FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA
ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM
AGRADECIMENTO
AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
O REVÓLVER, UMA BÍBLIA
Um dos aspectos mais gratificantes em liderar um centro de treinamento no sertão é a beleza da obra da cruz externada em vidas que conhecemos na caminhada. Um destes personagens verídicos é o irmão Luiz. Ele era violento. Um violento calmo, de fala mansa, homem de palavra e que não levava desaforo para casa. Cismado, não gostava de brincadeira. Para ele as coisas se resolviam logo na bala.
Este estilo de ser não é incomum no sertão nordestino. Homens que valorizam a honra, e respeitam mais o revolver que a Bíblia. Era assim que pensava e agia o seu Luiz, morador de Ibiara, na Paraíba. Não era difícil ameaçar alguém de morte e ser ameaçado, principalmente em sua mocidade. Com este estilo de vida, ele adquiriu muitos inimigos e, alguns, de morte.
Em determinado dia foi pego numa emboscada, levou muitos tiros. Não morreu. Segundo ele, porque era escolhido de Jesus. Depois que seu Luiz se recuperou dos ferimentos, passou a refletir mais sobre a vida, e se valia à pena viver. Foi quando, num belo dia, um crente se aproximou dele e dos demais cabras valentes que estavam reunidos embaixo de um juazeiro e informou acerca de uma reunião na casa de seu Zé Nicolau, no sítio Olho d’Água. Seu Luiz ficou intrigado com a ousadia e segurança daquele crente. Afinal de contas ele e seus companheiros eram famosos pela ignorância e violência. Sem saber exatamente por que, ele disse que ia. E foi. E gostou do que ouviu, passando a freqüentar a igreja dos crentes, contudo, só ia armado. Ele não confiava em ninguém, só em seu revólver.
Um dia, na igreja dos crentes, ele se sentiu mal por estar de revólver na cintura. Meditou dentro de si e chegou à conclusão que não era certo estar dentro da casa de Deus armado. Foi para casa, chamou um compadre dele e propôs a venda da arma. O amigo sugeriu uma troca por um terreno, um lote de casa. Seu Luiz concordou e fechou negócio. Pouco tempo depois ele se converteu de verdade, aceitando a Jesus como salvador e senhor. O irmão Luiz hoje é um homem manso, ainda corajoso, mas, só para pregar o Evangelho. Um evangelista de mão cheia por sinal. É aluno do Seminário Sertanejo da Juvep em Itaporanga e termina neste ano o básico em teologia.
A filha do irmão Luiz se casou ano passado e ela disse uma frase que ele não esquece: “Pai que bom que o Senhor trocou o revólver pelo terreno, eu e meu marido temos um lugar para construir a nossa casa. Muito obrigado meu pai”. O Evangelho quando chega de verdade transforma vidas.
Pedro Luis Da Silva
SEQUIDÃO
Rodrigo de Lima Ferreira
O ar anda muito seco. Aqui em Rondônia a coisa está virando calamidade. Quando se anda na rua, a garganta seca, mesmo você ficando de boca fechada. Os olhos ardem, a garganta arranha. O clima está nublado há dias, e é por causa da poeira suspensa. De noite, fica uma neblina que te impede de enxergar mais longe. E é neblina de pó, não de orvalho.
A grama das praças ficou marrom. Não sei como estão as plantações e os rebanhos, mas imagino que devam estar sofrendo bastante também. Há notícias de que ocorreram acidentes nas estradas daqui, de Goiás e do Mato Grosso por causa do ar seco, junto com as queimadas.
O ar está pesado, ruim para se respirar. Segundo uma amiga que mora em Brasília, a coisa por lá também não está nada fácil, até mesmo porque o clima naturalmente é bastante seco.
Sinto que o clima, o ar e o meio ambiente eclesiástico também apresentam tamanha sequidão. O nome de Jesus, que até há pouco tempo era central, hoje se tornou apenas mais um amuleto para de amealhar renda. A sagacidade de empresários religiosos que querem se fazer conhecidos como ministros de Deus e a sanha de gente calhorda em busca de notoriedade alcançam níveis alarmantes em nossa história recente. O conchavo, o jeitinho, o “quanto levo nessa” se tornaram padrão nos bastidores eclesiais brasileiros. Por sua vez, há também aqueles que, alijados da notoriedade ocupada no passado, passam-se por únicos e exclusivos profetas e pregoeiros do Evangelho genuíno, gerando, com isso, um sem-número de seguidores áulicos e faltosos de capacidade de discernimento, que se alimentam de sua bile despejada Brasil afora. Há também aqueles que creem e pregam que Deus é uma espécie de “Carolina” da música de Chico Buarque: o tempo passou e só Deus não viu, não agiu, não intercedeu, não exerceu sua soberania. Como um bobalhão, ficou sentado à beira do caminho lamentando sua impotência perante este mundo mau.
Enfim, o que há é uma sequidão. Os relacionamentos pessoais estão secos, quebradiços. O caráter de muita gente não suporta ser moldado, pois pode trincar. O relacionamento com Deus, então, resseca as vistas, a garganta, a pele.
O profeta Ezequiel demonstra, em sua profecia (Ez 37.1-15), o que realmente somos: ossos secos em um vale (Ez 37.11). A visão de ossos remete à imagem de morte, desolação, abandono. Ossos também são parte da estrutura de um corpo. A igreja de hoje está bem estruturada, com seus inúmeros departamentos, autarquias e diretorias internas; falta-lhe, porém, o fôlego de vida para que termine essa sequidão.
É hora de clamarmos a Deus, pedirmos perdão a ele, nos arrependermos de nossos maus caminhos. Deixar de usar o rebanho como moeda de troca eleitoreira ou como vitrine de nossa presunção. É hora de vivermos, novamente, a vida de refrigério que Deus nos dá (Sl 23.3a), sendo guiados por ele, e não por nossa própria carnalidade. É hora da igreja evangélica brasileira se converter ao Senhor e fugir de sua perene sequidão. Que Deus tenha misericórdia de nós!
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
SACRIFICIO, PRESENÇA E COMUNHÃO
Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo emérito de Piracicaba
O Evangelho de São Lucas narra um episódio em que Jesus ressuscitado encontra-se com dois discípulos a caminho de Emaús. Essa narrativa indica os grandes momentos da presença de Jesus em nossas comunidades, como o fez com os discípulos. Primeiro, Ele caminha conosco, solidário com nossos problemas e participando de nossas lutas cotidianas; em seguida, Ele está no meio de nós quando é anunciada a Palavra das Escrituras fazendo arder nossos corações; Ele, ainda, torna-se presente entre nós no gesto da “fração do pão”, fazendo memória da entrega de sua vida na Cruz. Todo amor é partilha e, em toda partilha de vida motivada pelo amor, Cristo revela sua presença.
A Eucaristia é a expressão desse amor. É o sacramento do amor que não deixa a maior prova do amor de Deus pela humanidade permanecer no acontecimento do passado. A Eucaristia é o amor maior e, como todo verdadeiro amor, exprime-se mediante tríplice exigência: do sacrifício, da presença e da comunhão.
O amor exige sacrifício. A Eucaristia é o sacramento do amor porque, em primeiro lugar, significa e realiza o sacrifício da Cruz na forma de ceia pascal. Nos sinais do pão e do vinho, Jesus se oferece como Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo. Pão dado, sangue derramado pela redenção do mundo. Eis aí o sacrifício como exigência do amor.
Amar o próximo como Jesus amou exige de seus discípulos a prática do mesmo gesto de doação da vida em favor da vida dos irmãos. Vida eucarística é vida doada a serviço dos irmãos que lutam pelos direitos que resguardam sua dignidade de filhos de Deus.
O amor, além do sacrifício, exige presença. A Eucaristia é a presença real do Senhor que faz dos sacrários de nossas igrejas centro da vida e da oração dos fieis. A fé cristã vê no sacrário de nossas igrejas a morada do Senhor plantada ao lado da morada dos homens, não os deixando órfãos, fazendo-lhes companhia, partilhando com eles as alegrias e as tristezas da vida, ensinando-lhes o significado da verdadeira solidariedade. Eis a presença, outra exigência do amor.
A Eucaristia, presença real do Amigo no tabernáculo de nossos templos, tem sido fonte da piedade popular como demonstra o hábito da visita ao Santíssimo e da adoração na Hora Santa, culminando na procissão litúrgica anual de Corpus Christi. Impossível crer nessa presença e não acolhê-la nas situações concretas da vida: “Eu estava com fome e vocês me deram de comer, eu era estrangeiro e vocês me receberam em sua casa, eu estava sem roupa e me vestiram, eu estava doente e cuidaram de mim, eu estava na prisão e vocês foram me visitar. Garanto a vocês: todas as vezes que fizeram isso a um dos menores dos meus irmãos foi a mim que o fizeram.” (Mt 25, 35-40)
Vida eucarística é vida solidária com os pobres e necessitados. Não posso esquecer a corajosa expressão de Madre Teresa de Calcutá que nos socorre nesse instante com a autoridade do seu impressionante testemunho de dedicação aos mais abandonados da sociedade. Dizia ela, e ninguém diria melhor: “A hora santa diante da Eucaristia deve nos conduzir até a hora santa diante dos pobres. Nossa Eucaristia é incompleta se não nos levar ao serviço dos pobres por amor.”
O amor não só exige sacrifício e presença, mas exige também comunhão. Na intimidade do diálogo da Última Ceia, Jesus orou com este sentimento de comunhão com o Pai e com os seus discípulos: “Que todos sejam um (os que me pertencem e os que vão acreditar em mim). Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti... que eles estejam em nós” (Jo 17, 20-21). Todos os que se identificam com Ele passam a ter a mesma identidade entre si: são chamados de irmãos seus e o são de verdade, não pelo sangue, mas pela fé. Eucaristia é vida partilhada com os irmãos. Eis a comunhão como exigência do amor.
Resumindo: vida eucarística é amar como Jesus amou. Não é simplesmente amar na medida dos homens – o que chamamos de filantropia. É amar na medida de Deus – o que chamamos de caridade. A caridade nunca enxerga o outro na posição de inferioridade. É a capacidade de sair de si e colocar-se no lugar do outro com sentimento de compaixão, ou seja, de solidariedade com o sofrimento do outro. Caridade é ter com o outro uma relação de semelhança e reconhecer-se no lugar em que o outro se encontra. Termino com a salutar advertência do Apóstolo Paulo à comunidade de Corinto, quanto à celebração eucarística, já naquele tempo, eivada de desvios: “Todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente (ou seja, negando a prática da caridade solidária) é réu do corpo e do sangue do Senhor.” Ou seja, não é a vida que venceu a morte que estará celebrando, mas celebra a morte da vida.
Caridade solidária é o gesto de descer até o necessitado para tirá-lo da sua miséria e trazê-lo de volta à sua dignidade. A Eucaristia é o gesto da caridade solidária de Deus pela humanidade. “Eu sou o Pão da vida que desceu do céu. Quem come deste Pão vencerá a morte e terá vida para sempre.”
RELIGIÃO SEM DEUS
Como cristãos sabemos que há uma que é “pura e sem mácula” (Tg 1.27) enquanto se multiplicam outras que, apesar de dar breve sensação ao seu praticante de estar em paz com o que está além de si próprio, nada mais faz do que isso: causar impressão.
Nesses tempos em que se fala em pós-cristianismo, muitos que se imaginam cristãos estão conseguindo apenas aplacar, e isso até certo ponto, as inquietações de dentro de si mesmos. Estão participando de rituais capazes de fazer vista aos homens, mas que são em si mesmos vazios. Estão praticando religião e esta absolutamente sem Deus.
O caso é simples e sem novidades. O que outrora representara um relacionamento direto com Deus, cheio de significado... o que já fora um encontro entre filho e pai, se tornou repetição e religiosidade insossa já que há muito foi perdida a razão de ser do que se faz. E seguem-se ajuntamento solene que faz bem para a consciência, mas que, associada à impiedade da vida diária, só causa a Deus nojo e afastamento (Is 1.13).
Não sei se é esse o seu caso, mas talvez seja o de alguém bem perto de você: é preciso urgentemente voltar ao primeiro amor e vivenciar de verdade cada ato do culto e isso só é possível quando este encontra continuidade na vida diária, no comum do dia-a-dia. Não se pode viver verdadeiro relacionamento com Deus em doses, sejam elas homeopáticas ou cavalares. Só se relaciona com Deus de fato no contínuo da vida, nas escolhas do cotidiano, quando bússola interna aponta para o norte da vontade objetiva de Deus. Quando essa vontade é buscada a cada lance da vida os rituais que praticamos têm valor. Não são apenas válvulas de escape da consciência atormentada dos que pautam a vida por objetivos passageiros e querem ao fim de tudo um prêmio eterno. Nossos encontros de domingo não serão “o” encontro com Deus, já que estamos com Ele o tempo todo. Serão antes de tudo a celebração da alegria de viver uma semana inteira desfrutando de graça e do relacionamento com nosso maravilhoso Senhor que, inexplicavelmente, resolve nos chamar de amigos e até mesmo filhos.
Enoch Isabel De Oliveira Júnior
Belo Horizonte - MG
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
CONFISSÕES DE UM FILÓSOFO SOBRE: A DOR
Por: Flávio Sobreiro
Nas grandes ausências do cotidiano ela se apresenta. Não escolhe os dias nublados, nem as manhãs de ressurreição. Sua presença é tão constante na experiência do viver como a brisa serena em uma doce tarde de verão. Não espera elogios, nem mesmo agradecimentos.
Arthur Schopenhauer assim escreveu sobre ela: "Quem deseja. Quem vive deseja. A vida é dor". Até mesmo Sêneca se aventurou por suas veredas: "Uma dor nova nasce da própria dor".
Nenhum pensador poderia apagar de minha alma a sua presença desagradável. Queria esquecer-me dela assim como a noite se esquece das trevas dando lugar à luz de um novo dia. Mas ela insistia em querer permanecer ali. Fizera sua morada em terras alheias. Tomara posse de um terreno que não lhe pertencia. Protestei, reinvidiquei meus direitos de proprietário. Lutei pela desocupação de terras. Tudo foi em vão. Só iria embora quando desejasse. Para mim não me restava outra alternativa, a não ser aprender a conviver com ela.
Foi sofrido nossa permanência num mesmo território chamado coração. Pedi muitas vezes que fosse embora. Chorei e implorei para que partisse. Sem nenhuma compaixão pelas minhas suplicas continuava ali. No mesmo lugar. Parecia feliz com o meu padecimento.
Aos poucos ia me definhando. Semelhante às folhas que precisam cair dos galhos de uma árvore para dar lugar a novas existências. Sentia que o inverno que havia chegado seria um dos mais rigorosos dos últimos tempos. Ansiava pela primavera de esperanças.
Éramos guerreiros lutando cada um por sua verdade. Ela de um lado, quieta e resistente; eu do outro, armado e atacando. Lados opostos, estratégias desiguais. Mar agitado e lua cheia, serena e bela.
Dentro de mim buscava razões para vencer uma guerra que não parecia ter fim. Foi buscando as armas da razão que poderia vencê-la que encontrei-me com C. S. Lewis.
Ele me disse: "Deus sussurra e fala à consciência através do prazer, mas grita-lhe por meio da dor: a dor é o seu megafone para despertar um mundo adormecido".
A minha razão sempre fora o meu deus. E agora me vinha este tal C.S. Lewis falar-me que Deus gritava a minha consciência através da dor? Que loucura. Quando minha rival soube disso deu um leve sorriso. Este gesto inusitado de sua parte causou-me uma revolta ainda maior.
Mas cada vez que eu ia armado para um novo combate eu via o seu sorriso sereno. E cada vez ele me parecia mais doce. Tão doce como as maças vermelhas e suculentas que havia provado em minha infância.
E foi assim, olhando para o seu sorriso de possibilidades que foi se despertando dentro de minha alma um novo mundo. O deserto que nos separava começou a florescer aos poucos. O orvalho das manhãs frias ia aos poucos dando vida ao que já estava sepultado pelas longas lutas de uma guerra de incompreensões.
E foi assim que em uma manhã de sol, o frio daquela triste estação arrumou as malas e foi embora, dando lugar a primavera que estava chegando. Ela deu-me um abraço. E assim partiu. A primavera de uma nova existência chegou. O que a estação fria do inverno havia sepultado, a primavera da compreensão ressuscitou. Naquele novo jardim de possibilidades coloquei uma linda placa onde ainda hoje se pode ler:
"Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar" (Selma Lagerlof)
O AMOR NO ESPELHO.
Certa vez os fariseus questionaram Jesus sobre qual seria o grande mandamento da Lei (Mt 22.36-40). Respondendo, Ele afirma que toda a Lei e os profetas dependiam de duas ordenanças: "Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento" e "ame o seu próximo como a si mesmo". Jesus é perguntado sobre o grande mandamento da Lei, e responde que não há um, mas dois. Mas ambos são equivalentes, pois o segundo é introduzido com a qualificação de "ser semelhante ao primeiro", e todas as 365 proibições e 248 obrigações são-lhes subordinadas. Há uma sugestão de interdependência entre ambos, como se fosse as faces de uma mesma moeda.
Ainda assim, há uma sutil hierarquia, pois o amar a Deus vem em primeiro. Talvez porque não dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, nem duas palavras podem ser pronunciadas simultaneamente pela mesma pessoa. Mas provavelmente para definir o termo "amor" Jesus escolheu esta ordem, pois, do contrário, qual seria o significado do termo?
Deus, a quem não se vê, deve ser amado completamente, em todas as esferas da existência humana: racionalidade, sentimentos e espiritualidade. E nos dois textos paralelos é acrescido "com toda a sua força" (Mc 12.28-34 e Lc 10:25-28). A definição deste amor condiciona o mandamento similar.
O próximo, a quem se vê, com quem se interage deve ser amado de uma única maneira: como a si mesmo. Mas como é amar ao próximo como a si mesmo?
Amar a Deus implica no uso da razão, e não apenas da emoção. Não é um sentimento isolado, mas um fator que une as esferas possíveis da existência humana. E Jesus não anula, na conversa, os 613 mandamentos contabilizados pelos fariseus. Amar, portanto, implica em atitudes; para com Deus e para com o próximo.
O próximo como a mim mesmo implica que ele é meu espelho, meu reflexo. Que ele é eu! E eu sou ele!
Mas Jesus não parece estar ensinando que todos os seres humanos são, enquanto seres, um só. Talvez estivesse em Sua mente o desafio de que Seus discípulos tomassem a Trindade como exemplo: Três Pessoas, mas Uma só; Uma só, mas Três Pessoas.
As ideias de um filósofo do século XVIII, Immanuel Kant, dão uma perspectiva nova a este aspecto. Amar o próximo como a si mesmo equivale afirmar que o próximo é meu igual, em direitos e deveres. Não sou maior ou menor, enquanto pessoa, que ele, e o meu próximo não é maior ou menor, enquanto pessoa, que eu. Somos iguais. A minha dignidade é a sua; a dignidade dele é a minha. O que lhe faço, faço a mim mesmo, e o que ele me faz, faz a si mesmo. Usá-lo como objeto é reduzir a minha humanidade; ser por ele usado como objeto é reduzir-lhe a sua.
Neste ponto de Seu Evangelho, Jesus propõe as bases do que poderia ser um sistema ético universal. Como o filósofo tinha, no mínimo, fortes raízes cristãs de perspectiva luterana, talvez tenha se inspirado neste trecho para cunhar sua filosofia moral - sua ética:
1. aquilo que você deseja como correto deverá ser correto para todas as demais pessoas (para o seu próximo)
2. as ações humanas não podem tomar o ser humano como objeto, mas têm no homem o seu fim
3. aquilo que propomos como norma deve ser primeiro obedecido por nós.
A proposta kantiana parece estar de acordo com o primeiro mandamento da Lei, como definido por Jesus. E a este mandamento todos os que dizem ser Seus discípulos são obrigados a obedecer.
Mas é o amor a Deus que dá forma ao amor ao próximo como a nós mesmos. E é Ele que nos ensina como é amar. como bem lembra o apóstolo Joâo: "nós amamos porque Ele nos amou primeiro" (I Jo 4.19).
E a doutrina da graça comum é a que melhor ensina sobre a natureza do Seu amor: a criação não é jogada ao lixo com a queda de Adão, mas a ele são dadas condições para enfrentar agora um mundo hostil; o sol nasce sobre aqueles que recusam a crer, e a obedecer, ao Deus Criador assim como sobre aqueles que a Ele hipotecam obediência; ainda que o mundo todo esteja sob o poder do Diabo (I Jo 5.19) a bondade é encontrada em toda parte, assim como a busca pelo belo, bom e justo. O que a doutrina da graça comum ensina é que Deus não limita sua ação (seu amor, porque amor não é sentimento, é atitude) pela crença ou descrença da humanidade, mas permanece, em amor, dela cuidando.
CHEGAR A CRISTO
Jesus disse que Ele é o Caminho e que ninguém vai ao Pai senão por Ele; ou seja, não há outros caminhos, não há atalhos, não há desvios, não há rotas alternativas, só Ele é o Caminho; os outros "caminhos" não conduzem a Deus!
"Respondeu-lhe Jesus [a Tomé]: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14. 6). São palavras irrefutáveis, "indesmentíveis", não estamos querendo ser "politicamente incorretos", não estamos querendo ser desagradáveis, não estamos querendo ser sectários, não estamos querendo ser radicais, não estamos querendo ser "fanáticos", não estamos querendo ser fundamentalistas [na pejorativa interpretação que fazem desta palavra], não estamos querendo ser os donos da verdade; porque quem proclamou esta Verdade foi Jesus, e a Jesus ninguém pode contestar [Ele é o Deus encarnado].
Ninguém pode contestar, desmentir Jesus, ou duvidar d'Ele, pois Ele é a Verdade, Ele não mente, Ele não lisonjeia, Ele não faz rodeios, Ele diz a Palavra certa na hora certa, sem se preocupar com o "politicamente correto"; e Ele diz que a nossa palavra deve ser "sim, sim; não, não, porque o que passar disso vem do maligno" (Mateus 5. 37).
Mas como chegar a Jesus? - James C. Seymour, Jr. - Nova York, EUA - Devocionário "No Cenáculo" disse: "Afinal, Deus não Se importa com a maneira como as pessoas chegaram ao conhecimento de Cristo - apenas que chegaram".
Sim, qual é o caminho para o Caminho? Não importa, não vem ao caso é verdade, pois o que importa é chegar, e não como chegar. Se ficarmos no meio do caminho, desavisados de que o tempo urge, de que o tempo é chegado, de que amanhã pode ser muito tarde a porta será fechada; e ouviremos "nunca vos conheci" (Mateus 7. 23). É o caso típico da parábola das dez virgens: cinco delas, bem preparadas, levaram o óleo necessário para as suas lamparinas; as outras cinco "prevaricaram", não se preocuparam com a necessária provisão, na última hora saíram para comprar; o Noivo chegou para as núpcias, e elas ficaram de fora, a porta se fechou (Mateus 25. 1-13).
Quando Jesus chegar, sim Ele vai voltar para nos buscar para as Bodas do Cordeiro, seremos arrebatados para o encontro com Ele nos ares, entre nuvens (I Tessalonicenses 4. 17), mas só o seremos se estivermos preparados, perfilados como seus seguidores, atentos às suas ordenanças, aptos para exercer e exercendo o Ministério, os dons que Ele nos deu para um fim proveitoso (I Coríntios 12. 7), e esse fim proveitoso é levar a Palavra d’Ele a todos quantos não o conhecem, ainda não o receberam, ainda não o obedecem, ainda não o seguem.
O importante, pois, é que estejamos atentos, alertas, acordados, cuidando da missão que Jesus nos outorgou: ensinar (Mateus 28. 19); pregar (Marcos 16. 15); testemunhar (Atos 1. 8), pois importa que Ele nos encontre fazendo assim (Mateus 24. 46), para não sermos considerados "servos infieis" (Mateus 25. 28), inúteis, negligentes, descuidados, desobedientes.
Finalmente, o caminho para o Caminho, que é Jesus, é a graça [favor imerecido] derramada por Deus sobre toda a humanidade, mediante a fé em Jesus Cristo, para que todo o que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna, e para que todo aquele que o recebe, no coração, passe a ter o direito de ser chamado Filho de Deus [antes era criatura], e para que todo o que O obedece alcance a salvação; é o que a Palavra de Deus nos ensina:
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3. 16).
“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (João 1. 12).
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2. 8-9).
“E, [Jesus] tendo sido aperfeiçoado, tornou-se Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem’ (Hebreus 5. 8-9).
Enfim, o Caminho é Jesus e só o aceitando, somente crendo nele, somente obedecendo-o, somente seguindo-o, pela graça, mediante a fé, é que estamos no Caminho e Ele está em nós, “e quem não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8. 9).
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