FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA
ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM
AGRADECIMENTO
AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Vaidade, virtude, pecado, defeito.....
Taí um tema árido, meio ingrato de abordar. Dependendo do ângulo que se aborde, pode parecer fútil, se olhar de forma mais severa, vira pecado mortal. E ninguém é mais sábio que Eclesiastes para abordá-lo – sugiro até uma lida, sem pressa, entre o 5.1 e 6.1, principalmente quando a vaidade se soma ao dinheiro. Mas, se enveredar pela política, a vaidade salta aos olhos, navegando no poder, se enlameando na Lava Jato, e finalmente se incorpora na personalidade absolutamente doentia e narcisística do já folclórico presidente Trump.
No famoso filme “O Advogado do Diabo”, o excepcional ator Al Pacino termina dizendo, no seu papel demoníaco: “Não é à toa que acho a vaidade o mais fascinante dos pecados!”. No entanto, desconfie de quem afirme que é desprovido de vaidades. Afinal, ela é matreira, dissimulada. Do tipo que nos invade silenciosamente, se instalando nos porões da mente, nos sótãos do inconsciente, até se instalar na suíte principal.
Meu falecido pai já ensinava que a falsa modéstia é o requinte da vaidade. Cuidado com os ministros de eucaristia que falam mal nas alcovas, com os irmãos de fé que sussurram no pé do ouvido, no bonzinho de plantão. Lobos mais ferozes habitam os mais humildes cordeirinhos.
Prefiro lidar com os vaidosos de vitrine, exagerados e explícitos. Aqueles que omitem ou mentem a idade descaradamente. Os homens que pintam cabelo de acaju ou azul petróleo. As mulheres que se ornamentam de joias, bijuterias ou badulaques. Adoram ser vistas e pronto. Mesmo porque vaidade tem algo de feminino, meio que combina. Talvez pelo fato das meninas terem desenvolvido um olhar detalhista, atento a forma, ao estético, quase esteta. Ornamentar é atrair e quem sabe o flertar seria seguido pela dança do acasalamento do macho sedento. Sem machismo, mesmo porque homem vaidoso costuma ser exagerado, assim como quando homem gosta de cozinhar, costumar fazê-lo de forma excepcional.
Sim, vaidade pode ser sinônimo de cuidar-se, preparar-se para quem o circunda. Sendo, dessa forma, algo virtuoso, que ajuda a preservar, manter, ter uma autoestima no lugar. Mas...
O vaidoso imaturo é aquele sem noção do ridículo, sem a menor capacidade de autocrítica, com imensa dificuldade de assumir erros, falhas. Não aceita a idade, exagera em plástica, botox, implantes. Adora colunas sociais, quer cargos, poder, riqueza, exibir, ostentar.
O pior é que odeiam o sucesso alheio. Hipercríticos, sempre se comparam. Sabe a multidão que foi na posse do Obama? Menor que a do Trump? Ele afirma e pronto! Os votos que a Hilary teve a mais? Fraude! O discurso que fez? O melhor de todos os tempos...
Me lembra muito da alma mais honesta do mundo, do brasileiro mais rico do mundo, do melhor escritor do mundo...
O grande problema de cultivar a vaidade é o fato dela ser casada com o narcisismo, e dessa união advir filho único que é o próprio ego. Que nasce, cresce e morre prisioneiro do espelho, condenado a envelhecer, testemunhando sua decadência. Ter que conviver com a angústia da insatisfação, dia após dia. Invejar e maldizer os que habitarão seu universo, desfilando maior beleza ou riqueza ou poder.
Na minha luta diária contra a vaidade, a alegria de constatar minha finitude, imperfeição, meu constante e inexorável envelhecimento.
A montanha de erros cometidos, e o tanto que me permitiram aprender. Os muitos acertos e feitos e o quanto sementes que caíram em terreno fértil frutificaram. A alegria de pedir e aceitar o perdão. O entendimento de que minha matéria se desfaz na mesma proporção que minha mente serena e paz toma minha alma. Que o fim da minha materialidade se aproxima me preparando para minha convicta fé na eternidade. E, sendo assim, devo abandonar pesos mortos nesta caminhada, tais como vaidade, inveja, culpas, medos, ciúmes, inseguranças, poder, e tantas outras emoções negativas que erradamente cultivamos sem percebermos. Como diz Eclesiastes: “tudo é vaidade e tempo que passa...”. Paz e bem
Por: EDUARDO AQUINO
Baixa autoestima: os que adoram se odiar...
Nascemos sempre repletos de defeitos, não há quem não os tenha. Não à toa, tenho arquivada a entrevista da Gisele Bündchen na qual ela relata, em sua espontaneidade, o quanto se achava horrorosa e quanto sofreu com bullying e apelidos. Ela achava suas pernas magras, e o corpo, esquálido, até ser descoberta como modelo. Daí a ser considerada a mulher mais bonita do mundo foi um pulo. Imagina quantas tops estão por aí chorosas, malresolvidas, se escondendo do mundo, que, por sua vez, está querendo desesperadamente revelá-las? Quantos jovens brilhantes deixam de ocupar uma vaga por não se acharem capacitados numa empresa de ponta?
Antes de mais nada, vivemos num tempo de falsidades, exibicionismos, exposição e de muita, muita imaturidade. Piorando a caótica realidade, as redes sociais na internet são inclementes ao expor pessoas a situações extremas e pesadas, ressaltando o ridículo, manipulando fatos, criando “verdades” e massacrando os defeitos nossos de cada dia. Daí a viralizar a baixa autoestima foi um pulo.
Entre crianças (algo raro até há poucas décadas) e adolescentes, a baixa autoestima tem se manifestado de forma tão grave que o aumento de suicídios pós-ciberbullying já virou tragédia nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Também está entre os adultos jovens, principalmente quando se trata de temas ligados à vida afetiva, sexual e profissional, e, nas pessoas maduras, causada por problemas financeiros, conjugais e familiares. Tudo isso só da baixa autoestima!
O achar-se pior que todo mundo virou lugar-comum. Não há photoshop, botox ou roupa de marca que resolva. Nem pós ou doutorado. Amor próprio não se compra, não se maquia, não se inventa... Amor próprio desenvolve-se com muita humildade, zelo, carinho e coragem.
Entrar em redes sociais e ver pessoas sorridentes, acompanhar suas viagens, conhecer seus filhos unidos, seus carrões (quanta coisa falsa, muitas vezes!)... Ao comparar com a lida diária, quem assiste ao paraíso virtual se sente no inferno do dia a dia. Baixa autoestima sempre será uma distorção da imagem de si mesmo. É o péssimo comportamento de supervalorizar as características alheias e menosprezar as próprias. “Queria ter o nariz do beltrano, o corpo do fulano, a inteligência do ciclano…” e por aí vai. Sem contar que o sofrimento costuma sobrar para a família: “ tinha que ter cabelo tão ruim, mãe?!”.
A arte mais difícil é amar-se. Odiar-se é fácil, basta um espelho, uma frustração, uma paixão malresolvida ou ouvir um sonoro “não” de alguém ou de uma vaga sonhada. É fácil se lamentar e achar a vida pesada, injusta. É fácil vestir seu uniforme de burro, horroroso, feio, zero à esquerda e se trancar no quarto, sentar no final da sala e querer ser invisível, querer morrer antes mesmo de merecer ter vivido. Pois amar a si mesmo dá um baita trabalho. É preciso encarar o espelho interno a cada dia e surpreender-se. Olhar de perto nossas imperfeições. Não duvide, não há quem não as tenha. É preciso surpreender-se ao encarar que temos virtudes, muitas, por sinal, que se escondiam atrás da fixação pela aparência.
Esse coração enorme, por exemplo, o desejo de existir, fazer algo bom... E esse sorriso lindo, tão pouco usado pois o mau humor o roubava? Sim, o nariz pode ser largo, mas seus olhos são tão expressivos que, juro, não dá para censurar o nariz. Concordo que o cabelo é crespo, mas charmoso ao ser colocado de lado, e com essa voz rouca... Amar-se é ser benevolente, generoso consigo mesmo. Aprender a errar, não ser obrigado a ser nem o melhor, nem o pior, apenas você. Gostar de você mesmo é brincar com seu jeito de ser. Único, pois você faz a diferença, ninguém nunca será como você! Aproveite ser quem é. Deve ser encantador ser como é. Daria um livro. Escreva- o.
Zoar a si mesmo e assim desarmar a maldade alheia. As pessoas aqui fora sempre querem umas às outras, desde que umas se disponham a se apresentar às outras com seus defeitos e suas virtudes. Não busque no outro ou em coisas materiais a solução para sua baixa autoestima ou passará a vida inteira codependente de alguém ou de coisas materiais para fingir ser feliz. Sorria, você está sendo filmado por sua estima própria. Paz e bem
Por EDUARDO AQUINO
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
Sabemos ser amigos...como os escolhemos ?
Se Platão é o autor de um dos tratados mais conhecidos sobre o amor (basta ler, entre seus diálogos, o “Fedro” ou o “Banquete”), Aristóteles é, sem dúvida, um dos autores clássicos que mais e melhor se expressou sobre a natureza da amizade. Em “Ética a Nicômaco”, talvez a mais conhecida de suas obras sobre o assunto, o filósofo diz que existem basicamente três qualidades geralmente amáveis – isto é, que se podem amar – que servem como motivos para a amizade: a utilidade, o prazer e a virtude. Mas isso não significa que as amizades decorrentes de qualquer uma destas três razões são necessariamente amizades “reais”.
Para que uma amizade possa ser considerada autêntica, segundo Aristóteles, é necessário: “aos amigos, devemos desejar-lhes o bem no interesse deles próprios. Mas aos que desejam bem dessa forma só atribuímos benevolência, se o desejo não é recíproco; a benevolência, quando recíproca, torna-se amizade. Pois muita gente deseja bem a pessoas que nunca viu, e as julga boas e úteis; e uma delas poderia retribuir-lhe esse sentimento. Tais pessoas parecem desejar bem umas às outras; mas como chamá-las de amigos se ignoram os seus mútuos sentimentos? A fim de serem amigas, pois, devem conhecer uma à outra como desejando-se bem reciprocamente por uma das razões mencionadas acima” (pg. 140).
Ou seja, o desejo de boa vontade deve ser mútuo e conhecido: Aristóteles diz que um homem não pode ser amigo de um objeto inanimado, porque seria “ridículo se desejássemos bem ao vinho” (pg. 140), porque um objeto não pode fazer o mesmo por nós: não é uma boa vontade mútua. Assim, se entende que se uma pessoa deseja o bem para outra, mas esse desejo não é recíproco, não podemos falar que entre essas duas pessoas realmente exista uma amizade. Por isso, Aristóteles define a amizade como “uma boa vontade mútua entre as pessoas conhecidas para uma das qualidades amáveis: isto é, por utilidade, por prazer ou por virtude”.
Amigos por utilidade
Aristóteles ensina que “os que se amam por causa de sua utilidade não se amam por si mesmos, mas em virtude de algum bem que recebem um do outro” (pg. 141). Isto significa que em uma amizade por utilidade “a pessoa amada não é amada por ser quem é, mas porque proporciona algum bem ou prazer” (pag. 141).
Ou seja, “os que amam por causa da utilidade, amam pelo que é bom para eles mesmos” (pg. 141). Isso não é necessariamente prejudicial, de acordo com Aristóteles, mas ele alega que essas amizades não são permanentes, porque se o benefício da utilidade acaba, a amizade também acaba. É o caso clássico, por exemplo, dos parceiros de negócios ou colegas de classe.
Amigos por prazer
Aristóteles observa que algo semelhante acontece neste tipo de amizade e na anterior. Este tipo de amizade acontece entre pessoas que amam seu amigo(a) não pelo bem do amigo(a), mas pelo prazer que podem receber dessa pessoa. Como na amizade por utilidade, amizades por prazer são relativamente frágeis, porque podem alterar ou terminar tão rapidamente como o prazer recebido.
Aristóteles afirma que este é o tipo mais comum de amizade na juventude. “A amizade dos jovens, por outro lado, parece visar ao prazer, pois eles são guiados pela emoção e buscam acima de tudo o que lhes é agradável e o que têm imediatamente diante dos olhos; mas com o correr dos anos os seus prazeres tornam-se diferentes. E por isso que fazem e desfazem amizades rapidamente: sua amizade muda com o objeto que lhes parece agradável, e tal prazer se altera bem depressa” (pg. 141-142). Geralmente, de acordo com Aristóteles, uma amizade baseada no prazer é a que acontece entre amigos que compartilham os mesmos passatempos: companheiros de uma equipe de esportes ou de uma banda, por exemplo.
Amigos por virtude
Aristóteles escreve que a amizade perfeita é a das pessoas que são boas e afins na virtude, pois essas desejam igualmente bem uma à outra e são boas em si mesmas. Ora, os que desejam bem aos seus amigos por eles mesmos são os mais verdadeiramente amigos, porque o fazem em razão da sua própria natureza e não acidentalmente. Por isso sua amizade dura enquanto são bons — e a bondade é uma coisa muito durável. E cada um é bom em si mesmo e para o seu amigo, pois os bons são bons em absoluto e úteis um ao outro. E da mesma forma são agradáveis, porquanto os bons o são tanto em si mesmos como um para o outro, visto que a cada um agradam as suas próprias atividades e outras que lhes sejam semelhantes, e as ações dos bons são as mesmas ou semelhantes (pg. 142).
O filósofo segue afirmando que “tal amizade é, como seria de esperar, permanente, já que eles encontram um no outro todas as qualidades que os amigos devem possuir” (pg. 142). Com isso, Aristóteles quer dizer que uma pessoa que é boa é também agradável, e sua companhia é prazerosa e útil. Assim, a amizade por virtude contém em si mesma os mesmos prazeres que as outras duas amizades, mas em grau mais elevado, tornando esta amizade uma amizade melhor e mais plena.
No entanto, Aristóteles é realista: “Mas é natural que tais amizades não sejam muito frequentes, pois que tais homens são raros. Acresce que uma amizade dessa espécie exige tempo e familiaridade. Como diz o provérbio, os homens não podem conhecer-se mutuamente enquanto não houverem “provado sal juntos”; e tampouco podem aceitar um ao outro como amigos enquanto cada um não parecer estimável ao outro e este não depositar confiança nele. Os que não tardam a mostrar mutuamente sinais de amizade desejam ser amigos, mas não o são a menos que ambos sejam estimáveis e o saibam; porque o desejo da amizade pode surgir depressa, mas a amizade não” (pg. 142-143).
Paz e bem
Ser bondade...ponte para o amor...
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Por diferentes motivos, existem pessoas que caminham pela vida pensando que qualquer dano que os outros sofram é uma vantagem para elas, de modo que não hesitam em se alegrar por isso e até mesmo em provocar o mal. Para este tipo de pessoa, a melhor resposta que podemos dar é uma lição de bondade. Este é o jeito mais adequado de agir.
Neste sentido, os conceitos de bem e de mal deram muito o que falar ao longo da história, principalmente porque a alma humana pode se aproximar das duas. Também porque depende muito da cultura, da sociedade e de outras variáveis que podemos adicionar ao debate.
Além de uma contribuição técnica e científica do tema, neste artigo vamos procurar uma reflexão individual. O ponto do qual partir será uma situação real e abstrata na qual uma pessoa age com maldade e nos prejudica. Como respondemos a isso?
Por que a bondade é uma lição
Existem muitos motivos pelos quais a bondade pode ser considerada uma grande lição, ainda que nunca possamos compreender o que levou o outro a nos prejudicar. Essencialmente, adotando a bondade como resposta não isentamos o outro das suas ações, mas libertamos a nós mesmos das emoções negativas.
flor-nascendo
Muitas vezes é extremamente complicado perdoar o outro, e isso é compreensível. Contudo, basta lembrar que é possível perdoar sem esquecer ou sem entregar novamente a confiança própria. Assim, o perdão não nos torna ingênuos nem mais vulneráveis, apenas nos liberta de uma carga pesada que mantém a ferida do dano causado.
“A cada nova cobrança, a cada nova crueldade, precisamos fazer oposição com um pequeno suplemento de amor e de bondade conquistado em nós mesmos.”
-Etty Hillesum-
A bondade age como lição porque é gratificante, fomenta a solidariedade, beneficia a autoestima e abre a porta para a dor e o aprendizado. Um ato de bondade olha para o bem alheio e o próprio. A maldade, ao contrário, só olha para si mesma e procura somente repercutir nos seus interesses.
A bondade nasce do coração
Uma das opiniões mais comuns é de que não nascemos nem bons nem maus, mas que cultivamos a bondade ou a maldade à medida que crescemos emocionalmente. Por essa razão podemos dizer que a bondade nasce do coração e se alimenta dele. Se durante nossas vidas queremos progredir sem prejudicar ninguém, como vamos responder com vingança aquele que apenas procura prejudicar?
coracao
Uma resposta à altura de uma ação ruim não muda nada, não resolve o dano e apenas alivia momentaneamente. O rancor destrói, transforma e não colhe nenhum fruto positivo em nós mesmos. Não só isso, a outra pessoa continuará vendo você cair na sua mesma velocidade; e, então, não apenas você terá perdido tudo, mas não ganhará nada.
“Mas tinha além disso uma arte maior, uma arte que não se aprende:
a da bondade.”
-Úrsula K. Le Gin-
Assim como afirmou Gandhi, seria bom que fôssemos a mudança que queremos ver no mundo. Desde aquelas situações maiores e mais complicadas, difíceis de superar, até aquelas outras pequenas. Também podemos olhar a ética de Kant que afirmava que a virtude está em “fazer das nossas obras, obras universais”.
Não permita a maldade ao seu redor
Estamos rodeados de ódio, violência e medo, de modo que é necessário educar quanto a valores que contribuam para um bem-estar social e individual, valores que impeçam uma escalada das atitudes censuráveis que nos rodeiam. De fato, quem já passou por isso sabe que não serve mais aquele “olho por olho” porque no fim das contas acabamos todos cegos.
Paz e bem
A cruz porque ...simbolo...ou despertador
A cruz é o símbolo de uma das torturas mais horríveis que o homem inventou para outro homem. A primeira imagem conhecida de Cristo crucificado – nas portas de madeira da Basílica de Santa Sabina em Roma – é do século V.
A manifestação da (não) fé
Antes, os cristãos não retratavam de nenhuma maneira a ferramenta da morte de Jesus. Representava-se a chamada crux gemmata ou a cruz preciosa, de ouro e enfeitada com pedras preciosas, sem a pessoa do crucificado. E essas representações aparecerem só no século IV. Até então, os cristãos evitavam a utilização do sinal da cruz. Não porque era proibido, mas pela natureza controvertida desse símbolo. Entretanto, durante pelo menos dois séculos depois de Cristo, as cruzes continuavam sendo colocadas ao longo dos caminhos dos impérios, em que agonizavam os escravos. A cruz era, pois, um símbolo muito ambíguo, despertando perguntas.
E por isso levo a cruz no pescoço. Ela tem que despertar perguntas. Em mim. Porque, pelo lado de Jesus crucificado não teria nem graça nem brilharia para admirá-lo. E, por outro lado, precisamente no contexto do anúncio da cruz, o Pai o clamava do céu: “Tú és o meu Filho amado! Em ti ponho minha afeição!” A cruz no meu pescoço é para que eu possa ir-me voltando às perguntas: “Consigo obedecer o Pai? Meus pensamentos, decisões, palavras e atitudes agradam o Pai? Aceito a cruz na minha vida, já que levo sua miniatura no pescoço todos os dias? A cruz no pescoço é o convite diário ao mais simples exame de consciência.
Não a levo para manifestar alguma coisa. A cruz no meu pescoço é a manifestação de minha fé, do meu ponto de vista. A cruz no peito não significa nada. O próprio fato de se sentar na cadeira não garante, automaticamente, um bom testemunho Daquele que morreu na cruz. A cruz aparecia em muitas bandeiras e cartazes e estava em muitos emblemas. Mas nem todas tinha um motivo nobre. A cruz no meu pescoço pode se transformar, igualmente, em um testemunho de Jesus, como também na manifestação de não-fé. Vai decidir meus gestos, palavras, ações, comportamento.
O despertador
E por isso levo a cruz. Para que, no mundo das lutas sem fim, manifestações, empurrões e batalhas, ela seja a âncora do barco da minha vida atracada em outro mundo. Coloco a cruz para recordar que a terra de onde eu venho e a terra para onde volto são diferentes. É como a bandeira, atrás da qual caminho lentamente, desde onde começa o reino da verdade e da vida, o reino da santidade e da graça, o reino da justiça, amor e paz.
Não levo a cruz para me proteger da desgraça, nem para mudar nada em meu caminho independentemente da minha vontade. Não é amuleto. Com a cruz no pescoço, posso ser atropelada por um carro, ter câncer e perder meu emprego. Da mesma forma, carregando a cruz no pescoço posso enganar, difundir rumores e ser um pesadelo para quem tem que conviver comigo todos os dias. Ela não vai me mudar de maneira mágica, nem mudar a realidade que me rodeia. Nenhuma magia “batizada”, nenhum sistema ou mecanismo espiritual consegue essas mudanças. A transformação, ou a Páscoa, de minha vida e do mundo que me cerca só pode ser levada a cabo por Deus – o Senhor de toda a realidade e de meu pequeno coração.
E por isso eu uso a cruz. Para que ela me lembre a quem pertence tudo isso e quem tem a última palavra. Uso a cruz para recordar que fui comprada por um preço muito alto e Aquele que me redimiu e me limpou com seu sangue não tem intenção de me abandonar. A cruz no pescoço é uma promessa e um convite para Deus deixar operar em mim e sempre comigo. Para trabalhar com Ele – na medida do possível – em minha salvação. Aqui e agora. Onde me encontro e com quem estou lutando.
Jesus foi a cruz para atrair a todos até Ele. Morreu e ressuscitou. E, na verdade, em certo sentido, o drama de minha redenção continua. Pascal escreveu: “A agonia de Jesus continuará até o fim do mundo. Não se deve dormir nesse momento.” Levo a cruz porque preciso de um despertador.
Por Dk. Michal Lubowicki
Paz e bem
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Ser abraçado por Deus....
Na vida, a generosidade exige renúncia. Renúncia ao próprio desejo, à possessão, a ter tudo, à paz constante, ao descanso permanente, aos meus planos. Amar é renunciar. O amor que não renuncia seca, morre.
O amor que cresce a partir da morte ao próprio eu é um amor fecundo, grande, próprio de um coração que se dilatou, que se tornou enorme no caminho. Um coração capaz de entregar a vida no silêncio, sem buscar aplausos ou reconhecimento. É um coração assim que queremos: um coração livre e pleno.
Santo Inácio rezava: “Tomai, Senhor, e recebei / Toda a minha liberdade, a minha memória também. / O meu entendimento e toda a minha vontade / Tudo o que tenho e possuo, vós me destes com amor. / Todos os dons que me destes, com gratidão vos devolvo. / Disponde deles, Senhor, segundo a vossa vontade. / Dai-me somente, o vosso amor, vossa graça. / Isto me basta, nada mais quero pedir”.
Em nosso coração são tomadas as decisões mais importantes, e ninguém pode interferir nelas. Decisões nas quais nos entregamos e abandonamos totalmente. Lá, na solidão da alma, nós abraçamos Deus. Lá onde ninguém mais pode entrar, porque é nossa intimidade mais profunda e cálida.
E queremos que o nosso coração seja um lar para Cristo. Nesse lar de paz, poderíamos descobrir seu querer e estar dispostos, assim, a entregar tudo, a renunciar a tudo.
Diante do desconhecido, diante do que não controlamos, temos de olhar para Deus, confiar nele, abandonar-nos em suas mãos, sabendo que Ele nos conduz a um porto seguro.
Na verdade, nossa santidade repercute nos que nos cercam. Somos membros do Corpo místico de Cristo. O bem que fazemos é um bem para os outros. O mal que provocamos é uma ausência de bem.
Nosso amor pode ajudar outras pessoas a amar mais, a amar melhor, a amar mais santamente. “O verdadeiro amor é aquele que não diz “é suficiente”. A medida do amor é amar sem medidas. Nossa relação mútua deve nos submergir cada vez mais profundamente nesta medida sem medidas, no eterno, no Deus infinito.”
Uma vida que ama e é capaz de não dizer jamais “Isso é suficiente” é a vida à qual aspiramos. Uma vida entregue nas mãos de Deus. É o abandono no meio do perigo. Quando nem tudo está garantido, quando nossa vida não está totalmente sob controle. É natural ter medo do futuro, da morte, da cruz. Não é natural viver sem medo.
Ninguém vive sem medo, a não ser por uma graça especial, por um dom sobrenatural, por uma união profunda do seu coração com o coração de Cristo na cruz. Os mártires suportaram o martírio não por falta de medo, mas porque receberam uma graça especial de Deus.
Nós não vivemos sem medo, mas sempre podemos entregar esse medo a Deus para que Ele nos liberte. O medo está na alma e pode nos impedir de avançar.
Hoje somos conscientes dos nossos medos. Sabemos quantas coisas existem em nossa vida que nos inquietam. O futuro, a crise, o medo de doenças: entreguemos tudo isso a Deus, para que Ele sustente nossa vida e nos dê sua paz em meio às tempestades.
Paz e bem
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Vem Senhor Jesus....
“Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).
Iniciamos a quarta semana do tempo litúrgico do Advento. Dentro das fileiras Cristãs, mesmo nas igrejas reformadas ou as que preservam um patrimônio litúrgico mais tradicional, há sempre alguma confusão e até desconforto em relação a este período do calendário cristão.
Na maioria das vezes esta estação é reduzida a uma simples preparação para o Natal, como se esperassem ainda a vinda de Jesus na gruta de Belém. Esta é uma devota regressão simplória que empobrece a esperança cristã. Muito embora o Advento também seja um tempo de leituras, orações, hinos e pregações que giram em torno das profecias do Antigo Testamento que nos prepararam para celebrar com maior gozo o evento da Encarnação do Verbo, na verdade ele ancora-se mais em um artigo do credo Niceno-constantinopolitano que fixa a seguinte proposição dogmática:
“E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo, no seio de Maria virgem, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; E subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim”.
Então, o tempo litúrgico que precede a solenidade do Natal é antes a prática eclesial da espera por Jesus. Estaríamos nós convictos de que Ele voltará um dia? Estaríamos nós como igreja e como cristãos, individualmente, praticando esta espera? Jesus veio uma primeira vez, revestiu-se de humildade, fez-se pobre, vulnerável, assumiu a nossa limitação humana, sofreu fadiga, dor, fome. Chorou a perda de um amigo, sentiu o duro golpe da traição de um discípulo, angustiou-se em face do terror que o aguardava na cruz e por fim morreu a nossa morte. Tal era o sumo sacerdote que nos convinha, afirma a carta aos Hebreus, ante a tamanha solidariedade de Cristo com a nossa humanidade (Hb 5.7; 7.26). Ressuscitado ao terceiro dia e tendo ascendido aos Céus em um corpo transfigurado há de voltar um dia e agora tanto a sua aparência como a sua condição serão completamente diferentes. Virá com poder invencível, majestade indefectível, glória imarcescível e com absoluta autoridade para julgar os vivos e os mortos e estabelecer em definitivo o Reinado de seu Pai que não terá fim. Basílio, o grande, um eminente pai da Igreja definiu o cristão como “aquele que vive em estado permanente de espera, de vigia, a cada dia e cada hora, sabendo que o Senhor vem”.
Claro, pedagogicamente a igreja sempre entendeu que o Advento também é um tempo kerigmático, um tempo onde a Encarnação de Jesus Cristo é o ponto de partida para se apresentar o plano da Redenção e se fazer o pleno anúncio do Evangelho como o sintetizado por João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (Jo 3.16-19).
Então, o Advento cumpre uma dupla missão na Igreja. Em primeiro lugar devolve à festa do Natal o seu sublime caráter cristocêntrico. Nos leva a testificar pelas Escrituras que as promessas feitas aos pais desde os primórdios: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15), reafirmada muitas vezes pelos profetas: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7.14); e quando tempo se fez propício: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5); Ele cumpriu a sua Palavra: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Esta é a essência do Natal que o Advento quer ajudar-nos a redescobrir e bem celebrar. A outra é: “E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.10) e ainda: “E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória” (Marcos 13:26). Mas também o Advento nos alerta: “E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.10,11).
Esta espera não deve paralisar-nos. A nossa espera deve ser dinâmica, nós O esperamos em atitude de vigília, oração e missão que é o coração do Advento. Ele vem!
Paz e bem
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