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quarta-feira, 8 de março de 2017

Viagem segura.....


Lá iam eles. Centenas de peregrinos seguiam mais uma vez rumo a Jerusalém. Agarrado ao pescoço do pai ia um dos muitos meninos e meninas que, na companhia da família e de outros israelitas, aprendiam a adorar a Deus. O menino observava tudo e de tudo queria participar. Gostava mais do momento em que o grupo cantava velhos cânticos que falavam de alegria, esperança, confissão de pecado, fé, consolo, paz e da grandeza e auxílio divino. Às vezes, ele corria e se juntava ao grupo de crianças que aproveitava a caminhada para fazer coleções de pedras e gravetos, molhar os pés em algum caminhozinho d’água ou para observar um passarinho voando sob o céu azul. O pai do menino – que tantas viagens havia feito e tantos perigos enfrentado – falava ao filho sobre verdades importantes que fora aprendendo ao longo da vida. Um dia, bem antes da viagem, enquanto aguardavam o rebanho pastar, o pai ensinava o menino a olhar para os prados cheios de capim verde e fresco e a ver quanta graça havia neles. Depois, desafiava-o a olhar para o mais distante horizonte. Lá ele veria os belos montes e o céu sem fim. O pai ensinava ao menino que o Criador e Senhor de todas as coisas, estava sempre atento e nunca abandonaria o universo nem os que confiassem nele. O menino olhava e achava bonito. O menino amava o pai e aprendia a amar a Deus. Durante a longa viagem, o pai e o menino viram as montanhas e as encostas profundas que cresciam à medida que subiam em direção a Jerusalém; sentiram o calor escaldante do dia, o frio intenso da noite, a ameaça de animais selvagens e a presença de salteadores inclementes; juntaram-se a outros em momentos de alegria mas também de medo e insegurança. Com o coração deslumbrado pela beleza e sobressaltado pelos temores do caminho, em algum momento da viagem, um dos cânticos recitados pareceu, ao pai e ao menino, um reflexo de seu interior: Neste caminho cheio de perigos, jornada longa e demorada, de terras difíceis, secas e perigosas, olhamos para o céu e dizemos: ‘Nós somos frágeis e não conseguimos fazer esta viagem sozinhos, precisamos de ajuda. Será que é das montanhas que virá a nossa força e socorro?’. A canção era das suas preferidas. O pai e o menino lembraram-se de tê-la cantado outras vezes. Eles sabiam que para a pergunta sincera do cantor existia uma resposta segura, vinda de Deus: Onde quer que vocês estejam, eu os guardarei. Guardarei os pés de vocês onde for mais difícil caminhar para que eles não tropecem, mas fiquem firmes. Quando, durante a viagem, vocês se sentirem cansados e precisarem dormir eu não vou cochilar, meus olhos ficarão abertos e olharão para vocês. Eu lhes asseguro que farei isso. Durante o dia, quando a sombra lançada pelos montes e árvores cessar, eu mesmo serei sua sombra e os cobrirei. Quando o sol for muito quente ou a lua anunciar a chegada do frio, eu os abraçarei, e vocês não sentirão vontade de desistir. Eu cuidarei de vocês. Eu mesmo os guardarei e farei tudo para que a sua vida inteira seja preservada do mal. Desde que vocês saíram de casa eu estou com vocês e até que cheguem ao destino final eu os protegerei. Agora mesmo, enquanto viajam, eu estou fazendo tudo isso e farei para sempre. A lembrança daquele cântico encheu de alegria o coração do pai e do menino. Não havia mais espaço para temor e incerteza. Deus estava com eles e ficaria até o fim de sua caminhada. Sorrisos trocados, pés em marcha e, num piscar de olhos, no topo das colinas da Judeia, Jerusalém. • Ariane Gomes Paz e bem
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