FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

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AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

NUTRIÇAO ESPIRITUAL, DEIXANDO DE TOMAR "LEITE"


É inegável a importância que o leite materno tem para o desenvolvimento da criança (refiro-me ao corpo e à mente). Há um tempo em que, ao cardápio da criança, deve ser incorporado outros tipos de alimentos, especialmente os sólidos.

Isto foi o que aconteceu conosco. Fomos sendo desmamados, pois seca-se a fonte. E Deus é sábio por assim fazer, pois, do contrário, haveria muita gente grande mal acostumada, tentando viver só tomando leite.

Assim acontece na vida espiritual de muitos cristãos professos, "Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” ( Hebreus 5:12-14)

Para piorar a situação, talvez por despreparo teológico, há pastores que oferecem ensinos bíblicos mais parecidos com leite desnatado.

Além do que, o tempo vai passando, e o cardápio não muda em muitas Igrejas, enquanto que as necessidades espirituais dos fiéis tendem a aumentar, repercutindo para um quadro de inanição coletiva.

É bem verdade que o apóstolo Paulo viveu uma experiência particular com a Igreja entre os Corintios. Lá, onde muitos cristãos eram verdadeiros meninos, que se recusavam deixar a “mamadeira”, o Apóstolo reconhecia a necessidade de oferecer, por um tempo maior que o necessário, alimento espiritual não sólido, pois a maioria não estava, até aquele momento especifico, preparada para receber ensinamentos teológicos mais aprofundados: ”E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens ?” (1 Coríntios 3:1-3).

De uma forma ou de outra, todo cristão em sua escalada terrena precisa mudar o seu cardápio, devendo sair definitivamente da fase do “leite” e passar a ingerir exclusivamente alimento sólido.

Como tem sido o seu cardápio espiritual ? Você ainda está na fase de “aleitamento” ?

O ACIDENTE


Dia desses, a mãe levava suas filhas para a escola. Dia alegre, de ansiedade, pois era o primeiro dia de aula! Cheirinho de material novo na mochila, expectativa dos pais para saberem como as filhas reagiriam, levantar mais cedo, aquele corre-corre natural e esperado por conta do novo horário da família.

Saindo todos, a primeira frustração aconteceu algumas quadras à frente de casa. Parecia uma conspiração, todos os pais, com as mesmas expectativas, se encontraram em um cruzamento próximo. O congestionamento permitiu que uns se acalmassem, outros ficassem irritados. Outros, indiferentes, conversavam com os filhos, últimos conselhos: Cuidado com isso! Cuidado com aquilo! Não aceite nada de estranhos... E também aqueles que, dando péssimo exemplo, inventavam atalhos no meio do trânsito. Por algum motivo, acham-se mais espertos, irritando os demais.

O trânsito finalmente flui e o carro ganha velocidade, trazendo certo alívio. Próximo ao destino, cuidado com aquele acesso à direita... Uma das filhas, sentido a proximidade da escola, se solta do cinto de segurança e feliz da vida começa a colocar sua mochila, orgulhosa, com seus sonhos de menina, gritando com a mãe: "Estamos chegando!".

Num momento de distração, o carro bate na mureta de proteção divisória das pistas. No impacto, tomba e, antes que qualquer pessoa pudesse se dar conta do que aconteceu, o carro está de cabeça para baixo, as rodas girando no ar...

A filha mais nova chama pela mãe, a mãe chama pelas filhas. Algumas pessoas se aproximam do carro, buscando ajudar de alguma maneira. A emergência já foi acionada. A filha mais velha, dez anos, não responde. O nervosismo toma conta da mãe. Na rua, a pequena multidão tenta consolar a família: "não é nada", dizem. Pensando no pior, mas ainda com esperança, a mãe, confusa, aceita a solidariedade de estranhos.

A filha silenciosa não responde. E assim fica até a chegada do serviço de emergência. No pronto-socorro, apesar dos esforços da equipe médica, ela permanece muda, calada para sempre.

Nessa hora, as palavras não fazem sentido, sentimentos reprimidos vêm à tona, a solidariedade é vã, a dor é insuportável! Culpa, raiva, desespero, angústia, perplexidade... O que pode trazer consolo? A vida torna-se insuportável, todas as demais coisas são colocadas em sua verdadeira perspectiva.

Diante do quadro de uma criança deitada no caixão e agarrada ao seu ursinho de pelúcia, uma lucidez incrível nos atinge. Os verdadeiros valores vêm à tona, como uma bóia impossível de ser mantida no fundo do mar a nos empurrar para a realidade da vida.

O futuro escapa, o passado nos alcança e o presente se funde nos dois, deixando de existir. A noção de tempo se perde no meio da dor. Percebemos que podemos corrigir erros, viver mais e correr menos. Tudo é possível, menos encarar o mistério da morte com suas perguntas sem respostas. No íntimo, sabemos que aquela mãe somos nós. Meu filho poderia ser a vítima. O espertinho do trânsito torna-se ridículo.

Uma criança que morre é como a promessa de uma colheita que foi frustrada! Se na sua morte nada mais parece ter sentido, em seu sorriso podemos renovar nossa esperança!

Choramos, muito mais pela criança que em nós morreu: nossa capacidade de viver intensamente, de amar sem reservas, de perdoar sempre, de sorrir por qualquer bobagem, de acreditar sem dúvidas, de aceitar que a vida e a morte são mistérios.

Meu Deus, como preciso voltar a ser criança

A DIFICIL MISSÃO DE UM PROFÉTA


Desde o século 9 a.C., com a chamada Profecia Pré-clássica, a atividade profética foi sempre um grande desafio. Neste período, profetas como Elias e Elizeu tiveram que pagar um preço altíssimo pela missão nada compreendida. Era tempo de indiferença e apostasia no Reino do Norte, e combater a descrença e a idolatria reinantes fomentadas por líderes maus, como Acabe, Jezabel e outros, era uma tarefa quase impossível de se fazer.

Mas o verdadeiro profeta não pode se calar frente ao indiferentismo uma vez que ele é o portador da Palavra e fala em nome de Deus. Querendo ou não, recusando ou aceitando, o profeta fala. Fala apelando para o coração, com otimismo, esperando que haja uma mudança, uma volta para Deus.

O profeta fala mesmo que não seja ouvido, aponta para Deus mesmo quando o coração do povo aponta para os ídolos; esforça-se para ser entendido com o carisma de sua linguagem, crendo que o "Espírito de Deus no espírito do homem faz com que a palavra do homem se transforme em palavra de Deus".

Mas a missão não é fácil. E o profeta que tão insistentemente teimou em falar de Deus, agora triste, contempla o povo no castigo anunciado: "Por isso o SENHOR rejeitou todo o povo de Israel; ele os afligiu e o entregou nas mãos de saqueadores, até expulsá-lo da sua presença" (2Rs 17.20-NVI). A partir daí o profeta nada mais pode fazer a não ser lamentar: "Fizeram males que provocaram o SENHOR à ira" (v.11b).

A vocação profética não era para todos. Aceitar tamanho compromisso com uma missão nem sempre simpática não era atraente. Falar e não ser ouvido era o que Deus prometia àqueles a quem vocacionava. Parecia até mesmo ser incoerente com a atividade que é o uso da linguagem. Mas essa é a motivação: "Vá, e diga a este povo: Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam" (Is 6.9-NVI). Então o servo sai como que falando ao vento, apelando para o nada!

Como entender os ouvintes da mensagem? Como compreender um povo que a cada dia vai se afastando de Deus, acumulando para si pecados e mais pecados? O que esperar de um povo que não faz conta de Deus e que não tem interesse nenhum por suas palavras? O que falar para quem não tem disposição de ouvir? A verdade neste aspecto é uma só: o povo não quer ouvir a Deus! E o próprio Deus denuncia: "Esse povo é rebelde; são filhos mentirosos, filhos que não querem saber da instrução do SENHOR" (Is 30.9-NVI). E a missão do profeta chega ao cúmulo da rejeição: "Eles dizem aos videntes: Não tenham mais visões! e aos profetas: Não nos revelem o que é certo! Falem-nos coisas agradáveis, profetizem ilusões" (v.10).

Que lamentável! E pensar que era por volta do ano 740 a.C. Neste tempo o homem já era o que é: alguém que quer ser iludido. Quer ouvir o que "gosta" e não o que "precisa". A "instrução" do Senhor não soa bem aos ouvidos; ser "confrontados com o Santo de Israel" (v.11) não é o interesse marcado; querem coisas "agradáveis", querem "ilusões". Parece que é hoje!

A difícil missão de ontem é a missão quase impossível de hoje. Mas não estamos sem aviso. Paulo afirmou algo assim: "O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios" (1Tm 4.1). O tempo é hoje, e o apelo do apóstolo para nós é este: "Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos" (2Tm 4.2-3). Ou seja, o que se quer ouvir é a mesma ilusão dos tempos do profeta Isaías. Paulo parecia conhecer bem este fato: "Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (v.4). É a triste realidade desse tempo!

Como ser profeta da verdade quando a mentira é o que se quer ouvir? Como falar em nome de Deus se é ao Diabo que eles abrem os ouvidos? Como fazê-los entender a diferença de ouvir o que "quer" pelo ouvir o que "precisa"? É quase desanimador, admito. Mas Jesus teria fracassado se diante da debandada de quase vinte mil por ocasião de sua verdade falada à multidão preocupada apenas com a saciedade imediata de pães e peixes perecíveis (João 6) tivesse se desanimado. Sempre vão existir aqueles que dirão para a nossa motivação: "Para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna" (Jo 6.68).

"Palavras de vida eterna", é o que o profeta deve comunicar mesmo quando a preferência é pelas ilusões do aqui e do agora. A verdade é comprometedora e incondicional; as ilusões podem ser agradáveis e até satisfatórias, por algum momento. Mas o profeta sempre, mesmo na indiferença dos que ouvem, sustentará uma Palavra que, a despeito de sua rejeição, é a melhor esperança para quem nela se agarra, é o alicerce irremovível para quem quer construir um futuro certo!

O FANATISMO DAS OBVIEDADES


Acontecimentos do cotidiano fizeram-me pensar o artigo de hoje, e então, partindo do pressuposto de que o óbvio nem sempre é tão óbvio e de que o novo não está no que é simplesmente novo, mas na iminência imprevisível de sua volta, insisto em comentar o que nem sempre fica dito quando escrevo sobre determinado assunto. Desta forma, volto a escrever a respeito do fenômeno religioso, mas especificamente sobre o fanatismo religioso. Sei que a expressão fanatismo não está vinculada apenas com a religião, contudo, costumeiramente ela está mais associada com o espectro religioso. Existem diversas formas de fanatismo, de política a futebol, e em todas elas existe um ingrediente indispensável para a sua manutenção: a irracionalidade.

O fanatismo não se sustenta por muito tempo sem a irracionalidade. A sua força motriz é sempre a falta de senso crítico, aliás, este fenômeno se estabelece numa dialética ambígua de falta e excesso; numa falta constante de raciocínio lógico e num excedente alucinógeno de crença. É a partir desta relação que surgem os fatos cômicos e trágicos do fanatismo religioso. O fanatismo religioso provoca a descaracterização do indivíduo, que, em outra análise, é uma forma de desumanização religiosa. A submissão a qualquer espécie de ideologia é conhecida como assujeitamento ideológico, assujeitamento porque as ideologias constituem os indivíduos em sujeitos, e este processo acontece quase sempre de forma pacífica, sem contradição, e quando assim acontece não existe interação, diálogo, e o que se estabelece então é uma relação de poder, onde as convenções da ideologia dogmatizam a vida do sujeito.

Na maioria dos casos, esta relação de subserviência anula ou descaracteriza a identidade do sujeito, porque quando não há vontade própria, há dependência, e a dependência desmesurada induz o sujeito ao fanatismo. Nietzsche sabia o que dizia quando sentenciou que o fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos, porque só os fracos se rendem de forma inconsciente às ideologias. Não obstante a isto, as ideologias falham, e conforme Pêcheux argumenta, o sujeito se desidentifica. As ideologias falham porque são humanas, logo, posso invariavelmente me desidentificar com algo que não permanece, mas facilmente desvanece. Como seria libertador para os fanáticos se eles entendessem que a contradição faz parte da nossa constituição enquanto sujeitos, que não existe uma identidade pronta(Foucault), mas, a construímos com o tempo, com a divergência dos saberes, e que, portanto, o sujeito é heterogêneo, múltiplo e mudável.

Em contraponto a tudo isto, a boa religião revela que o Jesus dos evangelhos não está à procura de seguidores fanáticos, embora ele os tenha e o sistema religioso os preiteiam. Jesus não estimula a subserviência, embora ele seja conhecido como servo e a religião como senhora. Jesus não doutrina a vida das pessoas, embora ele repreenda os homens em seus delitos e a religião os mandam para o inferno. Com seus atos, Jesus desvendou Sua identidade para nós, se identificando com os fracos e se desidentificando com os opressores. Para os fracos, ele era a força, para os fortes ele era o confronto, e neste ponto, preciso discordar de Nietzsche, porque o fanatismo não é a única forma de força de vontade acessível aos fracos, existe uma outra força acessível aos fracos, que transcende o fanatismo de Niet, e nesta Força os fracos se fortalecem.

Chego ao final deste artigo com a sensação de estar falando sobre alguma obviedade, mas, se tenho permissão para ser fanático nesta vida, digo-lhe então que sou fanático por obviedades. Ademais, como não poderia deixar de acrescentar, acredito numa outra característica do fanatismo, que é provocar o cansaço, sendo assim, quem sabe eu não me canso de falar sobre tantas obviedades e deixo de uma vez por todas de ser fanático por qualquer coisa que seja, inclusive por esta que é tão comum a nós, a religião. Deus abençoe vocês.

A TENTAÇÃO E AS FOMES


A cena é conhecida. Fala-se dela há muito tempo. Fascina, causa estranheza e temor. Basta ler as primeiras palavras e as imagens nos vêm já convertidas em filmes mentais, inspiradas em versões cinematográficas de outros. Jesus, com o rosto sofredor ou um olhar perdido para os céus, num lugar ermo qualquer, e um homem a representar o diabo, saltitante ao redor, sorrisos histéricos, olhar pontiagudo de maldade a sugerir-lhe que transforme pedras em pães.

Os três evangelistas afirmam a mesma coisa: Jesus esteve quarenta dias e quarenta noites naquele lugar, em jejum. Lucas e Marcos dizem que foi tentado ao longo de todo este período. Marcos, lacônico, acrescenta que estava entre feras, mas os anjos o serviam e isso é tudo que diz sobre o episódio. Mateus e Lucas afirmam que ao final deste período teve fome. Óbvio, você diria. Não estava ali um faquir, um ET, uma múmia, um comedor de luz como alguns hoje se intitulam, nem um anjo, era um homem.

Estar no deserto não significa apenas um lugar distante, sem condições de sobrevivência, quer dizer, acima de tudo, estar só, sem possibilidade de ajuda dos seus. Autenticar-se, construir-se, gerar uma identidade, pode até usar materiais dos ancestrais, do entorno, mas é sempre um trabalho solitário. Você luta, como Ele, contra você mesmo. Na verdade, contra as forças indomadas em você, espicaçadas por desejos sem freio, loucos para se realizarem agora. A tentação é filha do desejo. As fomes várias, o anseio vário, as tendências, as verdades, as certezas, a fé. Quais serão as suas que, afinal, dirão quem você é?

A palavra em Mateus anago=levado (pelo Espírito - 4.1) metaforicamente aponta para alguém que zarpou de um porto, fez vela, lançou-se ao mar. Esta viagem não tem volta. Não no mesmo instante. Quem é o mesmo depois de tantos portos e paisagens? Ali Ele se definiria irremediavelmente como o Cristo. Apenas porque rejeitaria a sugestão diabólica? Por que não lhe obedeceria? Tenho dificuldade de aceitar esta interpretação. Parece-me por demais simples. Onde está o motivo para pecar?

Técnicos afirmam que uma pessoa agüenta, em média, 60 dias em jejum. O problema é que o corpo se devora a si mesmo e morre-se de outras complicações. Certamente satisfazer ao corpo faminto não era (não é) pecado. A questão é quando isso substitui um ato maior. A entrega absoluta ao Espírito não havia acabado. Tomar as rédeas quando estas são determinadas pelo instinto de sobrevivência, pela fome que doía, pela necessidade de se salvar, não seria entrega. Seria razoável, um corpo em quarenta dias de jejum, convenhamos, estar às portas da morte. Há razões maiores que se impõem, diriam os teólogos, mais espirituais. Pode ser.

Quero, neste momento, falar daquelas razões que nos desconstroem, às quais nos entregamos em substituto de outro algo faltante. A diferença do remédio para o veneno, diz-se, é a dosagem. O pecado, o perder-se, acontecem nas coisas comuns, banais mesmo. Comer é saudável e necessário, mas desagregações internas na alma fazem o sujeito comer demais ou não comer. É interessante como isso afeta, mental e fisicamente, a imagem de si. Nas ciências da mente chamam estes problemas de transtornos alimentares. Mas comer ou jejuar é apenas a ponta do iceberg.

O que se torna pecado ou doença no ato é a exacerbação de algo natural e normal, mas que foi corrompido por outra necessidade que, no caso, comer não supriria. Então, sugiro, a questão lá no deserto como aqui, se trata de um tipo de controle – que se sustenta na submissão – que no caso dEle – e deve ser o nosso também – não deve se fiar em si mesmo ou nos sinais mentais e/ou corporais que nos dizem aos gritos que algo precisa ser feito, uma necessidade precisa ser suprida. Haverá sugestões de fórmulas espirituais, remédios, meditações, imprecações, mantras, contra o diabo, esconjuros, para um se safar. Mas ele, com toda sua astúcia, está lá fora. Aqui, na intimidade, estamos nós sozinhos. Ele aponta e avulta os desejos, subverte-os com manjares coloridos. Fotografia de comida Fast Food. Dá água na boca, não dá? A resposta de Jesus é mais que espiritual no sentido religioso do termo, é realista: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mt 4.4)

Comeremos palavras? Palavra, normalmente, se vomita em verborragias incontroláveis, vendo da nossa perspectiva. Mas se come palavras, sim. Aqui diferem diametralmente o realista de fé do religioso. Aquele não tem ilusões de atalhos. Tem um saber cristalino sobre si, seus limites e sua fome. Sua percepção não tremeluz se falta luz, pois apenas um sentido lhe será bastante para notar o engano. É porque não confia na imagem aparente que os sentidos produzem. Já o religioso, fia-se em sua condição de guardar dias santos, fazer obrigações e realizar purificações rituais. Estriba-se em sua condição legal ou casta. Refestela-se com o próprio saber. Morrerá como peixe.

Ora, o realista de fé, sabe que pedra sempre será pedra e ainda que tenha o poder de transformá-la em pão, não o fará não porque não possa, mas porque sabe que submeter-se ao desígnio de Deus pede a ação completa e cabal dEle, nunca daquele que se submete. Todo este poder contido é deixado aos pés daquEle que o convoca e mesmo ante a iminência da morte, não será usado. O desafio maior se coloca porque em Jesus há uma dinâmica que demanda a utilização do poder. Ele não foi simplesmente depositado aos pés do trono, enquanto Ele esperava passivamente uma ordem. Ele está em movimento e o cosmo inteiro se movimenta ao lado e em sentido contrário.

Conosco é assim também. A fortaleza de um será testada no movimento. Nas incontáveis ofertas que se nos mostram ao lado e que cutucam nossos mais primitivos instintos. São todas armadilhas que a um toque, despertarão o vil em nós. Como na mesa posta no filme “O labirinto do fauno”. A menina fora alertada pelo fauno de que não deveria tocar em nada da mesa ornada com todo tipo de alimento desejável, sob pena de acordar o monstro (Homem pálido). Ela não resiste e seu ato termina por matar duas fadas que a acompanham. A conseqüência, além da morte de inocentes, é que ela se torna indigna de se tornar quem de fato era, uma princesa.

O BELO E AS FERAS


Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades. Por toda parte andou fazendo o bem. Dolo nenhum se achou em suas mãos.

Sendo Deus se fez homem. Sendo Rei se fez servo, sendo rico se fez pobre. Ele não nasceu nos Palacetes de Roma, numa torre de marfim ou em algum berço de ouro da Judéia. Logo cedo ali estava ele perto dos marginalizados, dos pobres e perseguidos da sociedade. Seu nascimento é o beijo de Deus no coração da humanidade, é a declaração de amor mais linda e honesta já feita em toda a nossa historia. A história de um Deus apaixonado, que parte ao encontro dos seus amados.

Sendo amigo, foi traído, negado e abandonado. Sujou os pés e as mãos. Aos olhos de Deus, ele era o delicado rebento duma planta, que brota duma raiz numa terra seca e estéril. Mas aos nossos olhos não tinha atrativo nenhum, nada que nos fizesse interessarmo-nos por ele. Era um homem de dores experimentado nas mais amargas provações. Mas nós voltávamos as costas quando passava, amamos mais as trevas do que a Luz. Contudo ele tomou verdadeiramente sobre si as nossas enfermidades; e os nossos sofrimentos pesaram sobre ele. Ele foi oprimido, caluniado e humilhado. Mas como um cordeiro manso foi levado à morte; e como uma ovelha muda, não abriu a boca nem tão pouco revidou. Nunca disse uma palavra de revolta ou de lamento. Da manjedoura ao calvário, ele nos amou.

Ele é a face humana do Criador. No seu olhar estava o amor e o perdão. Na sua voz estava à autoridade e em suas mãos o afago do dono do mundo e a cura dos médicos dos médicos. Espírito do Senhor estava sobre ele, para dar boas novas aos pobres, aos perdidos e desesperançados, proclamar libertação aos cativos e dar vista aos cegos. Os céus bradavam para saúdá-lo, anjos, arcanjos, querubins e serafins o serviam na Glória. Mais ele fez da terra um palco do seu amor. Na sua encarnação o Eterno fez morada em nosso meio e visitou o tempo. Mas não há um justo, um justo se quer. Todos nós somos pecadores e carentes da Glória de Deus. Por isso, nós o tratamos como um criminoso, o ferimos de morte e o coroamos com espinhos.

Meu vocabulário é pobre para descrever sua imensurável beleza. Mas nem se fossemos capazes de criar novos alfabetos e línguas, nos seria possível descrever sua doçura e formosura. É tão assombrosa sua beleza que arte ou poeta algum poderia descrevê-la na sua plenitude. Cabe-nos a luz de sua visita graciosa inspirar nossos corações. E a sua semelhança sujarmos nossos pés, amar as feras. E acreditarmos que a utopia do homem pode e dará certo!

O VALOR DA INTEGRIDADE


Um dos maiores perigos que todo ser humano tem de enfrentar é o de perder sua própria identidade. Alguém já disse que quando não sabemos quem somos, todo o restante simplesmente perde o sentido. Este parece ser o mal do qual sofre boa parte dos cristãos da atualidade, especialmente pastores e líderes. Não sabemos mais quem somos e muito menos a que viemos. Por isso, esforçamo-nos a responder perguntas que ninguém está fazendo.

O conceito de que a Igreja é uma sociedade cooperativa que existe para beneficiar seus não-membros tem sido esquecido nestes dias. As paredes de algumas de nossas igrejas tem se tornado cada vez mais grossas e duras. No lugar de ser sal da terra e luz do mundo neste mundo, preferimos nos fechar dentro de nossas vidas comunitárias, produzindo luz e sabor apenas para nossos próprios olhos e paladares

Pensar, portanto, em quem somos ou quais são as nossas prioridades, é fundamental, se quisermos fazer alguma diferença ao nosso redor. Se não buscarmos esse entendimento, mesmo que saiamos ao mundo, não vamos saber o que falar a ele, pois não saberemos qual a nossa identidade nem para que servimos. É preciso refletir: afinal, para que somos chamados?

Nossa principal prioridade e chamado é viver em comunhão com Deus. Somos chamados para pertencer a Jesus Cristo. Tudo o que fazemos em Sua obra santa é resultado desse envolvimento, nunca um meio para garantir o favor de Deus ou dos homens. Lutero, o reformador alemão, entendia que a principal motivação do ministro é permanecer em comunhão com Deus através da oração e meditação em Sua Palavra. Desta intimidade com Deus brotava toda a ação pastoral. Quando deixamos esta atitude de lado, rapidamente passamos a depender apenas de nossos próprios esforços. E, ao fazer isso, trocamos o auxílio do Espírito Santo por técnicas de marketing muito bem produzidas. Afinal, se isto tem enchido igrejas, por que mudar?

Existe em nossos dias o perigo extremo do profissionalismo tomar o lugar do ministério. Vivemos numa época onde o culto à personalidade tem se infiltrado na Igreja, fazendo de alguns verdadeiras celebridades cristãs. São os “grandes servos de Deus”, um paradoxo ao qual nos damos direito. Os cultos já não são centrados em Jesus, mas sim em pessoas. As palavras de João Batista, “convém que Ele cresça e que eu diminua”, já não têm validade para muitos.

O que precisamos entender de fato e de uma vez por todas é que sucesso não significa necessariamente aprovação de Deus. O mundo apresentou um conceito de sucesso à Igreja que foi absorvido por ela. Hoje, pastores são medidos pelo tamanho de suas igrejas e não pelos frutos de amor, fé e alegria que seus membros evidenciam. O importante, para alguns, é contar quantos nomes estão fichados no rol de membros de suas igrejas (e, talvez, mais importante: saber quantos são dizimistas), sem se importar em conhecer quem são estas pessoas ou quais dificuldades elas enfrentam. É bom lembrar que quando Paulo elogiava uma igreja, ele sempre fazia referência à presença dos traços do caráter de Jesus nela, porque é isto o que importa.

Quando este entendimento norteia a nossa vida cristã, pouco importa a luta enfrentada. Sabemos quem somos. E, mais importante, a quem pertencemos. A questão principal, então, é a presença ou não em nossas vidas de uma integridade diante de Deus e dos homens. Quando ela existe, tudo o que fazemos, seja na igreja, em casa ou no trabalho secular, tem o brilho da eternidade.

Trabalhar na obra de Deus nunca foi fácil. E, dentre as inúmeras dificuldades enfrentadas, está o perigo de esquecer que não somos Deus, e Ele não precisa de nós. Muitos pastores, que negligenciam suas famílias em função de uma suposta chamada para a obra de Deus, fazem isto por não terem consciência desta verdade. Infelizmente, famílias são destroçadas em nome de um deus mesquinho e exigente, que dá aos seus servos um fardo que ninguém pode suportar: buscar sua aprovação mediante trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, sem direito a descanso.

O Deus do Evangelho não é assim. Pelo contrário, é Ele mesmo quem convida seus servos ao descanso e dá a eles um fardo leve e suave. Buscar a integridade envolve confiar que este descanso que Deus nos oferece é o que nos leva a não inverter prioridades em nossa vida.

O texto de uma das cartas às igrejas no Apocalipse, muito usado em pregações evangelísticas, fala de Jesus batendo na porta, querendo entrar a fim de manter comunhão. Esquecemo-nos de que estas palavras e esta atitude de Jesus foram dirigidas à cristãos. Somos nós que estamos doentes. Somos nós que precisamos desesperadamente da graça de Deus. No entanto, muitas vezes, trancamos o médico do lado de fora de nossas vidas. Ele bate desejando entrar, mas nós não O ouvimos.
É preciso repensar a razão de nosso ministério cristão. Se não pararmos para verificar se Jesus está presente, inverteremos nossas prioridades e colheremos os frutos amargos de quem não soube ser íntegro em Deus.