FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

terça-feira, 30 de agosto de 2011

TODO CUIDADO É VALIOSO

Saiba das diferenças entre o dízimo e a teologia da prosperidade
POR CÔN. EDSON ORIOLO
A todo instante ouve-se falar em globalização, mercados financeiros, internet, mercados de créditos, efeito estufa, manipulações genéticas, organismos geneticamente modificados, mídia, marketing, merchandising. São tantas as inchações econômico-financeiras, metafísicas, morais e religiosas! Fazemos história e evangelizamos em uma sociedade totalmente relativista, individualista e consumista.
O Papa Bento XVI afirmou: “ter fé clara, segundo o credo da Igreja, é ser frequentemente etiquetado como fundamentalista, enquanto que o relativismo, isto é, o fato de se deixar levar ‘aqui e ali por qualquer vento de doutrina’ aparece como o único comportamento à altura dos tempos atuais. Está se construindo uma ditadura do relativismo” (Trecho da homilia do Cardeal Joseph Ratzinger – Decano do Colégio Cardinalício – na Celebração Eucarística “Pro Eligendo Romano Pontífice”-L’osservatore Romano, 23/04/2005, p.2).        
 Explicando
Desde as primeiras edições da “Revista Paróquias & Casas Religiosas”, venho escrevendo sobre a Pastoral do Dízimo, usando da filosofia do marketing como instrumental. Tenho, porém, a grande preocupação de não cair em ideias relativistas ou consumistas sobre o dízimo porque, querendo ou não, contradizem a doutrina católica no tocante às verdades bíblicas, teológicas ou mesmo pastorais.
Com essas motivações, quero falar sobre a grande diferença que existe entre o marketing como instrumental para a Pastoral do Dízimo e a Teologia da Prosperidade que tem a mídia como instrumento de divulgação. Preservo, assim, a fidelidade ao ensinamento do Magistério ordinário e extraordinário em relação ao dízimo.
 O ensinamento da Igreja
A Igreja Católica sempre necessitou de ajuda para se manter e para manter os seus ministros. Por isso, segue algumas orientações acerca do que o “Direito Canônico” prescreve e o que o “Catecismo da Igreja Católica” exorta:
1. O “Código de Direito Canônico” pondera: “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros” (cân. 222 § 1).
2.O “Catecismo da Igreja Católica” ensina que “o quinto mandamento (Ajudar a Igreja em suas necessidades) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades” (n. 2043).
O dízimo é uma das maneiras para suprir essas necessidades da Igreja. É um gesto consciente de gratuidade e de amor.
 O que é a “Teologia da Prosperidade”?
Na década de 40, nos EUA, nasceu a “Teologia da Prosperidade”, solidificada depois, na década de 70, chegando ao Brasil nos anos 80. É conhecida também como “Confissão Positiva”, “Palavra da Fé” ou “Movimento da Fé”. Trata-se de uma prática religiosa que precisa ser muito bem compreendida pelos agentes da Pastoral do Dízimo.  Rege-se por uma hermenêutica bíblica que prega um Deus fiel e que tudo o que se pedir a Ele será concedido. Porém, Deus precisa ser ajudado financeiramente, necessita de ofertas para poder banir a pobreza, a doença e levar a pessoa a desfrutar de uma excelente situação na área financeira e na saúde, gozando de amplo bem-estar.
Os adeptos da “Teologia da Prosperidade” pensam que se pode reivindicar o que se quiser de Deus, mediante contribuição. Basta lembrar alguns chavões:
1. “Quem não é capaz de dar é porque não crê”;
2. “Quanto mais você é capaz de doar mais você recebe”;
3. “Quem oferta deve esperar riquezas espirituais e materiais”;
4. “Quem doa ao que necessita, além de emprestar a Deus, também semeia, para colher no dia de sua necessidade”. 
Contribuindo financeiramente, fazendo confissão da Palavra em voz alta e “no nome de Jesus” para recebimento das bênçãos almejadas, por meio da confissão positiva, a pessoa compreende que tem direito a tudo de bom e de melhor que a vida pode oferecer: saúde perfeita, riqueza material, etc.
Construindo o dízimo consciente
Nunca é demais ter presente essa diferença quando se usa o marketing como instrumental na Pastoral do Dízimo. A Igreja Católica e muitas Igrejas Cristãs quando usam os recursos de marketing na prática do dízimo não o fazem incentivando um “toma lá e dá cá”, mas procuram conscientizar os fiéis do verdadeiro sentido do dízimo:  
“uma retribuição que fazemos a Deus de parte do que gratuitamente dele recebemos, um pouco de nós mesmos; e o fazemos por meio da Igreja, para que ela possa cumprir a missão da qual Jesus a incumbiu”.
Não se trata de uma exigência imposta a Deus para que esteja a nosso serviço. Pelo contrário, é um gesto de doação da parte da pessoa, reconhecendo o seu amor, misericórdia e bondade para conosco.
Côn. Edson Oriolo é Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing e Pároco da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre/MG.

A INTEIREZA DO SER

Resgate as formas de contemplar a magnitude sagrada do corpo e da alma
POR REGINA MARIA DE ALMEIDA
A Conferência de Copenhage trouxe novamente à pauta temas como a justiça social e a preservação da natureza. Evidenciou-se, em seus debates, que estamos exaurindo as riquezas naturais do planeta em uma velocidade e ferocidade suicidas. Também, ficou claro que os países que detém a hegemonia do ter e do poder defenderam os interesses das grandes corporações transneoliberais, que não querem diminuir seus lucros, resistindo às reivindicações em defesa da vida do planeta advindas de todas as partes do mundo.Em um país como o Brasil, em que 80% da população mora na cidade, é desafiador conversar sobre esse assunto e, principalmente, motivar ações solidárias e proféticas.
Por que aceitamos essa situação tão passivamente, deixando de cobrar medidas protetivas capazes de promover um crescimento sustentável (ou, mais propriamente, um decrescimento sustentável)? Por que a sabedoria que vem dos povos da Amazônia, por exemplo (indígenas, remanescentes de quilombos, comunidades ribeirinhas…), com sua proposta de harmonia entre corpo, natureza e organização social igualitária, não consegue envolver a maioria das pessoas?
 Dualismo corpo e alma
Olhando a questão a partir do aspecto religioso, percebemos que a origem desse descaso tem raízes antigas, nos primórdios do cristianismo. Quando a Boa Nova rompeu as fronteiras da Palestina e se espalhou pelo império romano, a partir do século I, a mensagem cristã teve que se adaptar ao modelo de pensamento greco-romano, com nítida influência do filósofo Platão. O cristianismo influenciou o império, mas também foi influenciado por ele.
Platão postulava a existência de duas realidades, uma espiritual e outra material, sendo a primeira superior à segunda, gerando o dualismo entre sagrado e profano, corpo e alma, secular e religioso, natural e sobrenatural.
Essa dicotomia, principalmente na Idade Média, vai resultar na apresentação do corpo/sexualidade como fonte de pecado. Mais tarde, vai influenciar as questões renascentistas e contemporâneas, por meio dos embates entre ciência e teologia, razão e fé, moderno e antigo, tecnológico e obsoleto, urbano e rural, etc.
Hoje o ser humano “pós-moderno” ocidental tem dificuldade em enxergar-se na inteireza de seu ser. São séculos em que se entendeu dividido e separado de si mesmo. Não é de estranhar que não aceite a verdade de que é apenas uma espécie entre outras, todas dependentes da natureza para sobreviver. A sua visão dualista, ao invés de trazer progresso para o mundo, está destruindo o planeta.
 Respeito ao corpo
A partir do Concílio do Vaticano II, teve início um importante processo de resgate do pensamento bíblico. A Bíblia passou a ser o alimento da caminhada das comunidades, onde se descobriu que nela não há separação entre corpo e alma:
1º. O corpo é bom: “e Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom” (Gn 1,27.31).
2º. A salvação se dá por meio do agir: quando o Evangelho demonstra o que é o amor, ele aponta para atos concretos e para os cuidados com o corpo do próximo:“Então os justos lhe perguntarão: “Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ Então o Rei lhes responderá: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25,37-40).
3º. O corpo é importante: na ressurreição, ponto alto da fé cristã, Deus nos promete um corpo novo, sem dores, sem doença, sem exploração, sem miséria, sem morte. Ele não é, portanto, o “cárcere da alma”.
Relacionando ressurreição e a sabedoria dos povos amazônicos, descobrimos um elo teológico importante: o respeito ao corpo. Essas populações propõem formas de vida que não são meramente alternativas – são as únicas possíveis para se preservar a humanidade no futuro. Mas só poderemos enxergar isso deixando o dualismo de lado.
Regina Maria de Almeida é Teóloga e Assessora Bíblica Popular do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) em São Paulo/SP.
Contato: reginama6@uol.com.br

ABRACE ESTA IDEIA

Leve a conscientização para a sua comunidade mudando velhos hábitos
POR ANA  PAULA MOREIRA LIMA
O lixo produzido no mundo está no topo do ranking dos vilões responsáveis pela degradação ao meio ambiente e sua produção vem aumentando de forma assustadora.
Segundo dados da Associação Brasileira de  Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cada brasileiro produz cerca de um quilo de lixo por dia, o que equivale a 100 mil toneladas de lixo produzidos diariamente. Diante destes dados alarmantes, constatou-se que apenas 5% deste lixo é reciclado – valor muito baixo, se comparado à quantidade de material reciclado nos Estados Unidos e Europa (40%).
Tão grave quanto à característica do lixo produzido, outro problema que assola o meio ambiente é o destino dado a ele. Grande parte desses materiais podem ser reaproveitados ou reciclados, diminuindo, assim, as enormes montanhas formadas nos lixões da cidade e, conseqüentemente, a degradação do meio ambiente.
O levantamento revela que cerca de 80% do lixo produzido poderia ser separado e enviado a cooperativas, diminuindo assim, a quantidade de lixo que vai para os aterros sanitários. O papel da sociedade para solucionar este problema é muito simples: separar o lixo que produz.
Sendo assim, convido você a incentivar e estimular a educação ambiental em sua comunidade, fazendo com que haja uma mudança de mentalidade, e conhecimento dos danos causados à natureza, quando o lixo não é definitivamente destinado.
5 Dicas para implantar um programa de coleta seletiva em sua comunidade
1 A consciência
Desperte a consciência para a coleta seletiva, informando e motivando todos, por meio de palestras, reuniões, treinamentos ou cartazes.

2 Planeje todo o processo
Procure conhecer bem o lixo “produzido” (papel, vidro, plástico alumínio ou orgânico etc). E defina se todo o tipo de lixo será coletado, quem serão os responsáveis pela coleta, onde será estocado e para quem será doado ou vendido.

3 Defina o destino do material reciclável
Geralmente o material pode ser doado ou comerciado. Se a intenção for vender o material coletado, você deve conhecer o mercado de recicláveis e pesquisar antecipadamente os valores. Caso a intenção não seja dar rentabilidade, mas promover a conscientização, opte por doar a coleta às associações que reaproveitam o material.

4 Agora é executar
 Depois de tudo acertado, a inauguração do programa pode ser marcada por um grande evento, por exemplo, como uma festa sob o tema “coleta seletiva”. A programação pode incluir palestras sobre o meio ambiente e oficinas de reciclagem, onde podem ser fabricados objetos com material reciclável, como  cestas de jornal, por exemplo, além da projeção de vídeos sobre o assunto.

5 A manutenção
Não basta apenas iniciar um projeto, é necessário mantê-lo, para isso planeje continuamente atividades visando a informação, não só dos membros de sua comunidade, mas de todo os moradores da região. E não esqueça de manter todos informados, sobre os resultados e o andamento da coleta.

Ana Paula Moreira Lima cursa Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu, São Paulo/SP.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ADEUS AMIZADE

Nem tudo o que termina tem um gosto amargo, mas algumas coisas têm. Uma amizade, por exemplo. Às vezes, a gente se engana quando pensa que tem um amigo, e as circunstâncias da vida mostram o contrário. Amigo é uma coisa, colega é outra; mas, a gente fica em dúvida quando gosta muito de um colega. A gente passa a considerar que é um amigo, ainda que, no fundo, não seja. A gente acha que é; engana-se, “quebra a cara”. A gente se magoa e fica triste, mas tem de aceitar que cada pessoa possui o direito de escolher seus amigos, e entender que nem sempre somos escolhidos.

Pior que perder um amigo pela distância imposta, é perdê-lo repentinamente por um descuido qualquer, uma desatenção ou no calor de uma discussão. Talvez não exista nada tão triste quanto constatar anos de engano através de um simples olhar. Olhar irado, tormentoso, colérico. Olhar que não existiria se houvesse mútua afeição. Isso corta o coração da gente como a descoberta de uma traição. Chega a doer fisicamente quando a gente percebe que estava gostando da pessoa errada, simplesmente porque ela não estava gostando da gente. Machuca muito na hora e depois, quando a gente começa a se lembrar de tantos momentos que, considerava, haviam sido verdadeiros e bons.

Gandhi dizia que as pessoas gritam quando seus corações estão distantes. Penso que ele estava certo. Percebemos, por vezes de forma grosseira e ensurdecedora, como estávamos longe de quem julgávamos estar próximos. Levamos um susto. Acordamos para a realidade. Porque a gente se engana dessa forma eu não sei. Acho que gostamos de pensar que a maioria das pessoas nos quer bem. Isso nos faz sentir confortáveis e acolhidos num mundo que costuma ser frio e cheio de desafios. Quando constatamos o engano, primeiramente ficamos surpresos; depois, talvez até envergonhados, pelo fato de não termos percebido que aquilo não era amizade. Experimentamos raiva e, posteriormente, mágoa, já que guardamos a raiva que poderia ter se expressado de forma inadequada. Depois, resta uma tristeza, um vazio grande no lugar que era ocupado por um sentimento que já não tem mais razão de ser, não pode mais existir porque não tem correspondente. A amizade acabou.

Bom, mas não devemos nos demorar nessa tristeza. Afinal, outras pessoas existem, e certamente entre elas, novas oportunidades de amizade e bem querer. A vida é uma escola e nos ensina valiosas lições. É desse modo que vamos aprendendo em quem podemos depositar a nossa afeição. Isso não faz das pessoas melhores ou piores, apenas diferentes conforme aquilo a que atribuem valor. Precisamos nos aproximar das pessoas que possuem valores semelhantes aos nossos se não quisermos experimentar a decepção. Nada como um dia após o outro para assimilar os contratemos da vida. Uma coisa é certa: tudo passa.
 
Última Alteração: 13:24:00
Fonte: Maria Regina Canhos Vicentin

O MESSIAS INDISPENSÁVEL

Viver bem o momento presente, na presença de Deus e iluminado por sua palavra, é uma necessidade, no sentido de se afirmar que já estamos salvos e com disposição para edificar um mundo diferente do existente, voltando-se para o futuro, segundo os desígnios do Criador e Pai. Evidentemente, sem jamais perder de vista a realidade futura, esplendorosa, interpretada através dos sinais dos tempos, á luz da palavra de Deus, cabendo ao cristão batizado, confiar em profundidade no projeto que nos é proposto pelo enviado do Pai, levando-o à frente, uma vez que ele é imprescindível para a vitória final, em consonância com o mandamento maior: “Eu vos dou um no mandamento, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13, 34).

Somos chamados a anunciar, todos os dias, a salvação oferecida por Deus e proclamar a sua glória às nações (cf. Sl 92, 2), a partir da manifestação de Jesus de Nazaré, no seu amor infinito, pleno de bondade e presente no mundo, quando entendemos que é possível viver a vida em harmonia com o mundo, que ele criou para nós, mas, sobretudo, com os nossos semelhantes.

O convite que Deus nos faz é para que nos afastemos do mal, ao mesmo tempo em que procuramos, com muita disposição, a eliminar todo tipo de falsidade e hipocrisia. É preciso que se tenha a mesma atitude de Natanael, que debaixo da figueira e, depois, dirigindo-se ao Mestre, recebeu um grande elogio: “Ai vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade” (Jo 1, 47).

Natanael representa o povo de Deus em busca do Messias esperado, na certeza de que a vida pede coragem, pede ideal e sonho. Temos ideais e sonhos que passam, sem preencher o nosso coração, sedento e ávido de felicidade, de poder participar da força redentora do próprio Deus, como um valor incomparável. Precisamos ter presente à realidade futura, o céu, como absoluta realização humana, no dizer do teólogo Leonardo Boff.

A morte ocasiona um silêncio extremamente profundo, a ponto de pensar que os males provém da nossa liberdade. Nas muitas vezes que a usamos e abusamos, não raras, atribuímos a Deus o que existe de ruim no meio da humanidade, na seguinte afirmação: “Se Deus existisse não haveria no mundo guerras, mortes e tantos outros males”. Mas nós, enquanto caminhamos aqui na terra rumo ao amanhã dos nossos dias, para o nosso destino definitivo, temos que ter consciência da nossa morada eterna. Por ismo mesmo, nosso ideal de vida deveria ser baseado no Evangelho, ao afirmar: “buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e tudo mais virá por acréscimo” (MT 6, 34).

O novo povo de Israel vive à espera do Messias, do Noivo, no sonho do banquete nupcial, representado na comunhão das pessoas entre si, participando de todas as coisas, na visão beatífica, vendo Deus face a face. É claro que a condição terrestre é diferente e incomparável a celestial, onde a criatura humana participa do mistério da glória de Deus e essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e cada vez mais parecida com o Senhor, que é Espírito (cf. 2Cr 3, 18).

O céu consiste em poder viver a vida de Deus, perfeita, numa eterna convivência, totalmente realizada, em comunhão fraterna, em que no mistério da redenção, o universo se abre para Deus e se torna para nós uma nova realidade, no rompimento do véu do templo de cima para baixo (cf. MT 27, 51).
 

Pe Geovane Saraiva, Pároco de Santo Afonso

*pegeovane@paroquiasantoafonso.org.br

DOM LUCIANO, EXEMPLO A SER SEGUIDO !

Agosto é um mês de saudades para quem ama a Igreja e quer seu discípulo-missionário. Mas é mês abençoado das vocações porque lembramos de vocações santas de pessoas da envergadura de DOM LUCIANO PEDRO MENDES DE ALMEIDA, Arcebispo de Mariana, que em 27 de agosto de 2006, entrou na glória dos céus.
 Eu, com a graça de Deus, sem mérito nenhum de minha parte, pude ter um contacto pessoal e íntimo com Dom Luciano. Fui seu advogado e o ajudei em várias questões jurídicas e tive a graça de conviver com a sua pessoa, haurindo de sua santidade, de sua coerência de vida, de sua simplicidade e de seu incrementado amor pelos pobres, os mais preferidos de Deus. Quantas vezes, chegando cansando de suas visitas apostólicas, havia aquela fila de pessoas humildes, uns pedindo passagem, outros pedindo gás, outros ainda querendo alimentação e com a sua atenção, sorriso na boca e olhos brilhando atendia a um por um com a mesma proverbial bondade.
 Lembro-me bem de sua famosa maneira de saudação diária: “o que eu posso fazer para ajudá-lo?”. Nós que fomos ajudados pela santidade e pela vida de Dom Luciano realmente notamos que a sua profecia, a sua ousadia, a sua santidade, a sua coerência andam fazendo falta em um mundo tão descristianizado e sem fé em que vivemos. Dom Luciano doou a sua vida até o fim. E doou a sua vida na santidade, na espiritualidade, na pobreza, no amor ágape fraterno.
 Uma semana antes de seu falecimento tive dois contactos com ele no hospital. Primeiro um contacto pessoal em que ele me dizia: “continue sendo bom, continue fazendo o bem continue servindo e não revide as perseguições porque elas nos ajudam a andar as veredas de Deus”. O último encontro foi na presença de Dom Raymundo Damasceno Assis e de Dom Orani João Tempesta quando Dom Luciano nos abençoou, agradeceu a amizade fraterna dos três para com ele e disse que a nossa missão era continuar sendo bons e servindo a Deus, a Igreja e ao povo santo, ao povo que sofre e que não pode perder a esperança.
 Realmente Dom Luciano nos ensinou a amar, a perdoar, a silenciar diante dos sofrimentos, mas a ter a santa teimosia em ser bom e em ajudar a quem bate em nossa porta. A manifestação uníssona do povo de Mariana, de Minas e do Brasil em seus funerais pedindo a sua beatificação súbita agora é oficializada pela Igreja Primaz de Minas, pela pena de Dom Geraldo Lyrio Rocha. Que possamos, todos os que como eu, que conviveram com Dom Luciano escrever testemunhos de sua santidade e invocarmos a sua proteção e intercessão. A beatificação de Dom Luciano dependerá mais de nossa organização do que de seus méritos que sempre se apresentaram de várias maneiras em nossas vidas e nas vidas dos mais humildes. Que logo possamos rezar São Luciano Pedro, rogai por nós que recorremos a Vós!
 Dom Luciano reze por nós que nós o amamos eternamente!
 Padre Wagner Augusto Portugal.
 Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)
 
Última Alteração: 08:21:00
Fonte: Rádio Vaticano
Local:Campanha(MG)

CARREGAR A CRUZ REDENTORA DE CRISTO

Domingo passado o Brasil recebeu a cruz e o ícone de Nossa Senhora que percorrerá todas as nossas Dioceses e as do Cono Sur celebrando na América do Sul o início da Jornada Mundial da Juventude na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A Cruz e o ícone de Nossa Senhora chegarão ao Brasil no próximo dia 18 de setembro através da capital do Estado de São Paulo de onde iniciará sua peregrinação.
Por providência de Deus neste domingo somos convidados a contemplar o mistério da Cruz de Cristo e de nossa Cruz. Teremos também oportunidade de aprofundar esse mistério no mês de Setembro  quando celebraremos a Exaltação da Santa Cruz e o dia de Nossa Senhora das Dores.

As leituras para as Missas do dia de domingo e dos dias santos foram escolhidos da Bíblia, de acordo com critérios específicos. Salvo exceções justificadas, durante um ano inteiro depois de se ler seguidamente um dos evangelhos sinóticos (este ano, Mateus) e segundo o tema do texto escolhido vem individuada a primeira leitura de um trecho do Antigo Testamento, com a oração feita pelo Salmo Responsorial. A segunda leitura segue um caminho bastante distinto (geralmente é a leitura contínua de uma carta do apóstolo Paulo, neste período, aquela aos romanos) e, portanto, não é intencional, que seu argumento esteja em sintonia com os outros dois. Mas isso também acontece, notadamente como neste domingo, basicamente, não surpreendendo aqueles que se lembram da profunda unidade e coerência entre todas as partes da Sagrada Escritura. 


Jesus anunciou a sua paixão iminente para seus discípulos e a Pedro, que tinha acabado de ouvir elogios como sendo o fundamento da Igreja (seriam as leituras do domingo passado, mas no Brasil celebramos a festa da Assunção), que protesta e promete: "Isso não acontecerá convosco, Senhor!" ganhando a repreensão mais severa do Mestre, que realmente chama de Satanás e diz: "Você é minha queda, porque não estás pensando como Deus, mas como homens" Então, para todos os discípulos que o seguem, talvez, por causa de uma honra e de uma glória que esperavam dele, ficam desiludidos:. "Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo e tome a sua Cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por minha causa vai achá-la. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?" Essas expressões baseadas na combinação do binômio salvar-perder descreve a condição do crente e daquele que não é mais: a diferença é avaliar a vida presente e as coisas deste mundo como  únicas e definitivas, ou apenas o

prelúdio para outras, que valem infinitamente mais. Quem não acredita tenta "salvar" a sua vida, dando-lhe todo valor, buscando toda a satisfação que ele pode dar, buscando o limite para subjugar o mundo inteiro, mas isso não garante uma vida verdadeira, de fato, na realidade impede a vida futura: tudo de uma vez, e então nada para a eternidade. Isso compensa? Quem ao invés guarda um pouco para depois, garante, então, uma verdadeira vida, realiza a vontade do Senhor, que diz: que segui-lo, aos seus ensinamentos, e a seu exemplo, e como ele submeteu-se a uma Cruz, assim os discípulos resistem à tentação de recuar diante das dificuldades, das renúncias, dos sacrifícios que pode levar a permanecer fiel a ele.

Queridos irmãos, o Evangelho do seguimento revela que o cristianismo é um culto dinâmica, animado e exigente. Quem quer ser um discípulo de Jesus deve se espelhar n’Ele todos os dias para mudar e ser como ele, que assume até mesmo a morte para realizar a vontade do Pai e ser o nosso modelo. Portanto, o compromisso que o Senhor quer de nós é duplo: primeiro, crescer na fé através da participação nos sacramentos e a escuta da Palavra, elementos indispensáveis para o discipulado e, em em segundo lugar, lutar para alinhar nossas atitudes com seus ensinamentos, testemunhando, experimentando, no encontro com Cristo, que é o episódio mais belo de nossas vidas, porque Ele é o único que dá sentido à nossa existência, caso contrário, somos destinados à escuridão da morte . O discípulo sabe que conformando-se ao Mestre, assume os traços de sua vida de fracasso e perda, mas a vitória conquistada por Cristo na manhã da Páscoa, com a promessa de vida eterna é consolo, aqui na terra: "quem perde sua vida por minha causa achá-la", encoraja-nos, então, a sermos discípulos, a caminhar na história, atrás de Jesus. Ele dá um exemplo impressionante, o do profeta Jeremias, de cujo livro, a primeira leitura apresenta a página mais dramática (20, 7-9). Ele diz de si mesmo, da sua vocação, e começa com uma frase de ousadia inimaginável: "Seduziste-me, Senhor, e eu deixei-me seduzir, numa luta desigual, dominaste-me, Senhor". Mas o chamado divino não é para levar uma vida fácil: "Tornei-me um objeto de escárnio a cada dia, e cada um é zombador de mim ... A palavra do Senhor se tornou para mim causa da vergonha e do ridículo". Daí a tentação de desistir; “disse a mim mesmo: eu não acho mais nele, e não falarei mais no seu nome!" Entretanto, uma vez superados, porque "não estava em meu coração como fogo ardente, contido em meus ossos, Eu tentei contê-lo, mas eu não podia." E aqui, em linha com as palavras de Jeremias e Jesus, as da segunda leitura (Romanos 12,1-2): "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai, renovando sua maneira de pensar, de discernir a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito". Em outras palavras é o mesmo que o convite de Jesus a "pensar como Deus": portanto, não tenhamos medo de ir contra a maré, embora não seja fácil, mesmo se isso implica mal-entendidos e zombaria, o crente não busca

a sua satisfação no imediato, porque ele sabe avaliar as consequências, sabe como olhar para mais longe. Esse também foi o convite do Papa Bento XVI, no último domingo, aos mais de dois milhões de jovens que se reuniram em Madri para a Jornada Mundial da Juventude que em 2013 será aqui no Rio de Janeiro, onde meditaremos sobre o tema: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações”. Sendo verdadeiros discípulos que carregam com o mestre a própria cruz, seremos missionários do Senhor no Rio de Janeiro, que acolherão os jovens de todo o mundo, e aonde somos chamados a dar testemunho da Cruz Redentora de Cristo!


† Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ