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ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

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AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sábado, 12 de fevereiro de 2011

VIDA BEM MAIOR



Por Padre Evaristo Debiasi


Sim, vida é o bem maior que possuímos. Deus a origem primeira e o fim último de toda vida. Deus, em seu eterno amor pela humanidade, quer nos dar vida plena. Aliás, o amor de Deus pela humanidade não tem limites. É imensurável. A vida que Deus Pai quer partilhar conosco no agora do tempo é antes de tudo Ele próprio, o amor de Jesus e a vida no Espírito Santo.

Cristo nos revelou que a vida humana é o santuário maior de Deus no tempo. "Vocês não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá pois o tempo de Deus é santo e esse templo são vocês" (1Cor 3,16-17).

Da concepção no útero materno até a hora da morte natural a vida é o grande bem a ser preservado, defendido, assumido e amado. Por isto mesmo, todo tipo de exclusão ou manipulação da vida humana, seja quais forem os motivos, é irreversivelmente exclusão de Deus. Claro existe a legítima defesa. Mas Deus não exclui ninguém. Ele nos ama além de nossos méritos ou não méritos.

O amor a Deus e o amor ao próximo fazem parte do projeto de Deus para a vida. São partes constitutivas do primeiro mandamento de Deus e da Boa Nova de Jesus. A vida está no coração do projeto de Deus, de Jesus e da Igreja. Ela não tem preço. É um valor inegociável. Disto a Igreja não abre mão. Deus é o dono absoluto da vida.

Com a encarnação de Cristo, que é verdadeiro Deus e homem, a vida humana foi elevada em sua dignidade suprema. Nada justifica sua manipulação. Por isto mesmo, jamais haverá verdadeiro amor a Deus sem a defesa de toda vida humana. Não há outra escolha.
Todo progresso, todas as conquistas, todo poder e riquezas devem estar a serviço da vida de todos, não somente de alguns. Os documentos da Igreja ensinam que o direito da posse dos bens materiais tem seus limites e mesmo vira hipoteca social quando a vida está em risco.

Esta posição da Igreja gera tensões e mesmo levou e leva muitos que a defendem à perseguição e à própria morte diante da mentalidade consumista e capitalista de todos os tempos, particularmente de nossos dias. É por isto que a Igreja, os Evangelhos e particularmente Cristo incomodam tanto os interesses do mundo.

Colocarmo-nos do lado de Deus, na comunhão com a Igreja, tem o preço de renúncias, de incompreensões, de perseguições e mesmo da morte. O bem de cada pessoa, o bem comum, se situam acima do bem e dos interesses pessoais. Só há uma razão que justifique o possuir e o produzir: saber partilhar. O lucro se justiça quando também se torna um bem social. As tensões da humanidade nascem em sua maioria da não partilha.

Colocar-se do lado de Cristo exige um pouco mais do que viver preceitos, como apenas ir a missa, rezar, pagar o dízimo, exige o compromisso com o destino e a sorte de todos, particularmente dos mais pequeninos e feridos de nosso tempo. E não se trata apenas de dividir um pouco dos bens materiais que possuímos. Trata-se também de dividir um pouco de nosso tempo, de nossa formação e conhecimentos, de nossa fé e de nossa própria vida no serviço a todos.

O cristão cumpre sua missão não apenas pela fidelidade ao cumprimento dos preceitos em si, mas particularmente através do seu esforço diário na graça de Deus para identificar sua vida com a vida de Jesus. É no amor a Deus e no amor ao próximo que se cumpre toda a lei, todos os profetas e a própria Boa Nova de Jesus.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

EVANGÉLIO

Sempre que ouvimos a palavra evangelho pensamos em Bíblia. Para nós hoje é muito comum associar a palavra Evangelho aos quatro evangelhos, que narram os ensinamentos de Jesus: Mateus, Marcos, Lucas e João. Porém, o significado etimológico dessa palavra vai muito além desses quatro livros.


Segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de Antônio Geraldo da Cunha (Lexikon, 2007) a palavra evangelho vem do latim evangelium, que é derivado do grego euaggélion. Significa literalmente “bom (eu) anúncio (aggelô) ou boa notícia”.

Já no Antigo Testamento a palavra evangelho foi utilizada. Na tradução grega da LXX (Setenta ou Septuaginta é o nome da versão da Bíblia que foi traduzida do hebraico para o grego, no século II a.C., em Alexandria) o verbo evangelizar foi empregado: Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia (euaggelitsomenos) a felicidade, que traz as boas novas (euaggelitsomenos) e anuncia a libertação, que diz a Sião: Teu Deus reina! (Isaías 50,7).

No sentido empregado por Isaías, evangelho é uma notícia boa, plena de alegria e esperança. É uma boa notícia que traz a salvação por um caminho inesperado, por meio da ação do rei pagão Ciro, que foi um importante instrumento do plano de Deus. A boa notícia anunciada por Isaías é também libertadora, pois tem poder de mudar a situação histórica do povo sofredor.

A palavra evangelho também foi utilizada no mundo pagão. A ascensão do imperador ao trono ou a vitória numa batalha também era chamada de evangelho, de boa notícia. Por exemplo, num monumento do ano 9 a.C., o nascimento do imperador Augusto foi anunciado como “o começo da boa notícia (euaggelion) que foi trazido ao mundo”.

No Novo Testamento a palavra evangelho foi muito utilizada: cerca de 76 vezes. Destas, 60 vezes apenas nas cartas de Paulo. Nos evangelhos de Marcos e Mateus também podemos encontrar o verbo evangelizar: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres... (Mt 11,5; Cf. Mc 8,35; 10,19; 13,10).

Foi no século II d.C. que evangelho passou a ser sinônimo de livro. São Justino (100-165 d.C.) foi o primeiro autor que chamou os quatro primeiros livros do Novo Testamento de evangelhos. Com o passar do tempo começou a ser utilizada a expressão “evangelho segundo...” para diferenciar cada um dos quatro livros.

Para nós hoje é importante saber que o evangelho não é uma biografia que conta fatos importantes da vida de Jesus. No sentido cristão da palavra, evangelho pode ser definido como a exposição da narrativa histórica da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, prefaciada por um grande relato de seu ministério. A pessoa de Jesus é o próprio evangelho, pois ele é o centro da história da salvação. O evangelho é, portanto, a boa notícia da salvação.

Para saber mais:

• Aguirre Monasterio, Rafael. Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos - Ave-Maria, 1994.

• Rivas, Luis Heriberto. O que é um evangelho? Introdução geral aos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João - Ave-Maria, 2009.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano

KYRIE, ELÉISON....

Kyrie, eléison, é uma expressão utilizada pelos fiéis durante o ato penitencial e no início das ladainhas. De origem grega, a expressão é formada por Kyrie, um vocativo de kyrios, que significa “senhor, mestre”, e eléison, que vem de eleéo, cujo significado é “pena, compaixão, misericórdia”.


O uso dessa expressão é muito antigo. No Antigo Testamento, escrito em hebraico, a palavra hesed foi utilizada para pedir perdão. Hesed significa misericórdia, piedade. Seu emprego pode ser encontrado em: Sl 4,2: Tende piedade de mim e ouvi minha oração; Sl 6,3: Tende piedade de mim, Senhor, porque desfaleço; Sl 25,11: Livrai-me e sede-me propício; Sl 50,3: Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade; Is 33,2: Senhor, tende piedade de nós, pois esperamos em vós; Tb 8,10: Tende piedade de nós, Senhor; tende piedade de nós.

No Novo Testamento, a expressão também aparece várias vezes. Em Mt 9,27 lemos: Filho de Davi, tem piedade de nós!; em Mt 20,30: Dois cegos, sentados à beira do caminho, ouvindo dizer que Jesus passava, começaram a gritar: Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!; em Mc 10,47: Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!; em Lc 16,24: Pai Abraão, compadece-te de mim; em Lc 17,13: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!.

O Dicionário Litúrgico, do Frei Basilio Röwer, nos diz que o Kyrie, eléison foi incorporado à liturgia da missa no século V. Um século depois, foi acrescentada também a expressão Christe, eléison, forma que é utilizada até hoje. Atualmente são feitas três invocações durante o ato penitencial: Kyrie, eléison; Christe, eléison; Kyrie, eléison.

Vale a pena falar um pouco da origem grega dessa expressão, que é bastante significativa. Eleos tem a mesma raiz final que forma a palavra petróleo. Eleos era uma espécie de óleo que era muito utilizado como um remédio para aliviar contusões e curar feridas. O óleo era colocado sobre a ferida ou sobre a pele, que era massageada suavemente, trazendo alívio à parte lesionada. Algo parecido com o “doutorzinho” que algumas pessoas utilizam para aliviar a dor.

Esse simbolismo do óleo que cura e alivia a dor foi incorporado na tradução da Bíblia do hebraico ao grego. (A tradução dos Setenta, feita por setenta sábios, em Alexandria, por volta do século II a.C.).

Rezar o Kyrie-eléison, é, portanto, muito mais que simplesmente pedir que a justiça de Deus seja feita em cada um de nós ou absolva nossos pecados, livrando-nos da culpa. Ou então, simplesmente ficarmos nos acusando dos pecados que cometemos. Seu significado é muito mais profundo. É uma oração muito importante que elevamos a Deus, dizendo: Senhor, acalme-me, conforte-me, alivie-me das minhas feridas e dores.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote, missionário claretiano.

MÁRTIR

Um mártir é uma pessoa que, abraçando sua fé e vivendo a radicalidade do seguimento de Cristo, morre por causa desse ideal. A palavra mártir tem sua origem no grego mártyr, que significa “testemunha”. Provavelmente, sua origem primitiva está em duas palavras do sânscrito: smarâmi, que significa “minha lembrança”, e smrtu, que significa “memória”. O mártir é, portanto, uma testemunha do amor de Cristo.


A Igreja, desde os primeiros séculos, celebra de forma especial o martírio ou testemunho que esses cristãos deram, ao morrer por sua fé na Igreja, em Cristo e em Deus. As comunidades primitivas costumavam venerar o lugar do martírio dessas testemunhas da fé. Posteriormente, surgiu o culto às relíquias desses mártires, espalhadas por diversos lugares, possibilitando que o culto aos mártires se estendesse pelo mundo inteiro.

A data em que a Igreja faz memória de um mártir é a de sua morte. Isso porque através da morte se realizou a plenitude da vida. A morte para os cristãos é a celebração do verdadeiro nascimento. A comunidade celebra o martírio como um ato supremo de fé, e o mártir é apresentado aos fiéis como um modelo de imitação de Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica (n° 2473) nos diz que o martírio é “o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte”. No sentido cristão, o mártir é a pessoa que dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Para dar testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã, o mártir suporta a morte como um ato de fortaleza: “Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus” (Santo Inácio de Antioquia).

Esse tema é bastante comum tanto na teologia quanto na liturgia. No Missal Romano, encontramos os formulários comuns para as missas dos Mártires, que a liturgia coloca depois do Comum de Santa Maria Virgem e antes do Comum dos Pastores, Doutores e demais categorias de santos. Dessa forma, a liturgia revela a importância do martírio. Os mártires são os mais santos dentre os santos.

Um seminário mártir:

Mártires Claretianos de Barbastro

Na perseguição religiosa de 1936, na Espanha, Padre Felipe de Jesús Munárriz e seus 50 companheiros pertenciam à comunidade claretiana de Barbastro. Eles foram presos e condenados à morte. Divididos em cinco grupos, foram fuzilados entre os dias 2 e 18 de agosto. Antes da execução, Faustino Pérez escreveu o famoso e comovente Testamento dos Mártires de Barbastro. Entre outras coisas, dizia: “(...) Todos com alegria vamos morrer, sem que ninguém desanime nem se entristeça...” E concluía que o sangue derramado haveria de fazer a congregação crescer e se espalhar pelo mundo inteiro. E foi assim que aconteceu. Até hoje, o testemunho desses jovens inspira muitos vocacionados no mundo inteiro.
Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano.

PRESÉPIO

Segundo o evangelista Lucas, “Maria deu à luz seu filho pri¬mogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria”. (Lucas 2,7)


A palavra “presépio” tem sua origem no latim praesepire, que literalmente significa “cercado na frente”. É formada por dois elementos: pelo prefixo prae, que significa “na frente, antes”; e pela palavra sepire, que significa “cercar, envolver”. Ou seja, era um lugar cercado para dar comida e descanso aos animais, hoje conhecido por estábulo ou curral. Isso mesmo: Jesus nasceu num lugar destinado aos animais!

O termo “presépio” apareceu pela primeira vez no século V. O papa Sisto III (432-440) pediu que fosse construído na Basílica de Santa Maria Maior um relicário para conservação de algumas partes da Gruta de Belém. Desde o século VI, a Basílica também ficou conhecida como “Santa Maria do Presépio”. (Discurso do Cardeal Tarcisio Bertone, 12 de dezembro de 2006)

A cena que representa o nascimento do Menino Jesus foi sendo criada no decorrer da história. No século V, o presépio era representado apenas com a manjedoura e o Menino, uma vaca e um burro. Certamente era uma referência ao profeta Isaías “O boi conhece o seu possuidor, e o asno, o estábulo do seu dono” (Isaías 3,2). Ao final do século V foi acrescentada a estrela de Belém. Na mesma época, também a Virgem Maria foi representada no presépio.
Foi na Idade Média que o presépio se tornou bastante popular. São Francisco de Assis foi o responsável pela popularização do presépio. Em 1223, ao retornar de uma viagem a Roma, informou ao papa Honório III (1216-1227) sobre seus planos de fazer uma representação artística do Natal. Tendo o projeto aprovado, Francisco foi para Greccio e, nas vésperas do Natal, com a ajuda de amigos, construiu uma gruta, agrupando ao redor da imagem do menino, as imagens de Maria, de José, dos pastores, em adoração ao Salvador recém-nascido, e ainda do asno e do boi. A partir desse momento, a tradição natalina foi se estendendo por toda a Europa e de lá para o resto do mundo.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano.

O BATISMO DE CRISTO




“Oh! Se rasgásseis os céus, se descêsseis...” (Is 64,1a) . O tão esperado desejo de Isaías é manifestado no Batismo de Cristo. Nesse evento, à beira do Jordão, destacamos quatro aspectos de revelação: o batismo como sacramento; como sinal da páscoa; como início do “céu na terra” e como fundamento do cristianismo.

O Batismo de Cristo é Sacramento, ao menos no sentido etimológico, pois é um sinal. Sinal sensível da união de Cristo com o Pai e o Espírito Santo. Sinal daquilo que o Verbo sempre foi: Filho. O Batismo de Cristo não é um fato que acrescente algo novo no seio da Trindade, mas o é para o homem. Não é novo enquanto pensamos na trindade imanente, na relação das três pessoas divinas. Mas é sim quanto à trindade econômica, isto é, a trindade enquanto evento, enquanto autocomunicação com a humanidade. Nesse sentido, vemos um homem, Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ouvindo do Pai que ele é filho. Não é uma voz nova para o Verbo Eterno. Para nós, contudo, é inaudito. Nele ouvimos que podemos ser filhos. Abrão não tinha ouvido nada igual nem mesmo Moisés. Só em Cristo essa verdade se concretiza.

O batismo de Cristo é sinal da páscoa. Ao dizer “este é meu filho”, prepara-nos para o mistério pascal. Lá, Cristo nos dirá que sobe para o seu pai e acrescenta “vosso Deus”. No batismo de Cristo no Jordão a humanidade escuta o prenúncio da páscoa quando definitivamente fomos batizados. Podemos, portanto, confiantes, beber do cálice do Senhor.

Viver o Batismo é já vivenciar o céu. Sim, o céu não é um lugar, mas um estado de espírito. No céu veremos face a face, mas no batismo já fomos imergidos naquela Santíssima Trindade com a qual nos uniremos para sempre. O céu começa no Batismo. Ah, se os céus se abrissem... ei-lo aberto, ei-nos imergidos nele. Isso é Batismo. Isso é cristianismo.

É no Batismo que recebemos a missão profética, real e sacerdotal. Ao se falar desse primeiro sacramento, é inevitável recordar a nossa missão no mundo, os “nossos deveres” como cristãos. O Batismo, contudo, transcende à recordação de tarefas a serem executadas. O Batismo é mais do que o que devemos fazer e sim o como fazer. Em nós habita a Trindade e é por isso que podemos ser coerentes com nossa missão. Não se trata apenas de recordar os nossos deveres, mas o nosso direito maior: filhos de Deus. Direito que torna os mandamentos morais em um julgo suave. Talvez não conseguiremos cumprir todas expectativas que as pessoas depositam em nós, mas poderemos realizar tudo o que o Senhor quer, pois é Ele mesmo que age em nós.

Que o batismo do Senhor nos recorde que o cerne do cristianismo não é um conjunto de regras morais. A igreja não é um aglomerado de preceitos. A mensagem é muito maior: fomos batizados com Cristo. O sacramento que recebemos no rito da iniciação cristã nos preenche com o Espírito que clama “Aba, Pai”. No Batismo de Cristo duas verdades se entrelaçam, aquela de um céu aberto almejado por Isaías e a constatação da Beata Elizabete da Trindade: “o céu é Deus e na minha alma Ele está”.

por Moisés Alves

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

VIÁTICO



A palavra viático vem do latim viati¬cum. Significa “provisão para a viagem”. A origem está relacionada com via, caminho. Lembra um longo caminho que está sendo iniciado.


Entre os gregos antigos existia um costume de oferecer um jantar para aqueles que iriam iniciar uma viagem. Após o jantar era oferecida toda a provisão necessária para a viagem: alimentos, dinheiro, roupas e objetos pessoais. Em latim essa prática recebeu o nome de viaticum. Já no início da Igreja a palavra viático ganhou um sentido metafórico, que significa a provisão para a viagem desse mundo ao próximo. É nesse sentido que a palavra é utilizada na liturgia.

Desde o Concílio de Niceia, no ano 325, a Igreja falou da importância do viático como preparação para a passagem para a vida eterna: “Acerca dos que estão para sair deste mundo, se guardará também agora a antiga lei canônica, a saber: que se alguém vai sair deste mundo, não seja privado do último e mais necessário viático” (Cânon 13).

De acordo com o Dicionário de Liturgia (Paulinas, 1992), o viático é “o sacramento da eucaristia dado aos moribundos, aos que estão próximos de passar desta para a outra vida, cumprindo a palavra do Senhor: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).

O Catecismo da Igreja Católica no apresenta o viático, como o “último sacramento do cristão”. Afirma: “Aos que estão para deixar esta vida, a Igreja oferece, além da Unção dos Enfermos, a Eucaristia como viático. Recebida neste momento de passagem para o Pai, a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo tem significado e importância particulares. Sacramento de Cristo morto e ressuscitado, a Eucaristia é aqui sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai”. (CIC 1524).

O Ritual da Unção dos Enfermos, no número 26, nos diz que o viático deve ser recebido, quando possível, durante a missa, sob as espécies do pão e do vinho, Corpo e Sangue de Cristo. Isso porque o viático é verdadeiramente um sinal especial da participação no mistério celebrado no sacrifício da missa.

O ritual recomenda que a celebração seja iniciada com a aspersão de água, como recordação do batismo. Em seguida é feita a leitura da Palavra de Deus. Quando o doente estiver em condições, renova sua profissão de fé. Depois, o ministro lhe dá a Comunhão e diz: “Ele mesmo te guarde e te conduza à vida eterna”. A celebração termina com a bênção.

Ao terminar esse artigo, quero recordar o exemplo de Santo Ambrósio. O diácono Paulino, companheiro de Ambrósio, escreveu: “Nós o víamos mover os seus lábios. Mas não ouvíamos a sua voz. Demos a ele o Corpo do Senhor. Apenas recebeu o Corpo do Senhor, expirou, levando consigo um bom viático. Assim a sua alma, saciada da virtude daquele alimento, desfruta agora na companhia dos anjos”. (Catequese de Bento XVI, 24 de outubro de 2007).
Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano. maciel@avemaria.com.br