FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sábado, 9 de abril de 2011

VAMOS RESGATAR NOSSOS VALORES CRISTÃOS....



“E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todo o dia acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”.
(v. 46,47)
Comunhão! O que ti diz essa palavra, essa expressão?
Estamos vivendo nos dias de hoje um evangelho ralo, sem propósito, tudo por causa da falta de interesse de “cristãos que só querem ouvir na homilia da sacerdote o que lhes interessa ”,

sem a menor vontade de servir ao Senhor como ele realmente merece e deve ser servido.

“Perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. (v.42). Muitos não dão a mínima atenção aos ou lideres em relação a sermões ou a própria mensagem ministrada aos domingos; “irmãos” que não se importam uns com os outros, não visitam, não conversam e raramente diz ‘oi’ pra alguém nas missas que participam.

É tempo de acordar! Tempo de vivermos como a igreja de Atos e pararmos de brincar de cristãos, vivendo algo superficial, nem nexo, pois Deus quer ver em nós uma transformação genuína e verdadeira e não apenas mais UM nas igrejas, frequentando as missas somente por indução do papai ou da mamãe, ou por obrigação.
Devemos honrar a Deus com nossos atos, nossos passos, nossa vida! Em tempo devemos nos lembrar sempre que ao entrarmos em uma igreja para participarmos de qualquer evento, estamos verdadeiramente dentro da casa do SENHOR, e devemos nos portar com todo respeito, fazendo o silêncio necessário, deixando as conversas e brincadeiras para outro momento que não dentro da casa do SENHOR.

REFLITA: “Como prisioneiro do Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam”. (Ef 4:1)


quarta-feira, 6 de abril de 2011

A RESPONSABILIADE DO LEIGO, MEDIANTE OS ATAQUES A IGREJA.



Diante do momento político que vivemos, quem quiser viver o cristianismo, deverá ter o espírito preparado e jamais despir a armadura do cristão a que São Paulo se refere em Ef 6, 10-19.
Por outro lado acredito que seja mais confortável o hoje vivido do que os anos mais próximos passados. Algo já tem acontecido. Os que querem seguir fiel e integralmente a fé que receberam dos apóstolos, regada pelo amor de nossos pais e avós, já tem aliviada a névoa que mistura verdades com mentiras enquanto sufoca os que nasceram para viver no Reino de Deus.
Esta atmosfera venenosa traz consigo a morte. Muitos verdadeiros católicos que nunca perderam a visão de mundo dada pelo Evangelho pregado pelos primeiros Apóstolos, e que a Igreja conserva quase milagrosamente, morreram de dor, por não suportar ver e ouvir certas autoridades eclesiásticas pregarem justamente o contrário do ensinou o Fundador da nossa Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo; cuja imagem é mostrada aos mais jovens sendo cada vez mais corrompida e diminuída, comparada até a um ser humano comum, mortal e pecador como Che Guevara.
Sob tal atmosfera acontece também outro tipo de morte, muito pior, a morte da alma. Como semente plantada entre espinheiros, a fé católica trazida já no nascimento, incorporada ao DNA, não consegue sobreviver a um sem-número de pregadores da seita do ateísmo, nas escolas, que mentindo, dizem aos jovens que ciência e religião são antagônicas. Fazem para os nossos jovens uma caricatura das religiões, como se fossem coisas de pessoas ignorantes e despreparadas. Omitem, entretanto, que a grandíssima maioria dos conhecimentos humanos de que hoje dispomos nos foi legada por pessoas de fé. Desonestamente distorcem as palavras para que o raciocínio dos jovens seja formatado pelo ateísmo; e por isso muitos jovens têm mortas as almas, sepultadas num mundo puramente materialista, sem transcendências.
Portanto, quem quiser ser católico hoje, precisa observar que a vida hoje é muito diferente da vivida por nossos pais; o que não quer dizer que seja pior. Antigamente podia-se confiar nas pessoas, hoje não. Antigamente podia-se se engajar na luta por qualquer ideal, hoje não. Não podemos confiar naqueles que querem formatar a o nosso raciocínio para que o mundo seja mais confortável para eles.
A vida do verdadeiro católico hoje é muito mais plena e mais intensa. Não dá espaços para mornidão. Ou se é cristão-católico ou não. Para ser cristão-católico é necessário abrir caminho entre milhares de subjetivismos e ideologias que nos são impostos, incorporados à doutrina dos Apóstolos, e que pretendem mascarar o próprio conceito de Deus.
Aceitar o que se oferece, como formação oficial, de muitas “igrejas particulares e das conferências parciais” hoje, é abrir mão da identidade de católico atribuída a nossos pais. No máximo o que se pode conseguir é ser membro de um festivo clube, onde os ritos são meros pretextos para reunir as pessoas e proporcionar uma vida social insossa. Isso quando os ritos não são motivos para “engajar” os fiéis na luta fratricida entre as classes sociais.
Pretende-se substituir o amor a Deus pelo amor ao próximo, especialmente o infrator, que é sempre o coitadinho, nunca poderá ser responsável pelos próprios erros. A culpa é sempre da sociedade, das elites. Os honestos, trabalhadores responsáveis e que cultivam a vida familiar são aviltados.
Toda autoridade é contestada, inclusive a do Papa. As leis também, inclusive as civis, têm seu valor relativizado; age-se sempre segundo o interesse do momento. Não é de se estranhar que tal ambiente seja propício para todo tipo de aberração e todo tipo de corrupção, inclusive a do próprio planeta.
O verdadeiro católico não pode aceitar essa falsa religião travestida de oficial. Ela é o meio de cultura que gera os mais terríveis tipos de corrupção, que nossos pais sequer poderiam imaginar, em todos os aspectos da vida.
O que de melhor tem acontecido é que o santo Padre tem se manifestado em nossa defesa. Apresentou recente e publicamente a defesa dos que lutam pelos valores cristãos na democracia brasileira. Tal episódio nos esclareceu quais são as poucas autoridades nas quais podemos nos apoiar.
Mas, ainda recentemente, na carta aos católicos irlandeses a respeito da pedofilia na igreja ele recomenda aos bispos:
“Também os leigos devem ser encorajados a fazer a sua parte na vida da Igreja. Fazei com sejam formados de modo que possam dizer a razão, de maneira articulada e convincente, do Evangelho na sociedade moderna (cf. 1Pd 3,15), e cooperarem mais plenamente na vida e na missão da Igreja. Isto por sua vez, ajudar-vos-á a ser de novo guias e testemunhas credíveis da verdade de Cristo.”

Se ainda não encontrarmos bispos que nos apoiem, o Santo Padre ainda nos diz na mesma carta aos irlandeses, agora falando às crianças e aos jovens da Irlanda, que é preciso ter uma relação pessoal com o próprio Cristo, amá-lo e confiar somente nele. “Ele nunca trairá a nossa confiança. Só Ele pode satisfazer as nossas expectativas mais profundas e conferir às nossas vidas o seu significado mais pleno, orientando-nos para o serviço ao próximo.”

Vivamos, então, uma vida pessoal de intenso relacionamento com Nosso Deus, que está sempre e inteiramente à nossa disposição no Sacrário.
Com o Deus Todo Poderoso não é necessário marcar audiências. Ele está sempre disponível, porque é onipresente e onipotente, pessoalmente dará a cada um de seus filhos o que necessitar para que tenha vida plena nEle.

Uma vez saciado pelo amor de Deus, o engajamento do cristão na luta pelo Reino de Deus, onde não existe nenhum tipo de carência, pois onde há Deus nada falta, será uma rica e deliciosa consequência.

BEBIDAS ALCOÓLICAS E FESTAS DE IGREJAS.

Em síntese: Como bispo de Joinville, D. Orlando Brandes condena o uso de bebidas alcoólicas nas festas de igreja. Firma sua posição sobre doze itens que manifestam a inconveniência de fomentar o alcoolismo.

Como bispo de Joinville (SC), D. Orlando Brandes (hoje Arcebispo de Londrina, PR) escreveu uma Carta aos seus diocesanos pela qual condena o uso de bebidas alcoólicas nas festas da igreja. O texto chegou a PR via Internet. Dado o alto valor desse documento, transcrevemo-lo a seguir.
O USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NAS FESTAS DE IGREJA
O alcoolismo é uma doença. É a primeira e a mais consumida de todas as drogas. É alarmante o índice de jovens, mulheres e adultos dependentes do álcool. Mortes no trânsito, violência familiar, infidelidade conjugal e doenças derivantes do álcool, são conseqüências negativas do hábito ou da dependência de bebidas alcoólicas. Grande parte do setor de ortopedia dos hospitais, é ocupada por acidentados alcoolizados. Os gastos públicos são astronômicos, e poderiam ser evitados se houvesse mais conscientização.
As escolas e estádios proibiram o uso de álcool em suas festas. A CNBB promoveu e apoiou a Pastoral da Sobriedade e coordenou a Campanha da Fraternidade “Vida Sim, Drogas Não”. No texto-base está dito pela CNBB: “A pior das drogas é o alcoolismo”. Não podemos em nossas festas lucrar com dinheiro da pior das drogas e com festas mundanas, eu levam o nome de “festa de Igreja”.
Depois de três anos de conscientização, através de reuniões, assembléias pastorais, conselhos de pastoral e o aval do clero, A Assembléia Diocesana de Pastoral votou unanimemente em favor das festas sem álcool. Doze razões foram elencadas em carta enviada às comunidades para aprofundamento da questão. Eis os doze pontos:
1. O alcoolismo é uma doença. Nós somos pela defesa da vida, da saúde e da boa convivência humana. O quinto mandamento da lei de Deus manda: “Não matarás”. O álcool mata o alcoólatra e muitas vezes ele mata os irmãos em casa, nas festas, no trânsito e nas brigas.
2. O alcoolismo já está atingindo a juventude, as mulheres e também pessoas da Igreja. Não podemos continuar dando mau exemplo em nossas Igrejas e colaborar com o prejuízo das pessoas.
3) Temos na CNBB e nas Dioceses a Pastoral da Sobriedade. Na diocese de Joinville, temos a Pastoral Antialcoólica. Permitir bebidas nas festas é um contra-testemunho e uma contradição com estas Pastorais.
4) Não somos contra festas. Pelo contrário; o que queremos é que nossas festas sejam verdadeiramente religiosas, sadias, agradáveis, num espírito de família e de boa convivência. Nos lugares onde foram tiradas as bebidas alcoólicas, as festas melhoraram em tudo.
5) Para tirar as bebidas alcoólicas, é preciso implantar bem o dízimo nas comunidades. Onde o Dízimo é bem organizado, melhorou em muito o lado econômico da comunidade e pode-se então abolir as bebidas alcoólicas das festas sem prejuízo financeiro. O segredo está na boa implantação da Pastoral do Dízimo.
6) As festas com bebidas alcoólicas, mais a contratação de músicos, cantores e conjuntos musicais, acabam sendo muito dispendiosas. E a maior parte do lucro não fica na comunidade. Não podemos mais continuar apoiando coisas do mundo, nas festas religiosas. “Detesto vossas festas, tornaram-se uma carga que não suporto mais” (Is 1, 14).
7) O povo e a comunidade, aprovam a abolição das bebidas alcoólicas em nossas festas. Quem ainda quer fazer festa com bebidas alcoólicas são as lideranças mais antigas, que não conhecem as novas experiências, de festas sem álcool. Algumas vezes pessoas da Igreja também não estão ainda bem convencidas no assunto. Geralmente quem bebe, são pessoas que não freqüentam a comunidade. Elas aparecem nas festas, depois não participam da comunidade.
8) As Paróquias e comunidades que já tiraram as bebidas alcoólicas de suas festas, começaram primeiro conscientizando a comunidade, e paralelamente implantaram a Pastoral do Dízimo. Algumas fizeram uma votação, ou melhor, um plebiscito. Tudo deu certo. O povo está feliz, e as finanças aumentaram, sem as bebidas alcoólicas nas festas.
9. Tirando as bebidas alcoólicas, estamos dando bom exemplo para outras religiões, colaborando com a saúde pública, sendo coerentes com nossa fé e nossas Pastorais.
10. Após alguns anos de conscientização, a Assembleia Diocesana de Pastoral, em 2005 votou pela abolição de bebidas alcoólicas em festas de Igreja. Padres e lideranças, devem dar oportunidade de conscientização da comunidade sobre este assunto.
11. “Não vos embriagueis, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5, 18). A experiência tem mostrado que suco de uva e outras bebidas substituem as bebidas alcoólicas. Para maior clareza, decidimos que, se alguém aluga salões da Igreja para casamentos e outros encontros, consideramos que tais festas não são promoção da Igreja e por isso o uso de bebidas alcoólicas é da responsabilidade dos encarregados da festa.
12. Percebemos também que nas comunidades onde o pároco assume a responsabilidade de tirar as bebidas alcoólicas, o povo aceita e as lideranças se rendem. Onde o Padre fica neutro ou é contra, é quase impossível a mudança do hábito.
Fonte:http://www.cleofas.com.br

DIVÓRCIO OU NULIDADE MATRIMONIAL ?




O matrimônio, de acordo com a doutrina católica, é um sacramento, mas, um sacramento bastante especial, porque, nele, os “ministros”, ou seja, os que conferem o sacramento são os próprios noivos. Por outro lado, como todos os sacramentos foram instituídos por Cristo e confiados à Igreja, esta colaca condições para a sua celebração válida. Assim se explica a declaração do parágrafo primeiro do cânon 1057: o matrimônio “é o consentimento das partes legitimamente manifestado entre pessoas juridicamente hábeis que faz o matrimônio; esse consentimento não pode ser suprido por nenhum poder humano”. Com base neste cânon, podemos firmar que existem três coisas necessárias para um verdadeiro matrimônio: 1- que haja consentimento dos noivos; 2-que esse consentimento seja dado por pessoas juridicamente hábeis (as testemunhas); 3- que esse consentimento seja manifestado legitimamente, ou seja, na forma prevista pela lei. Se por ventura faltar um desses requisitos, não surgirá um verdadeiro matrimônio.
O Sacramento do matrimônio é um dom e ao mesmo tempo uma “vocação e um dever dos esposos cristãos, para que permaneçam fiéis um ao outro para sempre, para além de todas as provas e dificuldades, em generosa obediência à santa vontade do Senhor” (Familiaris Consortio, n.20). Desta maneira, eis o mandato bíblico: “O que Deus uniu, não separe o homem” (Mt 19,6). Assim, por causa desse mandato a Igreja não faz divórcio e nem anula casamento. Então o que a Igreja faz? A Igreja por meio dos Tribunais Eclesiásticos julga por meio de um processo se verdadeiramente houve ou não o matrimônio. Se constatar que uma das partes por ventura exclui um dos elementos ou ainda alguns elementos do matrimônio este é declarado nulo, ou seja, na realidade, naquele caso concreto, não houve verdadeiro casamento, não obstante todas as cerimônias realizadas.
Dessa maneira, a Igreja não faz divórcio e nem anulação de casamento, o que a Igreja faz é declaração de nulidade.  É necessário esclarecer a diferença entre as expressões: anulação e declaração de nulidade. Anulação significa fazer com que aquilo que tinha existência legítima, deixe de tê-la, isto é, que um casamento que inicialmente foi válido passe a ser sem valor jurídico. Enquanto, declarar nulo é o ato mediante o qual a autoridade competente faz a declaração afirmando que um ato jurídico nunca existiu e nem teve valor, apesar das aparências.
Portanto, a Igreja não “anula” matrimônios, mas admite, quando necessário, que alguns casamentos sejam “declarados nulos”. O matrimônio, nesses casos, não é dissolvido: na realidade, nunca existiu. Quanto aos motivos pelos quais um casamento pode ser declarado nulo, veremos na próxima edição deste informativo.

PROMESSAS


O presente artigo analisa a prática das promessas feitas a Deus ou aos santos por pessoas desejosas de obter alguma graça. Tal prática tem fundamentado na própria Bíblia (cf. Gn 28,20-22; 1Sm 1,11). Todavia verifica-se que os autores bíblicos faziam advertências aos fiéis no sentido de não prometerem o que não pudessem cumprir (cf. Ecl 5,4). No Novo Testamento São Paulo quis submeter-se às obrigações do voto do nazireato (cf. At 18,18; 21,24). Estas ponderações mostram que a prática das promessas como tal não é má. É certo, porém, que as promessas não movem o Senhor Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois Deus já decretou desde toda a eternidade dar o que Ele nos dá no tempo, mas as promessas contribuem para afervorar o orante, excitando neste maior amor. Acontece, porém, que muitas vezes os cristãos não têm noção clara do porquê das promessas ou prometem práticas que eles não podem cumprir. Daí surgem duas obrigações para quem tem o encargo de orientar os irmãos: 1) mostre-lhes que as promessas nada têm de mágico ou de mecânico, nem se destinam a dobrar a vontade de Deus, como se o Senhor se pudesse deixar atrair por promessas, à semelhança de um homem; 2) procure incutir a noção de que o cristão é filho do Pai e, por isto, não precisa de prometer ao Pai; o amor filial com que o cristão reze a Deus, é mais eloquente do que a linguagem das promessas, que podem ter um sabor “comercial” ou muito pouco filial.
Comentário: Entre os fiéis católicos não é raro fazerem-se promessas a Deus ou a algum santo (…), promessas de algum ato heróico a ser cumprido caso a pessoa receba a graça que deseja. Em conseqüência, fala-se de “pagar promessas”. Não raro os fiéis que prometem, depois de atendidos, não têm condições físicas, psíquicas ou financeiras para pagar as suas promessas. Sentem-se então angustiados, pois receiam que algo de mau ou um castigo lhes sobre venha da parte de Deus por não cumprirem as suas “obrigações”. O problema é tormentoso e merece ser analisado desde as suas raízes, ou seja, a partir do conceito mesmo de piedade que os fiéis cristãos devem alimentar. É o que vamos fazer nas páginas subsequentes, examinando: 1) a fundamentação bíblica, 2) a justificativa teológica das promessas, 3) a casuística ocasionada, 4) uma conclusão final.
1. Fundamentação bíblica
O costume de fazer promessas ou, segundo linguagem mais bíblica, votos tem origem na piedade popular anterior a Cristo. É documentado pela própria Bíblia, que nos mostra como pessoas, em situações difíceis necessitando de um auxílio de Deus, prometeram fazer ou omitir algo, caso fossem ajudadas pelo Senhor. Foi, por exemplo, o que aconteceu com Jacó, que, ao fugir para a Mesopotâmia, exclamou: “Se Deus estiver comigo, se me proteger durante esta viagem, se me der pão para comer e roupa para vestir e se eu regressar em paz à casa de meu pai,… esta pedra… será para mim casa de Deus e pagarei o dízimo de tudo quanto me concederdes” (Gn 28, 20-22). Ana, estéril, mas futura mãe de Samuel, fez a seguinte promessa: “Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição da vossa serva e… lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida e a navalha não passará sobre a sua cabeça”  (1Sm 1,11). Alguns salmos exprimem os votos ou as promessas dos orantes de Israel; assim os de número 65. 66. 116; Jn 2,3-9.
A própria Escritura, porém, dá a entender que, entre os membros do povo de Deus, houve abusos no tocante às promessas: algumas terão sido proferidas impensadamente: “É melhor não fazer promessas do que fazê-las e não as cumprir” (Ecl 5,4). Havia também quem quisesse cumprir as suas promessas oferecendo o que tinha de menos digno ou valioso em vez de levar ao Templo as suas melhores posses; é o que observa o Senhor por meio do profeta Malaquias: “Trazeis o animal roubado, o coxo ou o doente e o ofereceis em sacrifício. Posso eu recebê-lo de vossas mãos com agrado?… Maldito o embusteiro, que tem em seu rebanho um animal macho, mas consagra e sacrifica ao Senhor um animal defeituoso” (Ml 1, 13s). Com o tempo os mestres de Israel procuravam restringir a prática das promessas, pois podiam tornar-se um entrave para a verdadeira piedade. No Evangelho Jesus supõe que certos filhos se subtraiam ao dever de assistir aos pais, alegando que tinham consagrado a Deus todo o dinheiro disponível:
“Vós por que violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Com efeito, Deus disse: “Honra teu pai e tua mãe” e “Aquele que maldisser pai ou mãe, certamente deve morrer”. Vós, porém, dizeis: “Aquele que disser ao pai ou à mãe: Aquilo que de mim poderias receber, foi consagrado a Deus, esse não está obrigado a honrar pai ou mãe”. Assim invalidastes a Palavra de Deus por causa da vossa tradição” (Mt 15, 3-6).
Todavia não consta que o Senhor Jesus tenha condenado o costume de fazer promessas como tal; ao contrário, os escritos do Novo Testamento atestam a prática de S. Paulo, que terá sido a dos cristãos da Igreja nascente e posterior:
“Paulo embarcou para a Síria… Ele havia rapado a cabeça em Cencréia por causa de um voto que tinha feito” (At 18,18).
“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui quatro homens que fizeram um voto… Purificar-te com eles, e encarrega-te das despesas para que possam mandar rapar a cabeça. Assim todos saberão que são falsas as notícias a teu respeito, e que te comportas como observante da Lei” (At 21, 23s).
Em síntese, a praxe das promessas não é má, pois a S. Escritura não a rejeita, mas, ao contrário, torna-se objecto de determinações legais, como se depreende dos textos abaixo:
Lv 7,16: “Se alguém oferecer uma vítima em cumprimento de um voto ou como oferta voluntária, deverá ser consumida no dia em que for oferecida, e o resto poderá ser comido no dia imediato”.
Nm 15,3: “Se oferecerdes ao Senhor alguma oferenda de combustão, holocausto ou sacrifício, em cumprimento de um voto especial ou como oferta espontânea…”.
Nm 30,4-6: “Se uma mulher fizer um voto ao Senhor ou se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante a sua juventude, os seus votos serão válidos, sejam eles quais forem. Se o pai tiver conhecimento do voto ou da obrigação que se impôs a si mesma será válida. Mas, se o pai os desaprovar, no dia em que deles tiver conhecimento, todos os seus votos… ficarão sem valor algum. O Senhor perdoar-lhe-á, porque seu pai se opôs”.
Dt 12,5s: “Só invocareis o Senhor vosso Deus no lugar que Ele escolher entre todas as vossas tribos para aí firmar o seu nome e a sua morada. Apresentareis ali os vossos holocaustos,… os vossos holocaustos,… os vossos votos…”
Verifica-se, porém, que a prática dos votos nem sempre é salutar, merecendo por isto advertências da parte dos autores sagrados.
2. Qual a justificativa das promessas?
É certo que as promessas não são feitas para atrair Deus como se atrairia um homem poderoso, capaz de ser aliciado por dádivas e “pagamentos”; Deus não muda de desígnio; desde toda a eternidade Ele já determinou irreversivelmente dar-nos o que Ele nos concede dia por dia. Todavia, ao determinar que nos daria as graças necessárias, Deus quis incluir no seu desígnio a colaboração do homem que se faz mediante a oração; com outras palavras: Deus quer dar…, e dará…, levando em conta as orações que Lhe fazemos. Sobre este fundo de cena as promessas têm valor não tanto para Deus quanto para nós, orantes; sim, as promessas nos excitam a maior fervor; são o testemunho e o estímulo da nossa devoção; supõe-se que quem promete e cumpre a sua promessa, exercita em seu coração o amor a Deus; ora isto é valioso. Por conseguinte, quem vive a instituição das promessas em tal perspectiva, pode estar fazendo algo de bom, pois concebe mais amor e fervor. Diz o Senhor no Evangelho, referindo-se à pecadora que lhe lavou os pés pecados lhe estão perdoados” (Lc 7,47). Paralelamente diríamos, pode estar-se abrindo mais plenamente à misericórdia e à liberalidade do Senhor Deus.
3. E a casuística das promessas?
Há pessoas que, depois de receber o dom de Deus, se vêem embaraçadas para cumprir as suas promessas, porque não têm condições de saúde, de tempo ou de bens materiais para executar o que prometeram.
Que fazer?
- Antes do mais, afastem a hipótese, às vezes comunicada por religiões não cristãs, de que, se não “pagarem as suas obrigações”, estarão sujeitos a graves desgraças; na verdade, Deus não é vingativo nem é policial que pune contravenções, mas é Pai…, de tal modo que pensar em Deus deve despertar no cristão sentimentos de paz, confiança e alegria. Isto, porém, não quer dizer que o cristão despreocupadamente deixe de cumprir as suas promessas. Quem não as pode executar, procure um sacerdote e peça-lhe que troque a matéria da promessa. Esta solução condiz com os textos bíblicos que, de um lado, exortam a não deixar de cumprir o prometido (cf. Ecl 5,3), e, de outro lado, prevêem a insolvência dos fiéis e a possibilidade de comutação dos votos (ou promessas) por parte dos sacerdotes:
“Se aquele que fizer um voto não puder pagar a avaliação, apresentará a pessoa diante do sacerdote e este fixá-la-á; o valor será fixado pelo sacerdote de acordo com os meios de quem fizer voto” (Lv 27, 8; cf. Lv 27,13s.18.23).
Poderá acontecer que, em certos casos, o padre julgue oportuno dispensar, por completo, de certa promessa o fiel cristão.
A propósito convém incutir que, se alguém quer fazer uma promessa, evite propor certas práticas que são um tanto irracionais (como ocorre na peça “O pagador de promessas”); procure, ao contrário, prometer práticas não somente exequíveis e razoáveis, mas também úteis à santificação do próprio sujeito ou ao bem do próximo. Não tem sentido prometer algo que outra pessoa deverá cumprir, como é o caso de pais que prometem vestir o seu filho “de São Sebastião” no dia da festa do Santo; esta prática como tal não fomenta o amor a Deus e ao próximo. Quanto aos ex-voto (cabeças, braços, pernas… de cera), que se oferecem em determinados santuários, podem ter seu significado, pois contribuem para testemunhar a misericórdia de Deus derramada sobre as pessoas agraciadas; assim levarão o povo de Deus a glorificar o Senhor; mas é preciso que as pessoas agraciadas saibam por que oferecem tais objetos de cera, e não o façam por rotina ou de maneira inconsciente. Entre as práticas que mais se podem recomendar, apontam-se as três clássicas que o Evangelho mesmo propõe: a oração, a esmola e o jejum (cf. Mt 6,1-18). Com efeito, a S. Missa é o centro e o manancial, por excelência, da vida cristã, vida cristã que se nutre outrossim mediante a oração; a esmola e a colaboração com o próximo recobrem a multidão dos pecados (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das paixões o ser humano, possibilitando-lhe mais frutuoso encontro com Deus através dos véus desta vida. Se a prática das promessas levar o cristão ao exercício destas boas obras, poderá ser salutar. Requer-se, porém, que os pastores de almas e os catequistas instruam devidamente os fiéis a fim de que compreendam que as promessas nada têm que ver com as “obrigações” dos cultos afro-brasileiros, mas hão de ser expressões do amor filial e devoto dos cristãos ao Senhor Deus.
4. Conclusão
Como se vê, a prática das promessas pode ser fundamentada na própria Bíblia. Verifica-se, porém, que já os autores sagrados lhe faziam certas restrições. Hoje em dia nota-se que frequentemente alimenta uma mentalidade religiosa “comercial” ou amedrontada e doentia, gerando facilmente o escrúpulo mórbido. Muitas pessoas se sobre carregam com promessas e mais promessas que elas não conseguem cumprir; em vez de fomentar a vida cristã, as promessas a prejudicam não raras vezes. Por  isto é de sugerir que os cristãos reconsiderem tal costume, que de resto parece mais fundado numa concepção antropomórfica de Deus (concebido como o Grande Banqueiro, cuja benevolência é preciso cativar) do que na autêntica visão que o Cristianismo tem de Deus. Este é Pai, Aquele que nos amou primeiro, antes mesmo que O pudéssemos amar (cf. 1Jo 4,19.9s; Rm 5,7s); por conseguinte, somos seus filhos, certos de que o amor do Pai é irreversível ou não volta atrás, cientes também de que, antes que Lhe peçamos alguma coisa, Ele já decretou dar-nos tudo o que seja condizente com o nosso verdadeiro bem; diz São Paulo: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos terá dado tudo com Ele?”  (Rm 8,32).

terça-feira, 5 de abril de 2011

A VIDA NO PLANETA

Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã e mãe Terra, que nos sustenta e nos governa, e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas." Quando S. Francisco de Assis (falecido em 1226) compôs "O cântico das criaturas", não se conhecia poluição, emissão de gases causadores do efeito estufa, mudanças climáticas, chuvas tóxicas, desastres ambientais etc. Essas palavras e expressões, que hoje fazem parte de nosso linguajar, dão ideia de como o mundo mudou... E, nesse campo, mudou para pior. Para nós, não deixa de ser poético ouvir Francisco louvar o Senhor "pelo irmão vento, pelo ar ou neblina, ou sereno e de todo o tempo, pelo qual às Tuas criaturas dais sustento". Enquanto isso, o noticiário da televisão nos apresenta o calor insuportável de algumas cidades brasileiras e a neve, que fecha aeroportos de cidades europeias; as revistas semanais destacam tanto a seca no sertão nordestino como as geleiras da Patagônia argentina, as quais perdem alguns quilômetros quadrados a cada ano. O que está acontecendo com nossa irmã, a mãe Terra?

Ao criar o ser humano, a ordem do Senhor era que o homem e a mulher submetessem a terra, dominando os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem pelo chão (ver Gn 1,28), não para que deles usufruíssem egoisticamente e os destruíssem insensatamente. Afinal, uma geração deve entregar à outra um planeta melhor, mais saudável e agradável, e não uma terra transformada em deserto, rios sem vida e ambientes envenenados.

Para que cresça em nós a consciência de nossa responsabilidade perante a mãe Terra e as novas gerações, a Igreja no Brasil escolheu como tema da Campanha da Fraternidade de 2011: "Fraternidade e a Vida no Planeta"; e, como lema: "A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22). Com essa Campanha ao longo da Quaresma, "tempo de escuta da Palavra, de oração, de jejum e da prática da caridade como caminho de conversão" (Apresentação do Texto-Base da Campanha), a Igreja no Brasil quer "que todas as pessoas de boa vontade olhem para a natureza e percebam como as mãos humanas estão contribuindo para o fenômeno do aquecimento global e as mudanças climáticas, com sérias ameaças para a vida em geral, e à vida humana em especial, sobretudo a dos mais pobres e vulneráveis" (Apresentação do Texto-Base da Campanha).

Individualmente, pouco poderemos fazer para reverter a crise de nosso planeta. Entretanto, à medida que as comunidades cristãs e as pessoas de boa vontade se conscientizarem da gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e se sentirem motivadas a participar de debates e ações que visem enfrentar o problema, na tentativa de preservar as condições de vida no planeta, poderemos ter esperança de que a situação de nosso mundo melhorará. O que está em jogo é a própria vida humana. Segundo dados da ONU, já são 50 milhões os "migrantes do clima" - isto é, pessoas diretamente afetadas pelas mudanças climáticas. Tais mudanças são fruto de derrubadas de florestas, de modificações nas águas marinhas e na atmosfera.

Poderemos fazer nossa a pergunta de Caim, quando Deus lhe perguntou onde estava seu irmão Abel: "Sou por acaso guarda de meu irmão?" (Gn 4,9). Será uma tentativa de fugirmos e tentar nos convencer de que não temos nada a ver com os problemas atuais. Poderemos, também, mobilizar pessoas, comunidades e toda a sociedade para buscar alternativas para a superação dos problemas decorrentes do aquecimento global; propor comportamentos que tenham a vida como referência no relacionamento com o meio ambiente; denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global. Assim, estaremos dando uma notável contribuição para a vinda de um mundo novo - um mundo em que cada irmão se sinta responsável pelos demais irmãos.

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Mensageiro do Coração de Jesus

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O PAPEL DA DOR POR NÓS TÃO ODIADA.



Para tentar compreender a razão de ser dessa terrível benfeitora, seria preciso remontar à primeira idade do mundo, entrar naquele Éden onde, assim que Adão conheceu o pecado, a dor surgiu. Ela foi a primogênita das obras do homem, e desde então o persegue na terra e mesmo além do túmulo, até o limiar do Paraíso.
Ela foi a filha expiatória da desobediência, aquela que o Batismo, que apaga o pecado original, não extinguiu.
À água do sacramento, ela acrescentou a água das lágrimas. Tanto quanto lhe foi possível, ela limpou as almas com as duas substâncias tomadas do próprio corpo do homem: a água e o sangue.
Odiosa para todos e detestada, ela martirizou as gerações que se seguiram.
De pai para filho, a Antiguidade transmitiu o ódio e o medo a essa comissária das obras divinas, essa torturadora, incompreensível para o paganismo que a erigiu em deusa má não aplacável pelas orações e pelas oferendas.
Andou durante séculos sob o peso da maldição da humanidade. Cansada de, em sua tarefa reparadora, inspirar apenas cóleras e vaias, ela esperou – também ela – com impaciência a vinda do Messias que devia redimi-la de sua abominável fama e destruir o execrável estigma que levava consigo.
Ela O esperava como Redentor, mas também como o Noivo que lhe era destinado desde a queda. Para Ele reservava suas violências amorosas até então reprimidas porque, no cumprimento de sua triste e santa missão, ela só podia distribuir torturas quase intoleráveis; ela reduzia suas desoladoras carícias à proporção das pessoas; ela não se entregava inteira aos desesperados que a rejeitavam e a injuriavam, mesmo quando pressentiam que ela simplesmente os espreitava, sem aproximar-se demasiadamente deles.
Ela foi de fato magnífica amante somente com o Homem-Deus, cuja capacidade de sofrimento ultrapassava o que ela tinha conhecido. Arrastou- se para junto d’Ele naquela noite espantosa em que, só e abandonado numa gruta, Ele assumia os pecados do mundo. E ela exaltou-se assim que O abraçou, e tornou-se grandiosa.
Ela era tão terrível que Ele desfaleceu ao seu contato. Sua Agonia foi o noivado dela. Seu sinal de aliança, como o de qualquer noiva, foi um anel, mas um anel enorme que de anel tinha apenas a forma e, além de ser um símbolo de casamento, era um emblema de realeza, uma coroa.
Com esse diadema, ela cingiu a cabeça de seu Esposo, antes mesmo que os judeus tivessem trançado a coroa de espinhos por ela encomendada, e a fronte divina circundou-se de um suor de rubis e adornou-se com uma jóia de pérolas de sangue. Ela O saciou com os únicos afagos de que era capaz, isto é, com tormentos atrozes e sobre-humanos. E como esposa fiel, prendeu-se a Ele e não mais O abandonou. Maria Santíssima, Madalena e as santas mulheres não tinham podido segui-Lo a todos os lugares. A dor, no entanto, acompanhou- O ao pretório, junto a Herodes, junto a Pilatos. Ela examinou as tiras de couro dos açoites, retificou o trançado dos espinhos, afiou o ferro da lança, adelgaçou ciumentamente a ponta dos cravos.
E quando chegou o momento supremo das bodas – enquanto Maria, Madalena e João permaneciam em lágrimas aos pés da cruz – ela, como a pobreza da qual fala São Francisco de Assis, subiu deliberadamente ao leito do patíbulo, e da união desses dois rejeitados da terra nasceu a Igreja. Em golfadas de sangue e água, ela saiu do coração vitimado. E foi o fim. Tendo Se tornado impassível, Cristo escapava para sempre de seus abraços. Ela ficou viúva no exato momento em que tinha sido, afinal, amada, mas descia do Calvário reabilitada por esse amor, resgatada por essa morte.
Tão vituperada quanto o Messias, elevara-se com Ele e, ela também, tinha dominado o mundo do alto da Cruz. Sua missão estava ratificada e enobrecida. Doravante, ela era compreensível para os cristãos e seria amada, até o fim dos tempos, por almas que a chamariam para apressar a expiação de seus pecados e os dos outros, para amá-la em memória e imitação da Paixão de Cristo Nosso Senhor.