FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

segunda-feira, 31 de março de 2014

Enraizados na fé.


''o olho se quebra, ao lado da angústia, e uma subita amante que se veste com o nada, enquanto suas digitais, marcam as páginas solitárias numa carta anônima, sobre uma mesa de bilhar.'' A cada dia, ao ouvir o despertador, sinto mais um dia, mais uma incursão na tresloucada realidade metropolitana. A correria por atender as agendas do faça isso, aquilo e acolá. Ah, como aspiramos participar do sucesso, de ser reconhecido, de ser incluído num mundo de bem-estar, de civilidade, de cartões de crédito, de consumir e descartar, num ciclo vicioso, de ser parte de uma engrenagem regida pela ética do custo e benefício. Não restrito a isso, de interpretar tudo ao nosso redor, por meio dos gurus da auto-ajuda, das lideranças personalistas e do imediatismo da internet. Em meio a esse redemoinho de inovações e novidades, debruço-me sobre uma pessoa em fé. Aliás, não digo de fé ou com fé, mas sim em fé e isto nos remete ao submergir em uma revolução do silêncio para, então, ouvir a inversão proporcionada pelas boas novas. Digo e faço tais abordagens, em função de, desde quando me via como gente, concebia as pessoas com e de fé, como predestinados, escolhidos e enquanto os demais permaneciam com as sobras de um favor divino. Assim, de um lado, encontramos os defensores do sobrenatural , ao qual aplaudem a via dos arroubos místicos e, de certo, se valem para firmar suas justificativas. Afinal de contas, não sou feliz, porque falanges demoníacas militam se engajam em face da minha vida. Neste ponto, aqui vem todo um pacote de maldições hereditárias, de mandingas, de crendices, de esquizofrenias coletivas, de atribuir ao tinhoso, ao coisa ruim, ao chifrudo e tudo mais autoria por tamanhos infortúnios. Noutro lado do rio, os militantes, quiçá, um parcela, malogrados com as irresponsabilidades de pessoas que fizeram e fazem dos púlpitos plataformas voltadas a manipular, engodar, insuflar definições e descrições adultera da Graça Jesus, pelo qual pessoas são lançadas em expectativas absurdas e irreais. Por conseqüência, elegem os ditames da razão, da avaliação empírica, como os únicos elementos adequados para determinar o certo e o errado. Para estes, falar em línguas estranhas, os relatos de milagres, de sinais e de prodígios não passa de válvulas de escape para pessoas frágeis, vulneráveis e desprovidas de uma visão de progresso. Então, o que vem a ser uma pessoa em fé? O texto de Marcos 09.24 traz a narrativa de um pessoa aberta para reconhecer suas limitações, abre o jogo de sua incredulidade, não esconde a descrença com relação as apologias messiânicas (tão abundantes, em sua época). Quão triste se percebe um modelo de fé utilitária e ao qual contempla meus interesses e ponto final. É bem verdade, juntamo-nos, em torno de um idealismo ou somos invadidos pela alegria de viver, de andar, de olhar, de subir em uma escada, de nadar numa piscina, num lago, no mar; de andar descompromissado; de enfrentar os desafios; de não conceber o próximo, como um gladiador; de reconhecer que os erros ocorrerão. Ora, de maneira alguma anulo as potestades e suas articulações, mas será que nossos cultos se resumem sessões exorcismos coletivos para afastar os malefícios, muitos, causados por nossas mancadas? Infelizmente, chegamos a igreja e nos esquecemos de que fomos chamados para ressurreição dos encontros. Nessa relação de vazio e insatisfação, tudo se resume um fardo. O casamento, os filhos, as conquistas, as pessoas, a Graça, a eternidade, nós e, assim a lista se desdobra, tudo não passa de um fardo, de cansaço, de tolice. Agora, uma pessoa em fé não tampa o sol com a peneira, enfrenta e não esta imune aos reveses da vida e mesmo assim aceita o risco de não ser mais um na multidão e, opostamente, participar e partilhar da fé cristã que não desencadeia nenhuma dicotomia no ser humano. Ademais, uma pessoa em fé baixa a guarda, da uma pausa para respirar e aceita as mãos estendidas. Paz e bem

Uma ferramenta cega.


Muito se fala sobre como as redes sociais mudaram nossa forma de nos relacionar. Mas será que ela também afeta nossa espiritualidade? Quando se fala sobre “espiritualidade”, não é bom pensar somente em “tempo de oração”, “tempo de leitura bíblica”, ou “trabalho na igreja”. Essas coisas alimentam a espiritualidade, ou resultam dela, mas não são a espiritualidade em si. A ausência das práticas devocionais indica uma doença espiritual, assim como a falta de apetite é sinal de doença. Quando se fala de afetações a espiritualidade, os principais sintomas são uma vida desequilibrada, relacionamentos interesseiros e superficiais e corações insensíveis. O buraco é mais embaixo. Mas como a Internet tem afetado tudo isso? O uso da internet, com todo seu foco multitarefa aos poucos está afetando a nossa forma de trabalhar, estudar, ler e até mesmo relacionar. Cada vez olhamos mais rápido e com menos interesse. Temos múltiplas abas abertas em nosso navegador e conversas simultâneas em nosso Facebook. Música, material didático, notícias, mangás e redes sociais dividem nossa atenção o tempo todo. O lado bom é que somos, aparentemente, seres mais eficientes. Em aparência apenas, porque estudos já mostram que, na verdade, não. Mas sabemos aproveitar cada segundo de tempo. Não temos mais que passar pela “chatice” de esperar. Enquanto Paulo não responde, falo com Luciana, e aí depois com Cezar. Enquanto o vídeo não carrega, tem uma notícia me esperando. Enquanto não crio disposição para estudar Java, tem dezenas de abas me esperando. Quanta eficiência! Mas essa “vantagem” também traz um grave perigo: o hábito da superficialidade. Nada é tão importante que mereça minha atenção dedicada, e sem essa atenção dificilmente nos aprofundamos em algo. Aos poucos, passamos a enxergar mais o perfil que a pessoa, a matéria que o aprendizado, a notícia que o fato. Queremos bônus sem ônus, e o perigo é nos tornarmos seres ultra-pragmáticos, superficiais, incapazes de esperar, de se dedicar. Como nos alerta Nicolas Carr, "a internet está nos tornando pessoas superficiais" (http://goo.gl/vEZa1p). Jesus nos chama para relacionamentos profundos, com Deus e com o próximo. Ele nos chama para sermos profundos, e termos profundos laços com o que nos cerca. Isso exige espera, paciência, mansidão, longanimidade e paz. O quão profundo você tem sido? Uma outra curiosidade sobre as redes sociais são os chamados fakes. Perfis falsos, com objetivos que vão desde homenagear ídolos, fazer piadas ou agir como trolls, eles são comuns e estão por aí. Eles criam imagens que não correspondem a si mesmo, e agem como tal. Mas eles não são os únicos! Nós também fazemos o mesmo, quando dizemos que um dia comum foi “maravilhoso, excepcional”, ou quando transformamos uma ida ao shopping em “magnífica”, fingimos que a nossa vida é a maior empolgação e “rimos litros” de qualquer piada do 9GAG. Essa é uma herança dos hipsters: buscar mostrar superioridade em tudo que escolhe (http://goo.gl/9rfSwy). Será que nossa vida é tão excepcional assim? Será que não temos problemas, ou se temos, será que pensamos tão profundamente sobre eles quanto queremos parecer, ao postar frases e versículos no Facebook? E aliás, por que mesmo você posta no Facebook? Segundo pesquisa (http://goo.gl/sk519e), o brasileiro passa cerca de 6,3 horas/dia no Facebook. Já somos o segundo país no Facebook, e o primeiro em permanência na rede, chegando a perder 1/4 do dia na rede. Eu penso se todo esse tempo é usado realmente para relacionamentos. Minha experiência me mostra que boa parte desse tempo não é gasto diretamente com pessoas. E a pesquisa confirma minha desconfiança: “a principal interação do brasileiro é o compartilhamento de fotos, feito por 82% dos usuários, seguido da ação “curtir” uma foto (74%) e ler atualizações de status (73%)”, atividades mais pontuais. Comentários, chat e interações de grupo ficam bem depois. É pouca relação pra tanto tempo. O que nos leva então a gastar tanto tempo nisso? Por que corremos a página, em busca de novidades para curtir? Por que ficamos online, esperando notificações, e ainda procrastinando enquanto elas não vêm? O que estamos buscando nesses momentos? Será que estamos cavando nossas próprias cisternas em busca de água? Uma coisa é certa: queremos relacionamentos, emoções, alegrias, novidades, conversas e pessoas. E Cristo oferece tudo isso, de uma forma equilibrada, e com o fim correto. Ele veio para que tenhamos vida em abundância. Paz e bem

Uma solidão esmagadora.


"Então lhes disse: A minha alma está tão triste que estou a ponto de morrer, ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto e orou: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres". Mateus 26:38-39 Jesus precisava orar, havia Nele uma dor imensurável e uma expectativa assustadora. A cruz, com todas as suas implicações estava logo à frente, mas Ele decide fazer uma parada em um Jardim. Em Jerusalém não havia espaço para jardins, pois a cidade fora construída sobre um monte e, assim, todo o pouco espaço fora utilizado para construções. Os mais ricos tinham seus espaços abertos fora da cidade e no monte das oliveiras é onde ficavam a maioria deles. Um destes ricos dava a Jesus o direito de usar seu jardim que se chamava Getsêmani, esta palavra significa LAGAR DE AZEITE, ou seja, lugar onde se prensavam azeitonas com os pés para se obter o seu azeite. Este nome é muito sugestivo se levarmos em conta a situação em que Jesus se encontrava. Ele estava sentindo-se assim, prensado, moído a ponto de morrer, aliás estas são as palavras Dele: "a minha alma está tão triste que estou a ponto de morrer". Quem disse isto foi Deus, o Criador e Sustentador tudo. O que mais me impressiona nisto tudo é saber que toda a história da redenção estava na balança do Getsêmani, ou seja, a salvação de todos os que haviam crido, de todos os que criam e todos os que viriam a crer passou por aquele pequeno espaço aberto no pé de um monte. A pressão que Jesus enfrentava era exatamente esta, pagar um preço alto por estes. Jesus aqui, literalmente, assume a sua cruz. Une a Sua vontade à vontade do Pai e faz isto por meio da oração angustiada e triste, o faz na "pressão!". Sem querer cometer a loucura de comparar, afirmo que todos temos nosso Getsêmani, nosso momento de pressão! É dali que vamos obter a resposta que vai significar toda a nossa existência. É ali que aprenderemos a aceitar pela fé o que ainda não compreendemos pela razão, a VONTADE DE DEUS! Ali aprenderemos que nunca receberemos do Pai uma pressão maior do que podemos suportar. Aprenderemos, na pressão, que a vontade Dele é sempre a melhor e perfeita. Curiosamente é de onde só sairemos vitoriosos se formos derrotados! Sim! Quem é derrotado na pressão do Getsêmani é quem sai vitorioso, pois é onde nossa vontade é vencida pela vontade perfeita do Pai! A prensa tira todo o excesso de material, deixando apenas o essencial, a vontade do Pai feita em nós! Esta frase resume bem tudo isto: "A mão do Pai nunca ocasionará a seu filho uma lágrima desnecessária". (autor desconhecido) Soli Deo Glória! Paz e bem

Ser educado.


Ser educado não é apenas dizer bom dia, boa tarde, por favor, muito obrigado. Tudo isto faz parte da educação, mas também é a nossa obrigação. Ser educado é conhecer e defender os seus direitos. É ter qualidades e admitir que tem defeitos. É respeitar os mais velhos e defender as crianças. Ser educado é promover mudanças como forma de melhorar e progredir. É saber o momento certo de agir. Ser educado é nunca humilhar, e nem fazer alguém chorar. Ser educado é valorizar o abraço, é conhecer os limites e ocupar os espaços. Ser educado é saber dizer "sim" e estar preparado para dizer "não". Ser educado, enfim, é ter convicção e se expressar com determinação. Ser educado é saber viver e sustentar a palavra mesmo que possa sofrer. Cícero Alvernaz

domingo, 30 de março de 2014

A sociedade civil apoiou o golpe de 1964 ?


“Estávamos conversando, Jaime Wright e eu, sobre as consequências do golpe militar, quando um disse para o outro, não sei mais quem tomou a palavra: – Isso tudo vai ser esquecido na próxima geração, como foi esquecido tudo o que o Getúlio praticou no tempo dele - e foram horrores" (Dom Paulo Evaristo Arns). O general Newton Cruz, mandatário e executor da repressão, tem a melhor frase, quando perguntado sobre esse tempo: “Ditadura militar? Que ditadura militar... se a própria sociedade civil pediu”? Como requerer dignidade e solidariedade ao regime autoritário que se entregara sem medo ou respeito às práticas mais bárbaras registradas na história da humanidade? Tortura, abdusão, banimento, sequestro político, assassinato e desaparecimento dissimulado – sem falar da limitação da liberdade de imprensa –, liberdade de ir e vir, que ocorria sob a justificativa de “livrar o Brasil do comunismo”. O triunfo do poder totalitário parecia irrevogável em nosso país. Pessoas comuns ao regime, perseguidos por professarem ideologias de resistência, sequestrados, torturados, desde o golpe de 1964, experimentaram “tecnologias” de apagamento ideológico em laboratórios experimentais clandestinos, em numerosos casos com morte ou anulação física irreparáveis. Uma geração inteira (21 anos de fascismo) conheceu a força da sociedade autoritária, tendo à frente seus representantes armados com poder absoluto sobre a nação. Nenhuma instituição, civil ou militar, podia dizer-se politicamente neutra. Na linha de frente no confronto com a ditadura, apresentavam-se aos presidentes militares, no regime de exceção, democracia e liberdades civis cerceadas, para reclamar direitos de pessoas e famílias atingidas pelo rolo compressor da polícia política da ditadura, encastelada no DOPS, no DOI-Codi, no SNI, no CENIMAR, na Polícia Federal e na Polícia Civil. Comandados diretamente dos salões presidenciais, da sede do governo federal, e dos governos estaduais, estas organizações de policiamento ideológico eram também reforçadas por confrarias e grupos de extermínio brotados na sociedade civil. Esquadrões da morte atuavam de norte a sul, coniventemente. Ando de ônibus frequentemente. Preparando-me para este artigo, ouvia dois idosos comentando as passeatas reivindicatórias dos últimos dias, em minha cidade, enquanto associavam assassinatos, assaltos à mão armada, no mesmo plano: “A ditadura precisa voltar”. Um pastor pentecostal, líder de juventude evangélica, proclama seu saudosismo autoritário: “Durante o regime militar, tínhamos os melhores colégios, hospitais, casas populares; não havia maconha, crack, nem vagabundo te assaltando em cada esquina”. Mas, as situações reais eram outras. No judiciário, juízes, promotores, desembargadores, serviam espontaneamente à ditadura. Alguns até integrando “scuderies” como a “Le Coq”, famosa por seus compromissos mafiosos e influência no governo e Assembleia Legislativa. Mendigos, homossexuais, crianças ou menores infratores, bandidos comuns, eram vítimas exemplares do autoritarismo assassino. Um secretário do governo, em meu Estado, metralhava dissidentes numa das praças da capital. Escapando de um atentado promovido pelo governo local, mais tarde, um deles foi eleito governador. Nas igrejas, lideranças e notórios vultos insuflavam os fiéis à delação, quando não o faziam orgulhosamente com “carteira” de informante, no sentido de denunciarem crentes com “tendências ao comunismo”. Referindo-se às questões fundamentais, que envolviam interesses e defesa de grupos sociais oprimidos, desprotegidos, sem vez e sem voz, esmagadas por sistemas civis ciosos por impor a “autoridade do governo fascista”. Através das solicitações, pedidos de “vistas”, que faziam advogados do projeto coordenado por Jaime Wright (pastor presbiteriano paranaense), “Brasil: Nunca Mais”, confirmam o cuidado com o “futuro” dos processos e papeis no judiciário fascista. Seriam incinerados, como se viu posteriormente, enquanto ocorreria, “legalmente”, o “silenciamento” sobre torturadores e torturados. Prudentemente, 1 milhão de páginas foram reproduzidas. Em seguida, microfilmadas. Fez o transporte para o exterior dos arquivos do Supremo Tribunal Militar (STM) – muitas vezes pessoalmente –, copiados em prazos legais mínimos de 24 horas em uma sala alugada e equipada com copiadoras, em Brasília. Jaime Wright, representando de resistência eclesiástica minoritária, estava ciente também das imperfeições e fraquezas da democracia, especialmente no comportamento da sociedade brasileira, ambígua, escorregadia em questões éticas essenciais, com a Anistia e a abertura democrática. Criticou os abusos comuns. Entrevistado pelo Jornal da USP, Jaime passou o recado, além de repudiar a violência do Estado: "uma violência cometida pelo mais forte contra o mais fraco", disse. Lembrou, em outro momento, que o governo brasileiro "fala muito e faz pouco", motivo por que se demitira do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, governo FHC, que integrava a convite do secretário José Gregori. "A tortura continua sendo praticada sem que se faça nada para coibir esse abuso", destacou o pastor, repetindo uma denúncia que vinha das práticas das ditaduras de Vargas, aprimoradas desde o Golpe de 1964. A condenação moral que terminou se abatendo sobre os torturadores não pode ser classificada. Depois de ter se tornado uma ênfase do estado militar e de ter vitimado e consumido com milhares de pessoas, a tortura tornou-se uma realidade em si mesma e, como tal, gerou efeitos não previstos, não controlados e, sobretudo, não desejados pelos próprios vencedores da “guerra suja”. Não se poderá afirmar que eles permaneceram completamente impunes. Além das penas morais que sobre eles recaíram, houve uma espécie de “punição suave” no processo lento e claudicante, até chegarmos aos pronunciamentos recentes da Comissão Nacional da Verdade. O isolamento paulatino dos oficiais diretamente envolvidos na repressão política, como reclamavam expoentes da repressão, chega ao fim. Alguns deles, orgulhosos, mostram-se até satisfeitos por estarem sendo lembrados, em sua participação. O cinismo é impressionante, quando declara ainda hoje: “...não havia tortura no regime inaugurado em 1964, era preciso fazer o que fizemos, para salvar o Brasil”. Lamentavelmente, porém, expoentes políticos civis, sustentadores do Congresso Nacional durante a ditadura, jamais irão a julgamento público. Não escaparão, contudo, do julgamento da História. Para sempre. Tweetar Derval Dasilio É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor de livros como “Pedagogia da Ganância" (2013) e "O Dragão que Habita em Nós” (2010).

quarta-feira, 26 de março de 2014

Razão, romantismo e fé.


Tão importante quanto saber o destino da estrada é entender o significado da caminhada. Faço parte de uma geração profundamente influenciada pelo racionalismo e romantismo. O racionalismo, marcado pelos avanços do conhecimento humano nos últimos 200 anos, tenta nos convencer que tudo pode ser explicado intelectualmente. Todos os mistérios podem ser desvendados e aquilo que não se pode provar não possui valor. O racionalismo desenha uma linha imaginária entre os que reconhecem apenas a razão e aqueles que buscam o significado da vida. Os primeiros se veem como racionais e apontam os outros como ingênuos. De certa forma podemos pensar que o racionalismo é a morte da esperança. Ao reconhecer que nossa vida não passa daquilo que podemos plenamente explicar, perdemos de vista a possibilidade de nos encantarmos com o inexplicável que nos tira as palavras e o fôlego. Ao usar a razão como único crivo para as experiências da vida, reduzimos a vivência humana às combinações químicas do cérebro e biológicas do ambiente perdendo, assim, o anseio pela relação com o a força mais transformadora – o amor – e Deus, aquele que primeiro nos amou. Ao resumirmos a história aos fatos palpáveis nos perdemos na própria história. Olhamos, analisamos e explicamos a humanidade, mas sem enxergar a vida. O romantismo é uma influência quase antagônica ao racionalismo cientificista, porém ao mesmo tempo o complementa na construção da nossa sociedade e da corrente visão de mundo. O romantismo não é esperança, mas aparência de esperança. Não é alegria, mas imagem de alegria. É a busca por uma vida ideal, idílica e perfeita, portanto puramente imaginária. Todos os aspectos da sociedade estão influenciados pelo romantismo. A vida que se almeja nunca é a sua – real – mas a outra. Não há contentamento, mas desejo. Não há satisfação, apenas busca. A família ideal é uma imagem vista em anúncios onde todos sorriem, estão sempre em movimento, o clima é perfeito, todos são belos e se divertem exaustivamente. Eles não são uma família, mas uma ideia. E esta ideia de perfeição tem como missão tornar todas as vidas potencialmente insatisfeitas com o que são e o que tem. É a morte do contentamento e a justificativa das insatisfações. O romantismo colabora para a construção de uma sociedade hedônica – onde todos buscam o prazer – e narcisista – que cultua o belo. O racionalismo colabora para que esta sociedade seja também materialista – valorizando apenas o que se vê – e triunfalista – definindo a vida pelos rasos critérios do sucesso público, tangível e contábil. Busca-se uma roupa nova como quem busca o ar que respira. O novo aparelho eletrônico não é apresentado como uma utilidade para o homem, mas como significado para a vida. Coisas triviais e desnecessárias passam a ter maior importância que o real sofrimento humano, a injustiça social, o desespero da alma e os valores da vida. Se o racionalismo mata a esperança, o romantismo faz nascer a futilidade. É justamente nesta sociedade cada dia mais melancólica e rasa que Jesus lança o mais fascinante convite: siga-me! Não é um convite solto no ar ou palavra de um guia que simplesmente aponta o rumo, mas uma chamada ao relacionamento. O convite de Jesus não promete os prazeres hedônicos, as fenômenos narcisistas, as futilidades materiais ou os aplausos triunfalistas. É um convite que anda na contramão das propostas irrecusáveis da sociedade moderna, pois é precedido por “negue-se a si mesmo” e “tome a sua cruz”. Não nos convida a uma simples caminhada, mas a um coração transformado. Não é um passeio de fim de tarde, mas o início de um relacionamento eterno. Possivelmente as três convocações mais enfáticas de toda a Bíblia sejam: amar a Deus, amar ao próximo e fazer discípulos. É na caminhada, seguindo a Jesus, que estes fenômenos acontecem. Passamos a aprender a amar Deus, que primeiro nos amou; começamos a ver os que estão ao nosso lado com olhos de interesse, compaixão e fascínio; passamos a fazer discípulos para que todos nos pareçamos mais com Jesus. A caminhada de Jesus não apenas propõe o rumo, mas expõe o significado da vida ao longo do percurso. É no caminho que nossos olhos se abrem e um relacionamento muito além das limitadas propostas racionalistas e românticas se apresenta. É um relacionamento perceptivo, mas além da nossa compreensão. É visivelmente transformador, mas não possui uma fonte mensurável. É resultado de fé, mas dá significado à própria matéria. Não é racionalista, mas confere sentido racional à existência. Não é romântico e fantasioso, mas real e libertador. Não é um encontro com seu próprio ‘eu’, mas com o próprio Criador. Observe que o primeiro passo para este relacionamento não é dado por nós, mas pelo que nos convida. Ao ouvir a sua voz... siga-o. Se estiver em outro caminho... volte. “E Jesus dizia a todos: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida, a perderá. Mas quem que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará”. (Lucas 9.23-24). Paz e bem

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Vivemos em meio a violência, por falta de amor a PALAVRA DE DEUS.


“… O seu pão comerão com receio, e a sua água beberão com susto, … por causa da violência de todos os que nela habitam.” Ez 12; 19 Interessante parceria encontramos aqui; violência e medo. Claro que, por violência não devemos entender apenas violações físicas, antes, toda sorte de violação. Aliás, foi imediatamente após a violação de um mandamento Divino que surgiu pela primeira vez o medo no seio da humanidade. “…Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me” Gên 3; 10. Todavia, a Bíblia não preceitua o pacifismo como remédio; ainda que a busca da paz seja ensinada em vários textos, o antídoto ao medo é o amor. Como assim? “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” I Jo 4; 8 Esse temor que acena com penalidade é um sinal vermelho no painel da consciência alertando que algum tipo de violência se cometeu. Afinal, diverso da abordagem vulgar onde amor é algo que “se faz”, a definição Bíblica abarca comprometimento espiritual; voluntária decisão moral. “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” Jo 14; 15 Onde isso é cumprido não há o que temer; amor gera devoção, obediência; obediência dá azo ao repouso da consciência. O mais sábios dos homens, Salomão, também associou o medo à impiedade, e a confiança, à justiça; “Os ímpios fogem sem que haja ninguém a persegui-los; mas os justos são ousados como um leão.” Pv 28; 1 Diz mais; quando a violência resulta na morte de alguém, tal será fugitivo da consciência durante todos os seus dias. “O homem carregado do sangue de qualquer pessoa fugirá até à cova; ninguém o detenha.” Pv 28; 17 Então, se é certo que violência gera violência, na perspectiva Divina é medida profiláctica; isto é, para tentar reeducar ao violento eventual, prevenindo a reincidência; “O homem de grande indignação deve sofrer o dano; porque se tu o livrares ainda terás de tornar a fazê-lo.” Prov 19; 19 Por isso existem prisões, multas, juros, e toda sorte de reparos visando coibir violações de direitos. Assim, a violência não é um mal em si, mas, uma triste necessidade medicinal, dada a enfermidade da alma humana. Sempre uma reação social contra alguém desajustado aos pactos coletivos. Entretanto a violência grassa nas ruas do país, incólume ante uma geração de autoridades frágeis, vítimas de outra violência mais perniciosa; a verbal. Deturpam o sentido das palavras; fazem a ditadura das minorias, sacra, e qualquer reação social uma imposição violenta do Estado. A baderna seria “beatificada” pela causa; a reação da sociedade organizada, excomungada pela lei implícita que é proibido reprimir, reagir. Querem esses magos “reformadores” sociais o perfeito equilíbrio com um pé na terra firme outro na areia movediça; digo, possuir todos os direitos e nenhum dever. Natural que a sociedade claudique como se andasse com um pé na rua outro no meio fio. A Santa Paciência de Deus cansou uma vez já, precisamente pelo excesso de violência que havia; “Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra.” Gên 6; 13 O Juízo Divino foi extremamente violento e cabal; mas, isso soa como “conto do vigário” aos ouvidos de muitos; nada aprendem com o exemplo pretérito. Malaquias, o profeta, vaticinou tais dias nos quais, o homem sentiria vergonha de ser honesto, como disse Ruy Barbosa. “…Inútil é servir a Deus; que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos? Ora, pois, nós reputamos por bem-aventurados os soberbos;… ” Mal 3; 14 e 15 Adiante, o mesmo Senhor acena com “outra vez”, a necessidade de juízo violento: “…vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve.” V 18 Essa onda libertino-progressista não é um “remake” de Deus, antes, o vergonhoso corolário da falência moral da humanidade. O Criador continua no mesmo lugar, bem como Sua Santa Palavra. “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” Is 5; 20 O Eterno sabe que a permanência indefinida da maldade acaba minando a boa índole; por isso, em tempo, Ele vai agir. “Porque o cetro da impiedade não permanecerá sobre a sorte dos justos, para que o justo não estenda as suas mãos para a iniquidade.” Sal 125; 3. Paz e bem