FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Como discernir o que é sinal de Deus ?


O Senhor usa de vários meios para nos transmitir Seus designíos
Desde o início, Deus se comunica com o ser humano de forma a não somente transmitir mensagens, mas fazendo doação de Si mesmo a nós. "Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-se e dá-se ao homem” (Catecismo da Igreja Católica, art. Nº 50).

O Senhor usa de vários meios para nos transmitir Seus designíos e Sua Pessoa. Temos como alguns exemplos os anjos que são Seus mensageiros; os dons do Espírito Santo; a Sagrada Escritura e também a Eucaristia, sacramento de máxima entrega.
Não bastasse tudo isso, ainda há a "comunicação do amor de Deus" através de sinais. São acontecimentos que significam algo mais que o simples andamento ou consequência de fatos. Deus nos fala nas entrelinhas das ocorrências incomuns ou da rotina. Até mesmo Jesus percebeu cada passo de Seu ministério em eventos comuns que poderiam passar despercebidos, desde a falta de vinho numa festa de casamento (cf. Jo 2,1-12) até quando se aproximava o tempo certo da “Sua entrega na cruz”. Porém, é necessário ter cuidado e discernir sinceramente se estamos diante do que é um apontamento do Senhor ou se estamos nos aproveitando de um acontecimento qualquer para justificar algo que temos no coração.
Preferimos nos enganar, nomeando forçosamente simples ocorrências como resposta do Alto, dada a grandiosidade do desejo. Desviamo-nos de uma verdadeira leitura da orientação divina, nos deixando levar por ideias fixas e obstinação de coração. Quando estamos com a mente e sentimentos tomados, parece que tudo conspira e confirma na direção tanto do objeto de desejo como para traumas, complexos e impressões que trazemos. Assim, no futuro, só nos decepcionaremos com o Senhor e buscaremos culpar os homens que não nos pareceram favoráveis.
Para interpretar corretamente a fala de Deus é importante, primeiramente, nos desfazermos dos nossos apegos e conceitos tendenciosos, estarmos livres para aceitar aquilo que não nos é agradável, as exortações e a direção do que Ele quer consertar em nossa vida.
Outro ponto é cultivar uma íntima amizade com o Senhor, peça a graça de amá-Lo independente dos favores. Gaste tempo em Sua companhia e saiba que a iniciativa de sinais será sempre Dele; o que não nos isenta da necessidade de termos uma constância na oração e de nos relacionarmos com o Senhor.

Depois que Deus mesmo se encarrega do sucesso do empreendimento e da graça que Ele quer conceder, Jesus ordena a dois de Seus discípulos: ”Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito” (Lc 19,30-32). Os fatores do outro lado, no campo da missão, encontram elementos correspondentes à ordem dada por Jesus, mas isso não significa que essa providência se manifeste no primeiro momento. Deus enviou Moisés ao faraó, mas o soberano do Egito foi resistente em libertar o povo do Senhor. Podemos encontrar barreiras que o Altíssimo sinaliza como sendo Sua vontade para nós.
Na verdade, aprenderemos a interpretar corretamente os sinais com um treinamento. Com o passar do tempo, se mantivermos uma amizade verdadeira com Deus e nos exercitarmos nesse processo de intuir, empreender na ordem divina e prestar atenção aos resultados, aprenderemos a olhar um fato, desde o início, e saber se é realmente um sinal do Senhor.
O Deus a quem seguimos é bondoso e quer fazer aquilo que é o melhor para nós, por isso está em constante comunicação.
Ele é fiel e nos conduz. "Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá" (At 5, 38).
Sandro Ap. Arquejada-Missionário Canção Nova
sandroarq@geracaophn.com
28/10/2011 - 08h30 

O homem novo em Jesus Cristo


"Os discípulos de Cristo revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade" (Ef 4,24). "Livres da mentira (Ef 4,25), devem rejeitar toda a maldade, toda a mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência" (1Pd 2,1) (CIC 2475).
O homem novo em Jesus Cristo não é aquele que por Ele foi salvo, pois a salvação de Jesus é para todos, mas é aquele que, ao encontrar-se com o Senhor se reconhece como fraco e que depende de Jesus. O homem novo em Cristo é aquele que não deixa de sentir os impulsos da carne, mas sabe que o que é meramente carnal passa, por isso vai em busca das coisas do alto, das coisas de Deus. Sabe que precisa de algo que o mantenha vivo e o leve para a vida eterna, e este algo só pode ser Deus.
O homem novo não elimina o homem velho, mas o enfraquece; o homem novo, naturalmente falando, é mais forte, por isso, quanto mais usado, melhor para que o velho se enfraqueça cada vez mais.
A questão é que o velho é mais experiente nas coisas do mundo em que vivemos, principalmente em se tratando dos prazeres mundanos, por isso grita dentro de nós, enquanto que o novo fala baixinho.

Pode-se dizer que a pessoa humana possui o desejo, a vontade e a liberdade. Neste caso, o desejo carnal seria a nossa concupiscência, a vontade seria a consciência, e a liberdade seria a ação. A concupiscência deseja algo, a consciência sabe o que é bom e o que não é. A liberdade seria justamente a ação feita para cada um dos lados. Aqui entra justamente o uso da liberdade de uma pessoa nova em Jesus e outra que ainda não deixa o novo agir.
O ponto é justamente o encontro pessoal com Jesus que leva a pessoa a uma verdadeira contrição e um real desejo de mudança, de vida nova em Jesus. Mas o que seria esse encontro pessoal com Jesus?

O Evangelho traz inúmeros encontros pessoais com o Senhor. Zaquel, Bartimeu, Maria Madalena, a própria profissão de fé de Pedro é prova disso. Todos estes encontros e muitos outros só aconteceram por causa de um reconhecimento do Senhorio de Jesus, ou seja, eles dependiam de Deus, pois eram fracos; e o melhor, reconheceram-se fracos. O próprio Paulo, de perseguidor, passou a defensor de Jesus e dos cristãos.
O nosso homem novo em Jesus precisa ser fortalecido com os encontros pessoais com Ele. Na oração pessoal, na conversa com Jesus, na confissão, na Eucaristia.

Todos estes e muitos outros são e devem ser encontros pessoais com Jesus, mas todos devem acontecer não somente como um cumprimento de tabela, mas com um verdadeiro reconhecimento de que o homem depende de Deus, precisa d'Ele.
Nada disso é impossível, pois, como vimos, o homem foi criado pouco abaixo de Deus (cf. Sl 8,6) e, por isso, já temos a graça que é a vontade de Deus. A verdadeira conversão só se dará quando o homem, mesmo sabendo que é um ser livre, dotado de inteligência e vontade, reconhecer-se dependente de Deus, pois só Ele pode enchê-lo. Deus é eterno e todo o resto um dia vai passar.

Como diz o catecismo, "livres da mentira, devem rejeitar toda a maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência”, pois, como está no Gênesis, "Deus viu que tudo que havia criado era bom" (Gn 1,30), inclusive o homem e a mulher.

O encontro pessoal com Jesus acontece não de forma estabelecida pelo homem, mas por Deus. O papel do homem é aceitar concretamente a sua condição de criatura dependente, até mesmo de fraco diante da grandiosa presença de Deus, e querer se encontrar com Jesus.
Deus é muito simples e quer se relacionar com cada pessoa humana. Cabe à pessoa querer relacionar-se com Ele através de sua vida, sendo um verdadeiro testemunho de conversão e santidade.
Padre Anderson Marçal
http://blog.cancaonova.com/padreanderson/

A sociedade dos perfeitos


Aqueles que exigem perfeição dos outros exigem algo que também não têm
Na sociedade dos perfeitos, ser imperfeito está fora de moda. Ao ligarmos a televisão ou acessarmos a internet, encontramos protótipos de pessoas perfeitas. Seres humanos imperfeitos maquiados com aparência sagrada. Uma forte tendência dos tempos atuais é a exigência de que o outro seja perfeito. Esta marca de nossa época vem disfarçada com o nome de “falta de paciência”: “Não tenho paciência com as pessoas de minha família”, “Sou extremamente impaciente com meus colegas de trabalho”, “Meus pais não são do jeito que eu quero”... Frases como estas são mais comuns do que ousamos imaginar.

Exige-se a perfeição do outro a qualquer custo. Pessoas que se consideram perfeitas exigem que seus irmãos e irmãs também o sejam. Caso isso não ocorra, as brigas e decepções acontecem em níveis agressivos.

No tempo de Jesus não era diferente. Os fariseus, escribas e mestres da Lei, responsáveis pelo cuidado do templo e, consequentemente, pela formação religiosa do povo, consideravam-se perfeitos. Julgavam ter atingido um grau de plenitude tal que se achavam no direito de catalogar as impurezas do povo de acordo com normas e critérios religiosos que oprimiam o ser humano.

Jesus percebeu a hipocrisia contida nos gestos e atitudes destes pretensos perfeitos. Estes exigiam que os fiéis carregassem pesados fardos e cumprissem normas que beneficiavam apenas a eles próprios.

Aqueles que exigem perfeição dos outros se esquecem de que também são imperfeitos. Muitas vezes exigem algo que nem eles próprios conseguem cumprir. Ocupam, inconscientemente, o lugar de Deus. Tornam-se juízes: julgam, condenam e decretam a sentença. O outro, raras vezes, tem a chance de defesa, tendo em vista que, na maioria dos casos, o julgamento vem embrulhado em presentes perfeitos.

Quando falamos de imperfeição entramos em contato com nossas próprias imperfeições. Esbarramos em nossos próprios limites e falhas. Uma atitude farisaica descarta a imperfeição e se reconhece canonizado. Os grandes santos nunca se consideraram santos em vida. O que os tornou santos foi a humildade com que se revestiram. Reconciliados com sua própria humanidade, estes homens e mulheres que hoje são venerados nos altares, transformaram as imperfeições em degraus para a santidade. No pecado que estava impresso em seu DNA humano, eles se revestiram da força de Cristo. Viram no Mestre o caminho para a humildade, o serviço e a doação ao próximo.

Respeitar o processo de caminhada de cada pessoa é fundamental para quem deseja construir hoje seu caminho de santidade. Quem não aprendeu a respeitar as imperfeições do outro, dificilmente irá conhecer o caminho da humildade que o guiará à paz interior.

Jesus compreendia as imperfeições humanas. Ele sabia que a natureza que nos reveste precisava ser purificada não por rituais de exclusão, mas sim por rituais de inclusão. Cristo incluía no Seu amor os excluídos do amor dos outros.

Somente quem compreendeu que tão imperfeito quanto o outro é ele mesmo, descobriu o caminho para o amor e a santidade manifestada no cotidiano dos sentimentos.

Pe. Flávio Sobreiro
Vigário da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, Cambuí (MG)
Padre da Arquidiocese de Pouso Alegre(MG)
Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP
Padre Flávio Sobreiro
www.flaviosobreiro.com

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Minha visão do pecado

Os jornais, as revistas, o rádio, a televisão, a internet sempre destacam e noticiam fatos que proporcionam alegrias e fatos que provocam tristezas. Amor, ódio, morte, guerras, derrotas, vitórias, assaltos, assassinatos, seres famintos, seres com fartura, terremotos, enchentes, queimadas, traições, verdades, mentiras etc, são alguns itens que compõe os fatos noticiados. Se refletirmos sobre eles, veremos que nada é capaz de deter a frequência, e a intensidade com que acontecem; veremos que não há aparelhos, armas ou qualquer tipo de invento que os possa controlar. Se realmente fizermos uma reflexão esmerada sobre os itens e os fatos, com toda certeza iremos concluir que: “o mundo é o grande teatro em cujo palco bilhões de atores, mostram seu talento, encenando peças variadas; mas, nesse teatro só há um diretor, e ele, é o único responsável pelo conjunto artístico obtido com a montagem das peças. É ele, quem decide como o texto será interpretado, é ele, que coordena o trabalho de todos os artistas; analisa a peça e define sua concepção do espetáculo; escolhe o elenco, dirige os ensaios e ainda se encarrega de organizar todos os elementos da montagem final; é ele, que sabe qual a função de cada personagem e o tipo de ator a representa-lo”. O diretor quase nunca é visto pela plateia, mas mesmo estando por trás das cortinas nada foge ao seu controle: cenários, figurinos, personagens, iluminação correta. O quase oculto, porém eficaz e competente diretor do grande teatro que é o mundo atual, possui na identidade um único nome:
««« PECADO ««« Paz e bem

Antes, a lei, depois, a graça. Verdade ?

Se você ouvisse Levi dizendo: nossos antepassados, que ficaram muito tempo entre os egípcios, perambularam nas regiões desérticas e depois se fixaram na chamada terra prometida, viviam debaixo de mandamentos, não debaixo do amor - qual seria a sua reação?

Vamos examinar. Quando saíram do ambiente paradisíaco onde tinham estado, Adão pode ter dito a Eva: bem, mulher, a pena que o Criador nos impôs foi severa, mas, tá bom, ele também foi benevolente para
conosco e nos preservou a vida. Até fez vestes de pele para nós! (Gn 3).

Depois, o coração de mãe, sofrendo com a brutalidade do filho mais velho que espancou o irmão até a morte, pode ter encontrado forças numa conversa em casa. Abel foi morto, não volta mais. E Caim foi embora, marcado, a essas horas está muito longe de nós. Mas podemos agradecer por Abel, que foi aceito por Deus na oferta que apresentou. Também por Caim, que seguiu o seu caminho com uma
proteção especial, apesar de ter feito o que fez (Gn 4). Aquela marca foi o sinal de que ele contaria com um favor divino. Favor imerecido.

Vejamos agora o bisneto do patriarca. Foi jogado num poço, por causa de inveja. Depois foi vendido e seguiu numa caravana de mercadores. Acabou sendo preso sem ter cometido crime algum. Mas, com o tempo tudo ficou claro. Isso fazia parte de um plano bem superior, que levou José à maturidade suficiente para exercer uma forte liderança no
Egito e salvar aqueles seus irmãos e toda a região, na época de escassez (Gn 50). Não foi pura graça? Ele usou a autoridade que tinha, mas beneficiou generosamente a muitos.

Que dizer dos dez mandamentos, tidos como o núcleo principal de todo o trabalho de Moisés? As tábuas da lei porventura não são demonstrações da graça endereçada a toda humanidade? Trazem quatro instruções sobre como se relacionar com o Criador, e seis orientações sobre como proceder para com os semelhantes (
Êx 20). O nazareno, mais tarde, mostrou que a primeira parte significa amar a Deus sobre todas as coisas, e a segunda amar ao próximo como a si mesmo. A verdade é que os israelitas sempre enxergaram a lei como instrução, não como punição. É a graça querendo boa qualidade de vida para todos nós.

Estamos acostumados a associar a graça com a
atuação do Espírito Santo em nós. Alguns dizem que essa bênção veio com o Novo Testamento. Mas, o Espírito atuava intensamente no tempo do Antigo. Para trabalhar no artesanato com tecidos, peles de animais, e também com ouro, cobre, prata, madeira e pedras preciosas, os hebreus contavam com a graça que os qualificava (Êx 31). E Ageu fez o solene registro de que o Espírito do Senhor mora com os israelitas, então a sua graça os ajuda a prosseguir sem medo. Claro que ele conhecia e cantava os Salmos 13 e 63, repetindo sempre: “no tocante a mim, confio na tua graça (benevolência)”, e “a tua graça (magnanimidade) é melhor que a vida”.

Todo ato de
misericórdia é um ato da graça, você não acha? Ezequiel, quando recorda os acontecimentos, afirma que Deus se fez conhecer aos homens, tirou o seu povo da escravidão, e o fez passar pelo deserto para receber os estatutos e aprender os costumes que levam a uma vida de liberdade, fartura e bem estar (Ez 20). É a graça articulada com a disciplina. Ele repreende a quem ama (Pv 3), assim como nós aos filhos a quem queremos bem. Quão grandes e perceptíveis sinais da graça foram a nuvem de dia e a coluna de fogo à noite sobre o povo no deserto! Lei e graça sempre estiveram juntas. Uma nunca excluiu a outra.

Por acaso no período entre os dois testamentos foi diferente? Naquele tempo se fortaleceu o costume de se reunir para estudos em sinagogas. Naqueles anos se consolidou o
sinédrio como tribunal de justiça. Naquela época um tanto conturbada se formaram grupos com diversas ênfases na vida judaica. E a graça preservou o povo israelita. O esforço de viver na lei sempre foi confirmado com a graça. A nossa resposta à graça é jamais vivermos fora da lei, nem acima dela.

A primeira aliança já
possibilitava ter familiaridade com a lei e reconhecer o milagre da graça. Na segunda aliança, que renova e confirma a primeira, são corrigidos os excessos que algumas lideranças haviam ensinado indevidamente. Assim como Levi não diria que cumpre o mandamento sem o auxílio gracioso dos céus, o discípulo de Jesus não diria que vive na graça sem observar a lei. “Crer e observar” é o seu hino.

Certamente cresce em nosso tempo o número dos que percebem esta verdade claramente. A Bíblia inteira é o livro da firme instrução disciplinar e do abundante amor construtivo. É preciso estar na lei, com a graça, sem o legalismo, pois é assim que valorizamos a vida. Paz e bem

Quem sou eu, quem é você, quem somos nós ?

Havia uma preocupação em Jesus acerca daquilo que pensavam a seu respeito. Por conta de seus atos muitos conceitos iam se formando em relação a sua verdadeira identidade. Sua vida era dinâmica, não pela extensão de sua agenda somente (não somente extensa, mas intensa. Nunca houve nem haverá tanto quanto), mas em virtude do aspecto multiforme de Deus nele. Havia uma crise de identidade, não nele, mas no povo.

Hoje em nossa vida há também essa mesma crise, consciente ou não, em nós e no povo que é determinada pela forma como conduzimos nossas vidas.


Jesus debateu os mais variados temas, e, por uma leitura mais tranquila, é perceptível sua posição; sempre do lado da justiça do direito e da verdade, pois sabia ele que só através desses estados é que o ser humano estaria sendo redimido. Preferiu se expor, até ao ridículo, sempre que foi preciso, a ficar na passividade ociosa e isso, de fato, causou-lhe muitos desconfortos.

Estava, então, imprimida a identidade de sua igreja, de seu povo. Se quisermos que o mundo nos ouça, será preciso militar como Jesus militou, mesmo que haja confusão, mas sem causa, na construção dessa identidade. O mundo nunca será flexível a uma igreja ou alguém de práticas semelhante a ele. O evangelho nos tempos bíblicos conquistou o mundo de sua época.


Através deste
mostruário bíblico temos a identidade de Jesus para que a nossa seja comparada e ajustada paulatinamente como Paulo nos mostra: “... até atingirmos a estatura do Varão...”. Mesmo que se expondo temos que nos apresentar; correndo risco da interpretação prévia, do prejulgamento, e até do ridículo. Ele disse que o discípulo não é melhor do que o mestre. Mas só sente isso quem sai de sua zona de conforto, do egoísmo e se dirige para a área de conflito, de exposição sempre em favor dos propósitos de Deus. Isso só faz quem está disposto a perder em nome de algo muito maior. Quem milita assim, a exemplo de Jesus vai parecer ter duas identidades, mas se for em favor do humano, vale a pena. Enfim... É desconfortável mesmo e a única satisfação que vem é do céu, gratificante! É a alegria de ver o Reino chegado, mas ainda não. Você é um cidadão do Reino? Qual está sendo a sua postura?

Viver escondido é viver
covardemente a vida cristã. Através de Jesus o Reino já está aí e tem características próprias, sem amizade com qualquer sistema de mundo. “A amizade ao mundo (sistemas) constitui inimizade contra Deus”

Vivemos em um tempo em que não precisa ser cristão para se ter direito; essa liberdade é boa, mas também oprime. As injustiças sociais estão aí, as ambições, a falsa religião, falso cristianismo, a opressão, enfim, a cena e o cenário se repetem... É neste palco que a fé de qualidade e o estilo pós- moderno de viver ( texto anterior) faz a diferença.

Há uma crítica hoje em cima da instituição (igreja)... o que ela está fazendo? qual é a igreja certa ou que acertou? é a tradicional;
pb, bt cg, pentecostal; as ccb, dv, ou as neos? Mas o cristão autêntico independentemente têm enfrentado suas crises; se expondo a vergonha e ao ridículo, porque esses absurdos se refletem na vida particular do cristão, seja ele da igreja ou não. em todo lugar... entre parentes amigos, nas apresentações são tempos difíceis, não está sendo fácil. Não esqueçamos que o verdadeiro testemunho é dado lá, fora das quatro paredes; é o sal e a luz...

É nesse contexto que a nossa identidade precisa estar bem definida e de preferência igual a Cristo "imitadores, amigos e servos". Que nele possamos aproveitar bem a nossa vida cristã para o louvor de sua glória.

A humildade amorosa

Há anos leio os comentários dos autores patrísticos (os Pais da Igreja dos primeiros séculos da era cristã) sobre os evangelhos. Leio também os romances de um dos maiores escritores russos de todos os tempos, cuja visão de mundo é essencialmente cristã: Fiodor Dostoievski. Usarei frases de autores patrísticos e trechos de Dostoievski para uma melhor compreensão do texto dos evangelhos conhecido como “O Rico e Lázaro” (Lc 16.19-26).

Gregório, o Grande, observa que “o Senhor menciona o nome do pobre, mas não o do rico; pois Deus conhece e aprova o humilde, mas não o orgulhoso”. Gregório associa “pobre” a “humilde” e “rico” a “orgulhoso”. Ambrósio, bispo de Milão, fala da “insolência e orgulho dos ricos, tão indiferentes à condição da humanidade, como se eles pairassem acima da natureza”. Ele ironiza o comportamento dos ricos que agem como se não fizessem parte da raça humana. Agostinho acrescenta que “a cobiça dos ricos é insaciável”. Há uma semelhança com a Teologia da Libertação.

Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla, exilado por não desistir de criticar a corte do imperador bizantino, comenta que “o rico morreu, como diz o texto, mas sua alma já havia morrido. Assim como deitar fora do portão do rico aumentou a aflição do pobre, o desespero do rico no inferno é maior porque ele vê a felicidade de Lázaro”. Há um paralelismo: em vida, Lázaro sofria ainda mais, pois via todos os dias o contraste entre sua situação e a do rico. Agora, porém, está tudo invertido. Os tormentos do rico são maiores porque ele consegue ver o bem-estar de Lázaro. Ou seja, é um inferno apropriado, feito sob medida. “Estando o rico totalmente atormentado, somente os seus olhos estão livres”, diz Crisóstomo. E eles só conseguem ver a felicidade de Lázaro, o que apenas aumenta o tormento. “Veja agora o rico necessitando do pobre!” Evidentemente, estamos acostumados com outra situação. “E agora todos percebem quem era verdadeiramente rico e verdadeiramente pobre.” As máscaras foram tiradas e Crisóstomo faz até uma analogia: “Quando termina a peça, os atores retiram os trajes; da mesma forma, quando vem a morte, o espetáculo acaba e as máscaras da pobreza e da riqueza são tiradas, então os homens são julgados somente por suas ações”.

Gregório diz ainda: “O rico no inferno busca uma gota d’água, ele que em vida nem queria dar uma migalha de pão. Porém, ele recebe uma retribuição justa -- o fogo do desejo intenso”. Novamente a ideia de um inferno feito sob medida. Como frisa Crisóstomo, “ele não está no inferno porque era rico (afinal, Abraão era riquíssimo), mas porque não era misericordioso. E como sua língua havia falado muitas coisas orgulhosas, ele pede que Lázaro seja enviado para refrescar a ponta dela com o dedo molhado em água”. E a conclusão de Crisóstomo é que “onde está o pecado, aí está o castigo”.

Gregório de Nissa confirma essa perspectiva: “O juízo de Deus é adaptado às nossas disposições. Como o rico não teve piedade do pobre, ele não é ouvido quando precisa de misericórdia”. Porém, diz Gregório: “Quando você se lembra de ter feito uma boa ação, tenha cuidado, porque existe o perigo de que a recompensa presente seja tudo o que você vai receber de recompensa!”. E ainda: “O justo pode até receber coisas boas aqui, em troca da sua bondade (embora nem sempre aconteça). Porém, ele não as recebe como recompensa, pois busca algo melhor, que é a recompensa eterna”.

Finalmente, o texto afirma que entre o rico e Lázaro há um grande abismo, que simboliza a distância entre o justo e o pecador, entre suas disposições interiores. E tal abismo é descrito como “fixo”. É preciso entender a parábola como uma mensagem para a vida presente, não como uma descrição literal e detalhada da vida futura. Porém, como combinar isso com a crença num Deus que certamente é muito mais misericordioso do que nós? Se nós sabemos ser misericordiosos (às vezes e até certo ponto), quanto mais Deus! Além disso, ele é muito mais capaz de pesar os fatores psicológicos e sociológicos na biografia de cada pessoa. Ele conhece a fundo todos os fatores que influenciaram a vida de cada um e tiveram um peso em suas ações. Por isso, “o juiz de toda a terra fará justiça”.

Há dois textos de Dostoievski em “Os Irmãos Karamazov” que também exemplificam isso. O primeiro é o comentário sobre essa parábola, feito por um dos personagens centrais do livro, que é um monge e conselheiro espiritual. Diz ele: “Eu pergunto a mim mesmo o que é o inferno. E defino assim: o inferno é o sofrimento por não poder mais amar. Uma vez [fazendo referência ao rico da parábola] um ser teve a possibilidade de dizer “eu sou e eu amo”. Uma vez somente foi-lhe concedido um momento de amor ativo e vivo. Para isso lhe foi dada a vida terrestre [que bela descrição do sentido da vida!]. Porém, esse ser repeliu esse dom inestimável e ficou insensível. E esse ser, tendo deixado a terra, vê de longe o seio de Abraão. Ele contempla o paraíso de longe. Porém, o que o atormenta precisamente é que se apresenta sem ter amado. E diz: “Agora a minha sede ardente de amor espiritual me abrasa”. O que abrasa o rico é justamente o desejo de amar, mas a impossibilidade de fazê-lo porque passou o momento. Ele desdenhou a possibilidade de amar na terra, quando era a hora de amar. “A vida que se podia sacrificar pelo amor já decorreu.”

O segundo texto é a lenda da cebolinha, um relato russo contado por uma das personagens femininas de “Os Irmãos Karamazov”:

Era uma vez uma mulher muito má, que morreu sem deixar atrás de si uma única boa ação. Os demônios a pegaram e partiram em desabalada carreira para o lago de fogo. Porém, seu anjo da guarda pensava: “Se ao menos eu pudesse me lembrar de uma boa ação que ela tivesse feito, iria contar a Deus!”. Recordou-se e disse a Deus: “Ela arrancou uma cebola na horta e a deu a uma pedinte”. Deus lhe respondeu: “Tente dar-lhe essa cebola no lago para que ela a agarre; se você a retirar, concordo que entre no paraíso; mas, se a cebola romper-se, então que fique onde está”. O anjo correu em direção à mulher e lhe apresentou a cebola: “Pegue-a”, disse ele, “e segure bem!”. Pôs-se a puxar com cuidado e a mulher emergia toda. Os outros culpados que estavam no lago, vendo que ela estava sendo retirada, agarraram-se a ela para poder sair também. Porém, a mulher era muito má e debateu-se para dar-lhes pontapés: “Sou eu que estou sendo retirada, não vocês!”. No mesmo instante em que lhes lançava essa observação, a cebola rompeu-se. A mulher caiu no lago e ainda está queimando. O anjo foi-se chorando.

Certo livro acadêmico, ao comentar a obra de Dostoievski, diz que, “em última análise, o que selou o destino da mulher não foi a longa série de transgressões pessoais, mas seu egoísmo e o fato de ter se colocado contra os outros pecadores, ou seja, seu desejo de alcançar uma salvação individual, que abrangesse apenas ela e não os outros”. O autor ainda diz que Dostoievski iguala a mulher má da lenda e o monge citado, que era um grande santo. Pois o monge, já morto, aparece em sonho a um dos irmãos Karamazov e lhe diz que está no paraíso somente porque um dia ele também “deu uma cebolinha”.

Walter Hilton, um grande místico cristão inglês do século 14, fala muito sobre humildade e amor. Sobre humildade, ele diz: “Quem possui essa única virtude, possui todas as outras”. A humildade é a chave; nada vale possuir todas as outras virtudes sem ela. Aliás, a ênfase nas virtudes soa estranha aos nossos ouvidos. Os pregadores dificilmente abordam a questão, e é por isso que a igreja evangélica nos causa tanta vergonha, pois não ensinamos o cultivo das virtudes. Walter Hilton acrescenta: “Se quiser construir um edifício alto de virtudes, coloque primeiro um alicerce profundo de humildade. Ela preserva e guarda todas as outras virtudes”. Ou seja, se não houver humildade, você pode até construir um edifício alto de virtudes; porém, no primeiro tremor de terra, seu edifício ruirá. Já vimos muitos exemplos disso e muitas vezes percebemos a mesma tendência em nós. “Sem a humildade, quem tenta servir a Deus tropeçará como um cego”. Há aqui uma mensagem para o cristão envolvido em ação social: “Meditar constantemente na humildade de Cristo ajuda a destruir os pecados graves e implantar as virtudes”. Isto é, ler constantemente sobre a humanidade humilde de Cristo nos evangelhos. “Vista a semelhança de Cristo, ou seja, a humildade e o amor. Sem isso, nenhuma obra o fará semelhante ao Senhor.” “Aprenda comigo”, diz Cristo, “não a andar descalço, ou a jejuar quarenta dias no deserto, ou a escolher discípulos, mas aprenda comigo a humildade. Este é o meu mandamento, que se amem uns aos outros como eu os amei. Nisso os homens saberão que vocês são meus discípulos, não porque operam milagres, expulsam demônios ou pregam e ensinam.”

Concluindo, mais uma frase do monge de Dostoievski: “Pergunta-se por vezes, sobretudo em presença do pecado: ‘É preciso recorrer à força ou ao amor humilde?’. Não empregueis jamais senão esse amor; podereis assim submeter o mundo inteiro. A humildade cheia de amor é uma força tremenda, sem nenhuma outra igual”. O alicerce profundo da humildade amorosa é uma força tremenda! Que a identidade evangélica seja cada vez mais marcada por essa característica.

Nota

* 2ª parte da palestra apresentada no 5º Congresso Nacional RENAS, em Recife, em agosto de 2010.

Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é professor colaborador do programa de pós-graduação em sociologia na Universidade Federal de São Carlos e professor catedrático de religião e política em contexto global na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá.