FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Obediência parcial,rebeldia


Diligência ao cumprir à vontade de Deus é um ato de sabedoria e amor para com o Reino e para o nosso próprio bem. A obediência tem que ser bem observada para que seja cumprida na íntegra, por completa. Temos no livro de I Reis 13 o caso de um homem de Deus, não citado o nome, que não obedeceu integralmente à ordem específica de levar uma mensagem de repreensão ao rei Jeroboão. O foco central da mensagem foi cumprido, mas ele pecou nos detalhes finais. Obediência parcial não é obediência. Aqui é chamada de rebeldia, e as conseqüências são desastrosas para aqueles que desdenham das minúcias. Eis uma forte lição dessa triste história de um anônimo e displicente servo do Senhor. A nação de Israel acaba de ser dividida, ao sul, Judá, reinando Roboão, ao norte Jeroboão. O povo ir adorar em Jerusalém se torna um perigo à hegemonia de Jeroboão que logo cria centros de adoração a ídolos. A mensagem que foi levada pelo profeta desconhecido era: “Um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimaram sobre ti o incenso, e ossos humanos se queimarão sobre ti” - v. 2. Logo o rei, enfurecido, estendeu a mão sobre o altar dando ordens para pegá-lo, e sua mão se secou e o altar fendeu-se. Desesperado, pediu ao homem de Deus que orasse para que restituísse sua mão e ele assim o fez e Deus o ouviu. Na sua sagacidade o rei o convidou para um banquete e o homem negou, sendo advertido previamente por Deus: “Não comerás pão, nem beberás água, nem voltarás pelo mesmo caminho por onde fostes”. Rapidamente parece estar resolvida a missão. Até aí tudo perfeito. Parece ter cumprido cabalmente e com muita audácia sua ordem de encarar um corrupto rei. Esse evento poderia ter-se findado aí, mas a missão só acabava com o retorno até Judá e por outro caminho. Surge na história agora outro anônimo, o “Profeta Velho”, que logo sabendo do ocorrido vai procurar o homem de Deus, e o encontra assentado debaixo de um carvalho. Este é o primeiro erro do nosso profeta “novo”: Parou no retorno da missão a fim de folgar. O texto não fala, mas conjecturando, porque parou? Estaria ele como Jonas depois de sua missão, insatisfeito? Ficou ponderando o convite do rei? Não voltaria para Judá? Achou que já estava de bom tamanho seu feito? Queria a glória para si e deixar de ser um anônimo? São muitas as possibilidades. Uma coisa é certa, ele fez como Davi quando tirou um tempo de folga no momento errado. Esse profeta velho entra em cena para o teste final do homem de Deus. Às vezes somos intrépidos para enfrentar os poderosos, os corruptos, os ímpios, mas quando chega aquele nosso “igual”, um profeta, um irmão, ou, no caso de nosso texto, um religioso experiente, barganhamos a nossa incumbência por água e comida, lentilhas, e tememos o homem. Isso foi o que aconteceu com o nosso homem de Deus. Aceitou o convite e foi comer e beber na casa do profeta velho, um homem sagaz e mentiroso, igual ou pior que Jeroboão, que disse que foi o próprio Deus que o enviou. Usando de malícia desviou o profeta de sua missão. Temos que respeitar os anciões da fé, mas nem por isso deixar de observar na íntegra o que Deus nos orienta. Bom é o exemplo de Pedro: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” - At 5: 29. Não temer a políticos nem a religiosos. O homem de Deus parou e aceitou o convite de água e pão. Temeu o profeta velho. Rebelou-se. Foi embora, e no caminho um leão o matou. Diz o texto que transeuntes viram o corpo estendido no chão, o leão e o jumento ao lado. Quando o profeta velho soube logo foi e contemplou a triste e irônica fotografia: O anônimo morto prematuramente estendido no caminho com muita estrada a percorrer a serviço de Deus; um leão que já não estava mais ao derredor, Satanás, mas que foi autorizado a matar o profeta; e o jumento, que fora da lógica, não foi despedaçado, mas estava perdido, ao lado do leão, sem saber a quem servir. Que essa imagem possa ser arquivada em nossa mente como o resumo dessa história e nos sirva de alerta ao nosso chamado. Pequenos detalhes das ordens de Deus não executados podem trazer o fracasso à missão e até mesmo ceifar a nossa vida e serviço. Quando Deus fala sobre detalhes é porque Ele sabe de todas as possibilidades. Principalmente àqueles que são novos na caminhada, fica a lição: cumprir à risca às ordens do Senhor e não temer homens. Era só voltar para Judá por outro caminho, sem interrupção. Temos que ser diligentes, atentos, rápidos, tementes a Deus. Simples e prudentes. Tchau! Fui! Resolvido. Terminada a missão. Não olhe para direita ou esquerda, nem para trás, mas siga olhando para o alto, para cruz de Cristo. Paz e bem

Quais são suas perguntas nessa estação?


Quanto mais imaturos emocionalmente, mais a ansiedade tende a ganhar espaços. Logo, imaturidade é uma fase (ao menos, espera-se que seja só uma fase), onde se tem muitas perguntas e pouca paciência para respostas longas e complexas. Assim, o desejo pelas respostas prontas não costuma ser um bom indício para a maturidade emocional. Um sinal interessante de transição rumo à maturidade é perceber que mais do que respostas, é importante atentar para quais perguntas estamos fazendo. Privilegiar determinadas perguntas pode ser mais sábio, mais estratégico, enfim, mais saudável para a vida. E o tempo de cessar as perguntas, quando chega? Tendo a pensar que chega quando a vida acaba. Contudo, o que tenho visto na vida de gente madura que me inspira é que as perguntas diminuem em quantidade, mas, crescem em profundidade. Vão rareando, mas trazem raízes de uma vida. Descortinam dilemas assustadores, porém, amansados pelo tempo. Um apaziguamento de quem não precisou se agarrar às culpas para amenizar questões ainda mais comprometedoras. Não é mais mera curiosidade ingênua, nem gula da alma, pois essa já entrou na dieta existencial. É querer menos, entretanto, saborear mais. É a dinâmica de quem não mais cai nas ciladas fáceis de ilusões baratas, na ânsia do comércio de bajulações, bijuterias de conhecimento, nas cifras do suposto saber, no consumismo da prateleira das ideias em promoção. A maturidade é acompanhada da sabedoria em como usar o tempo cada vez mais precioso. Deixou de ser banal, não mais um bem descartável, nada de desperdícios. O aproveitamento do tempo pode se manifestar com singeleza. Nada extraordinário aos olhos, provavelmente, da maioria, mas de uma riqueza singular para quem foi enriquecido com a maturidade. Pode ser uma simples e descontraída conversa, porém, o olhar que se dá não se encontra em qualquer lugar. É um colo oferecido que ganha dimensões de eternidade. Gestos delicados que comunicam mais do que longos diálogos. Onde o silêncio já não mais incomoda, antes, torna-se espaço de contemplação e acolhimento. E as pausas fazem parte da harmonia melódica da vida. Há uma fase da vida onde tudo o que se quer é crescer, há outra onde o que se deseja é amadurecer. Nela o menos é mais. Aí o burburinho vai sumindo e o som denso do surdo (tambor) vai ditando novo ritmo. Há suavidade, apesar da firmeza. Há nitidez – ruídos desfalecem. Aí uma só voz é ouvida e os antigos gemidos cessam. Ah! Com eu quero chegar lá! Por: Tais Machado

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A arte de aprender voar.


Eu tive o privilegio de ver esses dias um pássaro com sua cria em plena aula de voo, eu acredito que era isso, porque como eles voavam parecia ser uma aula, pois o pássaro maior ia voando por baixo do pássaro menor e sempre dando como uns toques no pássaro pequeno quando ele ia perdendo altitude, fazendo com que ele voasse e não caísse. Eu fiquei observando esses pássaros nessas “aulas” e fiquei imaginando que quando eu estou dando algum passo de fé em direção a algo grande para mim, algo impossível, é como se eu fosse aquele pequeno pássaro e Deus sendo o grande pássaro me dando uns “toques” de baixo para cima para me encorajar a continuar, como sendo minha calçada no vazio da caminhada da fé. A fé é sempre um tema que mexe comigo em pregações, eu gosto de ouvir e de falar sobre fé, pois eu acho que quanto mais eu penso sobre, imagino ou ouço sobre a fé eu aprendo a como andar em fé, a como viver em fé ou pela fé. Imaginar que exista um grande pássaro por baixo de mim me impulsionado para cima quando eu estou caindo na minha incredulidade, me faz andar mais e mais e alçar longos voos. (Voos pra mim é um grande problema, e estou falando literalmente rs). A natureza tem muito a nos ensinar com seus animais e estilo de vida, pois talvez olhando pra eles, os pequenos pássaros, posso aprender a andar em fé, a acreditar na vida que Deus me propõe, porque é um pouco difícil procurar exemplos de fé nos dias de hoje entre nós os humanos. Iniciar os primeiros voos não é nada fácil, pois abaixo está um abismo quase que sem fim e isso nos motiva a não voar, isso nos motiva a ficar no ninho, esperando a comida na boca (bico). Mas o prazer de voar sozinho é algo inigualável, é imensamente maravilhoso quando temos as nossas próprias experiências com Deus, é muito melhor que ler o melhor best seller da vida de qualquer herói da fé ou qualquer outro. O prazer de olhar para traz e ver que se conseguiu fazer o impossível com a ajuda de Deus, mas com o próprio pé, é fantástico, nos faz imaginar feitos ainda maiores, viagens mais distantes. A fé tem dimensões diferentes para cada pessoa, pois para muitas pessoas, fazer uma viagem internacional é como ir a outro estado ou algo do tipo, mas eu sei que para cada individuo, Deus proporciona desafios diferentes, mas o resultado é o mesmo. Às vezes o seu voo não seja viajar sem grana, às vezes o seu desafio seja ter um filho, seja criar seus filhos, ou mesmo um casamento, ou se manter casado, ou comprar uma casa, ou mudar de empresa ou apenas acreditar que Deus exista; Seja qual for o seu desafio, eu acredito que enfrenta-lo é melhor que ficar esperando a “comida” dentro do ninho, pois o prazer da realização será maior que o medo da mudança. A fé vem pelo ouvir, mas a credulidade eu penso que venha pela obediência de sair da zona de conforto e agir, deixarmos de ser incrédulos, depende unicamente de nós mesmo, pois é um desafio pessoal. Eu estou diante novamente de mais um enorme desafio em minha vida e posso te garantir que não é mais fácil agora porque antes eu já tenha passado por desafios semelhantes, mas eu acredito que fiquei mais “louco” que das primeiras vezes e também acredito que estou mais obediente ao que entendo como a Voz de Deus para minha vida. Eu penso que nunca teremos a total certeza material dentro do campo da fé, porque contrario fosse não seria fé, não seria desafiante. Vamos sair do ninho, se lançar no vazio, mesmo sabendo que nossas asas ainda são pequenas e fracas, mas acreditando que tem o grande pássaro abaixo, torcendo por nós, acreditando que dentro de nós tem o dom de voar, posto por Ele. Paz e bem

Somos cristãos de araque.


Vivemos um dito cristianismo que não está na bíblia. - Queremos um Jesus pro hoje, pro agora, pra hora que bem escolhermos e acharmos que a presença ou resposta dEle é preciso. - Fazemos de Jesus um robô programado para atender aos nossos pedidos e saciá-los ao nosso bem querer. - Pedimos a Sua vontade nas orações mas somos incapazes de provar esse querer nas nossas ações. - Exigimos uma resposta no nosso tempo e Seu silêncio torna-se um incômodo. - Somos incapazes de agradecer pelo que Ele é, pelo que fez, mas somos mestres em murmúrios porque sempre queremos mais! Não mais da Sua vontade, da Sua presença ou do Seu agir; queremos mais bens, mais status, mais poder. - Como somos ingratos e mesquinhos. Nosso umbigo é o centro das atenções. - Se algo sai diferente do que nós planejamos, lançamos nossas frustrações em Deus; mas quando tudo sai bem, os méritos são nossos, claro. Deus não tem nada a ver com isso. Foi você que fez, foi você que disse, não é mesmo? - Confessamos com nossa boca que O amamos mas o nosso coração nunca esteve tão distante de Deus. - Nas redes sociais somos exemplos, mas na vida real o testemunho online torna-se uma farsa. - Na igreja? Santos. Dentro da nossa casa tiramos a capa da santidade e revelamo-nos. - Errar e pedir perdão tornou-se uma rotina, enquanto o verdadeiro arrependimento sequer gerou um brotinho no nosso coração. - Somos fúteis. “Deus não vai ligar”, você pensa. Doce/Amarga ilusão. - Enquanto você está aí fingindo ser quem não é e fugindo da sua própria realidade sem querer encará-la, existe um Deus que conhece as intenções do seu coração e sonda os seus pensamentos. Pode me enganar, enganar a si mesmo, mas a Ele, querido, você não engana. Identificou-se com algumas dessas frases, ou quem sabe com todas? Apesar disso tudo que citei e de tudo aquilo que você está pensando aí e que não escrevi, existe alguém que sabe das suas falhas, das suas transgressões, dos seus pecados, dos seus erros, dos seus pensamentos impuros, da sua sujeira interior; mas que acima e apesar de tudo, continua te amando. Esse é o Deus que nos amou, que nos ama e que continuará a nos amar. Esse Deus, traduzido em amor, entendeu ser necessário a morte do Seu filho pra nossa remissão. Filho este que teve as mesmas fraquezas que nós. Sendo rico se fez pobre. Ele abriu mão da própria glória. Sentado junto ao Pai desceu à Terra pra que pudéssemos, um dia, desfrutar de tão maravilhosa companhia. Esse é Jesus que nos ama e prova todo dia esse amor incondicional. Não permita-se mais identificar-se com as frases anteriores. Deus te dá hoje mais uma chance de mudança, mais uma chance pra voltar atrás, mais uma chance pro arrependimento. “Mas eu não consigo”, você diz. Você não tá sozinho! Existe um caminho pra trilhar, um NOVO CAMINHO, e nele você pode tranquilamente seguras nas mãos de Jesus e falar: “Eu não consigo sozinho. Tô fraco, distante, mas eu preciso mudar, preciso seguir essa estrada. Pode vir comigo?” Ele te pegará no colo, firmará os seus pés e dirá: “Não tenha medo, você está comigo” Lance-se nos braços do Pai sem medo e agora. Paz e bem.

sábado, 20 de outubro de 2012

Da prática à teoria


A maioria dos processos de aprendizagem segue um mesmo padrão de processamento: o aluno deve aprender a teoria antes de exercitá-la. Somente após uma grande carga de conhecimento teórico, o aprendiz tem a oportunidade de praticar aquilo que aprendeu. Entretanto, algumas exceções acontecem. Uma delas é o processo de formação de discípulos inaugurado por Jesus. Após chamar seus discípulos (Mt 4:18-22 - NVI), Ele iniciou seu ministério, passando "por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo." (Mt 4:23 - NVI) Durante Sua jornada, foi sempre seguido por grande multidão, e acompanhado pelos Seus discípulos, que a tudo presenciavam, observando a forma como Ele ensinava, pregava e curava. Estavam realizando um "estágio" antes da formação teórica. Em determinado momento, Jesus, vendo a necessidade da multidão que O seguia, chamou os Seus discípulos e ensinou a eles os princípios básicos sobre vida cristã e discipulado, lições estas contidas no Sermão do Monte (Mt 5-7). Apesar de toda a multidão ter se beneficiado com os ensinos de Jesus, àquelas palavras eram dirigidas especialmente aos Seus discípulos (Vendo Jesus as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e Ele começou a ensiná-los, [...] Mt 5:1-2 - NVI) Naquele momento, Jesus estava estabelecendo as bases para o discipulado cristão, ensinando àqueles homens como eles deveriam se portar e agir para serem identificados como seguidores de Cristo. Eis mais uma quebra de paradigma realizada por Cristo: após mostrar aos discípulos aquilo que eles deveriam fazer, ensinou-os como eles, primeiro, deveriam ser para, depois, fazer. Muitas vezes, nossa ansiedade não nos permite vivermos este processo de forma correta. Queremos fazer, realizar, exercer ministérios, mas não queremos passar pelos ítens de processamento que nos trarão crescimento interior e maturidade. Se pularmos etapas neste processo de formação, corremos o risco de nos depararmos com situações nas quais nos faltarão elementos importantes para enfrentá-las. Por isso, todo processo de formação é importante, e saltar etapas nos deixará inacabados para enfrentarmos determinadas circunstâncias. Como discípulos de Jesus, precisamos entender que todas as circunstâncias que enfrentamos, por pior que pareçam, são relevantes para forjar o nosso caráter, nos proporcionando o crescimento que nos levará à maturidade, nos permitindo realizar de forma plena àquilo que Deus quer fazer através das nossas vidas. Paz e bem

Temos um sonho


Esse artigo nasceu de um sonho que tínhamos ao escrevermos nossos textos para “O Livro do Som do Céu” (Editora Palavra, 2009): vermos os templos cristãos brasileiros sendo utilizados para promoção e divulgação das artes. Eu e os músicos Jorge Camargo e Romero Fonseca (da banda Expresso Luz) – com eles divido a autoria do artigo - não confabulamos previamente sobre esse desejo, nem discutimos em conjunto o que estaríamos escrevendo, mas em nossos capítulos se encontraram frases como: “Sonhei uma igreja. [...] Além dos cursos profissionalizantes, do atendimento aos necessitados, das parcerias com a prefeitura, o Estado, o Governo Federal e a iniciativa privada, a igreja também possui um intenso calendário cultural que, diferente de outras que utilizam somente as datas cristãs para promover seus musicais, abre o espaço de seu imenso palco a uma programação intensa que contempla todos os estilos de música” (Jorge Camargo, p. 136). “A Igreja deve ser um catalisador cultural, aproveitando seus espaços físicos – na maioria das vezes bem localizados nos bairros da cidade e ociosos em boa parte do tempo – para criar locais permanentes de fomentação cultural” (Romero Fonseca, p. 106). “Em primeiro lugar, proponho que a Igreja evangélica brasileira transforme os templos, durante a semana, em centros culturais, onde haja escolas de música e outras artes, apresentações artísticas e um espaço de debate e oficinas a respeito de questões do cotidiano social-político-econômico da comunidade local” (Sérgio Pereira, p. 130). Algumas semanas atrás uma notícia do jornal “O Globo” mostrou que esse sonho não estava tão distante. O evento “Terça de Graça” é organizado pelo músico Fernando Merlino e pela Comunidade Presbiteriana Libertas. Já foram 100 shows, com gente como Wanda Sá, Tunai e Roberto Menescal (veja cartaz abaixo). Muitas foram as críticas após a publicação de uma reportagem do “Terça de Graça”. Uma delas questionou o uso do púlpito de uma igreja para fins políticos e artísticos. Concordamos plenamente que o espaço do culto não deva ser usado para propaganda político-partidária. O púlpito, particularmente no espaço do culto, deve ser usado para fins espirituais. No entanto, não devemos perder de vista o caráter horizontal de ser Igreja. Sua vocação é sim vertical como lugar de fé, oferenda de amor e compromisso com Deus. No entanto, a vida em sua dimensão horizontal é igualmente sagrada. Esse pensamento é um dos maiores legados da mensagem cristã. Daí pensarmos que o espaço do templo é sim espaço de expressão de valores e de conteúdos humanos: política, no sentido mais amplo da palavra, e serviço ao próximo e a tudo que promova e gere vida. E arte. Aliás, na história, arte e espiritualidade nunca estiveram dissociadas. Por isso, continuamos sonhando, assim como escrevemos no “O Livro do Som do Céu”. E o exemplo do “Terça de Graça” reforça ainda mais esse sonho. Nota: Este artigo teve a colaboração de Jorge Camargo (mestre em ciências da religião, intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor) e Romero Fonseca (músico e compositor, atuante no grupo Expresso Luz e Essência)

Vulnerável a duras penas.


A pesquisadora da Universidade de Houston Brené Brown obteve mais de 5 milhões de “hits” com uma palestra sobre a importância da vulnerabilidade. Confesso que não me impressionei quando a ouvi. A palavra “vulnerável” pra mim tinha um significado negativo. Ser vulnerável é ser fraco, estar exposto. Sempre gostei dos super-heróis da Marvel. O Super-Homem, Thor, o Homem de Ferro são imunes, couraças impenetráveis. Quem quer ser frágil? Na minha convivência fora do Brasil percebi que a palavra “vulnerável” é usada positivamente. Como líder você tem de ser transparente em relação a suas fraquezas e lutas. Ser vulnerável é baixar as defesas, não desconfiar quando confia, expor sem medo as misérias da alma. Segundo a pesquisadora, as pessoas que vivem assim são mais felizes. Porém, gato escaldado tem medo de água fria. Se eu expuser o que sinto, os problemas que tenho, serei julgado; meu poder social será anulado. Aos olhos dos outros, me tornarei o pecado que confessei. Meu marido teve de estudar o tema da vergonha em um curso de mestrado em aconselhamento cristão. A resistência contra a vulnerabilidade começa no conceito de vergonha. Em sua pesquisa ele aprendeu que a maioria das culturas do mundo -- inclusive a brasileira -- é baseada na vergonha. O oposto seria a cultura da culpa, que ainda prevalece nos países protestantes, mas está perdendo força. O cristianismo ensinou a psicologia coletiva da culpa, absorvida pelo indivíduo, mas eximida individual e socialmente. A diferença entre vergonha e culpa é grande. Quando sinto culpa, reconheço um comportamento errado que pode ser mudado. A vergonha diz respeito a quem eu sou. Ter culpa corresponde a dizer: “Perdoe-me, eu cometi um erro”. Ter vergonha, no entanto, é como dizer: “Perdoe-me, eu sou um erro”. Na cultura brasileira, o maior mecanismo social de restrição de comportamento é a vergonha. O problema começa em casa com a maneira como educamos os filhos: “Papai do céu está olhando”; “Não me faça passar vergonha”; “Menino, você é um problema”. Segundo estudos, a diferença entre estas afirmações e as que reconhecem a culpa pelo ato não é meramente linguística. O “você é ... X você fez ...” está diretamente ligado ao rendimento escolar, uso de drogas na adolescência e até mesmo a crimes. A criança educada num lar onde prevalece a punição da vergonha tem mais propensão aos problemas. O problema claro é que ninguém é perfeito, porém mesmo assim fomos feitos para sermos amados e aceitos. Como conciliar a necessidade de aceitação com a inevitável imperfeição humana? Evite a vergonha. Como evitar a vergonha? Nunca se exponha. Nunca apareça como é nem diante dos mais íntimos. Conviva com a dor de nunca se tornar conhecido e, portanto, nunca ser amado como realmente é. A cultura da vergonha, por usar o descrédito público e a dor da humilhação social para reprimir, não permite a redenção. Uma vez envergonhada, a pessoa jamais recupera sua influência. A alternativa é cultivar aparências. Dos líderes, então, exigimos que sejam heróis, perfeitos. Talvez por isso acabamos iludidos por tiranos. Colocamos o líder acima do povo, numa posição sobre-humana, e assim ele se torna aos seus próprios olhos. O desafio de Brené Brown acabou me conquistando. A dor de se esconder é pior do que a vergonha de se expor. O evangelho verdadeiro me ensina que das minhas culpas eu me arrependo e sou liberta. E, porque não sou o pecado que cometo, posso expor as minhas imperfeições. O amor que Cristo tem por mim não é condicional a uma pretensa perfeição religiosa. Adeus super-mulher e super-missionária. Você tem direito de errar. __________ Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona com sua família e está envolvida em projetos de tradução da Bíblia nas ilhas do Pacífico