade como “uma boa vontade mútua entre as pessoas conhecidas para uma das qualidades amáveis: isto é, por utilidade, por prazer ou por virtude”. Amigos por utilidade Aristóteles ensina que “os que se amam por causa de sua utilidade não se amam por si mesmos, mas em virtude de algum bem que recebem um do outro” (pg. 141). Isto significa que em uma amizade por utilidade “a pessoa amada não é amada por ser quem é, mas porque proporciona algum bem ou prazer” (pag. 141). Ou seja, “os que amam por causa da utilidade, amam pelo que é bom para eles mesmos” (pg. 141). Isso não é necessariamente prejudicial, de acordo com Aristóteles, mas ele alega que essas amizades não são permanentes, porque se o benefício da utilidade acaba, a amizade também acaba. É o caso clássico, por exemplo, dos parceiros de negócios ou colegas de classe. Amigos por prazer Aristóteles observa que algo semelhante acontece neste tipo de amizade e na anterior. Este tipo de amizade acontece entre pessoas que amam seu amigo(a) não pelo bem do amigo(a), mas pelo prazer que podem receber dessa pessoa. Como na amizade por utilidade, amizades por prazer são relativamente frágeis, porque podem alterar ou terminar tão rapidamente como o prazer recebido. Aristóteles afirma que este é o tipo mais comum de amizade na juventude. “A amizade dos jovens, por outro lado, parece visar ao prazer, pois eles são guiados pela emoção e buscam acima de tudo o que lhes é agradável e o que têm imediatamente diante dos olhos; mas com o correr dos anos os seus prazeres tornam-se diferentes. E por isso que fazem e desfazem amizades rapidamente: sua amizade muda com o objeto que lhes parece agradável, e tal prazer se altera bem depressa” (pg. 141-142). Geralmente, de acordo com Aristóteles, uma amizade baseada no prazer é a que acontece entre amigos que compartilham os mesmos passatempos: companheiros de uma equipe de esportes ou de uma banda, por exemplo. Amigos por virtude Aristóteles escreve que a amizade perfeita é a das pessoas que são boas e afins na virtude, pois essas desejam igualmente bem uma à outra e são boas em si mesmas. Ora, os que desejam bem aos seus amigos por eles mesmos são os mais verdadeiramente amigos, porque o fazem em razão da sua própria natureza e não acidentalmente. Por isso sua amizade dura enquanto são bons — e a bondade é uma coisa muito durável. E cada um é bom em si mesmo e para o seu amigo, pois os bons são bons em absoluto e úteis um ao outro. E da mesma forma são agradáveis, porquanto os bons o são tanto em si mesmos como um para o outro, visto que a cada um agradam as suas próprias atividades e outras que lhes sejam semelhantes, e as ações dos bons são as mesmas ou semelhantes (pg. 142). O filósofo segue afirmando que “tal amizade é, como seria de esperar, permanente, já que eles encontram um no outro todas as qualidades que os amigos devem possuir” (pg. 142). Com isso, Aristóteles quer dizer que uma pessoa que é boa é também agradável, e sua companhia é prazerosa e útil. Assim, a amizade por virtude contém em si mesma os mesmos prazeres que as outras duas amizades, mas em grau mais elevado, tornando esta amizade uma amizade melhor e mais plena. No entanto, Aristóteles é realista: “Mas é natural que tais amizades não sejam muito frequentes, pois que tais homens são raros. Acresce que uma amizade dessa espécie exige tempo e familiaridade. Como diz o provérbio, os homens não podem conhecer-se mutuamente enquanto não houverem “provado sal juntos”; e tampouco podem aceitar um ao outro como amigos enquanto cada um não parecer estimável ao outro e este não depositar confiança nele. Os que não tardam a mostrar mutuamente sinais de amizade desejam ser amigos, mas não o são a menos que ambos sejam estimáveis e o saibam; porque o desejo da amizade pode surgir depressa, mas a amizade não” (pg. 142-143). Paz e bem

Ser bondade...ponte para o amor...


4k 0 Por diferentes motivos, existem pessoas que caminham pela vida pensando que qualquer dano que os outros sofram é uma vantagem para elas, de modo que não hesitam em se alegrar por isso e até mesmo em provocar o mal. Para este tipo de pessoa, a melhor resposta que podemos dar é uma lição de bondade. Este é o jeito mais adequado de agir. Neste sentido, os conceitos de bem e de mal deram muito o que falar ao longo da história, principalmente porque a alma humana pode se aproximar das duas. Também porque depende muito da cultura, da sociedade e de outras variáveis que podemos adicionar ao debate. Além de uma contribuição técnica e científica do tema, neste artigo vamos procurar uma reflexão individual. O ponto do qual partir será uma situação real e abstrata na qual uma pessoa age com maldade e nos prejudica. Como respondemos a isso? Por que a bondade é uma lição Existem muitos motivos pelos quais a bondade pode ser considerada uma grande lição, ainda que nunca possamos compreender o que levou o outro a nos prejudicar. Essencialmente, adotando a bondade como resposta não isentamos o outro das suas ações, mas libertamos a nós mesmos das emoções negativas. flor-nascendo Muitas vezes é extremamente complicado perdoar o outro, e isso é compreensível. Contudo, basta lembrar que é possível perdoar sem esquecer ou sem entregar novamente a confiança própria. Assim, o perdão não nos torna ingênuos nem mais vulneráveis, apenas nos liberta de uma carga pesada que mantém a ferida do dano causado. “A cada nova cobrança, a cada nova crueldade, precisamos fazer oposição com um pequeno suplemento de amor e de bondade conquistado em nós mesmos.” -Etty Hillesum- A bondade age como lição porque é gratificante, fomenta a solidariedade, beneficia a autoestima e abre a porta para a dor e o aprendizado. Um ato de bondade olha para o bem alheio e o próprio. A maldade, ao contrário, só olha para si mesma e procura somente repercutir nos seus interesses. A bondade nasce do coração Uma das opiniões mais comuns é de que não nascemos nem bons nem maus, mas que cultivamos a bondade ou a maldade à medida que crescemos emocionalmente. Por essa razão podemos dizer que a bondade nasce do coração e se alimenta dele. Se durante nossas vidas queremos progredir sem prejudicar ninguém, como vamos responder com vingança aquele que apenas procura prejudicar? coracao Uma resposta à altura de uma ação ruim não muda nada, não resolve o dano e apenas alivia momentaneamente. O rancor destrói, transforma e não colhe nenhum fruto positivo em nós mesmos. Não só isso, a outra pessoa continuará vendo você cair na sua mesma velocidade; e, então, não apenas você terá perdido tudo, mas não ganhará nada. “Mas tinha além disso uma arte maior, uma arte que não se aprende: a da bondade.” -Úrsula K. Le Gin- Assim como afirmou Gandhi, seria bom que fôssemos a mudança que queremos ver no mundo. Desde aquelas situações maiores e mais complicadas, difíceis de superar, até aquelas outras pequenas. Também podemos olhar a ética de Kant que afirmava que a virtude está em “fazer das nossas obras, obras universais”. Não permita a maldade ao seu redor Estamos rodeados de ódio, violência e medo, de modo que é necessário educar quanto a valores que contribuam para um bem-estar social e individual, valores que impeçam uma escalada das atitudes censuráveis que nos rodeiam. De fato, quem já passou por isso sabe que não serve mais aquele “olho por olho” porque no fim das contas acabamos todos cegos. Paz e bem