FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O AMOR É A PLENITUDE DA LEI


A liturgia deste domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.
A primeira leituraLeitura da Profecia de Ezequiel
Ez 33, 7-9 fala-nos do profeta como uma “sentinela”, que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projectos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam.
O EvangelhoEvangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Mt 18, 15-20 deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correcto para atingir esse objectivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
Na segunda leituraLeitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Rom 13, 8-10, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada. (in Dehonianos)
Imagem acima de: sdpl de viseu

LEITURA I Ez 33, 7-9
«Se não falares ao ímpio, pedir-te-ei contas do seu sangue»

Leitura da Profecia de Ezequiel
Eis o que diz o Senhor:
«Filho do homem,
coloquei-te como sentinela na casa de Israel.
Quando ouvires a palavra da minha boca,
deves avisá-los da minha parte.
Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’,
e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho,
o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade,
mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte.
Se tu, porém, avisares o ímpio,
para que se converta do seu caminho,
e ele não se converter,
morrerá nos seus pecados,
mas tu salvarás a tua vida».
Palavra do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 94, 1-2.6-9
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não fecheis os vossos corações.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».


LEITURA II Rom 13, 8-10
«A caridade é o pleno cumprimento da lei»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos:
Não devais a ninguém coisa alguma,
a não ser o amor de uns para com os outros,
pois, quem ama o próximo, cumpre a lei.
De facto, os mandamentos que dizem:
«Não cometerás adultério, não matarás,
não furtarás, não cobiçarás»,
e todos os outros mandamentos,
resumem-se nestas palavras:
«Amarás ao próximo como a ti mesmo».
A caridade não faz mal ao próximo.
A caridade é o pleno cumprimento da lei.
Palavra do Senhor.


ALELUIA 2 Cor 5, 19
Refrão: Aleluia. Repete-se
Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo
e confiou-nos a palavra da reconciliação. Refrão


EVANGELHO Mt 18, 15-20
«Se te escutar, terás ganho o teu irmão»

@ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».
Palavra da salvação.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O GRITO DOS EXCLUIDOS


Sete de Setembro é o dia da pátria, o Dia da Independência é o
orgulho da nação. Porém, talvez nem todos saibam que, de uns anos
para cá, nesta mesma data comemora-se o "Grito dos Excluídos". O que
significa isso? "O Grito é uma grande manifestação popular para
denunciar todas as situações de exclusão e assinalar as possíveis
saídas e alternativas. Antes de tudo, é uma dor secular e sufocada
que se levanta do chão. Dor que se transforma em protesto, cria asas
e se lança no ar", conforme seus organizadores. Este ano, o Grito
terá como tema: "Isto não Vale. Queremos participar nos destinos da
nação". Todos nós estamos certos que em nossa sociedade ainda
existem muitas situações que continuam gritando, clamando, pedindo
atenção para que todos se sintam independentes e orgulhosos do país
em que vivemos.

Os clamores na Bíblia
Perante certas situações com que somos confrontados nos vem
espontâneo um grito, um clamor, que pode ser de alegria ou tristeza
(pedido de auxílio). A Sagrada Escritura não é indiferente a esta
expe­riência humana. A linguagem do grito, do clamor não é uma
linguagem estranha na Bíblia. Pelo contrário, uma rápida leitura nos
mostra como é uma linguagem recorrente e cheia de significado. Um
dos textos mais impressionantes é o do livro do Êxodo 2,
23: "Aconteceu, depois de muitos dias, que morrendo o rei do Egito,
os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e clamaram; e
o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão". A opressão a
que o povo de Israel fora sujeito durante sua permanência no Egito
tornara-se insuportável, não dava mais para agüentar aquela
situação. Perante este drama, o povo de Israel grita e clama a Deus.
Pedidos de auxílio ao Senhor estão presentes em muitos outros
textos. Salomão em sua oração reza: "Volve-te, pois, para a oração
de teu servo, e para a sua súplica, ó Senhor meu Deus, para ouvires
o clamor e a oração que o teu servo hoje faz diante de ti". Salomão
suplica a Deus que escute o seu clamor (1Reis 8, 28). Mas é,
sobretudo, nos Salmos que esta linguagem adquire um significado todo
especial. Sendo orações, algumas bem pessoais, apresentam os gritos
e os clamores do povo. Como na oração da manhã do Salmo 5: "Atende à
voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei" (Sl 5, 2).
São vários os Salmos que repetem este pedido para que Deus escute o
clamor do povo (Sl 17, 1; 18, 6; 34, 15, entre outros).
Até agora vimos como na Sagrada Escritura encontramos a linguagem do
grito/clamor presente em vários textos, vimos como este grito vem de
uma experiência que não é possível suportar mais e, portanto, se
pede auxílio a Deus para que venha remediar essa situação.
Confrontado com os gritos do seu povo, a Bíblia nos relata que este
Deus não permanece indiferente ao sofrimento humano, pelo contrário,
os gritos e os clamores do povo chegam até Ele e são ouvidos.
Novamente o texto do Êxodo demonstra ser precioso: "Tenho visto
atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido
o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas
dores. E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim,
e também tenho visto como os egípcios os oprimem" (Ex 3, 7-8).
Estamos perante um texto impressionante. Deus escutou o grito, viu a
aflição. Deus não permanece indiferente! O clamor chegou até Deus, e
agora? Agora é tempo de ação, Deus envia um libertador ao seu povo
para que a situação seja mudada radicalmente. Também no primeiro
livro de Samuel encontramos a mesma situação. Deus escuta o clamor
do seu povo oprimido: "... porque o seu clamor chegou a mim" (1Sam
9, 16).

Deus lembra do seu povo
Na Bíblia encontramos também a promessa de que Deus sempre escutará
o grito do seu povo: "... não se esquece do clamor dos aflitos" (Sl
9, 12). O Salmo 145 é mais evidente: "Ele cumprirá o desejo dos que
o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará" (Sl 145, 19). Estamos
perante um Deus que verdadeiramente não permanece indiferente, mas
um Deus que escuta e se coloca em movimento para que a situação
possa ser mudada e assim cesse o grito do aflito. Vivemos hoje
confrontados com tantos que gritam. Gritam por dignidade, direitos,
trabalho, justiça e oportunidades. Perante tais gritos não podemos
ficar indiferentes, o texto de Provérbios nos adverte: "O que tapa o
seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será
ouvido" (Prov 21, 13). Ser missionário é escutar os gritos dos
aflitos e estar ao seu lado na luta por um mundo mais justo para
todos. No dia Sete de Setembro, à luz da Palavra de Deus,
participemos nos destinos da nossa nação com o Grito dos Excluídos e
ouvidos atentos aos clamores de milhões de brasileiros e brasileiras.

ORAÇÃO UNIVERSAL


Não consintas que eu seja
o carrasco que sangra as ovelhas,
nem uma ovelha nas mãos dos algozes.

Ajuda-me a dizer sempre a verdade
na presença dos fortes e jamais dizer mentiras
para ganhar os aplausos dos fracos.

Meu Deus !

Se me deres a fortuna, não me tires a felicidade !
Se me deres a força, não me tires a sensatez !
Se me for dado prosperar,
não permita que eu perca a modéstia,
conservando apenas o orgulho da dignidade.

Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas
para não enxergar a traição dos adversários...
Nem acusá-los com maior severidade
do que a mim mesmo.

Não me deixes ser atingido
pela ilusão da glória, quando bem sucedido...
e nem desesperado quando sentir insucesso.

Lembra-me que a experiência de um fracasso
poderá proporcionar um progresso maior.

Ó Deus !

Faz-me sentir que o perdão é maior índice da força,
e que a vingança é prova de fraqueza.

Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança.
Se me faltar a beleza da saúde,
conforta-me com a graça da fé.

E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão
dos meus semelhantes, cria em minha alma
a força da desculpa e do perdão.

E finalmente...

Senhor ! Se eu Te esquecer ...
Te rogo mesmo assim ...
nunca esqueças de mim !

JESUS,JESUS,JESUS.......






Jesus abandonado, completamente só na cruz, entre o céu e a terra, salvou a todos nós.


Somente se o amarmos e a ele estivermos unidos teremos o resgate dos nossos pecados e a chave do Reino dos Céus. A unidade com ele deve ser, pois, para nós mais valiosa que todos tesouros da terra.




Ninguém pode estar unido ao Senhor sem participar do seu sofrimento e da sua cruz. Por isso, a Igreja, em nenhum lugar, é mais florescente do que onde, por causa de Cristo, é perseguida ou sofre necessidade. E, em lugar nenhum, ela sofre tanta necessidade quanto onde ela se esquiva do abandono do Crucificado.





Somente se partilharmos sinceramente o sofrimento de nossos irmãos necessitados, nos quais reconhecemos o Senhor, poderemos nos unir a Jesus abandonado. E as conseqüências são incalculáveis. Com ele teremos Deus, em quem não encontramos apenas o Céu, com a Santíssima Trindade, mas também a Terra, com toda a humanidade. Nele teremos tudo, porque tudo o que é seu será também nosso.
Essa opção custa caro. Pois o Senhor crucificado já não percebia mais a presença de Deus. Só lhe restaram a dor sem sentido, o fracasso total e a solidão dos que se sentem abandonados por Deus e pelos homens. Também esse sofrimento, que é o preço da nossa redenção, será nosso se amarmos Jesus abandonado na verdade e a ele estivermos unidos.
É lei fundamental do cristianismo que devemos morrer como o grão de trigo na terra, a fim de frutificar na eternidade. Desta forma, também para nós virá um dia a hora do Calvário. Talvez sob a forma da enfermidade grave ou quando a morte nos levar a pessoa mais querida; talvez na profunda angústia por um filho que se perdeu; na injustiça ou no fracasso; na solidão da velhice, na pobreza ou, até mesmo, no martírio. Não sabemos a hora do nosso Calvário. Só sabemos que a ninguém Deus dá provações acima de suas forças. Só podemos esperar que nossa fé resista à prova de fogo do sofrimento.
Padre Werenfried van Straaten - Fundador da Ajuda à Igreja que Sofre

SEGUINDO OS PASSOS DE JESUS CRISTO NA CRUZ


1. A paixão de Jesus Cristo

a) A paixão de Jesus Cristo “sofrida”

A realidade histórica da vida de Jesus de Nazaré é que o seu sofrimento e morte na cruz são conseqüência de um processo humano maldoso. O processo contra Jesus teve causa religiosa e política, por ser Messias e Rei. É acusado de blasfêmia e agitação política.

Na espiritualidade cristã, a cruz de Jesus Cristo foi tomada mais na sua expressão piedosa do que na compreensão de um novo conceito de Deus tanto na teologia como na prática cristã. O que se afirma da cruz é quase somente que, por meio dela, o homem foi salvo. Esta é uma grande verdade do cristianismo, mas não esgota a compreensão do mistério da morte de Jesus de Nazaré. Este conceito, se compreendido de maneira unilateral, pode levar a uma concepção mágica da salvação, que elimina o escândalo da cruz histórica de Jesus. Além disto, desenvolveu-se uma espécie de espiritualidade da cruz e sofrimento identificada com a dor e a tristeza, que dá mais importância à sexta-feira santa que ao domingo da ressurreição. Assim, para uma adequada interpretação da cruz de Cristo é necessário situá-la como conseqüência histórica de sua vida. Segundo Severino Dianich, no processo da morte de Jesus na cruz algumas atitudes e posições de sua vida foram determinantes, como: a relação de Jesus com o Templo, onde todo o sistema de culto é questionado; a relação com a Lei, onde Jesus considera-se maior do que a Lei; reviravolta na hierarquia, pois o Reino é dos pobres e a identificação de Jesus como Deus, chamando-o de Pai[1]. É inocente, mas morre como vítima do poder. Ele foi assassinado, condenado injustamente. Jesus perde o processo, é condenado e morre injustamente. É resultado de uma condenação pública e oficial. Jesus se tornou uma presença inquietante no jogo social. Tornou-se perigoso: «Caifás fora o que aconselhara aos judeus: é melhor que um só homem morra pelo povo» (Jo 18,14).

Bruno Forte nos diz: “a sua condenação foi, no final, política, como atesta o titulus crucis, a tabuleta com a motivação da condenação colocada sobre o lenho da vergonha: “Jesus Nazareno Rei dos judeus” (Jo 19,19). A sua morte, então, pode definir-se como um assassínio judiciário, de significado político-religioso. A sexta-feira santa é para a Lei o dia em que morre o blasfemador e para o poder o dia em que morre o subversivo. A fé cristã reconhecerá o dia em que, no Inocente que morre, Deus morreu por nós”[2].

b) A paixão de Jesus Cristo “desejada”

Ao se aproximar sua “hora”, “ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém” (Lc 9,51b). A caminhada para Jerusalém, cidade “que mata os profetas”, iniciou com um ato consciente e decidido de Jesus: firme decisão, enfrentou, literalmente “endureceu a face”. É a atitude bíblica do Servo Sofredor: “por isso não me acovardava, endureci o rosto como pedra” (Is 50,7); da dureza de Jeremias “coluna de ferro, muralha de bronze” (Jr 1,18); da decisão de Ezequiel: “parti decidido e inflamado” (Ez 2,6). Não existe caminho espiritual sem determinação, decisão, vontade, energia. Mesmo quando o fim desejado comporta o sofrimento.

A segunda indicação é a ânsia interna, o desejo de Jesus para que o amor do Pai pela humanidade se cumprisse: “Como desejei comer convosco esta vítima pascal antes de minha paixão” (Lc 22, 15). Algumas bíblias traduzem assim: “desejei ardentemente”. “Tenho de passar por um batismo, e como me impaciento até que se realize” (Lc 12, 50). Esta ânsia não é sinônimo de ansiedade, que pode ser um empecilho na vida humana e espiritual, mas de ardor, que quer ver realizado o que tanto deseja. O ardor espiritual se expressa na vontade, na prontidão diante dos apelos de Deus, na coragem diante dos desafios, na criatividade para encontrar caminhos, na fidelidade à vontade de Deus, na urgência do tempo que não pode esperar. É o contrário da preguiça, da mornidão, da indiferença. É próprio daqueles que foram tomados por Deus: “Tu me seduziste, Javé, e eu me deixei seduzir. (...) Era como se houvesse no meu coração um fogo ardente, fechado em meus ossos” (Jr 20,7.9).

Mas a paixão de Jesus Cristo é desejada, sobretudo, pelo Pai. No mesmo êxtase de amor com que criou o ser humano, chamando-o para a comunhão consigo, participante da vida trinitária, envia seu Filho ao mundo. “Deus tanto amou o mundo, que entregou o seu Filho único, para que quem crer não pereça, mas tenha vida eterna. Deus não enviou seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo se salve por meio dele” (Jo 3,16-17). A paixão do Filho é manifestação de até que ponto chegou o amor do Pai pela humanidade para sua salvação. O máximo do amor é dar a vida. O que o Pai quis foi o bem do ser humano, sua salvação, não o sofrimento do Filho. A cruz é conseqüência do amor fiel num mundo de pecado, que não acolheu este amor.

c) A paixão de Cristo “assumida livremente”

Toda a vida de Jesus de Nazaré pode ser lida como uma entrega livre de si mesmo para a humanidade. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). A primeira indicação é a que nos dá São Paulo, na Carta aos Filipenses, da kénosis voluntária do Filho na sua Encarnação. “Ele tinha a condição divina, mas não se apegou à sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl 2,6-8).

Amou-nos até o extremo da cruz. «Amou-nos até o fim» (Jo 13, 1). «pois ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos» (Jo 15, 13). “Eu dou a minha vida pelas ovelhas. (...) O Pai me ama porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho o poder de dar a vida e tenho o poder de retomá-la” (Jo 10,15.17-18). Jesus morreu inocente. O cântico do servo sofredor retrata esta entrega de si para a humanidade (Is 53).

Este «mistério» da vida de Jesus de Nazaré é uma “entrega”. Por amor, livre e consciente da situação, Jesus caminha para a morte deixando-se entregar de mão em mão, como nos contam os relatos da paixão. No entanto, existe uma entrega que é maior do que a entrega às autoridades. É a entrega de si mesmo como oferta livre e generosa ao Pai pelos homens. Lucas assim narra a última entrega: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23,46) e João: «E inclinando a cabeça entregou o espírito» (Jo 19,30).

Na história de sofrimento e de entrega do Filho na cruz é a Trindade que sofre e se entrega. Junto com o Filho, o Pai também faz sua entrega, o qual «não poupou o próprio Filho, mas o entregou por todos nós» (Rm 8,32). Por isso, na dor do Crucificado, Deus sofre. O Crucificado experimenta profundamente o sofrimento humano, especialmente o sofrimento inocente, fruto da injustiça e o pecado. No entanto, o modo como sofreu é singular. O seu sofrer não foi passivo, mas ativo, livremente aceito e escolhido por amor e, por isso, libertador. A entrega dolorosa é o supremo abaixar-se de Deus sobre o homem. É o sinal finito do esvaziamento infinito, da autodoação de Deus ao homem.



2. O discípulo e a paixão de Jesus Cristo

As palavras de Jesus aos seus discípulos na hora de sua paixão foram: “Minha alma está numa tristeza de morte. Fiquem aqui e vigiem comigo” (Lc 26,38). Permanecer com Jesus Cristo, acompanhando-o no caminho da cruz, para viver a alegria da Ressurreição pascal.

a) Primeira atitude: incompreensão e fuga

Os discípulos, realmente, não compreenderam a cruz de Jesus de Nazaré. O Messias não poderia ter a mais ignóbil morte. Por três vezes, Jesus prepara os discípulos falando de sua cruz e ressurreição: Mc 8,31-33; Mc 9,31-32; Mc 10,33-34. Na primeira vez, Pedro não compreende e o repreende. Na segunda “os discípulos não compreendiam o que Jesus estava dizendo, e tinham medo de fazer perguntas” (Mc 9,32). Na terceira, “os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo” (Mc 10,32). Ao anúncio de Jesus que dá sua vida e veio para servir, segue-se uma disputa entre os apóstolos pelos primeiros lugares no Reino (Mc 10,35-45).

Pedro representa os sentimentos do grupo dos 12. Estavam dispostos a dar a vida pelo Mestre: “Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo assim não te negarei. E todos os discípulos disseram a mesma coisa” (Mt 26,35). Não duvidemos da boa vontade dos discípulos. Foi uma resposta sincera. Eram, porém, fracos e não sabiam o que estavam dizendo. No momento do perigo os discípulos se dispersaram e o abandonaram: “E todos os discípulos, abandonando a Jesus, fugiram” (Mt 26,56).

A cena mais clara da incompreensão acontece novamente com Pedro no momento da negação. Ao ser interpelado por uma inofensiva criada repete por duas vezes esta sugestiva frase: “Não conheço este homem” (Mt 26,72.74). Afora a desculpa para não comprometer-se, realmente não o conhecia.

Ao discípulo de ontem e de hoje, o escândalo da cruz, revela o amor de Deus. Amor descendente. Despido do poder mundano. A tentação é tirar a cruz de Jesus Cristo e moldar o Messias às nossas expectativas. É uma tentação também fugir das cruzes pessoais, do compromisso que comporta o amor-serviço. Quem não conhece a si mesmo, sua história, facilmente foge de si, não consegue doar-se livremente a Deus numa missão.

b) Segunda atitude: releitura, integração e seguimento

O paradigmático Pedro novamente nos ensina o caminho da releitura e integração da paixão de Jesus Cristo na sua e na nossa vida. “E, saindo, chorou amargamente” (Mt 26,75). Sua profissão de fé ao Senhor Ressuscitado mostra que soube compreender e reler sua vida a partir da cruz e da ressurreição. “Senhor, tu conheces tudo, tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17), disse Pedro.

Àqueles que se põe no caminho do seguimento, Jesus Cristo vai revelando os segredos do Reino. Jesus é o Messias Servo. O discípulo deve ser o servidor. O próprio Jesus de Nazaré, “embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente através de seus sofrimentos” (Hb 5,8). Renúncia de si e entrega da vida são as atitudes do discípulo: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mc 8,34).

Ao voltarmos novamente o nosso olhar para os três anúncios da paixão, veremos qual a correta atitude do discípulo. No primeiro anúncio Ele pede negar-se a si mesmo, carregar a cruz, perder a vida por causa dele, como Ele a doou (Mc 8,34-38). No segundo, pede para fazer-se servo de todos, receber os pequenos, as crianças (Mc 8,34-35). Ao falar de sua morte pela terceira vez, pede ao discípulo para beber o cálice que ele vai beber, não imitar os poderosos que exploram, mas imitar o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10,35-45). No contexto da ceia pascal, após lavar os pés dos discípulos, pergunta: “Vocês compreenderam o que eu acabei de fazer? (...) Se vocês compreenderam isto, serão felizes se o puserem em prática” (Jo 13,12.17).



3. Apaixão de Cristo e a nossa vida à luz da ressurreição

O amor de Jesus Cristo pela humanidade, que deu sentido à sua entrega fiel, até o fim, na cruz, encontra uma luz na sua ressurreição. O discípulo de Jesus também não se “escandaliza” pela morte do Mestre se a compreender a partir da ressurreição. Nela também encontrará razões para carregar a cruz de cada dia, no seguimento de Jesus Cristo. A grande mensagem é que quem ama sofre, mas só o amor permanece.

Podemos compreender a centralidade da Ressurreição na vida de Cristo a partir da história dos discípulos. Foram eles que nos deixaram os evangelhos de Jesus. Quando Jesus iniciou a sua vida pública, os discípulos ficaram entusiasmados com o Mestre. O Reino de Deus chegou, até que enfim. Largaram tudo. Seguiram Jesus para aonde Ele ia. Porém não conheciam bem que tipo de Messias era Jesus. Com sua morte, porém, tudo acabou. Pedro e os outros discípulos voltaram a pescar (Jo 21, 2-3).

No momento da morte de Jesus, os discípulos se encontram numa situação de desencorajamento, desilusão e perturbação pelo fim inglório do seu Mestre. Transformou-se em tristeza o entusiasmo dos discípulos. Não obstante os anúncios de sua ressurreição, esta parecia não incluir-se na compreensão e nas expectativas dos discípulos (cf. Mc 9,10). A sua morte causara uma dor tão profunda a ponto de destruir toda a esperança. Ilustrativo é o episódio dos discípulos de Emaús, que se afastaram de Jerusalém, tristes, desiludidos com o fim de seus sonhos: «Nós esperávamos que fosse o libertador de Israel, mas apesar de tudo isso, já fez três dias que tudo isso aconteceu» (Lc 24, 19-21). Foi o próprio Jesus Ressuscitado que reinterpretou para os dois discípulos, à luz das Escrituras, a sua missão messiânica (cf. Lc 24,27).

É só na Páscoa, portanto, que os discípulos compreendem o mistério do seu Mestre. Já o haviam reconhecido anteriormente como o Messias prometido, mas a morte lhes causou o desânimo e a negação. O acontecimento maravilhoso e inesperado da ressurreição possibilita aos discípulos verdadeira compreensão de Jesus. O brilho da Páscoa ilumina na sua autêntica verdade a missão de Jesus. Assim, os discípulos passam de um reconhecimento superficial e incompleto à convicção e ao anúncio incansável, até a entrega da própria vida através do martírio. É a partir da Páscoa que os discípulos de Jesus de ontem e de hoje compreendem o mistério de sua paixão. Não fosse esta, toda a Encarnação seria sem sentido. «Por que vocês estão perturbados e por que o coração de vocês está cheio de dúvidas? Vejam minhas mãos e o meus pés: sou eu mesmo» (Lc 24, 38-39).

Discípulo de Jesus é aquele que se põe no caminho com Ele. Como Jesus e com Ele faz de sua vida uma entrega, abandono, serviço, com o sentido maravilhoso e a esperança que brota da luz da ressurreição do Crucificado. A cruz faz parte deste caminho. Pois num mundo organizado a partir do egoísmo,o amor e o serviço sempre serão crucificados. O discípulo não pode querer um Messias sem a cruz. Não será verdadeiro discípulo. Mas quem souber caminhar e fazer a “entrega de si” (Mc 8,35), quem aceitar “ser o último” (Mc 9,35), quem assumir “beber o cálice e carregar a cruz” (Mc 10,38), encontrará no Ressuscitado o sentido do seu viver[3].

Enfim, ao seguirmos os passos de Jesus na entrega de sua vida, no amor até o fim (Jo 13,1), vale-nos a exortação de S. Paulo: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo” (Fl 2,5). A paixão de Jesus de Nazaré pela humanidade revela-nos o rosto compassivo do Pai, que ama a humanidade e assume as conseqüências deste amor (Jo 3,16). Revela também que a vida humana e cristã só tem sentido se for pautada por um amor “descendente”, de entrega, como o do Mestre.

SIMOLICIDADE E SAPIÊNCIA: CRITÉRIOS PARA RECONHECER EM JESUS O FILHO DE DEUS


Se Pedro pôde reconhecer o caráter transcendente da filiação divina de Jesus Messias foi porque este o deu a entender claramente. Diante do Sinédrio, a pergunta de seus acusadores: “Tu és então o Filho de Deus?”, Jesus respondeu: “Vós dizeis que eu Sou” (Lc 22,70). Já bem antes, Ele se designara como “o Filho” que conhece o Pai e que é diferente dos “servos” que Deus enviou anteriormente a seu povo, superior aos próprios anjos. Distinguiu sua filiação daquela de seus discípulos, não dizendo nunca “nosso Pai”, a não ser para ordenar-lhes: “Portanto, orai desta maneira: Pai Nosso” (Mt 6,9); e sublinhou esta distinção: “Meu Pai e vosso Pai” (Jo 20,17). (CIC§443)

Jesus ao longo do seu ministério, foi dando a entender que Ele era de fato o Filho de Deus. Se pegarmos o evangelho de São João vamos ver que em diversos diálogos Jesus fala sobre “o Pai”. Hoje para nós é muito tranquilo chamarmos a Deus de Pai e entendermos que Deus é Pai. Porém antes não era assim. A pessoa de Deus era intocável. Afinal de contas, aquele povo aprendeu a ter Deus como o único, como o Todo-Poderoso. Era uma blasfêmia chamar o nome de Deus assim. Agora imagine que do nada, aparece uma pessoa dizendo que era Filho de Deus. Pense na confusão que isso causou na cabeça dos Doutores da Lei… Era como se tudo que eles aprenderam caisse por terra. Além do que, se não fosse verdade seria uma blasfêmia sem tamanho.

Por isso é que os fariseus e doutores da lei passaram a odiar a Jesus. Por que o tinham como um blasfemo.

Porém, Jesus tinha algo que era único: As obras que Ele fazia. Ninguém fazia o que Jesus fez. Nunca ouve alguém que multiplicou pães. Nunca houve quem ressuscitasse pessoas. Nunca houve quem perdoasse pecados. Isso só Jesus fez. E as obras de Jesus, levaram as pessoas a crerem que de fato a afirmação de Jesus era verídica. Estou explicando isso para que você entenda que a vida de Jesus, foi cercada dessa realidade. Ele se dizia Filho de Deus, fazia milagres próprios do Filho de Deus, mas encontrava resistências por parte de quem “sabia demais”.

Você já parou para perceber que os grandes catedráticos e entendidos são sempre mais resistentes as ações de Deus? São Paulo já dizia que:

A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14). Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Vede, irmãos, o vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são. (1 Cor 1,18-28)

Jesus se dava a conhecer, mas as pessoas preferiram os seus conceitos e filosofias pessoais ao invés do Cristo. Santo Agostinho nos ensina em seus escritos que precisamos sim, cultivar o saber, precisamos buscar o conhecimento. Mas isso tudo precisa nos levar para Deus e para o novo de Deus. E para isso, mesmo os sábios precisam cultivar em si a simplicidade de coração. É possível ser sábio e simples. Só os simples entendem que Deus faz e sem Ele nada se faz. Por isso é preciso estar atento ao que Deus nos traz. Ele nos trouxe Jesus, a verdade definitiva, e este mesmo afirmou ser o Filho de Deus, em palavras e em obras. É nisso que cremos!

QUANDO JESUS APARECE NAS COISAS COMUNS


Quando Jesus aparece nas coisas comuns
Carlos Eduardo Félix


Hoje é um dia comum.
Uma manhã comum.
Um raiar de sol comum.
Muitos se levantam e vão para seus trabalhos comuns, mas nem tudo é tão comum para todo mundo.

Deixe-me levá-lo a uma cidade ao sudeste de Nazaré chamada Naim, onde o comum passou à distância e o milagre passou por perto.

Jesus sempre foi uma pessoa comum.
Seu nome era comum, pois o nome Jesus era tão popular quanto Antônio ou Francisco nos dias de hoje.

Sua vida era uma vida comum nos fundos de uma carpintaria, e tão pacata que ele poderia tirar uma soneca logo após o almoço.
Jesus tinha amigos comuns, pais comuns, morava em uma casa comum em um mundo totalmente comum.

Até que um dia Jesus foi convidado para um casamento comum.
Lá, como não era comum, faltou vinho.

“Eles não têm mais vinho” disse Maria, a mãe de Jesus.

Então Jesus, das coisas comuns, fez o que não era comum às pessoas fazerem. Ele virou água em vinho.

Incomum? Sem dúvida.
Mas não é isso que Jesus adora fazer?
Não foi isso que ele fez na cidade de Naim?

Enquanto uma mulher contemplava o rosto pálido e frio de seu filho em um esquife, ela chorava.
Ela tinha amado aquele filho com todo amor que uma pessoa pode ter por outra.

Durante nove meses ela o carregou em seu ventre, seguro, aquecido e amado.
Durante meses ela agüentou dores nas costas, noites mal dormidas, enjoou da sua comida favorita, deixou de usar seus vestidos mais charmosos.
Durante meses ela viu a mudança em seu corpo e em sua vida.

Mas ela amou cada minuto. Ela amou cada chute em sua barriga, e depois cada fralda trocada, cada noite de sono perdido e tardes explicando a tarefa escolar.
Ela amou o seu filho com todas as suas qualidades e defeitos.
Ela o amou e nada mais.
Porque o que ela tinha era ele e nada mais.

Agora aquele sorriso acabou, aquele brilho no olhar se extinguiu, aquela voz suave silenciou, porque aquele filho morreu.
Durante todo esse tempo ela o acompanhou em sua vida e agora ela ia acompanhá-lo em sua morte.

Lucas, que escreveu sobre aquele momento diz “...Estava saindo o enterro do filho único de uma viúva...”.

O que estava sendo carregado para o sepulcro naquele dia era muito mais do que seu filho, era seu protetor, seu provedor e sua linhagem.
Era tudo que ela tinha, e tudo que ela podia esperar que teria nesta vida.

Para quem observava a passagem daquele cortejo funeral, era um dia comum, um momento comum, um funeral comum.
Mas não ia ficar assim por muito tempo.

Lucas conta “Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: ‘Não chore’.”

Você diria isso para uma mãe que acabara de perder seu único filho?
- “Não chore.”

Você ousaria dizer estas palavras para um pai que acabara de perder sua família em um acidente?
Você teria coragem de ir a um cemitério e dizer às pessoas para não chorarem?
Creio que não.
E nem eu.

Mas, Jesus virou para o corpo daquele filho e disse “Jovem, eu lhe digo, levante-se!” O filho morto sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe.

Espere aí!
Morto não se senta e nem tampouco conversa com alguém.

Comum?
Pode apostar que não.

O incomum?
Ele se chama “Jesus”.

Temos um Jesus comum, mas que se faz incomum para chamar a sua atenção.
Não foi isso que ele fez no casamento na Galiléia?
Não foi isso que ele fez com a viúva de Naim?
E com Lázaro, com o cego de Jericó, com a mulher adúltera, com Pedro andando sobre as águas e o mais incomum de todas as coisas – no Calvário quando o único filho de Deus foi morto por sua própria criação.

Comum?
Não.
Jesus não foi comum quando se tratava de amor.

O amor dele é fora deste mundo.
É além da eternidade.
É mais poderoso que a própria morte.

E o que fazer quando o carpinteiro aparecer nas coisas que parecem comuns?
Sorria. Pois, é em lugares assim, que um carpinteiro chamado Jesus gosta de aparecer.