FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA
ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM
AGRADECIMENTO
AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Um Deus que não se corrompe.
"Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obras das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados. Tu porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim". Salmos 102:25-27
A maioria de nós, cristãos, afirmamos que Deus é imutável. No nosso discurso quando vamos evangelizar, pregar, ou até mesmo para validar nossas afirmações, dizemos que Deus é imutável, fiel em suas promessas. Mas na vida prática, cremos em um Deus imutável?
Ser imutável é não estar sujeito à mudança. E a imutabilidade é um atributo de Deus. Grudem define a imutabilidade afirmando que Ele é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas.
A definição correta dos atributos de Deus nos faz entender melhor as Escrituras e a vontade de Deus para as nossas vidas. Conhecer os atributos de Deus nos torna mais próximos dele e consequentemente nos traz uma maturidade espiritual que aplicamos à nossa vida prática e a tornamos melhor.
Entendendo os propósitos de um Deus imutável, conseguimos administrar melhor as coisas mutáveis. Conseguimos entender melhor o contexto em que estamos inseridos e aplicarmos a nossa fé de uma forma que responda às nossas expectativas.
Quando nós entendemos que Deus é um ser imutável, que um dos seus atributos é a imutabilidade, nós entendemos também que todos os demais atributos de Deus não sofrem alteração, e aí podemos confiar plenamente nele, no seu amor, na sua bondade, na sua misericórdia, no seu zelo, na sua onipotência, na sua perfeição, na sua beleza, e em todos os demais atributos, plenamente convictos de que nem sequer um deles pode ser transformado.
"Deus não se corrompe; se os seus atributos podem ser alterados, Ele passa a sofrer corrupção".
Se não entendemos e não cremos na imutabilidade, também não poderemos crer que Ele será imutável em seus atributos. Não conseguiremos crer que Deus é firme em seus propósitos, em suas promessas, em suas palavras.
Se Ele diz que nos amou, Ele continuará a nos amar, e não nos deixará de amar por causa das nossas ações; se Ele diz que cuidará de nós, com certeza Ele cuidará, se Ele prometeu, Ele de fato cumprirá. Se Deus não é imutável, Ele se torna corruptível e todos os seus atributos também. E a palavra de Deus em Tiago 1:17 diz: "Em Deus não pode existir variação nem sombra de mudança".
Infelizmente, o mundo por não entender corretamente a imutabilidade de Deus tem proposto uma teologia deficiente, onde apresenta-se o Deus Soberano, Criador e Sustentador de todas as coisas, como um Deus sujeito ao tempo e a história, ou seja, um Deus sujeito aos homens e suas vontades. E através desse pensamento propagado, surgem as heresias, os erros doutrinários... erros que muitas vezes tentamos aplicar a nossa vida prática na "ilusão" de que pode dar certo. Se Deus não muda em seu caráter, nos seus propósitos e nas suas promessas, por que sempre tentamos mudar Deus e a sua palavra conforme as mudanças temporais? Por que os valores anteriormente bíblicos, hoje sofrem tantas alterações? Por que sujeitamos Deus ao tempo a a história? A resposta é simples: Deixamos de crer em um Deus imutável. E nessa onda, tudo se inverte: o homem já não exerce mais o seu papel de homem, a mulher quer ocupar o espaço do homem, os filhos querem ser como os pais, os pais se igualam aos filhos e assim por diante. E tudo sofre inversão. Porque se Deus muda, tudo pode ser mudado. E aí, aqueles princípios e valores bíblicos que são inalteráveis sofrem a ação do relativismo. E aí, mata-se a teologia. Se partimos do princípio que Teologia é o estudo acerca das coisas de Deus e O tornamos como um de nós, matamos a teologia.
Deus é imutável, e Ele se revela a nós nos mostrando a Sua vontade. Que cada um de nós tenha consciência do nosso papel nessa jornada, como homem, como mulher, como cristão. Tendo convicção de que os mandamentos de Deus são para serem cumpridos hoje, agora e sempre. E com certeza, seremos recompensados por esse Deus maravilhoso que não muda, não mente, e que nos diz que trabalha em nosso favor.
Crer na imutabilidade de Deus nos faz confiar em suas promessas, nos faz perseverar em meio às tempestades, nos faz lutar em meio as adversidades da vida.
O Deus que curou ontem, continua curando hoje, o Deus que salvou ontem, continua salvando hoje. Ele é o mesmo Deus todo poderoso que pode executar todas as coisas em nosso favor. Portanto, creiamos, mesmo em meio as dificuldades, que Ele está próximo e que, ainda que nos faltem forças, Ele sonda os nossos corações, e a palavra não dita, a dor não expressada, a angustia ou a aflição que limita a nossa voz nunca poderá limitar a ação de um Deus Soberano que não muda. Paz e bem.
A Graça .
''a graça barata não ouve, porque não fala a linguagem da vida, do próximo e do Criador.''
Foi pela Graça, tão somente, através dela e nela, que encontramos sentido no evangelho do Cristo Ressuscitado. Agora, no desdobrar das páginas da história, muitos lançaram e ainda lançam suas cartas com a impetuosa intenção de adulterá-la, de denegri-la, quando não a tornar numa figura esquizofrênica, num gueto para personalidades distantes do seu próximo, da vida e de si mesmo. Eis, em suma, a nominada Graça barata, barateada e banalizada, como moeda de troca, promiscuída com os desatinos e paranoias de megalomaníacos, sempre em busca da mantença de seus desejos egoísticos e cobiçosos.
A graça barata se pauta numa interpretação subjetiva da Cruz, faz parte de um compêndio de ideias e ideais adequadas a uma cultura descompromissada e descomprometida com a questão da eternidade, de uma espiritualidade criativa, de um ortopraxis pujante pelo ouvir o próximo e a palavra – revelacional. Vale dizer também, a Graça barata, barateada e banalizada perfaz os itinerários dos conchavos, procura agradar a todos e, para isso, verte um messias para todos os estilos. A graça barata traz uma fagulha das boas-novas, aos domingos, preferencialmente, e durante a semana permanece no ostracismo, em algum de nossa vida cotidiana. A graça barata vai para o mundo, sem o espírito; mas também oferece o espírito, sem o verbo encarnado. Eita graça sucateada e insuflada por líderes personalistas e seus discursos imediatistas, por ícones de púlpitos que visam adornar as fantasias de massas a procura de uma realidade curada, mas sem ir ao antídoto.
De notar, a graça movida pelas promessas de uma existência, sem ambiguidades e tensões, sem vicissitudes e sem diversidades. Faz-se pontuar, uma graça por onde a oração se assemelha a um processo de submeter o Criador a uma inquisição para atender as nossas ânsias, as nossas taras, as nossas perversões, as nossas patologias e por ai vai. A graça de gente avessa à marcha por uma cristandade livre e afeiçoada a marchar por um evangelho do aqui e agora. A graça de ecos destoantes, pelo qual ser crente não é ser cristão, ser protestante não é ser evangélico, ser ortodoxo não é ser atuante, ser engajados não é ser transcendente, ser letra não é ser espiritual, ser isso, aquilo e acolá não é ser isso, aquilo e acolá. Vou adiante, a graça barata, barateada e banalizada marginaliza, exclui e deixa marcas profundas na biografia do ser humano. A graça barata transaciona Cristo, em cada esquina, em cada porta, em cada templo órfão da comunhão espiritual e relacional. A graça barata cria uma comunhão pra boi dormir, uma teologia covarde, um clero enclausurado, um evangelho apático aos rogos das Cracolândias, das cidades de Deus, dos entorpecidos pela panaceia de um consumo, a torto e a direita.
A graça barata, barateada e banalizada repudia, excomunga qualquer tentativa de a submeter a verdade e para tanto se vale de uma espécie de predestinação ufanista e apologética. A graça barata traz o cardápio de um misticismo, de um curandeirismo, de um simbolismo de crenças e crendices no altar, por onde Deus não passa de um ser alguns degraus acima das falanges demoníacas, do tisonho e sei lá mais o que. A graça barata elege os escândalos causados por ditas autoridades ungidas, como um sinal de perseguição dos anátemas. A graça barata quer os holofotes, os aplausos, os palanques, os autógrafos, ser moda, ditar modismos, ser o sucesso, ser amante do poder. A graça barata, barateada e banalizada não olha para o recomeçar do Cristo Ressuscitado. Paz e bem.
O próximo, o distante e o ignorado
Derval Dasilio
Nos dias de Jesus, só se fazia o que permitia a estrutura legal e rejeitava-se o que era proibido por essa estrutura. O legalismo, imposto pela estrutura religiosa, era a norma oficial da moral do povo. Tinha-se chegado, por exemplo, a estabelecer, partindo da lei religiosa, que a lei do culto — leia-se como lei do templo ou da “igreja” –, primava sobre qualquer lei. Este foi o contexto em que nasceu a parábola do bom samaritano: um homem necessitado de ajuda, caído no caminho, mais morto que vivo, sem direitos reconhecidos, violentado em sua dignidade de pessoa, ferido e nu, é abandonado pelos cumpridores da lei (sacerdotes e levitas, servidores da religião) e em troca é socorrido por um “ilegal” samaritano. A bem dizer, alguém que não podia entrar no templo e não tinha boas relações com judeus. Ele é um “distante”, um estranho, mas passa a ser modelo exemplar oferecido ao religioso cristão.
Somente Lucas conservou para nós esta parábola no seu Evangelho. Jesus, por sua vez, devolve a pergunta para que o letrado religioso pesquise a lei codificada, sua especialidade. Ele encontrará a resposta no amor. O religioso culto, citando de memória as Escrituras (Dt 6.5 e Lv 19.18), faz uma síntese do conteúdo dos 613 preceitos religiosos (cerca de 430 negativos: não farás…) sobre como “amar a Deus e ao próximo” sob a lei deuteronômica, encontrada também no Thalmud e no Midrash (da palavra “derash”, procurar).
Comportamentos de conduta são conhecidos como “halakah”, um conjunto de preceitos gerais. Jesus, porém, responde de acordo com a “Torah”, o pentateuco – os cinco primeiros livros, conforme a versão grega Septuaginta –, como foi perguntado. Jesus aprova a resposta da tradição bíblico-teológica rabínica.
O letrado interroga novamente, porque no Levítico o próximo é o israelita – ascendente histórico do judeu –, e no Deuteronômio, este título está reservado unicamente para pessoas do meio cultural e religioso judaico. Jesus, em vez de discutir e entrar em desafios sem saídas, procura não semear novas teorias e interpretações perante a lei antiga, e sua prática. Propõe uma parábola como exemplo vivo de quem é o próximo, e constrói um “midrash”, ou um sermão exemplar sobre os significados do amor.
Quando dizemos que a descrição do samaritano é esplêndida, nesta parábola de Jesus — com referências a posses materiais do samaritano bem-posto: azeite, vinho, cavalgadura, dinheiro para ajudar um pobre infortunado que encontra ferido e abandonado no caminho –, nos aproximamos de questões básicas. Bem-postos economicamente, religiosos, desprendimento, solidariedade da parte de quem propõe esforço pessoal no socorro dos enfraquecidos, sob sistemas políticos e econômicos egoístas e injustos, e disponibilidade para assistir despojados e violentados da sociedade humana em todos os tempos e lugares. O samaritano compassivo e solidário é um homem rico. Um homem cheio de amor pelo próximo, seja ele quem for.
A história humana é caracterizada por uma interminável sucessão de negações do amor ao próximo, diz Bernhard Haring. Os resultados da intolerância são feridas abertas, exclusão e marginalização, gerando o abandono e morte social dos mais pobres, feridos em sua dignidade (“dignitatis” = direitos fundamentais). Só o amor transforma a justiça codificada, que privilegia quem já é privilegiado, em justiça igualitária, compassiva, situacional, concreta. Especialmente quando nos deparamos com emergências e prioridades. Notadamente quando a vida humana está em perigo de morte.
O amor transforma a justiça em verdade ética inquestionável, porque a decisão tomada sob sua influência é, originalmente, gratuidade e a compaixão pelo fraco. “Justiça sem amor é necessariamente injustiça, porque o amor não remove, mas simplesmente estabelece a justiça”, disse Paul Tillich. A justiça sem amor ignora a solidariedade, misericórdia ou compaixão.
O próximo jorra da mesma fonte, é resultado da terra; é filho da sociedade humana, e se relaciona com o mundo da mesma maneira que eu. É o próximo, imagem e dádiva de Deus, ao mesmo tempo. Todos os valores relacionais ideais constituem ponto de partida anterior à justiça codificada. Dizem respeito à vida de todos. O próximo nos comunica: “sou um corpo concreto, e tu me conheces na materialidade compartilhada da vida”. Cremos que a concretude da vida é um fato que não deve ser esquecido, para que não caiamos em abstrações e reduções do corpo do próximo. Diria Rubem Alves: o próximo, corporificado, vale mais que todas as verdades que anunciam sua pequenez; o corpo aguarda a consciência de que somos iguais. O corpo é mais sábio do que a cabeça, o cérebro.
Emmanuel Lévinas, pensador judeu moderno, diz: “Deus vem ao meu pensamento quando vejo o outro, o próximo”. Na face do outro está o rosto transcendente de Deus (cf. Mt 25.38). Também judeu, Martin Buber dizia: “O outro (o próximo) não é um isto, mas um tu”. Tenho comentado sobre a relação “Eu/Tu, equação amorosa criada por Buber, lembrando: “Eu sou tu quando me olhas, e Tu sou eu quando te olho”.
Muitos agnósticos, e até mesmo ateus, deparam-se com a parábola evangélica sobre a solidariedade amorosa apontada em Lucas (10.25-37), e reconhecem que não há futuro para a dignidade humana num mundo tomado pela impiedade, senão pela compaixão e solidariedade. Para os cristãos, o evangelho oferece a oportunidade de compartilhar a experiência de Deus com o mundo do próximo, através da solidariedade, reconhecendo-o como o nosso “Tu”. Esta oportunidade, por si mesma, reflete o amor e a experiência de Deus. Num só momento.
A força potente do amor energiza e dá capacidade de lutar, de proteger, socorrer, vestir, alimentar e curar o próximo. Diz a canção de Carlinhos Lyra: “Sabe você o que é o amor? Não sabe? Eu sei./ Sabe gostar? Qual sabe nada, sabe, não./ Você sabe o que é uma flor? Não sabe, eu sei. / Você já chorou de dor? Pois eu chorei. / Já chorei de mal de amor, já chorei de compaixão./ Quanto a você meu camarada, qual o quê, não sabe não./ Você não tem alegria, nunca fez uma canção, / Por isso a minha poesia… você não rouba não.”
Agostinho, na antiguidade, confessava: “O meu amor é o meu peso; onde quer que eu vá, ele me conduz e me faz inclinar”. Esse “peso” é citado por Jesus: “Vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu aliviarei vocês. Tomem sobre vocês a minha carga e aprendam, porque sou manso e humilde de coração; e acharão descanso. Porque o meu peso (amor) é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30). Uma metáfora magnífica da compaixão, da ternura, da solidariedade que nos une ao que sofre, na experiência de Deus em Jesus.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Senhor conceda-me a graça de ser perdão.
''Senhor, ajuda-me a trilhar pelo possível e não me martirizar com relação ao impossível.''
''Possamos ir ao diálogo da comunhão, não com as palavras surdas.''
''O perdão não se dirige a Cruz de Cristo, mas sim parte Dela e alcança seu sentido na relação mútua de uns com os outros.''
''A idéia fundamental do evangelho está e é o amor, porque abre possibilidades para a vida.''
''Não basta, somente, discursos sobre unidade; devemos ir além e desaguá - la em decisões simples e práticas de serviço para que tenha vivacidade.''
Poderia me valer das mais diversas desculpas, mas prefiro ficar com a singela e específica – ‘’me perdoe’’ e me ajude a recomeçar.
É bem verdade, muitos irão pontuar a subjetividade efetuada na presente frase; agora, mesmo assim, por que não pararmos um pouco, deixarmos as lágrimas escoarem ladeira abaixo, o sorriso aflorescedor irreverente, os gestos de um abraço, de um aperto de mão, de um silêncio (em meio as rupturas do próximo), de um simplesmente ouvir (diante dos nãos de uma derrocada no casamento, de um filho submerso nas drogas, de uma gestação na adolescência, de uma sequidão da fé, de uma vontade chutar tudo para o alto e sei lá mais o que).
A cada dia, corremos tresloucados atrás das coqueluches de uma cultura digital, do imediatismo, do faça e cumpra.
Isto sem falar de como somos subjugados por uma felicidade de aparências, de máscaras, de interpretações para sermos aceitos e reconhecidos.
Não permita nenhum pulsar de humanidade, de trilhar pelas contingências, pelas contradições, pelas oposições e pelas situações não esperadas, conforme o texto de Eclesiastes 03 tece os mosaicos da vida como ela é, com seus dissabores, com suas colisões, com suas partidas e com suas interrupções.
Devo admitir, as palavras soadas podem exprimir um conteúdo melancólico e nostálgico; no entanto, em meio ao progresso exponencial do conhecimento humano, dos avanços estabelecidos pela tecnologia, das alterações na expectativa de vida e longevidade, infelizmente, prosseguimos como miniaturas psicológicas e espirituais, somos implacáveis diante dos erros e equívocos do próximo, não aceitamos lançar as pedras no chão e disparamos impetuosamente e extraímos um êxtase pelo sangue esparramado e compondo poças de intolerância, de desdém, de uma perigosa justiça cega e leviana.
Tornamo-nos, então, defensores de uma fé orquestrada pelos ídolos do mercado, de líderes personalistas e apregoadores de uma satisfação imediatista, indiferentes com os convalidados, bem ao nosso lado?
Ora, estufamos o peito e declaramos participar de um contexto pós-moderno e, lá no fundo, fugimos do olhar sério e sincero, de reconhecer nossas fragilidade e vulnerabilidades, sem fazer disso nenhum estardalhaço. Para piorar a situação, vomitamos toda e qualquer via de princípios e pontos de orientação; aplaudimos um patético relativismo; de uma ética de que cada um vive como quer; de um dogma hedonista e utilitarista; de conceber os fios da interdependência, como algo abstrato.
Não por menos, embora toda a abundância de instrumentos facilitadores de interação, entre as pessoas, a malha do diálogo se desfaz e preferimos a linguagem excessiva, desmedida, confusa e insólita das imagens.
Eis o facebook, ao qual não nos deixa enganar!
Para que ir aos enredos de um Mario Quintana, ser adoçado com a inocência de uma Cora Coralina, de ser dissecado com as narrativas de Drummond, de compreender que as pessoas são peças fundamentais no exercício da nossa liberdade – participativa.
Sem sombra de dúvida, necessitamos não de uma revolução espiritual fundamentalista, ou do soerguer de um sistema democrático evangélico, ou de um esparramar de igrejas, ou de um avivamento pós – moderno, ou de uma adesão a uma ideologia aversiva a Deus ou favor, ou de usar a ciência como justificativa para nossas frustrações pessoais.
Em direção oposta, descer do barco das nossas convicções, reduzir a velocidade de fazer e fazer, abrir as portas do ouvir, dizer o amor livre da paranóia de possuir o corpo do outro, de trilhar por uma sexualidade que se desperta no pulsar do olhar, do verbalizar, do materializar e do ponderar, de navegar por uma espiritualidade sensível e aberta a acolher os achatados pelas imposições de messias megalomaníaco, de perceber o quanto brincar com os filhos, levar um bombom para a esposa, de curtir a praia e tantas outras bondades, aqui neste mundo e não o ver como um reduto das falanges demoníacas. Por fim, o Senhor me ajude a praticar e viver o possível de servir o próximo e me auxilie ao impossível de ir aos diferentes e até discordantes. Paz e bem
O projeto anti-cristão da agenda gay.
A inversão de valores propagada pela mídia revela um projeto incisivo de destruição da moral cristã Os noticiários não falam de outra coisa. O liberalismo sexual, no qual se inclui a causa gay, ganhou de vez as manchetes dos principais jornais do país, numa avalanche que parece não ter mais freio. A unanimidade da imprensa em decretar o novo padrão de moralidade é tão eloquente que os mais desavisados sentem-se quase que impelidos a concordar com ele, mesmo que a contragosto. Mas enganam-se aqueles que, ingenuamente, atribuem essas movimentações ao curso natural da história. Trata-se, pelo contrário, de uma agenda compacta, determinada e amplamente financiada, cuja única meta é: minar os fundamentos da sociedade ocidental - o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã - e, em última análise, a natureza humana. Não é mais segredo para ninguém a hostilidade com que inúmeras nações se referem ao cristianismo. Praticamente todos os programas de governos atuais têm por política o combate aos últimos resquícios de fé católica que ainda restam na sociedade. E essa agenda ideológica encontra eco sobretudo nas Organizações das Nações Unidas, logicamente, a mais interessada na chamada "Nova Ordem Mundial". Essa perseguição sistemática à religião cristã e, mais especificamente à Igreja Católica, se explica pelo fato de ela ser única a levantar a bandeira da lei natural, que é a pedra no sapato dos interesses globalistas. Em linhas gerais, o direito natural refere-se ao que está inscrito no próprio ser da pessoa. Isso supõe uma ponte de acesso a uma moral humana já pré-estabelecida, com direitos e deveres naturais, conforme a ordem da criação. Não corresponde a um direito revelado, mas a uma verdade originária do ser humano, que através da razão indica aquilo que é justo ou não. Essa defesa do direito natural foi o grande diferencial do cristianismo em relação às demais religiões no início do primeiro milênio, como assinala o Papa Emérito Bento XVI ao Parlamento Alemão, em um dos discursos mais importantes de seu pontificado: "Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, nunca impôs um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus", (Cf. Bento XVI ao Parlamento Federal da Alemanha em 2011). A partir do último meio século, ressalta o Santo Padre, o direito natural passou a ser menosprezado, em grande parte, devido à razão positivista. Passou-se a considerá-lo como "uma doutrina católica bastante singular, sobre a qual não valeria a pena discutir fora do âmbito católico, de tal modo que quase se tem vergonha mesmo só de mencionar o termo". Com efeito, para o teórico positivista Hans Kelsen, a ética deveria ser posta no âmbito do subjetivismo e, por conseguinte, o conceito de justiça. Criou-se, portanto, uma situação perigosa da qual o próprio Kelsen foi vítima posteriormente, quando perseguido pelo regime nazista por ser judeu. A justiça e a ética caíram no relativismo. Cada um julga-se a si mesmo, julga-se o conhecedor do bem e do mal. E "quando a lei natural e as responsabilidades que implica são negadas, - alerta outra vez Bento XVI em uma catequese sobre Santo Tomás de Aquino - abre-se dramaticamente o caminho para o relativismo ético no plano individual e ao totalitarismo de Estado no plano político". Como condenar os regimes nazistas, fascistas e comunistas por suas atrocidades se a justiça é um conceito relativo a cada um? A Igreja condena a perversidade do relativismo justamente por essa falsa sensação de liberdade propagandeada por ele. É a mesma liberdade oferecida pela serpente do Éden à Eva, a falsa beleza que, na verdade, é escravidão. Quando exposta em termos claros e diretos, a lei natural se torna evidente e com ela, todo o arcabouço que a sustenta: o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã. A lei natural encontra apelo no ser humano justamente por ser verdade e estar de acordo com a razão criadora, o Creator Spiritus. O Magistério Católico é, neste sentido, um dos únicos baluartes da justiça e da dignidade da pessoa humana, por falar quase que solitário em defesa da lei natural. O trabalho da elite globalista - diga-se ONU, imprensa, ONGs esquerdistas e etc - consiste, neste sentido, única e exclusivamente na destruição desses pilares da lei natural. Assim, sepultam-na numa espiral do silêncio, enquanto reproduzem na mídia uma moral totalmente avessa e contrária à família. Desse modo, abrem espaço para a educação das crianças pelo Estado conforme a cartilha ideológica que defendem. É um programa totalmente voltado para a subversão e o controle comportamental que está sendo colocado em prática, descaradamente, por países como Estados Unidos, França, Suécia, Holanda e até mesmo o Brasil. Neste momento, em que a Igreja vê-se atacada por todos os lados e se joga com a vida humana como se fosse algo qualquer e sem valor, urge o despertar de pessoas santas, imbuídas por uma verdadeira paixão à Verdade. Todas as grandes crises pelas quais a Igreja passou nos últimos séculos foram enfrentadas por santos de grande valor: São Luís Maria Grignion de Montfort, São João Maria Vianney, Santa Catarina de Sena, São Pio X... E essa crise atual requer a mesma fibra, o mesmo destemor e parresia com os quais aqueles santos estavam dispostos a entregar suas vidas, suas fortunas e até mesmo os seus nomes, sem medo da humilhação, firmes na Providência Divina e na certeza de que no alvorecer do novo dia será de Deus a última e definitiva palavra. Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Corrupção: aspectos sociais, bíblicos e teológicos
No Brasil, até um tempo atrás, corrupção era vista como coisa normal; não havia tanta tensão sobre o assunto. Alguns aceitavam, de forma pragmática, o suborno sendo visto como um pouco mais do que “um jeito diferente de fazer negócios”. Outros apenas faziam “vista grossa”.
Existe, é verdade, essa cultura do “jeitinho”, da malandragem como parte da maneira de ser brasileiro, quase que uma exaltação dessa habilidade da nossa gente de encontrar formas “criativas” para resolver problemas. A corrupção, como ela se manifesta em nosso país, entra também por meio dessa validação cultural e quase que institucionaliza a sua prática.
Com o desenvolvimento econômico do país, a indignação contra a corrupção, de alguma forma, se dilui. Alexandro Salas, diretor para as Américas da Transparência Internacional, diz o seguinte:
"Quando um país começa a ter uma economia mais sólida, é mais fácil ver um cidadão comum perdoando atos corruptos, porque ele não faz um vínculo direto de como a corrupção o afeta. Se agora ele tem um bom trabalho, um carro e se o ministro rouba, ele fica irritado, claro, mas acha que isso não o atinge diretamente."
No ranking de Percepção da Corrupção da ONG em 2012, o Brasil ocupou a 69ª posição, entre 176 países. Já no que lista o grau de proprinas pagas, o país ficou no 14º lugar - foram 28 países analisados.
O Promotor de Justiça, Jairo da Cruz Moreira, aponta os dez atos de corrupção mais presente no dia-a-dia do cidadão comum:
- Não dar nota fiscal;
- Não declarar Imposto de Renda;
- Tentar subornar o guarda para evitar multas;
- Falsificar carteirinha de estudante;
- Dar/aceitar troco errado;
- Roubar assinatura de TV a cabo;
- Furar fila;
- Comprar produtos falsificados;
- No trabalho, bater ponto pelo colega;
- Falsificar assinaturas.
"Aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções", afirma o promotor. "Seguindo esse raciocínio, seria algo como um menino que hoje não vê problema em colar na prova ser mais propenso a, mais para frente, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção."
Em seu livro “Dando um Jeito no Jeitinho”, Lourenço Stelio Rega apresenta o que ele chama de ciclo vicioso da corrupção que se inicia no descaso das autoridades que leva o povo a sentir-se no direito de transgredir a norma e, por conseguinte, dar um “jeito”, pagando suborno para não ser punido. O pagamento de suborno a uma autoridade pública reestimula a corrupção, gerando impunidade e fechando, assim, o círculo.
O antropólogo Roberto DaMatta defende que essa prática sistêmica é uma forte razão pela qual o brasileiro é complacente com a corrupção na política, por exemplo. Nas palavras dele, “uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto”.
O ex-secretário geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, certa vez disse:
“A corrupção é uma praga insidiosa que tem um largo espectro de efeitos corrosivos nas sociedades. Ela sabota a democracia e o texto da lei, leva a violações dos direitos humanos, distorce os mercados, corrói a qualidade de vida e facilita o crime organizado, terrorismo e outras ameaças ao florescimento da segurança da humanidade. A corrupção fere o pobre desproporcionalmente através dos desvios de fundos que deveriam ir para o desenvolvimento, compromete a habilidade do governo em prover serviços básicos, alimenta a desigualdade e a injustiça, além de desencorajar a ajuda e o investimento externo. Corrupção é o elemento chave no mau desempenho das economias e o principal obstáculo ao desenvolvimento e ao combate à pobreza”.
Chico Buarque homenageia o malandro às avessas, aquele que tem família, que trabalha, que deixou a criminalidade. Penso que essa poesia retrata bem a mudança na maneira de enxergar a questão da corrupção no contexto brasileiro, apontando que há algo problemático com essa “ética do jeitinho”.
Homenagem ao Malandro (Chico Buarque)
“Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central”.
De que corrupção nós estamos falando?
A Bíblia trata do tema da corrupção da raça humana e do plano redentor de Deus, do Gênesis ao Apocalipse; a corrupção “lato sensu” (o pecado, de uma forma geral), que se desdobra em corrupções “strito sensu” (manifestações específicas da rebelião humana). Nosso foco é na corrupção como ferramenta de opressão econômica, afronta ao pobre; a negação do acesso do outro aos direitos básicos pela malversação de dinheiro público, pagamentos de propinas, superfaturamentos, etc…
Bryan R. Evans, da ONG Tearfund, em sua livro “O custo da corrupção”, circunscreve o entendimento de corrupção à fraude, apropriação indébita e suborno que podem ocorrer através do abuso de poder, formação de cartel ou negócios escusos/nebulosos. Além disso, ele categoriza a corrupção em três tipos: a incidental, a sistemática e a sistêmica. O fato é que “corrupção” andará sempre de mãos dadas com a pobreza e, por esse motivo, ela é uma questão de ordem moral e de direitos humanos.
Vejamos alguns efeitos práticos da corrupção: o alto custo do acesso aos serviços de saúde e educação; padrões de saúde e segurança públicas precárias, riscos ambientais, violação dos direitos humanos, precariedade do acesso à justiça. Além das mulheres e das crianças, os portadores de deficiência, pessoas com vírus HIV, idosos e os refugiados estão entre os que mais sofrem as consequências da corrupção.
O que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto?
Ao refletirmos nas Escrituras, o que se espera que seja a práxis da igreja de Cristo? “E criou Deus o homem à Sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto” (Gn 1.31).
A desobediência da criatura humana abre as portas para toda a cultura de violência e morte que vai descaracterizar a imagem de Deus no homem. “A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn 6.11-12).
A corrupção, como a conhecemos, é talvez a violência em sua forma mais cruel. Não é possível dissociarmos a ideia de corrupção daquilo que entendemos como violência contra a dignidade humana, seja pela promoção da precarização dos serviços públicos, pela facilitação do crime ou pelo incentivo ao aumento da miséria.
A corrupção aflige a terra desde a Queda. Não é surpresa, portanto, que muitos a vejam como algo normal, inevitável; um mal necessário na condução dos negócios e a forma como o rico e o poderoso levam sempre vantagem sobre o pobre e o fraco. Porém as Escrituras deixam claro que a corrupção é uma injustiça e, mais do que isso, elas requerem um posicionamento contra a corrupção.
O relato de corrupção, propina ou suborno mais conhecido da história está na Bíblia. Foram as 30 moedas de prata dadas pelos sacerdotes judeus a Judas Iscariotes para que ele os levassem até o Jardim do Getsemani, onde Jesus e os discípulos passavam a noite. Lá Judas mostrou a eles através do beijo da traição quem era Jesus. Judas era ganancioso e o dinheiro significava para ele, muito mais do que lealdade ou amor. Ele foi motivado por ganância e ganho pessoal. Quando ele se deu conta do mal feito e das consequências da sua traição, jogou as moedas no pátio do templo e cometeu suicídio (Mt 26 e 27; Mc 14; Lc 22).
Corrupção em forma de propina ou suborno é condenada ao longo de toda a Escritura Sagrada. Samuel foi o primeiro dos profetas do Antigo Testamento e um grande líder em Israel. Porém, mais tarde em sua vida, em sua casa, ele acusou os seus filhos de não andarem em seus caminhos. Foram avarentos, aceitaram subornos, torceram a lei (1 Sm 8.3). A distorção da justiça é uma das piores consequências do suborno porque permite que o rico explore o pobre. Na despedida que Samuel fez junto ao seu povo na coroação do rei Saul, ele perguntou: “…diga-me de quem recebi suborno e com ele encobri meus olhos, e eu vo-lo restituirei?” (1 Sm 12.3). Ele teve uma vida exemplar e a multidão não hesitou em responder: “em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem recebeste coisa alguma da mão de ninguém” (1 Sm 12.4).
Davi, rei de Israel, fez uma pergunta retórica no Salmo 24: “Quem subirá ao monte do Senhor ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração. Que não entrega a sua alma à vaidade e nem jura enganosamente." No Salmo 26, porém, ele apresenta o homem que tem a mão direita cheia de subornos em contraste com o outro homem do Salmo 15.5 que “não empresta o seu dinheiro visando lucro e nem aceita suborno contra o inocente”.
O profeta Isaías elogia “…aquele cuja mão não aceita suborno.” (Is 33.15). E o profeta Amós denuncia “vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais” (Amós 5.12).
Escrevendo sobre a Bíblia e a corrupção, Hermes C. Fernandes apresenta textos bíblicos categorizados em modos distintos de fraude financeira nas esferas pública e privada, mostrando a corrupção como algo inaceitável diante de Deus:
- Advertência contra a corrupção no funcionalismo público: Lc 3.12-13.
- Advertência contra a corrupção policial: Lc 3.14.
- Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário: Dt 16.19-20; Ex 23.8; Pv 17.23; Is 5.22,23; Sl 82.2-5a; Lv 19.15.
- Independência entre os poderes: Mq 7.2-3.
- Advertência contra a corrupção no Poder Executivo: Is 1.23; Pv 29.4; Pv 16.12.
- Advertência acerca dos assessores corruptos: Pv 25.5.
- Advertência contra a corrupção no Poder Legislativo: Is 10.1-4
- Advertência contra a corrupção e a ganância no meio empresarial: Ez 22.12-13a; Pv 16.8; Pv 22.16.
- Advertência contra juros absurdos praticados pelo Sistema Financeiro: Pv 28.8; Ez 18.5,7-9; Ex 22.25; Sl 112.4-5,9.
- Advertência acerca dos Direitos trabalhistas: Jó 31.13-14; Ml 3.5; Cl 4.1; Lv 19.13.
- Advertência contra lucros desonestos: Os 12.7; Dt 25.13-16; Pv 11.1; Pv 16.11; Mq 6.11; Lv 19.35-36.
No primeiro século depois de Cristo, o apóstolo Paulo se recusou a pagar suborno ao governador romano Félix. O governador admitiu que Paulo não havia feito nada de errado, mas ainda assim o manteve na prisão porque “esperava que Paulo oferecesse a ele algum dinheiro” (At 24.26). Esse tempo na prisão poderia ser gasto em visitas e encorajamento às igrejas que Paulo havia fundado, ou (quem sabe) fazendo a tão sonhada viagem missionária à Espanha. Nenhuma “justificativa” para o suborno poderia ser maior do que essa que o apóstolo teve, mas ele se recusou a aceitá-lo. Essas passagens nos mostram que, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, o suborno é entendido como um pecado contra Deus. Uma perversão da justiça que permite com que o rico explore o pobre - e dentre os pobres, mulheres e crianças são os que mais sofrem. Abusos de poder que só satisfazem a ganância.
A corrupção não é apenas moralmente errada. Ela mina o desenvolvimento econômico, distorce a lisura na tomada de decisões e destrói a coesão social.
A corrupção mata! A corrupção é desonra a Deus e, por isso, é a antítese do amor ao próximo.
No episódio de Caim e Abel, em Gênesis 4, vemos Caim buscando “comprar” o reconhecimento do Senhor; e para tanto, Caim decide tirar a vida do seu irmão. O Senhor Deus questiona a Caim sobre o paradeiro de seu irmão. Caim responde com uma pergunta que tenta justificar a sua independência arrogante: “Acaso sou eu o guardador do meu irmão?” (v 9). Somos, ou deveríamos ser, os guardadores do nosso próximo; promotores de conciliações, construtores de pontes e não agentes de violência e morte. Como vimos no texto de Gn 6 “… a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência”.
Sendo discípulo de Jesus contra a corrupção
Considerando que a corrupção, na perspectiva que está sendo descrita, é um dos maiores, senão o maior, ato de violência direta ou indireta do homem contra o seu semelhante e contra a criação, o que, então, um discípulo de Jesus pode fazer? Que contribuição a igreja pode dar na luta contra a corrupção? Considerando que toda lei de Deus converge em Cristo, atraindo-nos pelo amor e conclamando-nos ao amor a Deus e ao próximo (Mt 22.36-38), aquele que é a expressão perfeita da vontade do Pai para o homem, nos aponta o caminho a seguir:
1. Jesus nos apresenta o modelo da não-violência
Na noite em que foi preso, quando um soldado veio na direção de Jesus, o Mestre advertiu Pedro que já estava pronto para reagir: “Ponha a espada de volta…o que vive pela espada, morrerá por ela” (Mt 26.52). Diante de Pilatos, Jesus também faz uma declaração que sugere um caminho alternativo na relação com os poderes temporais: “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36). Os valores do reino de Deus são distintos; subvertem a lógica dos reis. O poder dos discípulos de Jesus é poder para ser e para servir, e não para revidar com a mesma moeda. O modelo de combate do cristão não passa pela reprodução da violência, mas sim por um comprometimento com a paz e com o amor, por meio de ações de serviço.
2. Jesus apresenta a fonte da violência
“E, chamando outra vez a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós, todos, e compreendei. Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” ( Mc 7.14-23).
Ainda que a violência em forma de corrupção possa ser manifestada através de sistemas, esquemas e estratagemas, sabemos que a fonte será sempre o coração corrupto do homem. E é muito bom entendermos isso porque nos ajuda a colocar as coisas em perspectiva e a compreendermos pelo menos duas coisas: 1) que, potencialmente, todos nós estamos sujeitos aos descaminhos e precisamos ser cuidadosos em como vivemos a vida; 2) que a corrupção é uma questão de decisão pessoal, e não o fruto de um sistema sem rosto. Cada escolha, uma responsabilidade.
3. Jesus nos encoraja a enfrentarmos a violência com bravura
Jesus ensinou que o mundo é um lugar perigoso de se viver. Mas ele desafiou seus seguidores a não terem medo. “Não temam aqueles que matam o corpo mas não podem matar a alma.” (Mt 10.28). Ele também disse: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (Jo 16.33). “Tenham ânimo!”. Numa das traduções desse texto para o inglês, encontramos a expressão “sejam bravos!”. Que tipo de bravura é essa que Jesus pede dos seus seguidores?
4. Jesus exige de nós uma resposta à violência
Penso que é no Sermão do Monte que vamos encontrar aquilo que Jesus deseja que seus discípulos façam em relação à corrupção, e a qualquer forma de violência. As palavras do Mestre tratam dos desafios da vida real. É quando ele diz: “Felizes os pacificadores, pois eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9). Fazer a paz dá trabalho, trabalho duro, trabalho frustrante, muitas vezes inconveniente. Felizes aqueles que gastam as suas vidas a serviço da reconciliação e da “shalom”.
Em seu livro “Discipulado”, o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer disse:"Os seguidores de Jesus foram chamados para a paz. Quando ele os chamou, eles encontraram sua paz, porque ele é a sua paz… Mas a eles foi dito que deveriam não apenas ter paz, mas fazer a paz".
John Stott, em seu comentário do Sermão do Monte, diz: “Agora pacificação é uma obra divina. Por paz entenda-se reconciliação, e Deus é o autor de toda paz e reconciliação”.
Pacificadores, portanto, são construtores de pontes num mundo de relações corrompidas. Pacificadores agem em nome de Jesus, na base dos valores do reino de Deus, promovendo diálogos para a reconciliação. Pacificadores enfrentam a corrupção de forma pacífica, inteligente e criativa, tendo sempre a justiça do Reino como referência para a “shalom”. Pacificadores vão às ruas e clamam pela paz; articulam-se com outros grupos que tenham interesse comum para fazerem trabalho conjunto; promovem campanhas; mobilizam igrejas na ação contra o mal em forma de violência e corrupção. Pacificadores acompanham as decisões políticas e buscam incidência pública objetivando a implementação de mecanismos de controle social e transparência. Pacificadores dão voz aos sem-voz. Pacificadores buscam diálogos possíveis e quando não é possível, falam sozinhos. Pacificadores são o sal que preserva o mundo da corrupção do mal. Pacificadores são a luz que traz às claras aquilo que se esconde na escuridão. Pacificadores bem-aventurados; que têm fome e sede da justiça de Deus.
Corrupção é uma questão de caráter
Não se garante transformação de caráter através de controle social e transparência na administração pública. Por outro lado, não é possível haver administração pública eficiente sem o envolvimento de pessoas de caráter nos processos de acompanhamento da governança. Há, portanto, dois níveis de ação da igreja nesse terreno:
O primeiro é o de fazer um chamado à própria igreja a um posicionamento ético que identifique os frutos de justiça produzidos pela ação do Espírito Santo na vida daqueles que se dizem participantes da nova criação. Ou seja, precisamos admitir que a igreja pode ser parte do problema da nação. Uma instituição corrompida e corruptora não tem o que dizer em matéria de ética na governança pública. O outro nível de ação nos move na direção de uma maior incidência pública para a garantia do cumprimento das leis, ou a criação de novas leis, que contribuam para a construção de um ambiente social onde se garanta um mínimo de justiça e paz. Aqui cito Carlos Queiroz para argumentar em favor de um engajamento da igreja nas questões de justiça e paz no mundo dos homens:
“A justiça de Deus é bem maior que o conceito de justiça do ser humano. É baseada em valores como mansidão, sensibilidade, misericórdia e amor. Mas isso não quer dizer que a justiça de Deus é menor do que o mínimo exigido pela justiça humana, como o direito à habitação, alimentação, saúde, educação, lazer, liberdade de exercer a vocação humana.”
“Uma igreja socialmente responsável se utilizará dos instrumentos democráticos para que a sua espiritualidade em missão tenha incidência nas políticas públicas, nos direitos do cidadão e nos testemunhos de boas obras e prática da justiça.”
Deus quer vida; a corrupção destrói a vida.
Deus quer justiça; a corrupção oprime o pobre roubando-lhe os direitos.
Deus quer riqueza honesta; a corrupção cria obstáculos ao desempenho econômico.
Deus quer comunidade; a corrupção destrói a confiança e a segurança.
Deus quer dignidade; a corrupção destrói a dignidade e a credibilidade.
Deus quer paz; a corrupção fortalece a violência e os instrumentos de guerra.
A luta contra a corrupção, portanto, faz todo o sentido para aqueles que dizem conhecer o Deus incorruptível e almejam viver para servi-lo, refletindo na vida o seu caráter santo. A revelação de Deus na Sua Palavra nos confronta, nos transforma e nos move à missão. A missão se dá no solo real de um mundo corrompido e fraturado. A missão nos aponta o caminho em direção ao solitário, ao pobre e ao oprimido.
Sempre que a igreja busca se envolver na justa causa contra a corrupção estará respondendo a Deus de forma diferente de Caim: “Eu sei, sim, onde está o meu irmão, porque sou responsável por ele. Sua vida me diz respeito. Como posso servi-lo?”.
Nota: artigo publicado originalmente no site da Aliança Evangélica.
_______
Daniel de Almeida e Souza Júnior, pastor batista, é missionário da SEPAL e trabalha com o Núcleo de Ação Urbana, em Macaé (RJ). É assessor de Missões Urbanas da Aliança Cristã Evangélica Brasileira.
O casamento é um organismo vivo.
Vivemos em uma época em que o matrimônio deixou de ser um pacto entre duas pessoas que, motivadas pelo sentimento de amor e ternura uma pela outra, resolvem construir juntas suas vidas, apoiando-se mutuamente e tornando-se a âncora do desenvolvimento da autoestima da outra.
Hoje o modelo do concerto de casamento é muito mais similar a um contrato comercial, no qual os contratantes procuram extrair para si o máximo de vantagens com o mínimo de compromisso, tendo obrigatoriamente aberta a cláusula do rompimento como uma possibilidade, caso o acordo não funcione a contento para qualquer uma das partes.
Em nossa sociedade do divórcio fácil e dos relacionamentos descartáveis, na qual impera a “Lei de Gerson”, falar em uma instituição na qual se pretenda entrar “para o resto da vida” pode ser uma perspectiva assustadora para nossos jovens, cada dia mais imaturos e despreparados para a vida adulta. (Por isso mesmo a cada dia permanecem mais tempo na casa dos pais.)
Entretanto precisamos ensinar a nossos jovens e muitos de nossos adultos que a relação conjugal não pode ser entendida a partir da perspectiva de um contrato comercial. Antes a visão que devemos ter da relação conjugal é a de um “organismo vivo”, que tem em si toda uma dinâmica própria de nascimento, crescimento, amadurecimento e morte, de forma natural, como todo sistema vivente.
Cada etapa do relacionamento tem suas características próprias, bem como as demandas e os conflitos naturais do processo de passagem de uma etapa à outra. Estes, em vez de desestruturarem a relação, devem ser vistos como degraus de crescimento, que nos impulsionam a vivermos de forma mais plena e saudável.
Chamamos este processo de ciclo vital da família. Nas últimas décadas, este processo foi amplamente estudado por pesquisadores e profissionais que trabalham diretamente com o bem-estar da família. Terapeutas familiares, psicólogos e conselheiros matrimoniais nos ensinam que muitas das crises que paralisam os casais no crescimento de sua intimidade são, em última instância, crises de passagem, e que é necessário passar por elas para que haja um crescimento efetivo. É como despir a roupa que ficou apertada na criança que cresceu e vestir outra, mais adequada ao seu momento de vida.
O crescimento é uma lei da vida, ordenada por Deus no primeiro capítulo do primeiro livro da Bíblia: “Sede fecundos, multiplicai-vos” (Gn 1.28). Se um organismo não cresce, ele definha e morre — com o casamento também é assim. Por isso os casais devem constantemente estar atentos às mudanças decorrentes do processo natural desse crescimento.
_________
Carlos “Catito” Crzybowski.
Assinar:
Postagens (Atom)






