FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

VOCÊ É VOCE


Você é forte
quando pega sua mágoa e ensina a sorrir.

Você é corajoso
quando supera seu temor e ajuda os outros a fazer o mesmo.

Você é feliz
quando vê uma flor e se vê abençoado.

Você é amoroso
quando sua própria dor não lhe faz cego à dor dos outros.

Você é sábio
quando conhece os limites de sua sabedoria.

Você é verdadeiro
quando admite que há vezes em que você se engana.

Você está vivo
quando a esperança de amanhã significa mais a você do que o erro de ontem.

Você é livre
quando têm o controle de si e não deseja controlar os outros.

Você é honrado
quando descobre que sua honra é honrar os outros.

Você é generoso
quando pode receber tão docemente quanto você pode dar.

Você é humilde
quando você não sabe como pode ser humilhado.

Você é atencioso
quando me vê exatamente como sou e me trata exatamente como você é.

Você é misericordioso
quando perdoa nos outros as faltas que você condena em si mesmo.

Você é belo
quando não precisa que um espelho lhe conte.

Você é rico
quando nunca precisa mais do que o que você tem.

Você é você
quando está em paz com quem você não é.


É DEUS




Alguma vez você sentiu
o desejo de fazer uma coisa agradável
por alguém a quem tem carinho?
É DEUS,
que te fala através do Espírito Santo.

Alguma vez,na hora em que você se sentiu triste e sozinho,
embora parecendo que alguém está ao teu lado?
É DEUS,
que te acolhe através de Jesus Cristo.

Alguma vez ao pensar em alguém que te é querido
e não vês há muito tempo,
acontece que de repente encontras essa pessoa?
É DEUS,
porque o acaso não existe!

Alguma vez você recebeu algo maravilhoso
que nem tinhas pedido?
É DEUS,
que conhece bem os segredos do teu coração.

Alguma vez esteve numa situação muito problemática
sem teres a menor idéia de como resolver
e de repente a solução aparece?
É DEUS,
que toma os nossos problemas nas Suas Mãos.

Alguma vez você sentiu uma imensa tristeza na alma
e de repente, como se um bálsamo fosse derramado,
uma paz inexplicável invade teu ser?
É DEUS,
que te consola com um abraço e te dá esperança.

Alguma vez você se sentiu tão cansado da vida,
a ponto de querer morrer... e de repente um dia,
começa a sentir que tens força suficiente para continuar?
É DEUS,
que te carrega nos Braços e te dá descanso.

Tudo é melhor quando...
É DEUS QUEM ESTÁ À FRENTE !!!

você acha que esta mensagem tá chegando até você por acaso?
É DEUS que me usa pra chegar até você.
Não por apenas ser seu amigo , mas porque você é importante para DEUS
e para mim também, tenha certeza.

que você receba o toque de Deus e sinta a sua presença do seu lado em todos os momentos, basta que você o busque.
Vamos compartilhar o AMOR DE DEUS!!!

É LOUCURA



É loucura, odiar todas as rosas
por que uma te espetou...

Perder a fé em todas as orações,
porque numa não foste atendido...

Desistir de todos os esforços
Porque um deles fracassou...

Condenar todas as amizades
Porque uma te traiu...

desacreditar de todos os amores
Porque um deles te traiu...

Jogar fora todas as chances de ser feliz
Porque uma tentativa não deu certo...

Espero que na tua caminhada, não cometas essas loucuras.

Há sempre uma outra CHANCE
Uma outra AMIZADE
Um outro AMOR
Uma nova FORÇA

É so ser "perseverante" e procurar ser mais FELIZ a cada dia.
A gloria não consite em jamais cair, mas sim de ergue-se toda vez que for necessário!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

NÃO MORRE


Por: Saad Zogheib
 Ao longo dos tempos ? e hoje ?, o ser humano sempre aspirou a ser eterno, de um modo ou de outro. E todos querem manter a própria originalidade, sem copiar ninguém. É muito difícil pensar que devamos morrer, mas a morte é uma realidade inexorável. 
  Quanto silêncio sobre muitas pessoas que morreram e foram logo esquecidas. Quantas ideologias morreram com quem as defendeu, quantas teorias sucumbiram ao mesmo tempo em que, sob a terra, se escondiam os seus fautores. 
  No entanto, nascemos para ser eternos. Mas, afinal, o que nos assegura a permanência da vida?
  Algumas pessoas permaneceram vivas na memória dos povos, como se vivessem até hoje. Foram pessoas que se eternizaram porque viveram por algo que não passa: fizeram a vontade de Deus; identificaram-se com as palavras de Jesus; tornaram-se pequenos verbos no Verbo. "Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão". 
  Mas ocorre descobrir e experimentar que Deus é Amor e, portanto, a sua vontade não pode não ser só Amor.
  É muito constrangedor e triste ouvir o tom resignado e passivo de muitas pessoas, atribuindo tudo à vontade de Deus, como um determinismo cinzento e implacável, monótono e imutável, quase uma condenação. Devemos, ainda, nos desvincular dos resíduos ancestrais da ideia de deuses capazes de vingança e de terror. 
  O Deus anunciado por Jesus é Amor, e essa realidade pode determinar uma reviravolta radical em nossas vidas. Quando fazemos a profunda experiência de que Deus nos ama, encontramos a verdadeira liberdade em fazer a sua Vontade, que é diferente para cada um de nós. Como diferentes raios do mesmo Sol.
  Persistindo na decisão de caminhar no nosso raio em direção ao Sol, sabendo recomeçar sempre, a aventura da vida humana se torna extraordinária; a normalidade assume tons de extraordinariedade, porque permanecendo "no raio" encontramos sempre a novidade que Deus preparou para nós em cada momento presente. 
  E quanto mais caminhamos no nosso raio, mais nos encontramos próximo dos outros, lado a lado. Cada um com uma singularidade irrepetível, mas unido aos outros. À medida que nos aproximamos do Sol, aproximamo-nos entre nós, até nos encontrarmos todos em Deus. Desse modo, a inconfundível beleza do desígnio de Deus para cada um torna-se dom para os demais, num jogo de reciprocidade. Uma divina harmonia já se inicia nesta terra para continuar eternamente no Céu.
Fazer a Vontade Deus, que é o seu amor por nós, é o único modo de nos tornarmos eternos.

UM SÓ CORAÇÃO, UMA SÓ ALMA


"A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum". (At 4,32)
    Essa Palavra apresenta um daqueles "sumários" (veja também 2,42 e 5,12-16) com os quais o autor dos Atos dos Apóstolos retrata, em grandes linhas, a primeira comunidade cristã de Jerusalém. Nesse trecho, a comunidade distinguia-se por um extraordinário vigor e dinamismo espirituais, pela oração e pelo testemunho e, principalmente, por uma grande unidade, pois essa era a característica que Jesus tinha desejado como sinal inconfundível e fonte de fecundidade da sua Igreja.
  O Espírito Santo - recebido no Batismo por todos os que acolhem a palavra de Jesus - é espírito de amor e de unidade. Portanto, era Ele que fazia de todos os fiéis uma só coisa com o Ressuscitado e entre si, superando todas as diferenças de raça, de cultura e de classe social.
 
  "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum".
 
  Mas vejamos detalhadamente os aspectos dessa unidade.
  Primeiro: o Espírito Santo realizava a unidade dos corações e das mentes entre os fiéis, ajudando-os a superar aqueles sentimentos que, na dinâmica da comunhão fraterna, tornavam difícil a sua atuação.
  Realmente, o maior obstáculo à unidade é o nosso individualismo. Trata-se do apego às nossas ideias, aos nossos pontos de vista e às preferências pessoais. É por causa do nosso egoísmo que se erguem as barreiras pelas quais nos isolamos e excluímos quem é diferente de nós.
 
  "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum".
 
  A unidade realizada pelo Espírito Santo refletia-se necessariamente, também, na vida concreta dos fiéis. A unidade de pensamento e de coração encarnava-se e manifestava-se numa solidariedade concreta, por meio da partilha dos próprios bens com os irmãos e as irmãs que passavam necessidade. Justamente por ser uma unidade autêntica, ela não tolerava que, na comunidade cristã, alguns vivessem na abundância, enquanto outros não tivessem nem mesmo o necessário.
 
  "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum".
 
  Como poderemos viver, então, a Palavra de Vida deste mês? Ela ressalta a comunhão e a unidade que Jesus tanto recomendou, a ponto de doar-nos o seu Espírito para vê-la realizada.
  Logo, atentos à voz do Espírito Santo, procuremos crescer nessa comunhão em todos os níveis. Primeiramente em nível espiritual, superando os germes de divisão que trazemos dentro de nós. Seria, por exemplo, absurdo querermos estar unidos a Jesus e, ao mesmo tempo, estarmos divididos entre nós, comportando-nos de modo individualista, cada um por conta própria, julgando-nos uns aos outros e, quem sabe, rejeitando-nos mutuamente. Portanto, é preciso realizar uma renovada conversão a Deus que nos quer ver unidos.
  Além disso, essa Palavra nos ajudará a entender cada vez mais a contradição que existe entre a fé cristã e o uso egoísta dos bens materiais. Ela nos auxiliará a realizar uma autêntica solidariedade com aqueles que estão passando necessidade, embora nos limites do que nos é possível.
  Essa Palavra nos levará, ainda, a rezar pela unidade dos cristãos e a reforçar os vínculos de unidade e o amor de comunhão com os nossos irmãos e irmãs de outras Igrejas, com os quais temos em comum a única fé e o único espírito de Cristo, recebido no Batismo.
 
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em janeiro de 1994.

Chiara Lubich

UM LABORATORIO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL


Por: Fernanda Pompermayer
    Terça-feira, 23 de novembro. Quando, no Rio de Janeiro, o clima de guerra civil entre a Polícia e as facções que controlam o tráfico de drogas, nos morros cariocas, estava no auge, eu me encontrava em Florianópolis, no Maciço do Morro da Cruz. Coincidentemente, o meu objetivo era fazer uma reportagem, justamente sobre um trabalho social de prevenção à violência, no Morro de Mont Serrat. 
   Esse projeto surgiu para oferecer uma opção de vida digna a crianças, adolescentes e jovens cuja única perspectiva era o mundo do crime e da droga. Analogamente à situação do Rio de Janeiro ? e respeitando as devidas proporções ?, o Morro de Mont Serrat era sinônimo de uma realidade de miséria e violência numa região urbana central da Ilha de Santa Catarina.
   Embora conhecendo o trabalho, ao chegar ao local deparei-me não com um projeto, mas com uma vasta gama de iniciativas: sete ONGs que atualmente articulam 15 projetos em 30 áreas diferentes. Os trabalhos giram ao redor do Centro Cultural Escrava Anastácia (CCEA), fundado em junho de 1994, por Vilson Groh (56), sacerdote que já atua no local desde 1983. Catarinense de Brusque, ele é também mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
  
   Tudo começou...
   O ponto de partida desse leque de projetos está ligado a um contexto histórico: a primeira metade dos anos 1980, na passagem da ditadura para a abertura política, em meio à efervescência dos movimentos sociais que começaram a surgir no Brasil. Vilson Groh, sensível, desde a adolescência, à realidade social, participou de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), teve contato com a Teologia da Libertação e, em 1976, conheceu o Movimento dos Focolares. Portanto, "o caldo cultural da construção do meu pensar social baseado na radicalidade do Evangelho" ? afirma o sacerdote ? "parte desse contexto, que me levou a fazer uma escolha de vida ligada ao documento de Puebla (1979), no qual a Igreja da América Latina fez uma opção preferencial pelos pobres". 
   No decorrer dos anos, Vilson foi descobrindo o enorme capital social e humano da população empobrecida em meio à qual vivia. Foi a partir da interação entre o sacerdote e a comunidade que surgiram os diversos projetos de promoção humana e social, a partir do princípio de que os moradores do Morro deveriam ser os protagonistas da própria história. Na convivência com eles, foram surgindo os modos de enfrentamento das graves situações sociais locais. 
   Segundo Ivone Perassa, coordenadora geral dos projetos do CCEA, a inserção das pessoas nas várias etapas dos projetos tem sido a garantia do sucesso deles. Um sucesso que pode ser comprovado pelos números. Segundo a coordenadora, nas comunidades em que a instituição tem uma atuação direta com a juventude ligada ao tráfico de drogas e ao universo da criminalidade, o resultado tem sido a queda do índice de criminalidade, o retorno à escola e a inserção no mundo do trabalho, num percentual que beira os 80%."
  
   Projetos complementares
   É impossível descrever, numa única matéria, a abrangência dos projetos do Morro de Mont Serrat. Eles abarcam desde abrigos para crianças em situação de vulnerabilidade social e familiar, a estruturas para o reforço escolar; desde o encaminhamento de adolescentes já envolvidos com o tráfico para outras atividades até cursos profissionalizantes para jovens, além da arrecadação de bolsas de estudo em várias universidades catarinenses.
   O projeto "Procurando Caminho", por exemplo, serve-se do esporte de aventura como um meio de resgate da dignidade dos adolescentes e jovens e de reintegração social. Surgiu depois do assassinato de dois jovens da comunidade por gangues do narcotráfico. O projeto nasceu para oferecer aos jovens alternativas aos apelos de uma vida à margem da lei, criando uma escola de surfe e uma atividade produtiva de conserto e fabricação de pranchas de surfe. 
   Mateus Alexandre Hoerlle, professor de Educação Física, deixou a escola em que lecionava para se dedicar ao projeto "Procurando Caminho". Ele vê essa sua atividade como uma verdadeira vocação, um legado da sua vida para esses jovens. Os resultados concretos na reintegração de jovens "condenados à morte" pelo narcotráfico, na vida da comunidade, e as perspectivas profissionais, que o projeto está abrindo, confirmam que Mateus tem razão.
   Segundo Jorge Ribeiro Portela, que também atua no mesmo projeto, dos 25 adolescentes de 13 a 15 anos com os quais ele trabalha, "20 já estariam mortos ou presos se não estivessem inseridos nesse projeto".
   A fábrica de pranchas bem como outras atividades profissionalizantes que envolvem os jovens têm sua sede no antigo prédio do Instituto Médico Legal de Florianópolis, que foi cedido pelo governo municipal. Um fato emblemático do processo de transformação que os projetos sociais estão realizando no Morro de Mont Serrat: o local onde eram colocados os cadáveres ? muitos deles vítimas da violência ? hoje é um laboratório de trabalho e de formação humana de jovens.
   Educados para educar
   Alan Ribeiro Rodrigues é gestor de negócios e trabalha atualmente no projeto "Apoio ao Desenvolvimento Escolar", com a obtenção de bolsas de estudo ? cerca de 30 por semestre ? junto às universidades privadas da Grande Florianópolis, para os jovens do Morro. 
   O trabalho de Alan "é uma forma de agradecimento aos projetos do CCEA". De fato, ele conseguiu estudar e chegar à conclusão da universidade, graças às diversas iniciativas de promoção social no Mont Serrat. "Hoje eu estou dando continuidade ao trabalho social pelo qual fui ajudado. Comecei como voluntário para retribuir a ajuda que me foi concedida, e agora sou funcionário do CCEA." 
   Na linha de investimento em educação e acesso à universidade, o CCEA proporciona cerca de 120 vagas anuais num dos melhores cursos pré-vestibulares da capital catarinense. O índice de aprovação nas universidades públicas e privadas dos jovens, com os quais o Centro trabalha, tem sido de 80%.
   Outro exemplo de alguém que chegou à universidade devido aos projetos sociais do Mont Serrat, e que hoje se dedica a eles, é o advogado Mário Davi Barbosa. Ao formar-se em Direito, ele se colocou à disposição do CCEA e, atualmente, é o advogado do Centro de Atendimento a Vítimas de Crimes (CEAV), que oferece acompanhamento psicológico e jurídico a mulheres que sofrem violência doméstica e a outras vítimas de agressões.
  
   Processo em rede
   A gama de projetos do CCEA é muito ampla, mas há um denominador comum que motivou o surgimento de cada um deles. "Nós temos uma missão, que é o cuidado com a vida. Para isso, temos que realizar uma série de projetos diferentes e complementares, mas todos eles buscam a preservação da vida e a sua qualidade", é o que explica Willian Carlos Narzetti, economista, com pós-graduação em Gerenciamento de Projetos, e coordenador do "Projeto Aroeira", voltado para a capacitação profissional de jovens. 
   Um aspecto importante do trabalho do CCEA é a sua articulação com outras entidades que oferecem apoio logístico ou financeiro aos projetos e também com outras instâncias da vida cultural, social e política de toda a cidade, gerando uma rede extensa e compacta. 
   Segundo pe. Vilson, só é possível mudar o quadro social da periferia se houver uma intervenção nas estruturas da cidade, as quais criam desigualdade e injustiças. Não basta, segundo ele, intervir nas consequências dessas estruturas. Com efeito, afirma, "a pobreza é decorrente de um sistema cuja raiz são as estruturas injustas, e é nelas que o CCEA procura agir". Daí a importância de trabalhar num processo em rede. 
   "O processo em rede traz também a questão das interfaces da cidade" ? diz o pe. Vilson. "Ou seja: centro e periferia, ou vice-versa, se relacionam. Precisamos pensar nas interfaces com os mundos da política, da cultura, da economia, da intelectualidade, da arte". Muitos projetos são realizados em parceria com o empresariado catarinense e com pessoas e entidades representativas das classes média e alta de Florianópolis.
   Com o seu método de trabalho em rede, o CCEA está ajudando todas as esferas da sociedade a se envolverem na busca de soluções para os problemas da cidade. "Não para substituir o Estado" ? conforme explicou Pe. Vilson ? "mas para construir uma esfera pública que ajude a estabelecer uma relação entre Estado e sociedade civil capaz de gerar espaços de consolidação de práticas e projetos que, com o tempo, tornem-se políticas do Estado."
  
   CCEA em números
   7 ONGs que atuam no resgate social e educacional
   15 projetos em 30 áreas
   450 jovens  que frequentam universidades
   80% dos envolvidos nos projetos reinseridos nas escolas e fora do giro do narcotráfico
   40 mil pessoas envolvidas direta ou indiretamente nos projetos.
  
   Os resultados desse vasto leque de iniciativas podem ser observados em diversos âmbitos, mas principalmente na educação. Nessa área, há uma rede de projetos que abrange pessoas de 6 a 24 anos. Dos 6 aos 15, elas participam do período estendido, ou seja, quando não estão na escola, têm aulas de reforço e outras atividades pedagógicas; dos 15 aos 18 anos, vão para o programa "Aprendiz", que oferece cursos técnicos profissionalizantes que correspondem à demanda do mercado; dos 18 aos 24, frequentam as escolas de Ensino Médio, o curso pré-vestibular e ingressam na universidade. Nessa última etapa, participam também de projetos nas áreas de cooperativismo, geração de trabalho e renda, profissionalização, e de inserção no mercado de trabalho.
  
   O grito de Jesus na cidade
   Três perguntas a Vilson Groh, sacerdote que iniciou o trabalho no Morro de Mont Serrat
   Sabemos que o trabalho social do senhor tem uma forte motivação espiritual. Poderia dizer algo a esse respeito?
   Na minha juventude, eu participei das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Teologia da Libertação, com a "sua opção preferencial pelos pobres", que sempre me acompanhou no empenho social. Mas um fato importante foi o meu encontro com a espiritualidade do Movimento dos Focolares em 1976. 
   O ponto chave ? o elemento fundante ? para mim, nessa espiritualidade, foi Jesus crucificado e abandonado, cujo grito "Meus Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" eu identifiquei no sofrimento dos mais pobres e desamparados. Ele, Jesus abandonado, tem o rosto da população negra, da criança abandonada, do jovem desempregado. Ele é real, concreto.
  
   O que o motiva e o sustenta para continuar seguindo em frente?
   O que me dá força, energia, como padre, é a ascese ? que eu encontro no grito de Jesus crucificado e abandonado ? e a mística, que é o Ressuscitado, que gera a cultura da vida.
   A beleza do nosso trabalho está em olhar esta realidade dramática como algo possível de transformação, e não como algo negativo. É uma realidade grávida de esperança, de perspectivas, de sonhos... O olhar teologal nos leva a recuperar a expressão de um Deus que gera a vida.
   Para mim, a dimensão do sacerdócio é recuperar a fé em Jesus com ações e gestos, com o radicalismo do Evangelho, que é uma resposta à América Latina. Acho que nós ainda não descobrimos a força que o Evangelho tem para o processo de transformação social.
   Quando o nosso agir vira pura ideologia, nós perdemos a força que move misticamente esse continente e que gera as oportunidades e as saídas. Mas quando temos essa força, o ministério sacerdotal torna-se "avental", torna-se serviço, e construímos uma Igreja mariana: da sensibilidade, da compaixão, da esperança, da missionariedade, da acolhida e do cuidado com a vida. 
   O cuidado com a vida deve ser um gesto amoroso, o gesto de Jesus. A Eucaristia que eu celebro todos os dias, às 6h30, é um modo de comungar com a realidade que o mundo vive, a fim de que os meus gestos tornem-se, durante o dia, gestos eucarísticos. O que nós fazemos não é obra nossa, é obra de Jesus: nós somos apenas instrumentos.
   Isso requer um tempo de mística, pois se não fosse assim, eu viraria um assistente social, um sociólogo, um antropólogo, um político. Para mim, a diferenciação do meu trabalho é teologal: eu olho essa realidade com o olhar de Deus, com o coração de Deus.
  
   O seu trabalho foi reconhecido pela sociedade com muitos prêmios...
   Sim, em 2008 recebi o "Prêmio Betinho ? Atitude Cidadã". Mais recentemente o "Amigo da Comunidade", concedido pela Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), entre outros.
Mas quando eu fui ordenado padre, escolhi como lema um trecho do evangelho de Mateus (Mt 25,31-40), no qual Jesus diz: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber...". E conclui assim: "Cada vez que fizestes isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes". O meu maior prêmio é fazer isso para Jesus.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O VERDADEIRO EVANGELHO ( A CRUZ )



"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente". Jó 1.1-3

Há dois evangelhos populares que concorrem nas igrejas com o evangelho de Cristo: o evangelho da lei e o evangelho da prosperidade.

Paulo era um autêntico herdeiro da mensagem de Jesus e por isso combatia os dois veementemente. Combateu o primeiro especialmente na sua Carta aos Gálatas e na sua Carta aos Romanos, como Jesus o combateu especialmente diante dos fariseus. Combateu o segundo especialmente nas suas cartas aos coríntios, como Jesus o combateu quando desafiou os ricos e a classe sacerdotal. O combate era interno, isto é, dentro do povo de Deus, cada um citando as suas fontes bíblicas, o que faz o combate complicado. A solução também não era simples. Por isto temos as cartas densas que Paulo escreveu detalhadamente. Mas o resumo da solução, a alternativa que Paulo apresentou, pode ser dita em apenas quatro palavras: o evangelho da cruz. Para Paulo, anunciar Cristo significava a adoção do evangelho da cruz. Os outros evangelhos podem ser trabalhados a partir do Antigo Testamento. É fácil fazê-lo e é frequente. Os escritores do Novo Testamento, graças à liderança de Paulo que atribuia isto à revelação de Deus e à inspiração pelo Espírito Santo, entenderam que a leitura do Antigo Testamento que resulta ou no evangelho da lei ou no evangelho da prosperidade, era equivocada. Isto é essecialmente o assunto da Epístola aos Hebreus. Sua mensagem é que à luz de Cristo o evangelho da lei e o evangelho da prosperidade não são propriamente “cristãos” e por isso não podemos voltar para trás.

O Livro de Jó é talvez a maior correção ao evangelho da prosperidade no Antigo Testamento, pois no fim, os advogados deste evangelho, os “amigos” de Jó, são revelados como errados. O evangelho da prosperidade funciona assim: se você for íntegro na sua caminhada com Deus, prosperará. Terá a vitória. O inverso também é verdade: se não prosperar é porque há algum pecado ainda na sua vida. Deve ter deixado uma brecha para o diabo e está sofrendo as consequências. Este é exatamente o “conselho” dos amigos de Jó e eles estavam tragicamente errados.

Os primeiros versos do Livro de Jó preparam este cenário. Os múltiplos de 10 (7 filhos mais 3 filhas = 10; 7.000 ovelhas mais 3.000 camelos = 10.000; 500 pares de bois mais 200 jumentas = 1.000) no mundo antigo indicavam compleição e o superlativo no final apenas confirma este indício: “era o maior de todos os do Oriente”. E mais importante ainda, era homem “’íntegro e reto”. Logo será vitorioso?

Temos que admitir: todos nós (há realmente alguma exceção?) desejamos sucesso. Todos queremos ter vitória. Todos nós desejamos prosperar. O Livro de Jó redefine o conceito de bênção e prosperidade e esclarece qual é o árduo caminho para a “vitória”. Assim aponta na direção do evangelho de Cristo que é o evangelho da cruz. Neste ano queremos ouvir a voz de Deus a respeito disto para seremos verdadeiros discípulos de Cristo e não meramente versões “cristãs” do sucesso e do modelo que a nossa cultura consumista promove.

“Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus? Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face”. Jó 1.8-11

A dificuldade maior de tratar tanto da teologia da prosperidade quanto da teologia da lei (que mencionamos na primeira devocional) é que ambas nasceram de Deus! E assim possuem certa razão. Digo “certa” porque uma das características da revelação de Deus nas Escrituras que praticamente todos os teólogos afirmam é a sua natureza progressiva. Ou seja, uma leitura até superficial da Bíblia ilustra que Deus raramente revela tudo duma só vez. Isto seria mecânico demais e dispensaria o bom relacionamento que Deus quer que desenvolvamos com ele. O princípio mais básico da revelação progressiva é que o Novo Testamento interpreta o Velho. Por exemplo, as “bênçãos” que Deus promete para o seu povo no Antigo Testamento para o cristão têm que ser entendidas à luz da cruz e por consequente à luz de passagens como Efésios 1.3-10 e Gálatas 3.28-29.

Na passagem acima, quando Satanás se apresenta diante de Deus, vemos a razão porque a prosperidade absoluta, mesmo oriunda de Deus, poderá não servir os propósitos de Deus e porque é necessário o empobrecimento e o sofrimento na vida dos fiéis: para demonstrar que os retos e íntegros temem a Deus pelo que Deus é e não pelo que têm recebido em abundância de Deus.

O outro lado da moeda, e lição igualmente importante, é que o empobrecimento e o sofrimento não constituem a vontade “perfeita” de Deus para as nossas vidas, e sim, a sua vontade “permissiva”. Deus deseja, sim, nos abençoar mas permite dificuldades para criar em nós caráter e amor genuínos e irrestritos, algo que dificilmente se cria na abundância.

Mas, não nos esqueçamos do alvo de bênção maior que Deus nos dá e que Paulo nos apresenta em Efésios 1.3-10.