FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

terça-feira, 3 de maio de 2011

Apartir daquela hora, o discípulo a levou para casa


“A partir daquela hora, o discípulo a levou para sua casa” (Jo 19, 27b)

Maria, desolada aos pés da cruz, nos recebe como filhos: “Mãe, eis o teu filho”. E aos pés da cruz somos chamados a recebê-la como mãe: “Filho, eis aí tua mãe” (cf. Jo 19, 25-27).

Se esta graça, último dom do Redentor antes de sua morte, é dom para todos os cristãos, quanto mais o será para nós, filhos e filhas da Misericórdia, que reconhecemos em Maria a nossa Mãe e Fundadora! Lemos em nossos estatutos: “Ao sim de Maria unimos o nosso sim. Queremos, como João, levar Maria para nossa casa (cf. Jo 19, 27), para deixar-nos formar e educar por ela”(1).

Será que ao sim de Maria, serva obediente do Senhor, corresponde verdadeiramente o nosso sim de filhos? Será que, imitando Jesus, saberemos “descer” à casa de Nazaré para sermos obedientes, submissos à escola de Maria e, então, crescermos “em idade, sabedoria e graça perante Deus e diante dos homens”? (cf. Lc 2, 51-52).

Será que levamos verdadeiramente Maria conosco, na nossa casa, na intimidade dos nossos afetos, acolhendo-a como nossa verdadeira mãe e primeira formadora da Aliança? E o que significa, concretamente, acolher Maria em nossa casa?

Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, um dia perguntou a Jesus porque quis ficar na Terra, pela Eucaristia, e não encontrou, Ele, que é Deus, um modo de deixar conosco Maria. Sentiu, então, Jesus lhe respondendo: “Não a quis deixar porque eu desejo revê-la em ti, mesmo que não sejas como ela; o meu amor te transformará!”. Aí ela lançou um apelo a todos os membros do Movimento: “Reviver Maria!”

“A partir daquela hora o discípulo a levou para sua casa” (Jo 19, 27b)

Eis o sentido concreto desta Palavra, que nos leva a uma aprendizagem contínua, na humildade e docilidade, à “escola de Maria”: permitir-lhe continuar a gerar em nós o Cristo seu filho, deixando que seu amor cure tantas carências, traumas, feridas da nossa concepção, parto, experiência familiar! Permitir-lhe que nos leve continuamente a voltar a Deus o nosso olhar, na obediência à sua Palavra: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Permitir-lhe, como diz Santo Agostinho, que neste mundo possamos permanecer “ocultos no seio da Virgem Maria”, até que ela nos dê a glória no dia do verdadeiro nascimento, como a Igreja qualifica a morte dos justos.

Permitir-lhe, enfim, que ela possa “reproduzir-se em nós”. Assim, como escreve São Luís Maria Grignon de Montfort: “É vontade de Deus-Espírito Santo que nela e por ela se formem eleitos. ‘Nos meus eleitos, portanto, porei as minhas raízes’ (Eclo 24,12). Diz-lhe Ele: ‘reproduze-te, portanto, nos meus eleitos…’. Maria produziu, com o Espírito Santo, a maior maravilha que existiu e existirá: um Deus homem, e ela produzirá as coisas mais admiráveis que hão de existir nos últimos tempos. A formação e educação dos grandes santos, que aparecerão no fim do mundo, lhe será reservada…”(2).

Estes apóstolos, como bem experimentamos no caminho da consagração ao qual conduz o Tratado de Montfort (tão recomendado pelo bem-aventurado João Paulo II), serão pequenos, pobres, rebaixados, calcados, perseguidos, humildes. Conhecerão a misericórdia de que Ela é cheia e, na necessidade de auxílio, recorrerão a Ela em todas as circunstâncias(3).

Pedimos que Maria possa “reproduzir-se em nós” como se reproduziu milagrosamente no manto do pequenino índio Juan Diego, em Guadalupe. Este manto rude e cheio de defeitos, propriedade de um índio desprezado, que não era nem batizado na época, representa a imperfeição de nossa vida, os tantos defeitos do nosso ser, mas neste manto a Mãe Santíssima reproduziu-se maravilhosamente, de uma forma que deixa, até hoje, cientistas e historiadores sem palavras e explicações possíveis.

“A partir daquela hora o discípulo a levou para sua casa” (Jo 19, 27b)

Eis, então, um caminho simples para “revivermos” Maria: em tudo o que fizermos, em cada pequeno gesto, podemos pedir que Ela viva em nós e perguntar: “Como você, Maria, faria, agora, aqui no meu lugar? De que forma, com quanto cuidado, amor e ternura agiria, falaria, oraria, evangelizaria?”. Em outras palavras, como escrevia nossa querida Maria Paola em seu diário: “Estilo Misericórdia: Imitar Maria, mãe de Deus e nossa mãe! Imitar Maria no amor, no olhar, na mansidão, nas palavras, no carinho do acolhimento, nos gestos de retidão, no como nos vestimos, as cores sóbrias, o modelo e tecidos simples, o zelo em tudo. Tudo em harmonia. Tenho uma preocupação hoje: gostaria de deixar no coração de cada consagrada(o) o desejo de imitar Maria!”(4).

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A semente do mal



O pecado não é apenas coisa de momento. Ele pode ser plantado, regado e colhido. Pode germinar lentamente nos corações. Assim como no coração dos onze irmãos de José. Eu sinceramente não creio que sobre eles repouse TODA a culpa. Acho sinceramente que como bem pontua o texto bíblico, José tinha algumas manias muito incomodas: 1 – Era Fofoqueiro (Gn 37:2), 2 – Mimado (Gn 37:3), 3 – Como todo bom mimado, gostava de dizer que estava por cima (Gn 37:5). E para piorar tudo ainda mais, Jacó percebia o caso e nada fazia (Gn 37:10-11).
Convenhamos José foi um grande homem. Homem de Deus, que permaneceu fiel, mas isso não quer dizer que era perfeito, que nasceu pronto! As vezes mitologizamos demais os personagens bíblicos e queremos imaginar que José era perfeito desde o começo, uma vítima desde sempre, e que nada tinha de errado por ter sido fiel a Deus quando foi necessário. Nada mais falso. José, Abraão, Jacó, Davi, Isaque, Moisés e muitos outros, foram homens de Deus, mas nenhum foi perfeito. E José tinha sérios problemas na adolescência.
Sinceramente não acho que os onze irmãos o odiavam de graça. Não acredito que onze pessoas possam se encher de fúria e ódio por pouca coisa. Conheço individuos que se enfurecem atoa. Mas esse não é o caso de um grupo com onze pessoas. Eles tinha razões pra odiar José. E essas “razões” os levaram ao ato extremo. Não quero, nem vou, justificar os onze irmãos. Mas tanto Jacó quanto José tem sua parcela de culpa nesta provocação.
O sofrimento de José e de Jacó foi semeado. E o simbolo dessa semente pode ser a veste colorida. O simbolo da discórdia naquela família. Ela acenava para um amor especial por José, ela era sinonimo da irritação dos onze irmãos com José, ela foi quem identificou José ao longe, ela era evidência de um crime e foi ela quem serviu de engodo para a triste mentira que enganou Jacó por anos.
Se rastrearmos o movimento da veste colorida nessa história veremos exatamente por que caminhos o erro percorreu até lograr seu exito na tentativa de assassinato, no sequestro e no engano.
Aprendi certa vez em dos sermões do Pr. Mark Finley, algo que ilustra bem a moral dessa história. Ele dizia que Sempre colhemos o que plantamos. Na mesma espécie, em quantidade maior e um tempo depois. Se plantarmos feijão, colheremos feijão. Não tem como colhermos outra coisa. Sendo assim, se agirmos mal, não haverá outra colheita que não seja de mal! Quando plantamos uma semente, colhemos varias, em quantidade muito maior do que plantamos. Entretanto, nunca imediatamente, sempre esperamos um tempo, até que venhamos a colher o que plantamos.
Jacó, José e os irmãos, todos colheram o que plantaram. Em tempos diferentes. E quantidades maiores. O pecado nunca é amigável, nunca é inocente, nunca é ingenuo. Ele sempre é mal e SEMPRE vai te prejudicar, por menor que pareça. A história da veste colorida está aqui pra nos mostrar como o pecado pode afetar profundamente a sua vida e a de todos que te cercam. Plante suas ações com responsabílidade.

Ser moldado por Deus.


A lição dessa semana nos revela o que a mente humana é capaz de cometer. Sem dúvida não passa pela sua mente fazer o mau a alguém muito menos fazer algo contra alguém de sua família.
Talvez venha em sua mente, o porque de Deus permitir que isso ocorresse com José?
Ao ler toda a história, podemos podemos aprender algumas lições importantes.
1 – Deus jamais irá permitir que você passe por alguma provação que não suporte.
Na história, José é vendido pelos seus irmãos a pessoas que ele jamais conheceu. Imagine o que se passava em sua mente ali parado esperando ser comprado. Provavelmente ele nem sabia o idioma e ficava atento ao que iria acontecer. Mesmo assim, José esteve em comunhão com Deus.
2 – Um cristão é moldado pelos seus princípios morais pois anda nos caminhos de Deus.
José ganhou cargo de confiança e trabalhou na casa de seu dono um importante homem responsável pelo exército de Faraó. A esposa deste homem tentou deitar-se com José, mas ele fugiu. Então ela disse a seu marido que José tentou deitar-se com ela. O resultado nós sabemos, José foi preso sem ao menos pode se defender. Na prisão ainda assim, José louvava a Deus.
3 – Aquele que crê em algo que não se pode ver, esse sim é temente a Deus pois possui fé no Senhor.
Traído pelos seus irmãos. Preso injustamente. Nesta situação, o que você eu pensaríamos?Deus nos abandonou? Talvez sim, mas José permaneceu firme e ainda louvando a Deus.
Um dia o Faraó teve um sonho, e uma pessoa que esteve presa com José, lembrou-se que um dia José havia revelado seu sonho, e disse ao Faraó. José foi solto, e após revelar o sonho de Faraó foi colocado em um posto abaixo apenas do próprio Faraó. Aqui, aprendemos que o tempo de Deus é diferente do nosso. Deus nos permite passar por provações não para nos testar, mas sim para moldar o nosso caráter
4 – Perdoar é dádiva de Deus pois nós humanos e pecadores não temos esse poder sem estarmos junto ao Criador.
Um dia seus irmão apareceram no Egito a fim de buscar comida por causa da fome e seca que estava ocorrendo. José poderia ter se vingado de seus irmãos, mas ele não fez isso. Pelo contrário. José perdoou a ainda os ajudou.
Todas estas atitudes de José somente foram possíveis porque ele se manteve ao lado de Deus em todas as situações. Quando você crê que Deus é seu único salvador, nada tem a temer. A sua vida passa a ter valor e você passa a ter paz. As coisas desse mundo não o atacam pois você está vertido na túnica do Senhor.
Não iremos ter uma melhora neste mundo. Devemos nos manter juntos de Deus. Procurar estar em comunhão com ele todos os dias. Experimente deixar Deus moldar a sua vida e eu tenho certeza que ele fará de você um instrumento de trazer almas perdidas e cansadas aos pés da cruz.
Agradeça a Deus pelas aflições que você está passando, nunca deixe de louvá-lo pois o final é a glória. Deus não deixa que nenhum de seus filhos seja injustiçado. Acredite.

TRISTEZA MORTAL



Você conhece a dor da angústia?
Angústia gerada pela solidão, mesmo em meio à multidão ou compartilhando uma conversa com um grupo seleto de amigos?
A angústia pela ausência de um ombro amigo, mesmo que só para te ouvir, ou ainda assim, para contigo compartilhar o silêncio?
A angústia já lhe trouxe fortes dores na alma ao ponto de doer até para respirar e só você consegue sentir e pouco explicar?
Pois bem, muitos de nós já sentimos este sentimento amargo e dolorido chamado angústia em algum momento de nossa vida, ou, estamos sentindo-o bem agora, no ardor no peito em nosso respirar.
Em um lugar chamado Getsêmani, alguém se sentiu profundamente angustiado, aflito e completamente solitário. Um forte ardor em sua alma o consumia de tal forma que quase não suportou o cálice da iniqüidade humana.
Jesus Cristo se sentiu só quando, ainda pouco andara rodeado pelas multidões, seguidores e seus amigos. Falava-lhes ao coração, escutava suas aflições, compartilhava olhares de simpatia e amor.
Quase sem forças pode suportar tal sofrimento por amor a você e a mim, aceitou o cálice da iniqüidade humana e gotas de sangue transpassaram sua pele. Percebia ter sido abandonado por Deus, mas um anjo magnífico em poder veio dos céus sustentar tamanha dor.
Queridos, é assim que Deus age conosco hoje também. Quando estamos nos sentindo sós, machucados pela vida, feridas por cicatrizar, sem alguém para nos ouvir até mesmo compartilhar nosso silêncio, Deus nos manda anjos em forma de gente ou gente em forma de anjos para nos abraçar, pois Jesus compreende nossa dor, reconhece nossos suspiros ardidos e nos espera ansiosamente, com os braços abertos como brisa suave em tardes quentes de verão, com braços quentes em noites de inverno, braços alegres e perfumados como as tardes da primavera e braços abertos que esperam para recomeçar assim como as folhas que deixam as árvores desnudas no outono, há esperança para florescer e o renascer para Cristo Jesus.
Podemos ajudar nossos queridos que estão sofrendo com a dor da angústia. Basta, uma palavra amiga, basta um abraço acolhedor, basta um coração que saiba ouvir, basta ser caridade, basta amar como Cristo nos ensinou. Paz e bem

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Não julgueis e não serão julgados


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”. (Lc 6,36-38)

Eis um dos temas principais da pregação de Jesus, o perdão e o amor ao próximo. Chama-nos o Senhor a agirmos, e mais profundamente, a sermos, em favor do outro, a nossa vida assim ser voltada, fazer parte da nossa vida. Este ensino se perpetua por todo o evangelho, e ele nos ensina muito mais com sua vida e com o mostrar da vida de Deus em toda a história, do que meras orientações. Perdoar-mos, amarmos, por que Deus é assim!

Mas até onde, de que maneira amarmos? assim como ele nos amou.
Quantas vezes perdoarmos? setenta vezes sete, ou todas as vezes.
De que maneira perdoarmos? dando festa para o filho que volta ao lar.
Até quem devemos perdoar? Até os nossos algozes, na cruz.
Por que perdoarmos? por que assim é nosso Pai do Céu.
Mas devemos amar só a quem nos é caro? ao samaritano, desconhecido e de uma raça de inimizade conosco, que encontrarmos precisando no caminho.
Por que darmos do que é nosso? por que também nos será dado, uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo.
Mas e quem não merecer ser perdoado? - Mas não merecer de acordo com quem? Não é Deus o juiz? não cabe a ele julgar? não devemos julgar para não sermos julgados;
Mas não posso dar em paga o mal  merecido?  - Mas assim, seremos nós quem condenemos?  um só não é o nosso juiz? e aqueles que condenam serão condenados;
Mas então não posso desejar o mau para quem é mal? Deus foi bem claro de dizer sem acrescentar condição que aqueles que perdoam, serão perdoados.

A graça, é ela quem nos faz viver segundo Deus. Na verdade, o homem com sua concupiscência, em seu egoísmo, não é capaz de dar uma esmola , gastar seu tempo, fazer gentilezas despendiosas, perder em vista do outro. Mas ainda assim não pode negar, este é o ensinamento de Jesus, e a Palavra de Deus. Palavra que queima por dentro. Ela é o que somos, todo o homem, chamados a viver. Isto é muito mais do que fazer o bem a alguém, isto é o viver o que fomos feito para ser.

E se ainda não vemos, não percebemos isto, temos de começar, para só então perceber que é nisto que está nossa verdadeira alegria, e se ainda não temos força, peçamos a graça. Aquele que nos criou, e que é Pai do necessitado e do nosso ofensor, quer nos dar esta alegria de amar, muito mais do que o maior desejo de alguém de nós possa ter por vivê-lo.

Peçamos pois ao dono da graça, e com sua ajuda e companhia demos o nosso primeiro passo, e depois o segundo, ...


- - - - - - - - - - - - - - - -

A cura acontece quando deixamos Deus agir




Texto Base:  Lc 22.47-51 47 E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar.
48 E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?
49 E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada?
50 E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita.
51 E, respondendo Jesus, disse: Deixa-os; basta. E tocando-lhe, o curou.
Numa época onde a violência está em cada esquina, balas perdidas, assaltos, vinganças, milícias, quero trazer um pequeno estudo sobre o último milagre corporal realizado por Cristo. Tal milagre sintetiza a mensagem de paz, de amor e de cura que o cristianismo pode trazer. É sobre a cura de Malco, cujo nome no hebraico significa conselheiro, criado particular ou escravo do sumo-sacerdote Caifás. O seu nome é citado por João que também cita que foi Pedro que cortou-lhe a orelha (Jo 18.10); porém João omite a cura do mesmo. Só Lucas, o médico, registra o milagre. Mateus (Mt 26.51 e 52) e Marcos (Mc 14.47) registram a retaliação por parte do díscipulo, sem citar o nome do autor do golpe contra Malco e sua cura.
Devo, antes de abordar a cura do servo, pintar o quadro, mostrando o cenário desta cura. Aconteceu no jardim de Getsêmane (o nome significa “prensa do óleo” ou “lagar de azeite”), também chamado de Jardim das Oliveiras, onde Jesus estava com seus discípulos, Levando Tiago, João e Pedro para um lugar mais reservado. Ali Jesus, em oração, suou gotas de sangue, vivendo o significado do nome daquele lugar, e mostrou a sua submissão à vontade do Pai. Tal passagem mostra claramente a sua humanidade. Mesmo sendo Deus, viveu sua humanidade plenamente. Procurou três vezes seus discípulos e encontrou-os dormindo. De repente aparece uma multidão com varapaus e tochas, acompanhada de Judas, um dos doze, o qual beija Jesus para o identificar. Quando Pedro percebeu a emboscada, sacou da espada e acertou a orelha de Malco. Jesus disse: “Embainha a tua espada; porque todos que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mt 26.52). Jesus vai mais além, dizendo: “Pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras que dizem que assim convém que aconteça?” (Mt 26.53 e 54). Depreendemos quatro lições destas palavras de Cristo. Primeiro, ao usarmos a espada, atrairemos a espada de volta. A violência gera violência. A palavra dura gera a ira, mas a palavra branda desvia o furor (Pv 15.1) A segunda lição, que Jesus tinha poder para impedir a sua prisão na hora que quisesse. Tanto que ele manifestou seu poder curando Malco e, quando Jesus se apresenta, algumas pessoas caem por terra (Jo 18.6). A pergunta dele foi: pensas tu que eu não poderia agora orar(…)? Jesus podia e continua podendo. Às vezes nos acontecem coisas que nós perguntamos por que Deus não evitou. A terceira é que aquilo aconteceu para que se cumprissem as Escrituras. Tudo aquilo fazia parte dos planos de Deus. A quarta é que as armas que Cristo tinha eram maiores do que a espada. Jesus falou em doze legiões de anjos. (As legiões romanas contavam 6.000 homens). As armas que o cristão dispõe não são carnais, mas poderosas em Deus para vencer as situações que se levantam (Ef 6.10-20; 2 Co 10.4). “Cristo jamais pensou em implantar seu reino ou a sua nova doutrina, por meio da violência” (in:Milagres de Jesus e sua função pedagógica. Sátilas do Amaral Camargo).
Observe a pergunta feita a Jesus, antes de Pedro desferir o golpe: Senhor, feriremos à espada? (Lc 22.49). Quem fez a pergunta? Pedro? Não sabemos exatamente. Como lidar com aqueles que são os nossos opositores? Como lidar com nossos adversários? Usando a espada da língua? Usando a espada da vingança? Usando a espada da ofensa? Usando a espada do revide? Usando a espada do rancor? Tais perguntas, muitas vezes, nos fazemos. Malco estava ali para prender a Jesus. Era um opositor de Cristo. Porém, o Cristo que ensinou sobre o perdão e dar a outra face não respondeu a agressividade de Malco com agressividade. Ao invés de respondermos com espada, devemos responder as ofensas com perdão. Veja o texto de Mt 18.21-35. A tradição rabínica dizia que se devia se perdoar três vezes. Pedro quis ser generoso, quando perguntou se deveria perdoar até sete vezes. Jesus mostrou que o perdão não pode ser mensurado pelo conta-gotas do homem e que deve ir além dos mesquinhos cálculos humanos. Pois o perdão é uma nota paga, vencida e incinerada. Como deve ser o nosso revide? Como combater a oposição? Inúmeras vezes justificamos reações explosivas e agressivas por causa das ações dos outros. Porém Jesus, em Mateus 5.38-48, ensinou como devem ser as nossas reações. Em Romanos 12. 20 e 21, Paulo escreveu: “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” O mal e a oposição devem ser combatidos com o bem. É assim que se vence o mal. Quando combatemos o mal com mal, somos vencidos pelo mesmo.
Não sabemos exatamente como aconteceu a cura de Malco. Cristo deve ter pegado a orelha decepada de Malco no chão e colocado de volta com um toque restaurador. Entretanto esse milagre revela a essência do ministério de Cristo. Cristo veio a terra para curar seus inimigos, seus opositores e transformá-los em amigos, em irmãos dele. Veja o que está escrito em Colossenses 1.21 e 22: E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis. Em Romanos 5.8 está escrito: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. A verdade da Palavra de Deus é que éramos inimigos de Deus e Cristo veio para nos reconciliar com Deus. Veja 2 Co 5.19: a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. Mesmo a humanidade estando em rebelião Jesus Cristo morreu por ela.
A cura de Malco é somente registrada em Lucas e em apenas um versículo. Porém o seu significado é imenso. Se seguíssemos a essência desse milagre, não haveria guerras, assassinatos, vinganças pessoais etc. Muitos preferem o uso do poder da espada para combater os adversários. Jesus, que demonstrou em todo seu ministério ter um maior poder que as armas humanas, absteve–se de usar as doze legiões de anjos, para usar o poder do amor; e aquilo que pareceu ser derrota foi na verdade a sua vitória. Usemos o poder do amor e vençamos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Desentulhe as gavetas



Sabe aquela montoeira entulhada impedindo a livre abertura das gavetas? Papéis e outras inutilidades, reflexos da nossa mania de guardar as coisas para mais tarde jogarmos fora? Isso se denomina protelar, adiar, retardar, prorrogar, procrastinar.

Todos nós fazemos isso com uma certa freqüência, raro são os afortunados que lidam com o tempo de forma a não deixar nada para resolver depois. Existe um tipo de protelador que escapa a todos os limites de normalidade, e é dele que iremos falar agora.

Sua mesa é limpa e desentulhada na aparência, com a impressão de ausência de habitação, mas, se pudermos vasculhar suas gavetas, veremos que se encontram abarrotadas de compromissos adiados ou esquecidos, contas a serem pagas, anúncios a serem feitos, cartas a serem encaminhadas e uma enorme quantidade de correspondências não lidas e, ainda, papéis avulsos, catálogos, memorandos, pequenos objetos inúteis; enfim, um caos...

É impossível se comunicar com um protelador, ele nunca está, e se solicitamos que nos dê um retorno telefônico, esperamos em vão. Também não adianta recorrermos desesperadamente à Internet, seu e-mail sempre volta, pois ele nunca confere seu correio eletrônico.

O seu comportamento é repetitivo e inalterável, jamais podemos contar com sua atenção, principalmente nas urgências, dando-nos a impressão, com ares de mistério, de que vive muito ocupado. Em reuniões, chega atrasado, é sempre notado e esperado, o que lhe dá uma satisfação narcísea, base de sua personalidade em desajuste.

Confiança legítima jamais terá de seus pares. Sofre assim de solidão e, se demitido, suas chances de ser novamente empregado são ínfimas, pois no mundo atual, o que mais se exige é habilidade para resolver rapidamente os problemas sem burocracia.

A protelação é um mal que atinge o que há de mais vital do ser humano, a esperança. Corrói as expectativas com a morosidade do tempo estéril e de quem espera ansiosamente e depende do protelador. Quando solicitado que responda a um pedido de alguém, na maioria das vezes, não diz sim nem não, apesar de saber que, muitas vezes, a resposta será negativa, ele retarda e procrastina o retorno ao outro, deixando-o “seco” na condição de dependente de sua resposta.

A procrastinação habita preferencialmente os cargos burocráticos inertes e autoritários do poder público e privado, longe do alcance da democracia. Usura, sovinice e avareza são três palavras sinônimas para expressar a secura da alma do protelador.

A insônia é um mal comum nessas pessoas, sendo freqüente o acordar de madrugada após pesadelos medonhos, “como se a cabeça estivesse na gaveta do escritório”, com enorme aflição pelos projetos adiados.

Antes que esse mal nos acometa, urge, portanto, cuidarmos para sairmos na inércia, adquirirmos competência e redefinirmos a relação com os outros, conquistando mais liberdade para caminhar e crescermos profissionalmente e, assim, retirarmos os atrasos das gavetas, explicitarmos a “bagunça por sobre as nossas mesas” e resolvermos os problemas em tempo hábil no ano que se inicia.

Paulo César de Souza