FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sexta-feira, 13 de março de 2009

A ARTE DA CONVIVÊNCIA FAMILIAR


Inspirado em algumas leituras e meditações feitas no dia a dia pastoral, passando por diversas comunidades, resolvi colocar em síntese algumas ideias, que vejo como importantes como reflexão para o enriquecimento da vida conjugal e familiar. Em primeiro lugar, é importante ter consciência de que o casamento é o encontro de duas pessoas que são diferentes, que se amam porque diferentes, e que permanecerão diferentes. Um se abre ao outro com suas diferenças, para enriquecer a vida e a história do outro.


Tem gente que passa a vida inteira querendo que o seu cônjuge seja como ele (a). Na convivência existem alguns pormenores que fazem a diferença. Existe um sinal inconfundível entre os que se amam de verdade: a dedicação de um ao outro. Alguém único e irrepetível foi confiado a mim. A esta pessoa devo dedicar minha vida, meus esforços, meu ser. Partilharemos um destino em comum, formaremos uma família, um tem de produzir vida no outro para que a plenitude da vida aconteça em seu lar. Existem atitudes que se tornam como que combustíveis do amor, alimentam-no e o fazem crescer. Estas se traduzem nas palavras, nos afetos e nas delicadezas. Um carinho a mais, uma atenção maior em determinados momentos, um gesto de delicadeza.


Tudo isso conta e muito! Já o inimigo principal do amor é o egoísmo. Uma pessoa centrada em si, individualista, que só pensa nos seus afazeres e satisfações, impossibilita a felicidade dos outros e, por tabela, se torna infeliz. Nossa vida é um chamado à comunhão e não ao isolamento. Fazer aos outros felizes é dever de todos.

Outras duas palavras que não poderão faltar na arte de amar são paciência e perdão!

A convivência humana exige isso.


Nós somos mistério para nós mesmos, como conhecer o outro sem restrições?


Surpreendemo-nos com nossos pensamentos e ações. Todos estamos em busca de um equilíbrio perfeito. Mas, isso não quer dizer que as imperfeições estejam superadas. A paciência é sinal de força e poder. Esperar diante de toda desesperança é sinal de sabedoria. Além disso, ser misericordioso é carregar em si o distintivo do discípulo de Cristo. Não perdoar é, como dizem por aí, "beber veneno achando que o outro é que vai morrer"! Como bem diz uma canção: "O lar é um lugar de se viver e dialogar".


Não tenho dúvida de que o casal é o lugar do Amor no mundo, e se é o lugar do Amor, é o lugar de Deus!

RADICALIDADE NOS DESEJOS E SENTIMENTOS


Partimos, agora, para a radicalidade nos desejos, que, muitas vezes, nos enganam e nos levam à perdição. Na sua profundidade os desejos não são pecados, mas podem se tornar um grande meio para que eles ocorram. Desejos significam: vontade de possuir ou de gozar; anseio, aspiração, entre outros, e estão ligados ao agir humano, pois revelam o mais profundo do homem. Desvelam o homem e expõem a sua intimidade, aquilo que, muitas vezes, está oculto no mais profundo do seu ser.


Todos nós temos desejos por alguma coisa, nossa vida gira em volta de alguns desejos que temos. Quem não deseja ser feliz ou fazer o outro feliz? Isso já está dentro de cada um, mas os nossos desejos foram feridos pelo pecado e passamos a entregá-los à ação do mal. Quando nos entregamos aos maus desejos e às paixões desordenadas caímos no pecado, pois o desejo do mundo presente é a nossa perdição. O maior desejo do demônio é nos ver no inferno, longe da graça de Deus.


Veja se dentro de você existem somente desejos para o bem e para a pureza. Geralmente, queremos aquilo que o nosso corpo deseja ou vai satisfazer os prazeres carnais. “A carne, em seus desejos, opõe-se ao Espírito e o Espírito à carne; entre eles há antagonismo; por isso não fazeis o que quereis” (Gl 5, 17). Por isso, não podemos seguir os desejos de nossa carne.


Precisamos ter somente desejos por Deus e pelas coisas do alto. Inclinando os nossos desejos para o alto e buscar a Deus. Não nos deixemos ser seduzidos pelos desejos humanos nem ser influenciados pelos outros. Canalizemos tudo para o Senhor. Desejemos o céu.


O amor deve ser o desejo maior do nosso coração: “O amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de consegui-lo” (Catecismo da Igreja Católica – CIC, n. 1765). Desejamos o mal e aquilo que nos leva para longe do Senhor porque ainda não experimentamos o amor de Deus em nossas vidas, que é capaz de preencher toda solidão e ausência de desejo pelo bem. “ […] A graça desvia o coração dos homens da ambição e da inveja e o inicia no desejo do Sumo Bem; instrui-o nos desejos do Espírito Santo que sacia sempre o coração do homem” (CIC n. 2541).


Há dentro de cada ser humano o desejo de buscar a Deus e a bem-aventurança. “As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si, pois só Ele pode satisfazê-lo” (CIC n. 1718).


Cabe a nós purificar os nossos desejos de toda impureza e somente buscar o desejo de Deus para a nossa vida, que é a nossa santificação. Isso não quer dizer que todos os nossos desejos sejam maus, mas é necessário purificar os [desejos] que nos afastam de Deus e que não nos levam à santidade. Quando desejamos algo precisamos ver se isso está de acordo com a vontade divina para então realizá-lo.


Da mesma forma, os sentimentos, muitas vezes, nos enganam e nos levam a nos perdermos neles. Pois o sentir não é pecado, mas o consentir. Não podemos confundir amor com sentimentos. O amor não é só sentimento, mas adesão e iniciativa. O sentimento pode ser consequência das emoções. E é preciso radicalidade nos desejos e sentimentos que são traiçoeiros e enganadores, pois vêm de maneira rápida e desaparecem de repente.


O sentimento é sensibilidade e nos tornamos sensíveis de acordo com determinadas situações. É um estado de espírito. E não podemos usar de sentimentos no nosso relacionamento com Deus. O nosso relacionamento com o Senhor precisa ser concreto e radical, não viver de sentimentalismo. Purifiquemos os nossos sentimentos de toda impureza.

A BELEZA DO FEMININO SALVA A HUMANIDADE


"A mulher de valor, quem a encontrará? Ela é mais preciosa do que as jóias [...] proporciona sempre alegria, nunca desgosto" (Pv 31,10-12).


Recordo-me aqui de uma conversa com um padre africano, estudante na mesma Universidade que frequentei, em Roma. Dizia-me ele: "Em nossas tribos, temos um ditado muito interessante: 'Quem educa um menino, educa um homem; porém, quem educa uma menina, educa toda uma sociedade'".


Fiquei pensando no que ele me disse, na cultura que expressava e fui ligando isso às coisas que ouço e vejo por aqui. Quantas vezes, deparei com verdadeiras heroínas, mulheres batalhadoras e destemidas que, deixadas pelos maridos, criaram e formaram seus filhos. Outras vezes, ouvi alguns dizerem que a mulher é o esteio, o sustentáculo de uma família. A presença da mãe-esposa-mulher une e aquece um lar. Mais tarde, em aula, ouvi um grande professor dizer que a mulher tem o poder de dar identidade aos filhos e à casa.


Que profundidade em todas essas ideias! Verdadeiramente a mulher revela o ser imagem de Deus com seus atributos de ternura e bondade, força e coragem e, com o homem, formando o casal pelo Sacramento do Matrimônio, revela a riqueza do ser imagem e semelhança de Deus, assim como foram criados (cf. Gn 1-2).


Pensando em tudo isso, neste mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, creio que todos nos alegramos com as conquistas dessas que devem gozar de todo respeito e reconhecimento pelo papel que desenvolvem na família, na Igreja e na sociedade. Porém, é bom lembrar que a mulher deve cumprir o seu papel específico.


Em nome de conquistas, a mulher não pode deixar o específico do feminino: Mulher-Mãe, Mulher-Esposa, Mulher-Dom, Mulher-Portadora e Defensora da Vida... A mulher mantém uma casa em pé! Aliás, não é à toa que em nossa fé temos uma Mulher em pé junto à Cruz de seu Filho. Maria-Esposa-Mãe revela essa força, revela também a beleza do feminino. Imitando essa Mulher forte do Evangelho, que cada mulher se orgulhe do que é e do que faz!


Que reconheçamos cada vez mais que a beleza verdadeira do feminino salva a humanidade!


Deus escolheu uma Mulher para ser portadora de Seu maior presente para nós!

A Igreja, Esposa de Cristo, revela também essa beleza do feminino que traz consigo consolação, amparo e conforto! Que nossas famílias reconheçam sempre o quanto a presença feminina nos enriquece e o quanto precisamos ser gratos a nossas mães, avós, esposas, filhas, irmãs! Aproveito para agradecer a todas as mulheres que mantêm nossas comunidades vivas e belas

AMAR DOI


Amar dói. Se alguém disser que amar não dói precisa rever o conceito de amor. Mas, acredite: vale a pena amar; vale a pena arrancar um pedaço de nós para dar ao outro. O seu coração é maravilhoso, mesmo estando um pouco machucado, detonado, ele é lindo.


Abra a sua Bíblia agora no Evangelho de São Lucas, capítulo 19, versículos 1-10, você encontrará a leitura do encontro de Jesus com Zaqueu. Esse homem era cobrador de impostos; esta era uma profissão difícil. A riqueza desse homem vinha dos 'mensalões', do dinheiro do povo, ele 'passava a perna' em muita gente. Mas ele tinha um desejo muito grande de se encontrar com Jesus.


Mas o que tem a ver o Zaqueu comigo e com você? Você tem cara de cobrador de impostos? Pode até ser que não, mas você tem uma história, assim como ele. Aparentemente a vida dele não era bonita, mas aí é que entra o assunto do nosso artigo. Qual é a sua história? Você já teve vontade de fugir? De trocar de país?


A sua história, seja ela como tenha sido até aqui, é linda. Ela é rica! Assim como o Senhor entrou em Jericó para revolucionar a vida desse cobrador de impostos, Ele quer entrar na sua vida hoje para restaurar você. Quais são os problemas pelos quais você está passando? Quais sofrimentos você vive que o impedem de ver Jesus? Zaqueu não parou nos seus pecados, ele foi além. Qual é a multidão de coisas que você tem vivido que o proíbem de ver o Senhor?


A subida não é fácil, sair da multidão de coisas que nos impedem de vê-Lo também não o é. Mas Ele quer que você suba! Veja o Senhor que está passando. Encare os seus problemas, seja o que for que você tenha vivido até agora, não pare!


Para se encontrar com Jesus você precisa sair dos seus problemas. Não pare no limite, na dor, busque ver o Senhor nas situações da sua vida. É possível, sim, fazer escolhas diferentes. O que eu acho mais lindo em Deus é que Ele foi gente. Ele sofreu, foi humilhado, odiado... Jesus quis sofrer tudo isso para dizer para você que é possível dar um novo sentido à sua vida.


Deus existe e está cuidando de cada um de nós. Ele não o abandonou naquela dificuldade que você encontrou, Ele estava lá e ainda está aí do seu lado. É dos limitados e dos pobres a predileção de Deus. A sua história é uma história de salvação. Deus encontrou você um dia, deu-lhe vida e disse-lhe que você nasceu para dar certo.


Muitas respostas que nós damos hoje são consequências do passado. O que nós vivemos nos influencia no presente. Só que o que você faz com o seu passado pode ser mudado agora. Reinterpretar o seu passado pode ser feito agora. Em uma tragédia, você pode se desesperar ou descobrir onde estava Deus naquela situação. Você pode fazer a sua história diferente. Não pare nas situações da sua vida, vá além! Peça para o Senhor dar sentido e razão onde essas virtudes lhe faltaram um dia.


Diga: “Eu nasci para dar certo!” Você quer receber Jesus na sua casa? Então, acredite que o seu passado não determina você, ele apenas diz o que você é, mas não o que será. O seu presente quem decide é você.


Não pare no seu sofrimento, o seu futuro depende apenas de você! Hoje, se você escolher as respostas em Deus, tudo vai ser diferente. Descubra o Senhor nos pequenos detalhes da sua vida.

AUSENCIA


É duro digerir o sabor de uma ausência. Alguém que parte, vai embora, deixando apenas o silêncio, o barulho do seu silêncio.


Uma presença tem o poder de ocupar um espaço – lugar definido e cheio de significação – no coração, um pedaço que se encaixa com tudo aquilo que é próprio dessa presença.


A ausência sempre dói, deixa um vazio. Mesmo quando não se percebe.


Ninguém constrói a vida com o intuito de ser abandonado, deixado para trás, de ser impossibilitado de contemplar aquilo que seu coração amou. No entanto, a ausência é uma linha que sempre perpassará a trama da existência, e em algum momento – voluntaria ou involuntariamente – ela se fará presença em nossa história. Inúmeras são as ausências: olhares, histórias, palavras que exercem o ofício de passar...

Existem ausências eternas – a morte, por exemplo –, e ausências circunstanciais, tecidas pelo abandono ou pela distância daqueles que se que amam.


A experiência de perder alguém para a eternidade gera uma enorme dor no coração. Contudo, a experiência de perder uma presença em uma ausência ainda presente na existência desinstala profundamente o coração, deixando um gosto de desamparo e frustração. O abandono traduz com maestria um dos maiores desejos da vida: o desejo da presença.


O vazio insere o ser do homem no nada, na náusea da mais profunda descaracterização daquilo que se é. Diante disso, em muitos corações ecoa a silenciosa pergunta: Por quê? Porque agora estou na companhia da solidão e não restou nenhuma palavra para explicar: “Sinto falta da sua voz. Não a ouço, mas ela continua falando dentro de mim...”.


O vazio – ausência que configura a real desconfiguração – coloca o homem diante de sua verdade, revelando a ele sua necessidade de uma Presença que não passe. “Presença que não passe?” – diriam aqueles que jazem sufocados sob o peso da frustração – “Isso é possível? Visto que o abandono é companhia constante, que em algum momento baterá à nossa porta?” A isso responderia: “Não sei. Não quero ter a pretensão de dar pequenas respostas a grandes vazios”. Entretanto, com ousadia, desejo devolver a pergunta: É possível dar “Sentido” a vazios que nasceram em virtude da presença de uma ausência?


Acredito que essa resposta mora em cada um. O coração sempre soube – mesmo que inconscientemente – que a vida nasceu para ser mais que seus próprios limites. Esse é um pressentimento inerente.


Um vazio sempre gerará a frustração, mas esta precisa ser enfrentada e “resignificada”. Amar é uma maneira concreta de fazer isso. Amor: capacidade de guardar o que é bom, de superar distâncias e de superar – até mesmo – o fato de não mais ser querido e acompanhado por alguém.


As ausências se tornam suportáveis e até mesmo aprendizado se o coração consegue descobrir essa “Presença”, que não passa, e n’Ela consegue se ancorar.


Essa Presença é real. Ela acompanha a existência e dá sentido a qualquer vazio, pois tem o amor como essência. Ela nunca vai embora... Quando o olhar descobre tal realidade, ele tem a chance de não mais se entrelaçar apenas no que passa, mas pode descobrir, a partir da ausência, “tijolos” que constroem eternidade, pois provocam o olhar para a busca do Eterno e daquilo que O compõe.


Que o coração possa se enxergar sem ilusões diante das perdas e do real e, assim, possa encontrar – mesmo na ausência – forças para emoldurar com esperança suas dores e sua história.

quinta-feira, 12 de março de 2009

É PRECISO REZAR


O QUE UM DESCRENTE DISSE DA ORAÇÃO:



"Maldito seja aquele que não sabe rezar. Eu não sou partidário de nenhuma seita religiosa. Deus, para mim, tem mil nomes, e eu não sei o lugar onde ele está. Mas não admito a vida sem espiritualidade. Não desejo o mundo sem religião. Não compreendo o homem feliz, sem que tenha no coração o consolo da fé. Combato os dogmas. Combato a intolerância.
Porém, se um pai me perguntasse como deveria começar a educação de seu filho, eu lhe diria que começasse ajuntando-Ihe as mãos pequeninas, todas as noites, numa oração singela e cristã.
Essas orações, embora esquecidas depois, perfumam o resto da vida. A rosa murcha, seca e desaparece. Mas fica, entre os espinhos, um pouco de seu aroma" (Humberto de Campos).
Esse famoso escritor fala da oração de maneira imperfeita. Ele não seguia nenhuma religião.
Talvez não tenha chegado aos seus ouvidos os sábios ensinamentos de Cristo. Humberto de Campos manifesta aí a falta que lhe fez a oração, por não haver aprendido a rezar.
Então fala que a oração é a primeira coisa que se deve ensinar a uma criança. Percorrendo as páginas do Evangelho, vamos ver se em toda a nossa vida adulta é preciso rezar. E tanto mais adulto nós somos, mais precisamos da oração.



DEUS TAMBÉM REZOU



Quando Jesus tinha coisa séria para resolver recorria à oração. Como Deus verdadeiro, Ele era a sabedoria encarnada, tinha toda a ciência do passado, do presente e do futuro.
E' de se notar, porém, que como Deus Jesus não precisou de entrar numa escola para aprender a ciência dos homens, mas como homem Ele rezou para ensinar as coisas de Deus.
Ao escolher o grupo dos 12 Apóstolos, Jesus se afastou do meio da multidão para rezar, como lemos neste trecho do Evangelho: "Sucedeu que naqueles dias saiu Ele para o monte, a fim de fazer oração, e assim passou a noite toda a orar a Deus.
Ao amanhecer chamou os seus discípulos escolheu 12 dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos" (Lc 6,12-13).
Se Jesus que é Deus costumava rezar para obter êxito em seu trabalho e acertar em suas decisões, quanto mais nós, que somos tão fracos de vontade e tão curtos de inteligência? Por isso disse Jesus: É preciso rezar sem cessar".



JESUS UM HOMEM ORANTE



Os primeiros cristãos conservaram uma imagem de Jesus orante, que vivia em contato permanente com o Pai.
De fato, a respiração da vida de Jesus era fazer a vontade do Pai (Jo 5,19).
Jesus rezava muito e insistia para que o povo e seus discípulos também rezassem. Pois é no confronto com Deus que a verdade aparece e que a pessoa se encontra consigo mesma em toda a sua realidade e humildade.
Lucas é o Evangelista que mais nos informa sobre a vida de oração de Jesus. Ele apresenta Jesus em constante oração.
Eis alguns dos momentos em que Jesus aparece rezando:
" Aos doze anos de idade, ele vai ao Templo, à casa do Pai (Lc 2,46-50).
" Na hora de ser batizado e de assumir a missão, ele reza (Lc 3,21).
" Na hora de iniciar a missão, passa quarenta dias no deserto (Lc 4,1-12).
" Na hora da tentação, ele enfrenta o diabo com textos da Escritura (Lc 4,3-12).
" Jesus tem o costume de participar das celebrações nas Sinagogas aos sábados (Lc 4,16).
" Procura a solidão do deserto para rezar (Lc 5,16;9,18).
" Na véspera de escolher os doze apóstolos, passa a noite em oração (Lc 6,12).
" Reza antes das refeições (Lc 9,16;24,30).
" Na hora de fazer levantamento da realidade e de falar da sua Paixão, ele reza (Lc 9,18).
" Na crise, sobe o monte para rezar e é transfigurado enquanto reza (Lc 9,28).
" Diante da revelação do Evangelho aos pequenos, Ele diz: "Pai eu te agradeço!" (Lc 10,21)
" Rezando, desperta nos apóstolos vontade de rezar (Lc 11,1).
" Rezou por Pedro para ele não desfalecer na fé (Lc 22,32).
" Celebra a ceia Pascal com seus discípulos (Lc 22,7-14).
" No horto das Oliveiras, Ele reza, mesmo suando sangue (Lc 22,41-42).
" Na angústia da agonia pede aos amigos para rezar com ele (Lc 22,40.46).
" Na hora de ser pregado na cruz, pede perdão pelos carrascos (Lc 23,34).
" Na hora da morte, Ele diz: "Em tuas mãos entrego o meu Espírito". (Lc 23,46; Sl 31,6).
" Jesus morre soltando o grito do pobre (Lc 23,46).
Esta longa lista mostra o seguinte: Para Jesus, a oração estava intimamente ligada à vida, aos fatos concretos, às decisões que devia tomar. Para poder ser fiel ao projeto do Pai, ele buscava ficar a sós com Ele. Escutá-lo.
Nos momentos difíceis e decisivos de sua vida, Jesus rezava os Salmos. Como todo judeu piedoso, conhecia-os de memória. A recitação dos Salmos não matou nele a criatividade. Pelo contrário.
Jesus chegou a fazer um salmo que transmitiu para nós. É o Pai Nosso. Sua vida era uma oração permanente: "Eu a cada momento faço o que o Pai me mostra para fazer!" (Jo 5,19.30).
A ele se aplica o que diz o salmo: "Eu sou oração!" (Sl 109,4).



O LUNATICO POSSESSO
Vamos contar aqui um fato que se deu Com Jesus, quando lhe apresentaram Um homem possuído do demônio, para que o curasse.
Cristo estava junto do povo, e um homem chegou e lançou-se a seus pés dizendo-lhe: "Senhor, tem compaixão de meu filho que é lunático e sofre muito, pois umas vezes cai sobre o fogo, outras vezes cai sobre a água.
Apresentei-o a seus discípulos e eles não conseguiram curá-lo. Respondeu-lhe Jesus: "O' geração incrédula e perversa, até quando estarei convOsco? Até quando vos hei de suportar? Trazei-o cá. E Jesus mandou que o demônio saísse dele. Desde aquele momento o moço ficou curado. Então os discípulos chegaram-se a Jesus em particular, e disseram-lhe: -Por que é que nós não conseguimos curá-lo? E Ele disse- lhes: -Por causa da Vossa pouca fé.
Em verdade Vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, Podereis dizer a este monte: muda-te daqui para lá, e ele se mudará, e nada Vos será impossível. Mas esta casta de demônios não se expulsa a não ser com oração e jejum" (Mt 17,14-21).



UM POUCO DE EXPLICAÇÃO



"Lunático" -Além de ser Possesso do demônio, o moço era epilético. Caía inesperadamente sobre qualquer coisa: sobre água, fogo, ou outro perigo. Os discípulos já haviam tentado expulsar aquele espírito mau, e não tinham cOnseguido nada, por falta de oração e penitência. Poder eles tinham, mas Deus os fez fracassar para mostrar a necessidade de rezamos antes de qualquer empreendimento importante, pois não é a nossa força que realiza maravilhas, mas acima de tudo
a graça de Deus.
A "Indignação" que Jesus manifestou é em conseqüência da falta de fé viva dos escribas e tariseus, dos discípulos e do pai do moço, pois a fé é condição indispensável para se obter o dom de Deus, como milagres, etc. E isto o preocupava, porque Ele deveria logo entregar a sua Igreja aos Apóstolos para voltar ao céu.
Ainda hoje, muitas orações nossas não são ouvidas porque as fazemos Com pouca fé, mais para experimentar a Deus do que para mostrar nossa absoluta confiança nele.



JESUS MANDOU REZAR
Mais um trecho do Evangelho vem afirmar claramente a necessidade de orar, pois é uma ordem de Cristo, e Deus não pede o que não é preciso.
Disse Jesus:
"Pedi, e vos será dado. Buscai e achareis. Batei, e a porta vos será aberta. Porque todo o que pede recebe. O que busca encontra. E a quem bate, abrir-se-á. Qual de vós porventura é o homem que, se seu filho lhe pedir pão lhe dará uma pedra ? E, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo imperfeitos, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará boas coisas aos que lhe pedirem?" (Mt 7,7-14).
Palavras semelhantes a essas disse ainda Jesus naqueles momentos íntimos da Ceia, na quinta-feira santa: "Em verdade em verdade vos digo: Quando pedirdes ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo dará. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa" (Jo 16,23-24).



REZAR SEMPRE



Muitas vezes não bastava mais falar da necessidade da oração. 0s judeus não acreditavam muito.
Haviam esvaziado o sentido da oração. Rezavam sem alma. E muitos, vendo como a oração não era atendida, iam deixando de rezar.
Nessa altura não adiantaria Jesus ameaçar o povo. Não poderia impor a oração à força, porque ela deve ser cheia de fé, de confiança.
Era preciso criar um clima de amizade, de simpatia, de confiança, entre Deus e os homens, porque a verdadeira oração é uma conversa de filho com o Pai.
Então Jesus usou do mesmo recurso de quando falou do seu reino: contou parábolas, para mostrar como deveria ser insistente a oração.



O JUIZ INCRÉDULO



Disse Jesus: -"Havia em certa cidade um juiz que não acreditava em Deus, nem respeitava homem algum. Morava também naquela cidade uma viúva que sempre ia ter com o juiz e dizia-lhe: Faz-me justiça contra o meu adversário. Por algum tempo o juiz não quis atender, mas depois disse consigo: Embora eu não respeite a Deus nem aos homens, vou fazer justiça a essa viúva, porque senão ela não pára de me amolar, e no fim ainda vai dar-me dor de cabeça.
E Jesus acrescentou: -Vede o que disse esse juiz iníquo. E Deus não deveria fazer justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite"? (Lc 18,2-7).
Notamos aí que o juiz nada fez por bondade, mas somente por vantagem pessoal. Se a viúva tivesse pedido uma só vez, ela não teria conseguido nada.
Portanto, a insistência foi mais forte do que a própria injustiça, e fez até o homem iníquo mudar de resolução. Jesus fez esta comparação para que não desanimássemos em nossas orações.
Pode ser que Deus retarde em conceder o nosso pedido, para provar a nossa fé.
Se pedimos com fé, nunca perdemos a confiança.
E se até os maus acabam cedendo por causa da insistência do pedido, quanto mais Deus, que nos trata com amor e misericórdia?



O AMIGO IMPORTUNO



Disse ainda Jesus: -"Um homem tem um amigo, que lhe vem ; bater à porta à meia-noite dizendo-lhe: -"Amigo, empresta-me três pães, pois um amigo meu ia passando de viagem, e hospedou-se em minha casa, e eu não tenho nada para lhe dar.
O homem, porém, responde- lhe lá de dentro: Deixa-me em paz. Já estou na cama, com meus filhos, e a porta está fechada.
Não posso levantar-me e dar-lhe coisa alguma.: Mas, se ele continuar batendo, eu vos digo: se ele não se levantar por tratar-se de um amigo, levantar-se-á ao menos para se ver em paz, e dará quantos pães forem precisos" (Lc 11,5-8).
Essas parábolas são claríssimas, e não precisam de explicações. Com isso o povo que ouvia Jesus ia aprendendo de maneira suave as grandes verdades de seu reino.
Ninguém poderia achar ruim. Antes, o povo gostava de parábolas.
Elas quebravam o orgulho dos escribas e fariseus, tidos por sábios e doutores de Israel. Eles ficavam tinindo de raiva ao ver a Popularidade que Jesus ia ganhando e sendo cada vez mais aceito.

UM ESTUPRO E DUAS MORTES.


O assunto acirrou preconceitos, ódio e agressões. Mas fatos são fatos. É tão anormal deturpá-los ou reduzi-los, quanto fugir deles. De um lado, uma inocente menina de nove anos que, por estupro de um padrasto desqualificado, engravidou e gerou dois fetos indesejados. Prenda-se e puna-se o padrasto salve-se a menina vítima! Os responsáveis teriam que fazer tudo para ajudá-la, menos matar. Matar é proibido por lei moral e jurídica aos católicos e aos brasileiros, embora os juízes e o congresso brasileiro tenham decidido, nestes últimos anos que, em dois ou três casos excepcionais, se possa permitir que uma vida humana em fase inicial seja sacrificada em favor de outras vidas. Foi o que houve no caso da infeliz menina de 9 anos.

Na primeira semana de março de 2009, o assunto ganhou as manchetes. Entre os dois fetos de quatro meses que ela nem sequer entendia porque, mas levava, optou-se pela pobre menina estuprada que já terá problemas suficientes por toda a sua vida. Até o presidente da república achou certo. A gravidez foi interrompida. Milhões de brasileiros diriam e fariam o mesmo. Foi decisão compassiva.

Mas esta decisão compassiva esbarrou em outra que também teria que ser compassiva. Interrompeu a vida de dois futuros seres humanos indesejados, porque nascidos de um ato de violência. Tinha a menina o direito à inocência e à vida? Tinha. Tinham os dois fetos o direito de viver? Milhões de brasileiros, inclusive os cristãos, disseram e diriam que não.
Aqui começa o conflito jurídico, social, político e religioso: matar os que ainda não vemos para salvar de um terrível sofrimento alguém que já vemos e conhecemos. Receio que a maioria dos pais e filhos brasileiros faria isto. No mundo, cerca de 50 milhões de fetos morrem anualmente exatamente por isso. Estão no ventre errado e na hora errada. Quem os concebeu não os quer ou não tem como gestá-los. No Brasil, fala-se em 1 milhão.
A verdade é que o mundo não quer todos os bebês que gera. Entre o “não sou obrigado a gerar” e o “você tem que gerar” entra a magna e explosiva discussão do aborto. É a morte conflituosa de um ser humano no seu estágio inicial.

Jesus manda atar uma pedra de mó ao pescoço e jogar ao mar alguém que faz o que fez aquele padrasto. É mais do que excomungar. Simbolismo ou não, a fala mostra a gravidade do estupro.

(Mt 18,5-6) E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe. Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos tropeços! pois é inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço vier



Mas há o lado dos fetos extraídos. (Mt 18,10-11). Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos; pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêm a face de meu Pai, que está nos céus. Porque o Filho do homem veio salvar o que se havia perdido.



Paulo excomunga um cristão que vivia maritalmente com a madrasta, (1 Cor 5,1-5) e manda a comunidade recebê-lo de volta quando renuncia ao mal que praticou. (2Cor 2,5-11 ) A excomunhão vem de longe. Em 2Cor 13,7-8 diz Paulo: Ora, rogamos a Deus que não façais mal algum, não para que nós pareçamos aprovados, mas que vós façais o bem, embora nós sejamos como reprovados. Porque nada podemos contra a verdade, porém, a favor da verdade.

Para os católicos há leis severíssimas contra o aborto. Católico não pode matar ninguém, menos ainda um embrião indefeso. Pedimos o mesmo dos países onde vivemos. A sociedade, então, pela sua mídia nos acusa de intolerância. Que não queiramos nem possamos matar um feto, eles aceitam. Que exijamos deles a mesma atitude, isso não! Querem o direito de interromper um feto, se ele vier a prejudicar quem deseja sobreviver. Tê-lo seria sofrimento e conflito. Interromper sua vida seria solução imediata. Por isso exigem que nos calemos e nos acusam de ultrapassados. Pela mídia, disse o presidente da república que a ciência sabe mais e que a medicina está mais avançada do que a Igreja na questão da vida e das escolhas. De condutor político, faz tempo que passou a condutor moral do povo, inclusive com distribuição de camisinhas no sambódromo. E não faltam os católicos parciais a criticar seus bispos e padres que defendem o feto. Concordam com a Igreja em outros pontos, mas nestes de camisinha, divórcio, aborto e manipulação de embriões, preferem ouvir os outros. Lembro-me de uma senhora que mudou de igreja porque a nossa proibia sua filha de casar-se pela segunda vez. Em três anos estava de volta, ao perceber que a outra igreja não era tão liberal quanto parecia. Lá, podia-se casar duas vezes, mas havia bem menos liberdade do que prometiam.

A questão do aborto virou confronto aberto. De políticos e religiosos espera-se diálogo. Mas como dialogar a fundo, se o outro lado já decidiu que embrião ainda não é vida humana e por isso pode ser morto? Nem eles, nem nós abrimos mão de nossas convicções. E então católicos? Cedem eles ou cedemos nós?




























Última Alteração: 08:19:00

Fonte: Pe. Zezinho, scj
Local:São Paulo (SP