FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA
ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM
AGRADECIMENTO
AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM
sexta-feira, 18 de abril de 2014
A tentação de ser Pop Star...
O populismo é a marca registrada de quem quer agradar a todos de todos os modos possíveis com o fim de ser aceito por todos. Normalmente quem adere ao populismo jamais poderá ser uma pessoa autêntica e defender princípios e valores que acredita. Em tese, um cristão jamais deveria ser alguém popular, bem como o cristianismo também não deveria ser uma religião popular, que se rende aos gostos de quem a adere. Os princípios, valores e mandamentos contidos nos evangelhos e em toda a bíblia não podem estar à mercê da manipulação de quem decide viver por eles. O apocalipse começa e termina com advertências sérias a esse respeito: "Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro testifico: Se alguém lhe fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida..." (Ap. 22.18,19). O próprio Jesus teve que resistir a tentação da popularidade: O diabo, no começo de seu ministério público o tentou com a possibilidade de já começar "fazendo sucesso" ( MT 4.1-11) e seus irmãos consangüíneos lhe fizeram proposta semelhante no decorre de seu ministério: "Dirigiram-se a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa esse lugar(Galiléia) e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto.Se fazes estas coisas(sinais e milagres) manifesta-te ao mundo"(João 7.3,4). A resposta de Jesus tanto ao diabo quanto aos seus irmãos foi "não"! Jesus não veio para se tornar popular. Há muitas pessoas no mundo que confessam conhecer a Jesus , entretanto, o negam pelo simples fato de o conhecerem e não acreditarem nele, assim como os seus irmãos consangüíneos no episódio narrado por João em seu evangelho: " Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele" ( Jô 7.5). Jesus Cristo e o Cristianismo não devem ser apenas conhecidos de todo o mundo, mas, acima de tudo, cridos. Nestes tempos de uma busca desenfreada pela fama e pelo sucesso, muita gente tem encontrado no meio "evangélico" a possibilidade de se dar bem. Não duvido da conversão sincera de muita gente de bom testemunho no meio artístico, entretanto, é grande o número dauqles que encontraram entre nós apenas a oportunidade de "fazer sucesso" : vendendo discos, músicas e ganhando popularidade, vendendo a mensagem do evangelho por bagatela. Quero continuar a ser firme e a acreditar que "a nossa vida está escondida juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo,que é a nossa vida, se manifestar,então,nós também seremos manifestados com ele, em glória" ( Colossenses 3.1-3). Seja firme e resista a tentação da popularidade.Paz e bem
terça-feira, 15 de abril de 2014
A semana das dores............
“E disse-lhes: "Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer”(Lucas 22.15).
A espiral do ciclo litúrgico traz de volta a semana das dores e da paixão de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Na verdade, para nós, cristãos reformados, a vivência da experiência da cruz é uma realidade cotidiana, fomos e estamos sendo crucificados com Cristo na medida em que morremos para o pecado, a injustiça e a ostentação do mundo. Todavia, não há mal algum em aproveitarmos estes momentos mais intensos para não só aprofundarmos a nossa consciência quanto aos fatos que importaram em nossa salvação, mas também para proclamarmos a essência da mensagem evangélica, a gratuidade da morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
As narrativas da Paixão que encontramos nos Evangelhos, além de sensibilizarmo-nos e dar-nos informações de como as coisas aconteceram, trazem lições que devem ser sempre atualizadas em nossa caminhada de fé.
A semana começa com o domingo da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. É o “domingo de ramos”. Jesus entra aclamado em Jerusalém como Rei-Messias, o Filho de Davi, o que cumpre em filigrana as profecias: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta” (Zc 9.9). Contudo, o alarido da multidão e aquele reconhecimento eufórico não traduzem a sua missão. Sua decisão de ir a Jerusalém continha outro programa a ser vivido: “E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém” (Lc 9.51), isto é, cumprir o projeto de seu Pai, dar a vida por suas ovelhas, resgatar os pecadores e estabelecer o reinado de Deus e voltar glorioso para junto daquele que o enviara.
Depois desta entrada triunfal, entre os “hosanas” de um povo festivo, Jesus vive a amarga noite da última ceia. A atmosfera dos Evangelhos parece carregada de tensão. A dor e a melancolia da despedia. A conversão dos valores arraigados ao orgulho humano nas lições do lava-pés e o prenúncio da morte. A nova Aliança com base no sangue derramado, a angústia do horto e finalmente a traição por parte de um de seus discípulos amigos. Desta quinta-feira quis o Espírito Santo conservar-nos preciosas lições. Que o amor cristão só tem sentido se for insistente, permanente e independente das inclinações de nossa carne. Um amor que persevera, não recua, que não desiste, mesmo quando tudo conspira ao redor. Que o amor não é um simples sentimento, mas um mandamento e um serviço de humildade e gratuidade. Aprendemos que o discipulado não é turismo religioso, mas seguir a Jesus significa um convite para morrer com Ele e com Ele entregar a vida em obediência ao Pai e em favor dos irmãos.
Chegamos à “sexta-feira da paixão” e da morte do inocente, justo e santo Filho de Deus. Dos horrores vividos na casa de Anás, à submissão a um político fraco e corrupto, à patética aparição na casa de Herodes, a troca por Barrabás em um Tribunal iníquo e à exposição pública a caminho do Calvário, Jesus deu provas cabais de quem era: “o homem das dores”, o Servo de Iaweh, o Justo das Escrituras, o Messias esperado pelas nações, a Ovelha muda que não abriu a boca diante dos seus tosquiadores. Jesus revelou-se como o verdadeiro cordeiro pascal, o suficiente bode da expiação e em sua carne macerada e em seu sofrimento não só tornou aceitável, mas confirmou todos os sacrifícios prescritos na Lei, enquanto bebia até a última gota do cálice. Mas, o que continha mesmo o cálice que o Pai serviu a Jesus? Continha a ira de um Deus Santíssimo e Justo, ofendido em sua majestosa autoridade que vindicava justiça desde a Queda de Adão. Na sexta-feira, Jesus paga o preço de nossa dívida: “e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz” (Cl 2.14).
Segundo a teologia dos pais da Igreja de Tradição Oriental, aqui se realiza a propriamente dita páscoa do cristão, pois é quando o verdadeiro cordeiro é sacrificado: “Mas quando chegaram a Jesus, percebendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas (...) Ele sabe que está dizendo a verdade, e dela testemunha para que vocês também creiam. Estas coisas aconteceram para que se cumprisse a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado" (Jo 19.33-36).
O meu desejo é que você evite a todo custo, motivado por um zelo cego quanto aos exageros litúrgicos de outras religiões, o pecado de desprezar esta oportunidade de viver e anunciar o cerne do Evangelho da Salvação que como se vê, custou um alto preço! Participe com alegria das reuniões, cultos e estudos de sua comunidade de fé.
Paz e bem
Para celebrar a pascoa ( A cruz e o Deus generoso )
Oração e generosidade
“Senhor Jesus, tu me atribuíste um valor muito alto quando morreste por mim. Tua morte me dá vida. Enche o meu cálice até que transborde, assim que eu possa anunciar com todo o meu ser que tu és o gerador da vida.”
M. A. Thomas, Índia
Meditação
Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? (Romanos 8.32)
A cruz revela a generosidade de Deus. Nela ele não poupou nada, pelo contrário, nos deu o que tinha de mais precioso, mais caro, mais perfeito, mais belo. Nos deu seu Filho, e com ele a salvação, o perdão, a reconciliação. Haveria, diante da demonstração da generosidade de Deus na cruz, alguma dádiva que ele nos negaria? Alguma benção que seria maior do que seu próprio Filho? Certamente que não.
A cruz define a natureza da oração. Oramos a um Deus generoso. Mas não é isso que muitos crentes demonstram quando oram. Suas palavras revelam um Deus mesquinho, que se recusa a abençoá-los, que necessita ser convencido, persuadido, em alguns casos, manipulado, para que suas orações sejam atendidas. Paulo não vê assim. Se Deus não poupou seu Filho, o que pouparia? Se nos deu o seu bem maior, que outro bem nos negaria? Orar é entrar na comunhão de um Deus generoso, é participar da amizade com um Pai amoroso que jamais negará bem algum àqueles que ama.
Quando você ora, que imagens de Deus vêm à sua mente? Generoso ou mesquinho?
Intercessão
Ore para que Deus nos ajude a reconhecer sua enorme generosidade, e que a experiência de oração seja uma verdadeira comunhão com a riqueza de sua glória.
Hino
Maravilhosa graça! maior que meu pecar,
como poder cantá-la? como hei de começar?
Pois alivia a minha alma, e vivo em toda a calma
pela maravilhosa graça de Jesus!
Graça quão maravilhosa de Jesus
Como o firmamento é sem fim.
É maravilhosa, é tão grandiosa, é suficiente para mim.
É maior que a minha vida inútil,
é maior que o meu pecado vil.
O nome de Jesus engrandecei, e glória dai.
Maravilhosa graça! Traz vida perenal;
por ela perdoado, vou à mansão real.
Livre do meu pecado, gozo de Deus o agrado,
pela maravilhosa graça de Jesus!
Maravilhosa graça! Quão ricas bençãos traz!
O seu poder transforma o pecador falaz.
Salvo sou em verdade, por toda eternidade,
pela maravilhosa graça de Jesus!
Oração
Senhor, perdoa-nos por tratá-lo tantas vezes como um Pai indiferente e mesquinho, por acharmos que são nossas orações que movem teu amor e não o teu amor que move nossas orações, por pensarmos que precisas ser convencido de nossas necessidades e não que as conheces todas antes de movermos nossos lábios. Dá-nos um coração que deseja somente o que desejas, aberto apenas para tua boa, santa e perfeita vontade. Livra-nos de achar que nossa vontade é melhor que a tua, pois não nos poupaste teu próprio Filho. Amém.
Paz e bem
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Os pastores de Israel.
Ezequiel, 34
1. A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
2. filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; dize-lhes, a esses pastores, este oráculo: eis o que diz o Senhor Javé: ai dos pastores de Israel que só cuidam do seu próprio pasto. Não é seu rebanho que devem pastorear os pastores?
3. Vós bebeis o leite, vestis-vos de lã, matais as reses mais gordas e sacrificais, tudo isso sem nutrir o rebanho.
4. Vós não fortaleceis as ovelhas fracas; a doente, não a tratais; a ferida, não a curais; a transviada, não a reconduzis; a perdida, não a procurais; a todas tratais com violência e dureza.
5. Assim, por falta de pastor, dispersaram-se minhas ovelhas, e em sua dispersão foram expostas a tornarem-se presa de todas as feras.
6. Minhas ovelhas vagueiam em toda parte sobre a montanha e sobre as colinas, elas se acham espalhadas sobre toda a superfície da terra, sem que ninguém cuide delas ou se ponha a procurá-las.
7. Pois bem, pastores, escutai a palavra do Senhor:
8. por minha vida - oráculo do Senhor Javé -, já que por falta de pastor foram minhas ovelhas entregues à pilhagem, e serviram de pasto às feras, pois os meus pastores não têm o mínimo cuidado com elas, e que, em vez de pastoreá-las, só têm procurado se fartar eles próprios,
9. por isso, escutai, pastores, o que diz o Senhor:
10. Eis o que diz o Senhor Javé: vou castigar esses pastores, vou reclamar deles as minhas ovelhas, vou tirar deles a guarda do rebanho, de modo que não mais possam fartar a si mesmos; arrancarei minhas ovelhas da sua goela, de modo que não mais poderá devorá-las.
11. Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas.
12. Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas.
13. Eu as recolherei dentre os povos e as reunirei de diversos países, para reconduzi-las ao seu próprio solo e fazê-las pastar nos montes de Israel, nos vales e nos lugares habitados da região.
14. Eu as apascentarei em boas pastagens, elas serão levadas a gordos campos sobre as montanhas de Israel; elas repousarão sobre as verdes relvas, terão sobre os montes de Israel abundantes pastagens.
15. Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar - oráculo do Senhor Javé.
16. A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça.
17. Quanto a vós, minhas ovelhas, eis o que diz o Senhor Javé: vou julgar entre ovelha e ovelha, vou julgar os carneiros e os bodes.
18. Não vos bastava pastorear numa excelente pastagem, para que calqueis ainda aos pés o resto do prado? Não vos bastava beber as águas límpidas, para que calqueis ainda o resto com os pés?
19. E minhas ovelhas devem comer o que pisastes e beber o que sujastes?
20. Pois bem, eis o que diz o Senhor Javé: vou julgar entre ovelha gorda e magra.
21. Porque tendes batido o flanco ou a espádua, e ferido com vossos cornos todas as ovelhas fracas, até lançá-las fora,
22. eu irei em socorro de minhas ovelhas para poupá-las de serem atiradas à pilhagem; e julgarei entre ovelha e ovelha:
23. Para pastoreá-las suscitarei um só pastor, meu servo Davi. Será ele quem as conduzirá à pastagem e lhes servirá de pastor.
24. Eu, o Senhor, serei seu Deus, enquanto o meu servo Davi será um príncipe no meio delas. Sou eu, o Senhor, que o declaro.
25. Eu concluirei com elas um tratado de paz; suprimirei as feras de sua terra, de sorte que possam habitar o deserto com segurança e dormir nos bosques.
26. Farei deles e das imediações de minha colina uma bênção; farei cair chuva em tempo oportuno: serão chuvas de bênção.
27. As árvores dos bosques darão seus frutos e a terra dará o seu produto. Viverão com segurança na terra. Quando eu tiver rompido as cadeias de seu jugo, e os houver livrado das mãos de seus tiranos, eles saberão que sou eu o Senhor.
28. Não mais serão pilhados pelas nações nem devorados pelas feras; habitarão a terra com segurança, sem serem incomodados mais por ninguém.
29. Farei crescer para eles uma vegetação luxuriante, que constituirá o seu orgulho. Não haverá mais fome devoradora na terra; não mais sofrerão os insultos das nações.
30. Saberão que sou eu o Senhor, que sou o seu Deus, e que eles, os israelitas, são o meu povo - oráculo do Senhor Javé.
31. E vós, minhas ovelhas, vós sois homens, o rebanho que apascento. E eu, eu sou o vosso Deus - oráculo do Senhor Javé.
As alegrias da pascoa.
O júbilo estala nos corações dos cristãos . Como canta a Liturgia: “Cristo imolado, a morte vencida, foram abertas as portas do Paraíso”. É Páscoa, “dia que fez o Senhor; alegremo-nos nele”! O entusiasmo toma conta dos batizados , pois “o Cordeiro Imaculado redimiu as ovelhas. Cristo inocente reconciliou o pecador com o Pai”. Maria Madalena surge e proclama a eloqüência de um sepulcro vazio. Hinos de vitória então percorrem os ares, dado que “sabemos que Cristo ressuscitou verdadeiramente dentre os mortos”. Sobe uma súplica fervorosa: “Ó Rei vencedor, tende piedade de nós”. É a humanidade que se curva agradecida e confiante perante o seu Salvador glorioso. Um duelo admirável se deu: a morte lutou com a vida e o Autor da vida se levantou triunfante da morte. Terminou o combate da luz contra as trevas, pugna histórica de Jesus com os fariseus e batalha mística de Cristo contra Satã na alma cristã. Já se pode cantar o cântico novo, o hino da pátria verdadeira, o poema da libertação: Tudo em Jesus é graça de vida e de verdade. Nele está a esperança da virtude e da imortalidade. As praias de Jerusalém, urbe símbolo da Igreja, estão cobertas de ouro puro. Nelas se pode entoar o aleluia festivo. Nas suas ruas se dirá com gozo que o Filho de Deus é o grande soberano. Resplandecente com luz sem mancha e todos os confins da terra honrarão a cidade santa de Deus. A esposa mística do Cordeiro, luzindo com jóias deslumbrantes, rebrilha na História. Agora este gáudio pascal vai se prolongar até o dia de Pentecostes. Festa continuada na qual os fiéis não se cansarão de admirar as maravilhas da terra prometida que será dada em herança aos que forem autênticos epígonos do Mestre vencedor. Para prados ubertosos e jardins floridos guia o Pastor as ovelhas dóceis a suas diretrizes, mas Ele irá, também, em busca das tresmalhadas. Por tudo isto, a alegria pascal tem matizes maravilhosos. A Ressurreição de Jesus fala vivamente da ressurreição dos que nele crêem. Anuncia a nova vida vinda do batismo no qual, sepultados com Cristo, os batizadas saem luminosamente revestidos da graça para uma vida nova. Todos, entretanto, alimentados pelo Pão do Céu, dado que o Cristo que, depois, se mandará para junto do Pai no dia da Ascensão, ficou entre os seus na divina Eucaristia. Tais, então, são os discípulos do Ressuscitado: brancos como a neve, luminosos como o sol, rubros como o marfim antigo. Sabedor, porém, cada um que tanta grandeza pode ser perdida na lama dos vícios e daí a razão pela qual a luta contra o mal deve continuar firme, sem jamais esmorecer aquele que confia no seu Senhor. Deste modo os clarões do dia da Páscoa envolvem não apenas os dias subseqüentes, como todas as atividades futuras do cristão. O triunfo de Cristo associa a todos os filhos da Igreja no duplo sentimento de felicidade e cautela perante o Maligno. A Páscoa é, outrossim, um valioso lembrete de que o Novo Adão que se tornou o centro da História, regenerando da primeira derrota o gênero humano, exige a participação destemida de todos que anseiam participar de sua conquista. Esta realidade religiosa precisa marcar fundo as consciências dos regenerados. Envoltos na luz divina, os cristãos, contudo, são ainda viajantes nesta terra de exílio numa caminhada para a beatitude eterna. O Resssuscitado ilumina as almas com esplendores de seu triunfo sobre as forças infernais, mas exige o esforço de cada um no emprego responsável de sua liberdade, dom sublime sempre respeitado por Deus. Cumpre que cada batizado se torne também triunfador do mundo e da carne para poder ter parte nos troféus conquistados pelo Mestre divino. Jesus está ao lado de cada um que o ama e segue, pedindo, não obstante, a cooperação humana às graças superabundantes que jorram de suas chagas resplandecentes. A antevisão da glória que, um dia, será a recompensa da prática das virtudes oferece ânimo para a correspondência aos favores celestiais. Apenas desta maneira, o cristão expressará continuamente em sua existência o mistério da Ressurreição. Eis por que por toda parte se verá sempre o Crucifixo para uma lembrança viva de que o triunfo final supõe o passar pelo Calvário, dado que Aquele que nos criou sem nós, como bem doutrinou Santo Agostinho, não nos salvará sem nós.
Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal
* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos
domingo, 13 de abril de 2014
Domingo de Ramos.
Repletam-se as páginas da História de expressivas manifestações a notáveis personagens que se fizeram credores da gratidão de sua gente. Beneméritos nas mais variadas atividades, muitos os que fundiram nos bronzes do heroísmo ações que os levaram ao pedestal da glória. Um plebiscito de corações a ratificar a grandeza daqueles feitos, credores de efusivos aplausos. Hinos, cânticos a louvarem, por entre intenso júbilo, aqueles que se sacrificaram por um nobre ideal e glorificaram um povo. Tudo isto características do dia do triunfo.. Entretanto todas as demonstrações de exaltações até então verificadas na história se eclipsam ante a cena indescritível de que Jerusalém se tornou palco em manhã radiosa. O triunfo de Jesus de Nazaré foi o mais esplendoroso que a terra jamais conheceu. Os fastos dos povos não registrariam consagração mais expressiva. Personagem algum por mais grandiosos que tenham sido seus feitos e por mais espetaculares que tenham sido suas conquistas conseguiria superar e reeditar o triunfo terreno do Filho de Deus. Aclamações reboaram no cimo do monte das Oliveiras (Mt 21,1-11). . É que multidão de peregrinos afluía para as comemorações solenes da Páscoa em Jerusalém e deparara com Cristo a sair da casa de Lázaro. Cumpria aplaudir o famoso taumaturgo que tantos prodígios operara, curando tantos enfermos. Era necessário ovacionar o notável pregador que a milhares encantara com sua palavra celestial. Mister se fazia saudar o onipotente Rabi que ressuscitara mortos e alimentara milhares de pessoas no deserto. Pedro e João haviam trazido o jumentinho, que Lázaro adornara com manto encarnado de fina púrpura. O Mestre se pôs a caminho da Cidade santa. Entrara Ele tantas vezes ignoto naquela capital, ignorado das turbas. Agora, porém, queria solenizar seu ingresso no recinto sagrado da velha Sião. Como Messias, como Rei Ele entraria em Jerusalém. A fama da ressurreição de Lázaro se espalhara. Seus milagres eram comentados e a notícia deles se divulgara por toda parte. Suas sábias respostas a escribas e fariseus eram analisadas, seus gestos de carinho enaltecidos. Sua personalidade marcante havia impressionado a quantos o tinham conhecido. Todos falavam de Jesus e naquele momento em que num clima de profunda religiosidade o vêem a caminho do Templo uma grande emoção tomou conta de todos. A prisão e a morte de Cristo já estavam tramadas por seus inimigos (Mt 26,14-27), mas Jesus quis gravar nas páginas da História a maior cena de consagração humana para que dela seus seguidores tirassem preciosas lições. A multidão o viu. Ao vê-lo, se entusiasmou. Ao se entusiasmar, o aclamou. Todos se puseram a cantar e cantando diziam: “Bendito o que vem, o Rei, em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus!” Que espetáculo! Que apoteose! Que glorificação! Ao penetrar na cidade o entusiasmo popular adejou ao paroxismo. O fascínio era total. Jesus “entrou no Templo e tendo observado tudo, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os Doze” (Mc 11,11). A multidão foi se dispersando. A boa nova ressoava nos corações: Jesus de Nazaré tivera um triunfo digno de tudo que fazia e ensinava. Tudo, porém, ia se transformar. Às ondas do aplauso, suceder-se-iam as vagas do insulto mais soez. Aclamações metamorfoseariam em imprecações hediondas. Louvores altissonantes seriam substituídos por clamores terríficos de morte. Aos hosanas se seguiriam horrípilas injúrias. Qual a razão pela qual Jesus permitira todo aquele alvoroço, toda aquela festa? É que Ele queria ensinar que devemos sempre desconfiar dos aplausos humanos.. Ele desejava mostrar qual o verdadeiro valor do triunfo terreno. Ele almejava alertar seus seguidores sobre qual a autêntica conquista que deveriam buscar, oferecia uma autêntica filosofia de vida a seus epígonos. Os triunfos terrenos, porém, são ilusórios. É para esta inequívoca precariedade das vitórias, das glórias, das honras humanas que neste dia nos chama a atenção o Mestre divino. Ramos não assinalou Sua vitória verdadeira. Seu triunfo Ele o conheceria em outra manhã radiosa, no momento de sua gloriosa ressurreição. Aqueles mesmos que o aclamaram o levarão ao suplício da cruz. O que houve entre o domingo de Ramos e a sexta-feira santa condensa o paradoxo do espírito humano, toda o drama da História, toda a versatilidade das multidões submissas às influências deletérias.. Retrata bem a atitude humana que vai dos protestos de amor a Deus até o abismo do pecado que ocasionou o drama do Calvário. É nisto que se deve refletir profundamente durante a Semana Santa para que jamais se passe dos hosanas ao desprezo daquele que foi crucificado porque muito amou os que estavam nas sombras da morte.
Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal
* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Os meus, os teus e os nossos....
Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski
Dentre os vários fenômenos que a modernidade nos trouxe, os que mais afetam a família são as novas configurações familiares. Com a facilitação dos processos de divórcio e as consequentes novas uniões, temos visto uma sociedade representada por inúmeras famílias reconstituídas. Muitas dessas famílias são compostas por filhos do casamento anterior -- ou, até mesmo, de vários casamentos anteriores -- de um ou de ambos os cônjuges, que agora se veem convivendo debaixo do mesmo teto com os novos cônjuges de seus pais/mães e até com os filhos desta outra pessoa que se uniu a seu progenitor/sua progenitora.
Visando a convivência nessas novas configurações, são necessários muitos acordos e ajustes para o bom funcionamento familiar. A educação dos filhos pequenos e, ou, adolescentes é um dado importante para reflexão.
Em uma família chamada “intacta” (que não passou por divórcio algum), o processo de educação dos filhos passa necessariamente por acordos entre os pais, especialmente no que diz respeito aos valores que julgam importantes a serem passados para as crianças. É preciso conciliar os valores que cada um dos pais recebeu de suas famílias de origem, atualizando-os ao contexto no qual vivem hoje e buscando criatividade para desenvolver modelos novos quando os modelos recebidos se tornam inadequados ou são divergentes entre o casal.
Em famílias provenientes de situações de divórcio, a questão se torna ainda mais complexa, pois muitas vezes são três ou até quatro pessoas adultas com valores diferentes que acreditam que a forma de educar deles é a melhor para as crianças -- sejam estas filhos consanguíneos ou não. Isso pode gerar muita confusão na mente delas, além de abrir brechas para que se façam alianças e os filhos iniciem jogos colocando um adulto contra o outro, com o intuito de levarem vantagens.
Para ultrapassar esses obstáculos, é preciso, primeiramente, o entendimento de que paternidade e maternidade não se definem por vínculos biológicos. A dimensão educacional -- que envolve o ensino de valores, o colocar limites e, enfim, a instrução para a vida em sociedade -- é de fato a mais difícil. E tais tarefas não dependem necessariamente da dimensão biológica.
Logo, é preciso identificar quais são os cuidadores que estão envolvidos de fato com os filhos. Por exemplo: se um pai biológico é do tipo que visita os filhos por algumas horas em vastos intervalos de tempo e que só se importa em dar o dinheiro da pensão para não responder à justiça, o novo esposo da mãe pode tornar-se o verdadeiro cuidador dos filhos desta. O mesmo pode acontecer com a nova esposa do pai quando a mãe fica envolvida com outras atividades e distancia-se dos filhos.
Entretanto, os filhos só irão aceitar os cuidados e sujeitar-se ao comando deste novo cuidador se o pai/mãe “autorizar” este cuidador diante dos filhos. É preciso reunir os filhos e dizer explicitamente a eles que possui um novo vínculo relacional e que autoriza este novo(a) companheiro(a) a cuidar deles de forma integral, o que inclui dar ordens e disciplinar.
Numa sociedade que deseja reduzir as questões relacionais a uma dimensão biológico/fisiológica, as ideias expostas acima devem soar estranhas, mas os cristãos devem lembrar-se de que o primeiro a mudar o conceito de família ligada por vínculos biológicos foi o próprio Senhor Jesus quando afirmou: “Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? [...] Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe” (Mt 12.48, 50).
• Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto.
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