FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

BASTA UMA PALAVRA SUA.


"O Hospital Mário Penna, em Belo


Horizonte , que cuida de doentes com câncer,lançou um projeto

sensacional que se chama "DOE PALAVRAS". Fácil, rápido e todos podem

doar um pouquinho.Você acessa o site, escreve uma mensagem e sua frase

aparece no telão para os pacientes que estão fazendo o tratamento. Na

hora que eles estão lá e, enquanto fazem quimioterapia, podem ler o que
escrevemos para eles."

www.doepalavras. com.br


Beijo a todos, tenham um lindo dia, e não esqueçam de agradecer a Deus por mais um dia com saúde .

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PORQUE PRECISO REZAR



A oração nos torna semelhantes Àquele a quem buscamos
Uma das maiores descobertas que já fiz na vida foi saber que Deus me ama e me acolhe independentemente do que faço, pois Ele me ama a partir do que sou. Neste caso, se eu rezo ou não rezo, Ele continua amando-me com a mesma intensidade. No mundo existem milhões de pessoas que nunca oraram e, no entanto, não deixam de viver. Trabalham, estudam, viajam, fazem descobertas, constroem prédios, vão à praia, ao shopping e vivem naturalmente. Daí vem a pergunta, que já ouvi várias vezes: Então por que preciso rezar?

A resposta pode ser dada de inúmeras formas, mas acredito que a vida diz mais que as palavras. Enquanto escrevo, recordo-me de tantos momentos nos quais, sem saber o que fazer, procurei uma direção da parte de Deus por meio da oração e fui ajudada. Certamente você também já viveu experiências assim e é nessas horas que percebemos o valor da oração em nossa vida.

Padre Kentenich, autor do livro "Santidade de todos os dias", diz que quando oramos, além de nos assemelharmos a Cristo, que é orante por excelência e nos aproximarmos do Pai, que nos ama em Cristo, nos tornamos também possuidores das riquezas divinas, já que a vida dos santos e cristãos piedosos confirma que os tesouros de Deus estão à disposição daqueles que rezam. Na verdade, existe algo que não podemos esquecer jamais: Não é Deus que precisa de nossas orações, mas somos nós que precisamos de Tua graça, e esta costuma manifestar-se quando a Ele recorremos por meio da oração.

A oração também tem o poder de despertar nossos sentidos para percebermos os presentes que Deus nos dá, mas que, por uma razão ou outra, não conseguimos reconhecê-los. É que quando oramos o Espírito Santo nos devolve a calma, assim temos condições de ver o outro lado da história, tirando os olhos de nós mesmos e do problema em si. Aliás essa é uma das maiores graças alcançadas pela oração. Já que quando estamos com dificuldades, naturalmente acabamos colocando o problema no centro da vida e isso nos impede de encontrarmos solução para ele.

Já ouvi dizer que a oração é como um grito, um pedido de socorro, mesmo que seja no silêncio, pois Deus vê o coração e não deixa quem ora sem resposta. Existe até uma história que pode ilustrar essa afirmativa:

"Conta-se que um navio estando há vários dias no mar, havia-se esgotado sua reserva de água potável. O capitão não avistava margem alguma no horizonte e os viajantes sentiam cada vez mais sede... Até que avistaram um barco que navegava ao seu encontro e, aos gritos, pediram que os socorressem com água doce.

No entanto, obtiveram, também aos gritos, a resposta: 'Ora, tirai a água do mar e bebei, não veem que é água doce?' Experimentaram. E recolhendo a água do mar, notaram que, já havia tempo, navegavam em água doce, no imenso estuário de um rio".

Podemos concluir que se os tripulantes do navio não pedissem ajuda, poderiam morrer de sede estando tão próximos da água doce. Em nosso caso, quando não oramos, corremos o mesmo risco. Ou seja, de estarmos bem próximos da solução, mas não conseguirmos percebê-la.

Por essa e outras razões, considero a oração como algo importante e até diria fundamental para uma vida plena. Ela nos coloca em sintonia com Deus e esta é a maior graça que podemos almejar como cristãos. Também é verdade que quando oramos, o brilho da vida divina, que está em nós, brota do interior, como que transfigurando nosso rosto. Não sei se você já observou que as pessoas idosas que levaram uma vida pura e agradável a Deus têm uma aparência sobrenatural; um exemplo claro disso é o inesquecivel e saudoso João Paulo II. Pessoas santas, independente da idade que têm, às vezes nos parecem seres de um outro mundo. É que a oração nos transfigura e nos torna aos poucos semelhantes Àquele a quem buscamos.

Portanto, apesar de saber que Deus nos ama e nos acolhe independentemente se rezamos ou não, temos muitas razões para recorrer a Ele por meio da oração.

Se hoje você passa por alguma situação dificil, se está atribulado e não sabe a quem recorrer, estou o convidando para rezarmos juntos. É o próprio Senhor quem nos fala: "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mateus 11, 28). Jesus chama para si todas as nossas dores, aflições e angústias e nos dá a certeza de que, se crermos na Sua Palavra e guardarmos os Seus mandamentos, seremos libertos do mal.

Coloquemo-nos agora na presença de Jesus Cristo e oremos juntos:

Senhor Jesus Cristo, eu tomo posse do Teu amor, acolho a salvação que nos trouxeste pela Tua morte na cruz e ressurreição gloriosa. Convido-te para entrar agora na minha vida, tocar o meu coração e possuir todo o meu ser. Vem curar minhas feridas, Senhor, lava com Teu Sangue o meu coração sofrido e restaura minha esperança, minha fé e minha alegria. Eu só tenho a Ti, Senhor, e hoje Te busco de todo meu coração.

Obrigada por Teu amor infinito, Senhor, obrigada por acolher a minha oração e a de tantos que rezam nesta hora. A Ti toda honra, glória e louvor para sempre!

Você pode dar continuidade à oração. Eu também estarei orando por você.

Dijanira Silva

dijanira@geracaophn.com

Dijanira Silva Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima, Portugal. Trabalha na Rádio CN FM

PERSEVERANÇA



Como é bom encontrar pessoas entusiasmadas porque tiveram uma "trombada" com Jesus. Mal comparando, é como o encontro com aquela pessoa que você ama, aquela paquera, o início do namoro, aquele primeiro beijo. Você acorda pensando na pessoa, dorme pensando nela, não pode perder a oportunidade de encontrá-la novamente. O coração vai da barriga à garganta, bate forte.

O encontro com Jesus é assim, um impacto em nossa vida. Não vemos a hora de encontrá-Lo na Eucaristia, de ir ao grupo de oração ou de jovens. Passamos horas lendo a Bíblia e em adoração, queremos que todas as pessoas que conhecemos experimentem o mesmo. Deus está tão próximo de nós que a sensação é de que estamos experimentando o céu, andando nas nuvens. É a manifestação do amor de Deus em nós, a maravilhosa ação do Espírito Santo, a qual não conseguimos explicar em palavras, como diz São Paulo "gemidos inefáveis (inexplicáveis)" (cf. Rom 8, 28).

Tudo isso é necessário para uma relação de amor e de entrega a Deus, no entanto, todo relacionamento amadurece e passa pela prova do tempo. Um namoro e também um casamento (aliança) são feitos de presença e ausência, de consolações e desertos.

Digo isso porque não poucas pessoas que começaram na fé comigo hoje viraram as costas para Deus. E me pergunto: Por onde andam? Onde está aquele fervor do início? O que fizeram com as juras de amor a Jesus quando viveram aquela forte experiência com Ele?
Aprendi que o segredo de uma caminhada em Deus está em uma palavra que faz toda a diferença: Perseverança.

Este "apaixonamento" por Jesus vai amadurecer, as provas virão, o deserto vai acontecer. Os arrepios e as sensações do início desaparecerão e, entrar em oração com Deus será uma batalha interior. Pessimismo? Não, realidade. Porque fé não é feita de sensações, mas sim, de convicção.
Deus não irá "blindá-lo" das tentações e das quedas na sua caminhada. Mas Ele não está interessado em sua queda, e sim em sua capacidade de se levantar, não importa quantas vezes isso ocorra. Perseverança significa "não importa o que acontecer, eu não vou desistir de Deus", tendo a consciência de que Ele jamais desistirá de mim.

Se você se encontrou com Jesus agora, saboreie mesmo este tempo, deixe-O transformar a cada dia sua vida. Sinta o amor de Deus por você, deixe que o "homem velho" e as coisas antigas morram, mas lembre que você está entrando numa guerra. Pode ser que, nesta sua nova caminhada, você perca algumas batalhas, mas não é o fim. Levante-se, confesse sua queda, entre mais uma vez na batalha e a vitória se dará pela sua perseverança.

Jesus disse que a palavra que cai na terra boa "são os que ouvem a Palavra com coração reto e bom, retêm-na e dão fruto pela perseverança" (Lucas 8,15).

E aí? Vai perseverar?

Daniel Machado

conteudoweb@cancaonova.com

Daniel Machado, missionário da Comunidade Canção Nova é formado em Filosofia pelo Instituto Canção Nova de Filosofia

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

FORÇA E DOÇURA DO AMOR DE DEUS

NADA EXISTE VERDADEIRAMENTE SOBRE O QUE O AMOR NÃO TRIUNFE;E,QUANDO SE TRATA DO AMOR DE DEUS,ELE ESTÁ ACIMA DE TODAS AS COISAS.NEM O FOGO,NEM O FERRO,NEM A POBREZA,NEM A DOENÇA,NEM A MORTE,NADA PARECERÁ TERRÍVEL ÀQUELE QUE SINTA ESTE AMOR.POIS ELE SE RIRÁ DE TUDO,LEVANTARÁ SEU VÔO PARA OS CÉUS E NADA TERÁ A INVEJAR DAQUELES QUE LÁ HABITAM.NÃO TERÁ OLHOS NEM PARA O CÉU,NEM PARA A TERRA,NEM PARA O MAR;TODA SUA ATENÇÃO SE VOLTARÁ PARA UM ÚNICO OBJETO:A BELEZA E A GLÓRIA DIVINAS,AS PENAS DA VIDA PRESENTE NÃO PODERÃO ABATÊ-LO,ASSIM COMO TAMBÉM AS SUAS VANTAGENS E SEUS PRAZERES NÃO PODERÃO EXALTÁ-LO E ENCHÊ-LO DE ORGULHO.AMEMOS POIS ESTE AMOR INIGUALÁVEL,SEJA NO QUE SE REFERE AO PRESENTE QUANTO NO QUE SE REFERE AO FUTURO,E,ACIMA DE TUDO NO QUE SE REFERE A ESTE AMOR MESMO;ASSIM SEREMOS LIBERADOS DOS CASTIGOS DESTA VIDA E DOS TEMPOS VINDOUROS E ENTRAREMOS NA POSSE DO REINO.ALIÁS,NEM A LIBERTAÇÃO DA PENAS ETERNAS NEM O GOZO DO REINO CELESTE IMPORTAM ALGUMA COISA EM COMPARAÇÃO COM ESTA VERDADE,QUE VAI ALÉM DE TUDO:SEREMOS AO MESMO TEMPO OS AMANTES,E OS AMADOS DO CRISTO.O MAIOR COMPARTILHADO ENTRE OS HOMENS,CONSTITUI A MAIS ELEVADA ALEGRIA;MAS QUANDO A RECIPROCIDADE DO AMOR SE ESTABELECE ENTRE NÓS E DEUS,QUE PALAVRA PODERIA EXPRIMIR,QUE IMAGINAÇÃO EVOCAR A FELICIDADE DE QUE NOSSA ALMA É CUMULADA? APENAS A EXPERIÊNCIA É CAPAZ DE DAR A IDÉIA DE TAL ACONTECIMENTO.POR CONSEGUINTE,PARA CONHECER POR EXPERIÊNCIA ESTA BEIATITUDE ESPIRITUAL,A VIDA BEM-AVENTURADA,O TESOURO DOS BENS INFINITOS,RENUNCIEMOS A QUALQUER COISA,INUNDEMO-NOS DESTE AMOR,FONTE DE FELICIDADE PARA NÓS MESMOS E DE GLÓRIA PARA NOSSO DEUS BEM-AMADO.


(IX HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA AOS ROMANOS,4.)

FONTE:LIVRO O ESPLENDOR CRISTÃO

VOLUME 1

COLEÇÃO SÃO JOÃO CRISTOMO

AÇÃO CARISMÁTICA CRISTÃ

FUNDAÇÃO SÃO JOÃO CRISÔSTOMO

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ENTREVISTA COM A MORTE, AMANTE DO PECADO




Uma entrevista com a morte, a amante do pecado


No auge da dor por causa da ruína de seu povo, o profeta Jeremias personifica a morte e clama contra ela: "A morte subiu pelas nossas janelas e entrou em nossos palácios, exterminou das ruas as crianças e os jovens das praças" (Jr 9.21). Cerca de seis séculos depois, no auge de seu entusiasmo pela vitória de Cristo sobre a vitória da morte, o apóstolo Paulo personifica outra vez a morte e zomba dela: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu galardão?" (1 Co 15.55.)

Abertos estes precedentes, Ultimato também trata a morte como se fosse uma pessoa e faz com ela a seguinte entrevista:

I.

A Mais Teimosa e Iniludível Manifestação da Finitude e Impotência Humana

Repórter - Quem é você?

Morte - Sou a amásia do pecado.
Repórter - Não entendo.

Morte - Deus não me incluiu em seus planos na criação do homem. O pecado foi o cavalo de Tróia para me introduzir na criação de Deus.

Repórter - Desde quando?

Morte - Desde a queda.

Repórter - O que você chama de queda?

Morte - A besteira que o homem cometeu no jardim do Éden.

Repórter - A ingestão do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal?

Morte - Não.

Repórter - Então, o que foi?

Morte - O que aconteceu antes da ingestão do fruto proibido: a arrogância do homem de querer ser igual a Deus e a subseqüente desobediência.

Repórter - Quer dizer que você é tão velha quanto o homem?

Morte - Assim diz a Escritura: “O pecado entrou no mundo por meio de um só homem e o pecado trouxe a morte” (Rm 5.12).

Repórter - O que você pretende?

Morte - Meu propósito tem sido provocar a cessação definitiva de todos os atos cujo conjunto constitui a vida dos seres organizados, isto é, a desintegração somatopsíquica, que reduz o corpo humano ao estado de putrefação, ao esqueleto e, por fim, ao pó.

Repórter - E você se gloria disso?

Morte - Eu me glorio em ser a mais teimosa e iniludível manifestação da finitude e impotência humana.

Repórter - Sem exceções?

Morte - Não admito exceções. Sou um fenômeno universal. Veja como termina o primeiro livro da Bíblia, aquele que narra a criação dos céus e da terra e o início da vida: “Morreu José da idade de cento e dez anos, embalsamaram-no e o puseram num caixão no Egito” (Gn 50.26).

Repórter - Quer dizer que ninguém escapa à sua fúria?

Morte - Respondo com a sua Bíblia: “Ninguém pode dominar o vento nem segurá-lo. Assim também ninguém pode evitar a morte nem deixá-la para outro dia.” O pregador ainda acrescenta: “Nós temos de enfrentar esta batalha, e não há jeito de escapar” (Ec 8.8 em A Bíblia na Linguagem de Hoje).

Repórter - Você concorda com a afirmativa de Salomão de que “os vivos sabem que hão de morrer” (Ec 9.5)?

Morte - No fundo todos sabem. Muitos, todavia, afastam de si essa certeza e vivem como se nunca fossem morrer.

Repórter - Não é também o seu caso?

Morte - Tapar o sol com peneira é um expediente antigo e válido. É como o placebo.

II.

O Rei dos Terrores

Repórter - Tem idéia de quantas vítimas você faz por hora?

Morte - Seria preciso contar. Todavia, escreve aí 1.400 mortes por hora ao redor do mundo.

Repórter - Parece que esse número era bem maior há trinta anos atrás.

Morte - Na década de 1960 eu fazia 4.500 mortes por hora, três vezes mais.

Repórter - O que está acontecendo?

Morte - A expectativa de vida ao nascer está aumentando em quase todos os países do mundo. No Japão era de 78 anos em 1988. Cinco anos depois subiu para 80 anos. No caso do Brasil, a elevação foi de 65 para 67 anos no mesmo período.

Repórter - Você vê o avanço da medicina e a melhoria da qualidade de vida como ameaças?

Morte - Não recebo ameaças de ninguém. Tenho sido campeã invicta. Sou incorrigivelmente inexorável. O máximo que a ciência consegue é me conservar afastada apenas por algum tempo. A vitória final é sempre minha.

Repórter - Às vezes me parece que você não está dando conta. O saldo entre os que nascem e os que morrem é enorme: na ordem de 9.300 novos habitantes do planeta por hora. A população do mundo está aumentando muito: éramos 3,2 bilhões em 1975 e agora somos 5,6 bilhões. Quando os recém-nascidos de hoje tiverem 65 anos, o mundo terá cerca de 11 bilhões de habitantes.

Morte - Não obstante, a vida humana continua sob o meu poder.

Repórter - É muita presunção.

Morte - Não me desculpo.

Repórter - Lamenta-se por aí que você entra sem ser convidada, não avisa quando vem, mete-se em ambientes reservados...

Morte - Você está querendo citar o profeta Jeremias, que disse a meu respeito: “A morte subiu pelas nossas janelas, e entrou em nossos palácios, exterminou das ruas as crianças, e os jovens das praças” (Jr 9.11). Sou mesmo rude. E também implacável. Um dos amigos de Jó me chamou com muito acerto de O rei dos terrores (Jó 18.14).

Repórter - Há alguma coisa mais amarga do que a morte?

Morte - Não creio, embora um dos sábios de Israel, que tinha muita implicância contra as mulheres adúlteras e prostitutas, tenha dito que um certo tipo de mulher é mais amarga do que a morte.

Repórter - Que mulher?

Morte - A mulher cujo coração são redes e laços, e cujas mãos são grilhões (Ec 7.26). A tal mulher cujos lábios destilam favos de mel e cujas palavras são mais suaves do que azeite, mas cujo fim é amargoso como o absinto e agudo como a espada de dois gumes (Pv 5.3-4).

III.

Pior do que Herodes

Repórter - Quais instrumentos você usa para colher tanta gente em todos os quadrantes da terra em tão pouco tempo?

Morte - Os mais variados e originais possíveis. Aqui está uma listagem, talvez incompleta: 1) Os flagelos naturais, como abalos sísmicos, enchentes, furacões, seca, etc. Só o terremoto de 1556 em Shensi, na China, matou 850.000 pessoas. 2) Os acidentes de trabalho e de trânsito. Em 1995, 4.000 brasileiros morreram em acidentes de trabalho e 42.000 americanos perderam a vida na chamada epidemia das rodovias. 3) Os conflitos bélicos, entre nação e nação, entre etnia e etnia dentro de um mesmo país, e entre oprimidos e opressores. As 130 guerras havidas nos primeiros setenta anos do presente século me renderam 90 milhões de mortos. 4) O crime organizado. A cada ano 47.000 brasileiros são assassinados. Mais da metade (66%) dos jovens entre 20 e 29 anos estão entre os mortos. Aliás, a minha estréia deu-se através de um crime de morte, quando Caim matou a Abel. 5) Os excessos e os vícios do próprio homem. Só o cigarro antecipa a morte em quinze anos e mata 100.000 pessoas por ano. 6) As enfermidades velhas e novas a que todos estão sujeitos. No início deste século a pneumonia e a tuberculose eram meus instrumentos mais eficazes. Na década de 70, as doenças cardíacas e os tumores malignos tomaram o lugar da pneumonia e da tuberculose. Estou trazendo de volta a tuberculose, que já está matando 2,2 milhões de pessoas a cada ano. A grande novidade foi a epidemia da Aids, introduzida na década de 80. A cada dia surgem 7.500 novos infectados pelo virus da Aids ao redor do mundo. A morte deles já está decretada, pode ocorrer daqui a onze meses, como em geral acontece com os doentes da cidade de São Paulo, ou daqui a 42 meses, como acontece com os doentes da cidade de São Francisco da California.

Repórter - Parece que você não tem tido muito êxito através das mortes provocadas por acidentes aéreos. No ano passado apenas 200 americanos morreram vítimas de algum desastre de avião.

Morte - Em compensação, no mesmo período, 800 americanos perderam a vida por causa de objetos que caíram em suas cabeças e 300 porque escorregaram na banheira.

Repórter - Você falou em instrumentos variados e originais. O que você quer dizer com instrumentos originais?

Morte - Quero dizer que alguns dos meus mortos procedem de pena capital, imposta pelo governo de alguns países. Só no ano passado, a China mandou executar 2.190 pessoas, a Arábia Saudita 192 e os Estados Unidos 56.

Repórter - Em Serra Leoa, 164 crianças em 1.000 morrem antes de comemorar seu primeiro aniversário. Em Níger, 320 crianças em 1.000 morrem antes de atingir a idade de cinco anos. Essa matança de inocentes não lhe causa repugnância?

Morte - Não sou melhor que Herodes, que mandou matar todas as crianças do sexo masculino de dois anos para baixo, residentes em Belém e seus arredores. Quero ser pior.

Repórter - É por esta razão que você arranca do ventre materno criancinhas ainda em formação e apressa a morte dos que estão morrendo?

Morte - Chamo o primeiro caso de aborto, isto é, a interrupção da gravidez ou daquele processo de tecer a criança no seio da mãe, que o Salmo de Davi denomina romanticamente de algo “assombrosamente maravilhoso” (Sl 139.14). Só na Inglaterra e no País de Gales, já foram realizados mais de quatro milhões de abortos, de 1967 a 1993. Chamo o segundo caso de eutanásia, isto é, a ação ou omissão que produzem a morte pela sua própria natureza.

Repórter - A morte por suicídio escapa de sua jurisdição?

Morte - Não. É apenas um método econômico de matar, no qual o agente e o paciente são a mesma pessoa, num clima de ausência de lucidez e de liberdade. No ano passado 22.445 japoneses deram cabo às suas próprias vidas.

IV.

A Morte da Morte

Repórter - O que você acha das sociedades criônicas?

Morte - A Ciência jamais conseguirá reviver um cadáver, mesmo protegido da putrefação por se encontrar em suspensão criônica.

Repórter - Como você encara os casos de ressurreição havidos nos tempos bíblicos, especialmente na época de Jesus?

Morte - Lembre-se de que todos os ressuscitados tornaram a morrer depois de alguns anos a mais de vida.

Repórter - E o caso de Jesus? Está escrito que ele ressuscitou dentre os mortos, apareceu vivo com muitas provas incontestáveis durante quarenta dias e, depois, foi assunto ao céu, onde se encontra ao lado direito de Deus.

Morte - Não acredito nessas coisas. O cristianismo está mesclado de mitos.

Repórter - Não acredita ou foge delas?

Morte - Passemos para a próxima pergunta.

Repórter - Qual o versículo da Bíblia que você mais aprecia?

Morte - É esta palavra de Paulo: “A morte se espalhou por toda a raça humana porque todos pecaram” (Rm 5.12).

Repórter - E o de que você menos gosta?

Morte - Todo o 15º capítulo da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, especialmente o verso 26: “O último inimigo a ser destruído é a morte”.

Repórter - Por quê?

Morte - Porque esse versículo dá uma esperança ilusória.

Repórter - Não é ilusória. Ela é coerente com a natureza de Deus, com a história da revelação e com a aspiração escondida no coração humano de que a morte não é a última página do livro da vida. Oitenta por cento da humanidade acredita na sobrevivência depois da morte.

Morte - Baseando-se em quê?

Repórter - Uma grande parte baseia-se na vitória de Jesus.

Morte - Que vitória?
Repórter - Estamos invertendo os papéis. Sou eu quem faço as perguntas e não você. Mas deixa ficar. Eu respondo. A vitória de Jesus é a sua encarnação, é a sua vida sem contaminação do pecado, é a sua morte vicária, é a sua espetacular ressurreição ao terceiro dia. A vitória de Jesus é o véu do templo rompido de alto a baixo. A vitória de Jesus é a viabilidade do perdão a todo aquele que se arrepende de seus pecados e crê nele. A vitória de Jesus está nesta declaração dele mesmo: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25). Você é a anti-vida e ele é a ressurreição. Você é a morte e ele é a vida. Não é à toa que você detesta o capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios, pois lá está escrito que a morte veio por meio da desobediência de Adão, o tal cavalo de Tróia que você mencionou, mas a ressurreição dos mortos veio por meio de Jesus (1 Co 15.21).

Morte - Você me deixa brava.

Repórter - E você me obriga a dizer-lhe: “Quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte a tua vitória? onde está, ó morte, o teu aguilhão? Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Co 15.54-57.)

Morte - Você está falando da minha própria morte?
Repórter - Isso mesmo. No novo céu e na nova terra, na nova ordem, “a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4).

Elben César, Revista Ultimato, nov. 1972, ed. 55, p. 4.

Elben M. Lenz César Diretor-fundador da Editora Ultimato e redator da revista Ultimato, Elben César é autor de, entre outros, Mochila nas Costas e Diário na Mão, Para Melhor Enfrentar o Sofrimento, Conversas com Lutero, Refeições Diárias com os Profetas Menores, A Pessoa Mais Importante do Mundo, História da Evangelização do Brasil e Práticas Devocionais. Ex-presidente da Associação de Missões do Terceiro Mundo e fundador do Centro Evangélico de Missões, do qual é presidente de honra, é também jornalista e pastor emérito da Igreja Presbiteriana de Viçosa.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

AS TRÊS CRUZES DO CRISTÃO



Lucas 9:23-24

"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos os salvos, é o poder de Deus" - 1 Coríntios 1:18

Nós, quando imaginamos a cruz, onde o Senhor Jesus morreu, a vemos suja e manchada de sangue. Imaginamos o sangue de Jesus escorrendo naquelas madeiras cruzadas. E, até, ficamos tocados de tristeza. Os mais sensíveis choram.

O mundo não quer ver esta cruz suja de sangue. Mas, ela continua levantada e dependurada em lugares santos e em lugares pervertidos. O formato da cruz se tornou bijuteria cara, ornamento de orelhas, de pescoços, de peitos e de tornozelos. Ela se tornou um objeto sagrado. Tornou-se um objeto mágico, uma proteção divina contra todos os males. Várias nações têm em suas bandeiras a figura da cruz. A própria Alemanha nazista tinha o símbolo da cruz em todo lugar. A famosa cruz suástica.

A pergunta que se faz é esta: que tipo estranho é este que a rude cruz, manchada do sangue de Cristo, sobre a qual ele sofreu e morreu pelos nossos pecados, se tornou tão limpa, tão sofisticada, tão bonita, tão decoradora de corpos e ambientes?

A sociedade cristã tem reconhecido e confessado que a cruz é o símbolo maior do cristianismo. Existe por aí um slogan: O sinal do cristão é a cruz. Isto é um problema. É um conceito falso.

A cruz, neste formato que conhecemos, foi uma invenção do Império Romano para castigar os malditos criminosos. Jesus morreu na cruz, e fora da cidade sagrada de Jerusalém, porque ele foi condenado como um criminoso de alta periculosidade. Um maldito. Tanto é verdade que o povo preferiu, aos gritos, a libertação de Barrabás, assaltante perigoso, e a condenação de Cristo.. A Palavra de Deus, em Gálatas 3:13, afirma que “Cristo se fez maldição por nós, pois está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”. A cruz jamais pode ser o símbolo do cristianismo porque ela é foi inventada para ser maldição. Como o símbolo da maldição pode ser o símbolo do cristianismo? Ou símbolo de bênçãos e livramentos?

Os demônios temem a Cristo, não uma cruz. E qualquer um, que não foi crucificado com Cristo, exibe a cruz em vão. Não foi a cruz que nos salvou. Foi a morte de Cristo que nos salvou. A cruz foi apenas um instrumento.

O cristão, que permanece na Palavra de Jesus, tem um entendimento maior do significado da cruz. A cruz do cristão é outra. O próprio Senhor Jesus nos dá, com autoridade, o verdadeiro significado da cruz. Suas palavras estão escritas em Lucas 9:23-24 e, em Marcos 8:34-35. Leiam: "(...) se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará". Antes de Jesus declarar isto, ele havia acabado de repreender severamente a Pedro que o repreendera para deixar de bobagem e não entrar em Jerusalém, onde seria morto na cruz. E Jesus não disse: “quem quiser vir após mim, faça uma cruz de madeira, mais pesada possível, coloque-a no ombro e me siga”.

A cruz de madeira não é o melhor lugar para o cristão mostrar fidelidade à Palavra de Deus. Carregar a cruz de madeira pelas ruas e estradas ou morrer em cruz de madeira é mais fácil e menos dolorido do que pensamos. Ainda mais, quando somos nós que escolhemos ou fazemos a cruz. A cruz que eu mesmo escolho para me sacrificar é sempre leve. Pesada é a cruz que eu não escolho e surge, de repente, na minha frente.

Há muito cristão inventando cruzes, penitências e sacrifícios para agradar a Deus. Mas, está com uma grande dificuldade em morrer para testemunhar o amor de Deus e o seu amor a Deus. Está com dificuldade ou, mesmo, resistência em ouvir a mensagem da cruz. Uma coisa é a madeira da cruz.

Outra coisa é a mensagem desta cruz.

A cruz de madeira não é nenhuma loucura. Ela não tem nenhum poder. Loucura é a mensagem da cruz. Esta é, na verdade, o poder de Deus. Muitos estão fugindo de morrer para testemunhar o amor. Não estão permitindo que a mensagem da cruz mude sua vida.

Mas, agora, vem a pergunta: COMO EU, VOCÊ, NÓS PODEMOS DEIXAR QUE A MENSAGEM DA CRUZ OPERE EM NÓS? COMO SUA MENSAGEM PODE TRANSFORMAR NOSSA VIDA?

A mensagem da cruz opera em nós de três maneiras, desde que nós demos permissão. Eu chamaria estas três maneiras de as TRÊS CRUZES DO CRISTÃO fiel e contaminado pela Palavra e pelo Espírito de Deus.

Primeira cruz: crucificar o "ego" ou negar-se a si mesmo . "(...) se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” – Lucas 9:23.

Jesus, no Evangelho, nos dá três palavras muitíssimo significativas para nossa vida. Se aceitarmos estas três palavras, estaremos de bem com ele e felizes da vida, apesar das “infelicidades”. Primeiro, ele nos faz uma proposta: “vinde após mim e me siga”. Segundo, nos chama para o seu colo: “Vinde a mim, vós que estais cansados”. E, terceiro, nos manda: “Ide e pregai”.

A proposta de Deus para nós, nesta noite é: “Vinde após mim e me siga”. Ou seja, vem andar como eu andei. Vem fazer como eu fiz. Vem pensar como eu pensei. Vem falar como eu falei. Nada há de melhor do que aceitar este convite! Mas, há uma condição: crucificar o nosso ego. Crucificar nossos pensamentos, nossas idéias, nossos sentimentos, nosso estilo de vida, nossas lembranças e percepções.

É do "ego", ou do próprio "eu" do ser humano que procedem o egoísmo, os interesses, a soberba, a vaidade, o orgulho, o ciúme, as concupiscências e outros transtornos da alma. É, na alma do homem, na sua personalidade que residem a vontade, as paixões, as faculdades psíquicas, intelectuais, morais e os sentimentos. Tudo isso dirige e domina o homem. É no “ego” que está a raiz dos descontroles de nossas emoções e dos desequilíbrios psíquicos e espirituais. Não é do diabo.

A vida do homem, sem a cruz de Cristo, naturalmente, torna-se uma vida egoísta, materialista, hedonista, etc. Uma vida falsamente fácil. Porque a vontade de Deus é mal recebida. E Paulo diz que a mensagem da cruz é o poder de Deus. A natureza do homem é doente, complicada, transtornada, confusa, cheia de patologias sintomáticas. Por isso, ele resiste à vontade de outro. E, mais ainda, bloqueia a vontade de Deus. O seu “ego” é mais poderoso. E, paradoxalmente, todo este poder do “ego” não o faz um homem feliz. O homem só é feliz, sem mentiras, quando se submete à vontade soberana de Deus, crucificando com Cristo o seu "ego", a sua vontade, o seu orgulho, sua vaidade, seu ciúme e desejos individualistas.

Nascemos contaminados com o vírus do egoísmo. Somos muito dirigidos pelo egoísmo e pelo individualismo. Por causa disto, nossa vida é enfraquecida. A firmeza da nossa vida está em a cada dia tomarmos a nossa cruz.

O primeiro passo para a crucificação do nosso egoísmo é receber o Senhor Jesus e nascer de novo na água e no Espírito - João 1.12-13; 3.3-7. Só então, poderemos viver a vida abundante em Cristo e segui-lo. Não será mais o nosso “ego” o administrador de nossa vida. Mas, sim, será o Espírito Santo que nos guiará por toda a vida. Esta verdade está explicada em Romanos 8.5-14. E está escrito, também, em 1 Coríntios 5:17: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo".

O verdadeiro seguidor de Cristo prova sua lealdade "negando-se a si mesmo". Na prática, significa deixar que Cristo viva inteiro em sua vida. Aí, sim, ele pode dizer o mesmo que Paulo disse: "Já estou crucificado com Cristo, e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim" - Gálatas 2.20. Eu não tenho vontades. As minhas vontades se identificam com a vontade de Cristo.

Segunda cruz - crucificar a nossa vida - "(...) Pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á" – Lucas 9:24.

É continuação do verso 23 do capítulo 9 de Lucas. Crucificar a vida é outra forma de negar a si mesmo. Negar o ego. Eu serei incapaz de perder a minha vida sem, antes, colocar a minha vontade debaixo da vontade de Deus. E a vontade de Deus é que sejamos úteis ao Reino e aos outros.

Um dos piores traumas é perder. Muitos de nós estamos fazendo de tudo para salvar a vida, negando-se dispor para aquilo que Deus propõe e chama. A igreja não cresce. Vidas não são salvas. Vidas não são ajudadas, porque os que se dizem cristãos, discípulos do Senhor Jesus, não querem sair de sua toca, não querem descer do monte para ser obreiro aprovado no Reino. Se sentem felizes, “descansados no Senhor”, apenas com “os olhos fechados em oração” ou se deleitando com a leitura da Palavra e com os sons dos CD´s gospels. Descansar no Senhor é beleza. Estar em oração é beleza. Ler a Palavra e ouvir os louvores é graça. Mas, tudo precisa ter o mesmo objetivo de Jesus: salvar o outro.

Quando Jesus nos fala que é perdendo a vida que se ganha, ele está nos oferecendo duas propostas de vida abundante. Primeira proposta: “Buscai antes o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas – materiais – vos serão acrescentadas” – Mateus 6:33. Traduzindo: a verdadeira vida cristã é aquela que se dedica completamente no serviço a Deus de todo o coração, de toda a sua alma e de todo o seu espírito. É amar a Deus acima de todas as pessoas, acima de todas as coisas, acima de todas as promessas do mundo material. É trocar o jugo da ansiedade e da preocupação excessiva com a vida material e passar para o jugo do Senhor Jesus.

Quando nos ocupamos dos interesses de Deus, ele se ocupa dos nossos interesses. Aliás, ele está ocupado conosco 24 horas por dia! Quem busca as coisas de Deus, nunca vai ficar sem nada. Pelo contrário, vai ter “muito mais abundantemente além daquilo que pede ou pensa” – Efésios 3:20. Está escrito, ainda: "(...) Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" - Mateus 11:29. O jugo de Jesus alegra. Não pesa.

Segunda proposta: “Amai-vos uns aos outros” – João 15:17. Deus faz tanta questão em nos fazer esta proposta que o Novo Testamento a repete insistentemente, embora com outras palavras. Vejam o que Mateus 22:37-39 escreve: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Deus está dizendo que amá-lo não tem sentido, não tem graça, não tem mérito se, de forma semelhante, não amarmos o outro.

À semelhança do amor de Deus, o amor do cristão não tem preconceito. Não importa a cor, a cultura, a fé, a ignorância, o pensar diferente, o tipo e opção de vida, sua santidade ou sua perversidade, seu grau de amizade ou de inimizade. Não houve e não há um ser humano que não tenha sido e que não é amado por Deus. Hitler, Sadã Hussein e outros foram amados por Deus. Para Deus, ninguém é inimigo. Mas amigo. Os “Judas” são chamados de amigos. O cristão, crucificado com Cristo, não tem inimigos. A oração do cristão, diante dos ofensores, é a mesma de Jesus na cruz: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.

E a Palavra de Deus chama de mentiroso, fingido e perverso aquele que diz que o ama, mas não ama o próximo. Quando fala amar o próximo, Deus está dizendo: amar, ser compassivo, ser misericordioso, andar juntos, acolher, alimentar, vestir, viver em paz, ajudar, aconselhar, ENTREGAR-SE, e PERDOAR.

A proposta de Jesus quer é que façamos o mesmo que ele fez: entregar-se ao Reino e entregar-se ao próximo, para que ninguém se perca. A primeira forma de sermos úteis ao Evangelho é nos deixarmos ser crucificados. Isto é duro. Machuca. Dói. Quebra. Mas diz Jesus: “Quem quiser ser meu discípulo - ser como eu sou - pegue a sua cruz e venha”. Jesus nesta noite, nos dá uma palavra de reforço: não tenha medo de perder a sua vida em favor do outro. Eu garanto que você vai ganhar a sua vida. Eu garanto que você será feliz. Quanto mais você perder, maior será seu galardão de vida. Você ganha em alegria. Você ganha em paz. Você ganha em saúde. Ser crucificado com Cristo é um grande e eficiente recurso terapêutico. É uma sessão de cura e libertação.

Terceira cruz – Crucificar o mundo. “... longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” - Gálatas 6:14.

Há que se fazer uma distinção do sentido da palavra mundo. Há o mundo-gente a quem “Deus amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito – único – para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3:16.

O mundo-natureza, dos céus, das águas, dos montes, das flores que nos proclamam o poder e a glória do Senhor. Que declaram a glória de Deus. Que nos descansam.

E há o mundo-sistema, do qual João, em sua primeira carta, diz que está todo no maligno. É deste mundo que queremos falar. Do sistema que o governa. No começo dos tempos, Deus deu ao homem a autoridade para governar o mundo. Mas, na queda, o homem passou para Satanás o governo deste mundo. Jesus reconhece e chama Satanás de príncipe deste mundo. As Sagradas Escrituras são muito claras, quando diz que quem ama o mundo é inimigo de Deus. Um mundo, que instruído por forças satânicas, continua tentando crucificar o Senhor Jesus nas nossas vidas. Quem ama o mundo é súdito de Satanás. Diante de nós há duas opções de vida: com Deus que nós dá vida abundante e com o diabo que rouba, mata e destrói.

Satanás mudou o mundo. Não é mais o Éden. Satanás transformou o mundo em um sistema de perversidades, que não combina com o sistema divino da graça, da misericórdia e do amor. Satanás continua oferecendo a nós, cristãos, o fruto da sedução. E nós, cristãos, chamados discípulos de Jesus, por falta de conhecimento ou, mesmo, com consciência, temos comido deste fruto e permitido sermos seduzidos e dirigidos pelas propostas mentirosas e ilusionistas do diabo. Chegamos a gostar de sermos enganados pelos agiotas do mundo espiritual. A realidade do mundo é pura ilusão. É um mundo de promessas, que acabam em frustrações ou, pior, em cobranças altas. Tudo é vaidade e nada mais que vaidade.

Por isso, a Palavra de Deus nos chama a crucificar o mundo. Talvez seja esta a crucificação mais difícil, como é difícil crucificar o nosso ego. Porque a vaidade é muito forte. Ninguém pode negar o quanto o mundo é sedutor e o quanto ele promete uma vida sem cruz, sem obediência. Pode ser que eu não queira negar meu Deus, minha fé e a Bíblia, mas vivo atraído pelos prazeres e facilidades de um mundo inimigo de Deus. Porém o Senhor não admite meio termo, quando diz, em Mateus 6:24: “Ninguém pode servir a dois senhores”. Por isso Paulo escreve: “... eu me orgulharei somente da cruz do nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, por meio da cruz, o mundo está morto para mim, e eu estou morto para o mundo" - Gálatas 6:14.

Esta é a razão porque o mundo deve ser tratado pelo discípulo de Jesus, como estando crucificado. Para o verdadeiro discípulo do Senhor, tanto o "ego" humano quanto o mundo materialista, secularizado, corrompido devem estar crucificados, mutuamente. Isto é, como morto, aniquilado, a fim de que possa viver vitoriosamente debaixo da vontade consistente e soberana de Deus.

Deus não está pedindo que saiamos do mundo. Um dos pedidos da oração de Jesus, falando de nós ao Pai foi: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guarde do mundo. Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade” – João 17:15-16. O que Ele não quer é que demos asa à vaidade e às perversidades morais que o mundo prega.

Nós precisamos do mundo, para viver nossa vida natural. Não somos anjos. O mundo tem coisas, as quais Deus nos dispõe para uma vida natural prazerosa. Deus nos dá o direito de proporcionarmos gozo à nossa alma. Os nossos sentidos podem sentir as coisas boas. Coisas boas é tudo aquilo que podemos viver no mundo da vida natural, como seres humanos e que contribuem para nossa edificação, sem matar os nossos propósitos com Deus. Há um espírito em nós capaz de santificar nossos compromissos com as coisas do mundo e nossos prazeres.

A Palavra de Deus define as coisas más. Está lá em Gálatas 5:19: “a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas”. São más, porque não nos garantem o Reino de Deus, que é justiça e paz. São más porque tiram Deus do altar de nosso coração. São más porque pervertem nossos relacionamentos.

O cristão alicerçado em Cristo, de alma sarada pode comer, beber, cantar, passear, viajar, dançar, construir mansões, desejar o melhor carro, namorar, casar, sonhar, sem ser inimigo de Deus, por que não só os sofrimentos, mas tudo de bom que a vida proporciona e que vem do alto “concorre para o bem daqueles que amam a Deus” – Romanos 8:28. Em Filipenses 4:8. Paulo ainda escreve: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

Para terminar, Paulo, através da carta os Colossenses 3:1-5 deixa para nós cristãos, que temos uma nova posição, um alerta: "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória. Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria." Colossenses 3.1-5.
Uberlândia - MG

A CONSTERNAÇÃO EXIGE.


Todos estamos consternados com o que acontece na região serrana do Rio de Janeiro

O número absurdo de mortos, mortes que poderiam ter sido evitadas se tivéssemos aprendido as lições do ano passado, e, no mínimo providenciado a retirada dos moradores dos locais sob risco iminente, que, por aviso da meteorologia, já eram de antemão conhecidos. Mas as autoridades não cumpriram devido papel.

Bem que Deus nos avisou: "Maldita é a terra por tua causa" Gn 3.17, nossa ruptura com Deus fez de nosso “habitat” um ambiente de sofrimento, e, parece que ainda não absorvemos essa verdade, que fomos nós que fizemos da realidade um ambiente de sofrimento, daí nosso descaso, não assumindo a nossa responsabilidade de diminuir ao máximo possível o que nós mesmos deflagramos, que provoca ainda mais sofrimento, em todas as esferas da ação e do relacionamento humanos.

E nós continuamos a manter e aprofundar esse estado, porque em nossas equivocadas decisões, “Semeamos vento e colhemos tormentas” Os 8.7. Como demonstrado pelas autoridades públicas.

Nosso descuido para com o Planeta, por exemplo, demonstra cabalmente nossa desatenção aos avisos divinos, Deus disse a Noé, logo que aceitou o sacrifício que este lhe ofereceu: “Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, Verão e Inverno, dia e noite.” Gn 8.22 Isto é, Deus deixou claro que manteria o Planeta funcionando, o que significa que qualquer desrespeito para com essa ordem não ficaria impune, a criação reagiria, mantendo a sua lógica de causa e efeito. Toda alteração no processo afeta o resultado climático.

O desmatamento no Norte altera o ciclo de chuvas no Sudeste, segundo o blog Aquecimento Global. Não ouvir Deus tem nos custado muito caro!

Seria muito pior se Deus não tivesse decidido dar testemunho de si, “Fazendo o bem, dando-nos do céu chuvas e estações frutíferas, e enchendo o nosso coração de fartura e de alegria” At 14.17 Isso é o que a teologia reformada chama de “Graça comum”, essa invasão divina ao coração de todo o ser humano, indistintamente, comunicando-nos as suas qualidades, é o que impede que a maldade, que há em nosso coração (Rm 3.12), acabe por dar, exclusivamente, o tom de nossa existência.

E é aqui que Deus entra no sofrimento, comunicando consolo, revitalizando forças e renovando a esperança… é uma ação da graça comum. E mais, por meio dessa graça, Deus desperta a solidariedade, através de gente como os serventes, com quem pode contar no casamento, em Caná da Galiléia!

E onde Deus entra com a justiça? Na conscientização que gera mobilização, e na provocação ao arrependimento, em ambos os casos, por meio do ministério do Espírito Santo de “Convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo” Jo 16.8. Para tanto Deus conta com a Igreja, instruindo-a a “Procurar a paz na cidade para onde fomos desterrados e orar por ela ao Senhor; porque na sua paz nós teremos paz” Jer 29.7.

Ao ordenar que a Igreja procure a paz da cidade, Deus está ordenando envolvimento com os problemas e com a administração da mesma, onde devemos “Abrir a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados… buscando que se julgue retamente e que se faça justiça aos pobres e aos necessitados” Prov 3.8,9. Ao instar-nos a interceder pela cidade, determina-nos a orar em favor dos que “Se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” 1Tm 2.2; para que Deus tenha o coração do imbuído de autoridade na sua mão, porque quando o Senhor pode inclinar tal coração este se torna dessedentador e, portanto, promotor de justiça (Pv 21.1).

Diante de cataclismos como este que ora assistimos, somos, como Igreja, exortados a prática dos três aspectos de nossa ação proclamadora: a profética, que é, antes de tudo, preventiva, denunciando qualquer possibilidade de desvio, exigindo correção de curso, para que se evite o catastrófico, envolvendo-se como parte da solução, por meio da influência que os seus membros podem exercer pessoalmente, e por sua capacidade de mobilização, e de formação de opinião pública; a sacerdotal, intercedendo, principalmente, por saber que só com a força do Senhor é possível, principalmente, à autoridade não ser vencida pelo mal (Mt 6.13) e a diaconal, quando diante do inevitado , que é, ora, o caso, demonstramos, por nossas boas obras, a presença do Deus misericordioso, que, mesmo diante do descaso da humanidade para consigo, não se deixa sem dar testemunho de sua existência e de seu amor.

Ariovaldo Ramos é pastor e escritor, bacharel em filosofia pela USP. Foi presidente da AEVB (Associação Evangélica Brasileira) e presidente da Visão Mundial no Brasil. Atualmente ministra na Comunidade Cristã Reformada.