FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA
ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM
AGRADECIMENTO
AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Vem Senhor Jesus....
“Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).
Iniciamos a quarta semana do tempo litúrgico do Advento. Dentro das fileiras Cristãs, mesmo nas igrejas reformadas ou as que preservam um patrimônio litúrgico mais tradicional, há sempre alguma confusão e até desconforto em relação a este período do calendário cristão.
Na maioria das vezes esta estação é reduzida a uma simples preparação para o Natal, como se esperassem ainda a vinda de Jesus na gruta de Belém. Esta é uma devota regressão simplória que empobrece a esperança cristã. Muito embora o Advento também seja um tempo de leituras, orações, hinos e pregações que giram em torno das profecias do Antigo Testamento que nos prepararam para celebrar com maior gozo o evento da Encarnação do Verbo, na verdade ele ancora-se mais em um artigo do credo Niceno-constantinopolitano que fixa a seguinte proposição dogmática:
“E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo, no seio de Maria virgem, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; E subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim”.
Então, o tempo litúrgico que precede a solenidade do Natal é antes a prática eclesial da espera por Jesus. Estaríamos nós convictos de que Ele voltará um dia? Estaríamos nós como igreja e como cristãos, individualmente, praticando esta espera? Jesus veio uma primeira vez, revestiu-se de humildade, fez-se pobre, vulnerável, assumiu a nossa limitação humana, sofreu fadiga, dor, fome. Chorou a perda de um amigo, sentiu o duro golpe da traição de um discípulo, angustiou-se em face do terror que o aguardava na cruz e por fim morreu a nossa morte. Tal era o sumo sacerdote que nos convinha, afirma a carta aos Hebreus, ante a tamanha solidariedade de Cristo com a nossa humanidade (Hb 5.7; 7.26). Ressuscitado ao terceiro dia e tendo ascendido aos Céus em um corpo transfigurado há de voltar um dia e agora tanto a sua aparência como a sua condição serão completamente diferentes. Virá com poder invencível, majestade indefectível, glória imarcescível e com absoluta autoridade para julgar os vivos e os mortos e estabelecer em definitivo o Reinado de seu Pai que não terá fim. Basílio, o grande, um eminente pai da Igreja definiu o cristão como “aquele que vive em estado permanente de espera, de vigia, a cada dia e cada hora, sabendo que o Senhor vem”.
Claro, pedagogicamente a igreja sempre entendeu que o Advento também é um tempo kerigmático, um tempo onde a Encarnação de Jesus Cristo é o ponto de partida para se apresentar o plano da Redenção e se fazer o pleno anúncio do Evangelho como o sintetizado por João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (Jo 3.16-19).
Então, o Advento cumpre uma dupla missão na Igreja. Em primeiro lugar devolve à festa do Natal o seu sublime caráter cristocêntrico. Nos leva a testificar pelas Escrituras que as promessas feitas aos pais desde os primórdios: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15), reafirmada muitas vezes pelos profetas: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7.14); e quando tempo se fez propício: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5); Ele cumpriu a sua Palavra: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Esta é a essência do Natal que o Advento quer ajudar-nos a redescobrir e bem celebrar. A outra é: “E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.10) e ainda: “E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória” (Marcos 13:26). Mas também o Advento nos alerta: “E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.10,11).
Esta espera não deve paralisar-nos. A nossa espera deve ser dinâmica, nós O esperamos em atitude de vigília, oração e missão que é o coração do Advento. Ele vem!
Paz e bem
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Amigos será...que os tenho ?
Deus nos criou para vivermos em comunidade. Nós precisamos uns dos outros para crescermos e nos desenvolvermos com proteção, saúde e integridade. E esse princípio se estende também ao contexto do discipulado cristão: no processo de nos tornarmos seguidores e aprendizes de Jesus não há espaço para a existência de cristãos do tipo “você S. A.”.
É no espaço comunitário que temos a oportunidade de amadurecermos emocional e espiritualmente. Ali encontramos as condições e as pessoas necessárias para que o nosso orgulho e as nossas ilusões pessoais sejam confrontadas, e o nosso “eu” verdadeiro possa florescer e se fortalecer, em conformidade com o caráter de Jesus Cristo.
Deus sempre foi, e sempre será, o agente da nossa transformação pessoal. Mas nessa jornada, com nossos altos e baixos, ele irá colocar pessoas em nosso caminho de tal modo que a experiência da coletividade e da mutualidade se tornem instrumentos de sua vontade. Precisamos sempre nos perguntar se temos valorizado devidamente a riqueza de fazermos parte de uma comunidade que busca a mesma direção. Temos nos colocado à disposição de outros, e ao mesmo tempo procurado companheiros de caminhada que nos ajudem a avaliar com sinceridade o nosso crescimento cristão? Enxergamos nossa necessidade de mentores ou “diretores espirituais” de quem podemos receber orientação, e a quem podemos recorrer para nos ajudar a avaliar nossos pensamentos e sentimentos? Pessoas francas e piedosas, que sejam capazes de se preocupar mais com nosso destino eterno do que com sua imagem ou reputação diante de nós?
Para entender o que a Bíblia fala
Com base no capítulo 6 do Evangelho de João, provavelmente Jesus seria reprovado pelos especialistas em “marketing pessoal”! Em questão de alguns dias ele passa da assistência de uma multidão (vv. 2, 6, 15) para a desistência até de muitos de seus discípulos (v. 66). O que ocorreu no meio do caminho, entre esses dois momentos? Por que Jesus não foi mais “politicamente correto” em seu discurso (vv. 53, 60)? Qual era sua verdadeira preocupação (vv. 27, 58)?
Que Jesus tenha desapontado os líderes judeus não é novidade. Mas, agora, até seus discípulos estavam demonstrando seu desapontamento com ele (vv. 60, 66). Por que? Em sua opinião, quais eram suas expectativas em relação a Jesus, o Messias prometido por Deus (vv. 14-15, 26, 52-53)?
No v. 67, Jesus se dirige aos doze com uma pergunta bem direta, demonstrando que ele não estava disposto a negociar suas condições para o discipulado. Como esta pergunta poderia ajudar aqueles seguidores mais próximos a tomar uma decisão consciente naquele momento crucial de sua vidas?
Pedro descreve o processo de sua mudança de vida como “nós cremos e sabemos” (v. 68-69). Note que ele usa todos verbos no plural. A fim de entendermos melhor esta resposta de Pedro podemos refletir sobre os elementos que são importantes para o aprofundamento de uma amizade/relacionamento. Como esta amizade/relacionamento de desenvolve? Como nós sabemos que alguém nos ama e cuida de nós? Então, como o comentário de Pedro pode ser melhor compreendido? O que fez Pedro permanecer com Jesus? O que ele queria dizer ao responder “Tu tens as palavras de vida eterna”?
Quando Pedro acabou de dizer estas palavras, que reação esperaríamos que Jesus tivesse? Qual era a intenção de Jesus com sua resposta (vv. 70-71)? O que ele não queria perder de vista?
Hora de Avançar
Sabemos que poucas pessoas se importam, de verdade, com nossa alma. Poucos têm a coragem de colocar em risco sua imagem pessoal ferindo nosso orgulho pelo bem da verdade e da eternidade.[…] Amigos que fazem as perguntas difíceis, que se importam com nossa vida, com o risco de nos perdermos em nossos pecados e enganos, que preferem nos ferir a nos ver perdidos e confusos, são os amigos verdadeiros.[…] Jesus via seus discípulos como pessoas que lhe haviam sido confiadas por Deus. Por isso ele os repreendeu, exortou, foi firme e duro e, ao mesmo tempo, compassivo e misericordioso. Jamais abriu mão de sua lealdade e buscou, em todo tempo, conduzir seus amigos ao conhecimento de Deus e à vida eterna.
Para pensar
Neste episódio, no final do capítulo 6 de João, Jesus foi bastante claro com aqueles que procuravam ser seus seguidores: “O que vocês precisam não é nem de dádivas materiais e nem de milagres; o que vocês precisam é de MIM”. Jesus cria uma separação radical entre aqueles que desejavam apenas obter alguma dádiva, e aqueles que realmente estavam dispostos a encarar uma agenda de submissão e compromisso sacrificial.
Embora muitas pessoas estivessem abandonando Jesus, os doze discípulos não fizeram isso. A sua fé, e o que eles tinham aprendido pela convivência com Jesus, os mantiveram próximos e obedientes a Ele. O conhecimento que eles obtiveram veio como fruto de sua fé e obediência (ver João 7. 17). Embora somente Pedro tenha respondido, ele agiu como um porta-voz dos outros discípulos.
O que disseram
A receptividade e o confronto são dois lados inseparáveis do testemunho cristão. Devem ficar em cuidadoso equilíbrio. Receptividade sem confronto leva a uma neutralidade confortável que não serve a ninguém. Confronto sem receptividade leva a uma agressividade opressiva que fere a todos. Esse equilíbrio entre receptividade e confronto pode estar em diferentes pontos, dependendo da posição de cada um na vida. Mas em toda situação de vida temos não só de receber, mas também de nos confrontar.
(Henri Nouwen, Crescer: Os três movimentos da vida espiritual, Paulinas, 2000, p. 94)
Para responder
Se você fosse Pedro, o que você teria respondido a Jesus? Como você teria explicado sua permanência junto dele?
Alguma vez você se sentiu desapontado com Deus? Por que você se sentiu assim? Essa questão já foi resolvida em seu coração?
Eu e Deus
Senhor, tu despedaças os sonhos que mais acalento – os de estar no controle de minha vida, os de controlar os outros. Então, tu dás algo muito melhor – a visão de teu senhorio e redenção. Expulsa a incredulidade de meu coração e concede-me fé, por tua misericórdia
Natal todo dia....será?
A mestra vivia impressionada pela carga tão forte de comércio e do folclore, que predominam na época do Natal. Quem sabe teria ela lido algures, que o dia 25 de dezembro, dia do sol no paganismo, só fora consagrado ao nascimento de Cristo tardiamente, Sabe-se lá!
O fato é que solicitara dos alunos um trabalho literário sobre o natal, pedindo que focalizassem os aspectos interiores, de preferência os convencionais. Seria, esse exercício escolar, o último do ano letivo, pois se avizinhava a semana dos exames, e os primeiros sinais das festividades natalinas surgiam nas lojas e nas ruas, a começar por arvorezinhas expostas, à venda, em lugares estratégicos. E a mestra, querendo estimular os alunos, dera orientações e transformara o mero exercício escolar em um concurso, providenciando prêmios aos três primeiros colocados, uma espécie de gradação em bronze, prata e ouro.
Curioso é que, na apuração, quase todas as composições literárias mostraram-se boas e os primeiros alunos colocados (alunas, por sinal!) tinham efetivamente a mesma estrutura, seguindo a sugestão feita. Focalizaram o problema interior da vitória sobre a tentação. Uma das alunas, que já antecipara trabalho adicional de férias em uma loja, confessava-se culpada de querer desviar valores; outra, envolvida com namoro não do gosto dos pais, pretendera encobrir o caso mentirosamente; uma terceira confessava-se mesquinha, e relutava em repartir algo com a vizinha pobre…
Escrevendo sobre o Natal, a partir dessas confissões, cada uma das autoras fazia contraste dessa situação interior com o ambiente exterior do Natal: presentes, Papai Noel, pinheiros, luzes, ceias e bebidas.
Afinal, diziam, a história de Belém não contém nada disso. É, pelo contrário, a peregrinação de uma gestante pobre; o livramento de um infante inocente; as homenagens inesperadas de uma figura incógnita. Em tudo que aparece na Bíblia como se está dizendo: “Ele se fez pobre, para que pela sua pobreza enriquecêssemos…”
Curiosamente, nesses três contos premiados, as autoras ressaltavam que se sentiam enriquecidas interiormente, ao compreenderem, a tempo, o quanto importava resistir a tentação, para se ter um Natal feliz. Mais que as festividades exteriores, contava a alegria interior. Era a chegada de Deus ao coração.
Pareciam dizer: “Jesus veio a mim…”
Para isso, qualquer data serve. Todas, sem uma soubesse o que a outra fez, usaram o mesmo título: Natal sem data…
Coincidência? Talvez. A verdade é que Natal sem data é imaginável; o que não é possível é Natal sem coração! Absolutamente impossível.
Esta chegando o Salvador......
Pessoas que se detêm diante do sofrimento de outros, param nas ruas, ouvem queixas, socorrem vizinhos, visitam hospitais e presídios. Fazem tudo anonimamente, seguindo o exemplo do samaritano da parábola de Jesus (Lc 10.25-37).
Grupos cristãos que se mobilizam para socorrer necessitados, distribuindo alimentos e remédios, revezando-se ao lado de doentes, acompanhando solitários. Eles se inspiram na advertência de Jesus: “[...] sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40).
Comunidades singelas que se reúnem nas periferias, acolhendo os aflitos, juntando-se em oração, mobilizando recursos, abrindo espaços de socialização e autenticação de identidades. O desafio é se manterem fiéis ao ensino do Mestre: “[...] quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mt 20.26).
Igrejas mais organizadas, inseridas na vida urbana, que se empenham em superar tendências individualistas e preconceituosas, formando grupos solidários e comprometidos, juntos nas alegrias e nas tristezas da vida. São expressões de reconhecimento daqueles que experimentam o amor de Deus: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19).
Todos estes exemplos sinalizam a presença da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Em meio ao mundo impregnado pelas inúmeras expressões do pecado individual e coletivo, apontam que é possível ser diferente. Deus quer que façamos diferença, pois “o próprio Filho do homem não veio pra ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45).
No próximo Domingo estaremos dando inicio ao tempo do Advento, será que estamos preparados ou nos preparando com devido esmero para este tempo tão importante para nós cristãos...
Paz e bem
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Santo ou santo o que sou......
‘’Somos a geração que se gaba de estar conectada, vinte e quatro horas, mas não conseguimos mais nos conectar com o olhar de quem esta, ao nosso lado, todos os dias. ’’
A vida, em uma típica realidade do mundo, no qual me encontro, traz um ritmo tresloucado, segundo a regência dos faróis. Para muitos, o dia deveria ter trinta e seis horas e, ainda assim, quem sabe, uma extensão seria bem vinda. De certo, acordamos movidos e impulsionados para não perder a hora, cumprir as demandas, resolver pendências e a palavra pausa, silêncio, diálogo, oração, equilíbrio, contemplação acaba por permanecerem dentro da gaveta. Afinal de contas, no ímpeto de uma cultura imediatista, em busca do sucesso, a todo e qualquer custo, muitos aderem, ferrenhamente, ao individualismo, a adoração do individuo autárquico. Enquanto isso, o senso e a percepção de comunidade, de convivência solidária, de urdir uma trama bem adornada de tolerância nem se fala mais. Dou um pulo e abordo essa questão sobre como anda nossa existência e espiritualidade, dentro do ora denominado corpo de Cristo. Digo isso, porque parece que não conseguimos também parar e ponderar sobre a vida e receamos qualquer via de inspiração e criatividade; lamentavelmente, não conseguimos frear e contemplar a vida, com sua primavera, com seu por do sol, com suas ondas ressoantes do mar e, enfim, com a beleza e a bondade. Nossos cânticos mais se assemelham a um jogo de cartas marcadas, mais voltados a massagear o ego de um Criador melindroso e narcisista para, então, receber algumas migalhas em troca. Nossas orações permanecem nas fronteiras de um dualismo (bem – mal, como se fosse aquela brincadeira: bem me quer, mal me quer). Nossa relação com a palavra se reduz a dispormos de um livro da sorte, a um amuleto, a um talismã, a uma caixa de fragmentos que se amoldem aos meus interesses e nada mais. Em meio a tudo isso, antes de acender aos céus, Jesus se encontra com os discípulos, sentam – se e ao saborear um assado de peixe desenha a Graça e seu compromisso com a vida. Sem nenhuma pieguice, o considerado primeiro milagre de Jesus tinha o vinho, como peça chave para o desfecho de um eminente fracasso, e o que dizer da multiplicação dos pães e peixes. Vou além, diante de tantas tutores da Cruz, como se Jesus tivesse abdicado de sua opção por curar, restaurar, reconciliar e animar a vida humana, sem rótulos, sem estigmas, sem eleitos e rejeitados, sem santos e profanos, sem certos e errados, sem judeus e gentios, sem este ou aquele, todos, indistintamente, abraçados, acolhidos, aninhados, alentados e ancorados no porto da fé inspiradora, criativa, imaginativa e transcendente. Verdadeiramente, quantos líderes não precisam ir a direção dessa pausa, encostar-se se no colo de um Deus, com aquele toque de mãe, quando tudo parece desmoronar? Quantos pastores acuados, nos esconderijos de seu gabinetes, sem alguém para o ouvir, jogar conversa fiada numa tarde (ao por do sol), de olhar para seus erros e equívocos, de perceber que não foi chamado para ser nenhum mito, nenhum ícone, nenhum semideus, nenhum caboclo, nenhum orixá e sei lá mais o que? Quantas mães cansadas de acreditar na condição de o seu filho voltar a viver, a trilhar pelos sonhos, a ser humano (porque está submerso nas senzalas das drogas facínoras)? Quantas casamentos na superfície, na aparência, no faz de conta? Quantas domingos, na igreja, sem sabor, sem viço, sem docilidade, sem inocência, sem recomeços? Quantas jovens na berlinda de a quem seguir e o por qual motivo? Quantos de nós não estamos a procura de um sentido, de um motivo e de um destino, diante das perdas, das falências, das derrocadas, dos dissabores? Quantos de nós não daria de tudo para abandonar e vestir o conformismo? Quantos de nós não estamos com as mãos abarrotadas de pedras emocionais para julgar, para condenar, para pisar, para pisotear, para cuspir palavras depreciadora e doentias, frutos de uma religiosidade de puros e impuros (puro, porque não perdeu a virgindade; impuro ou, melhor dito, impura, porque já teve seu corpo tocado; puro, porque se vale de um estereotipo clerical e impuro, porque veio com tatuagem; puro, porque fala em línguas estranhas, profetiza e revela e impuro, porque quer romper com a fé sem o verbo; puro, porque se restringe a uma relação vertical, eu e Deus, e impuro, porque quer partilhar, quer participar e ponderar; puro, porque casou, ainda, e impuro, porque vive com outro; puro, porque amaldiçoa o mundo e impuro, porque aceita o chamado para ser útil e benéfico; puro, porque não se masturba e impuro, porque se masturba, tem desejos pornográficos e por vai a lista interminável). Sinceramente, a Cruz de Cristo se inclina para os impuros, aqui, valho – me para gente, como eu e você, com o coração aberto para ser adoçado, para ser amado, para ser abraçado e para ser consolado, sem fazer disso nenhuma cartilha para nos desumanizarmos.
Ser igreja viva....Hoje...Nossa obrigação...
Atualmente o evangelho se depara com a situação da relativização das ideias , gêneros, de preceitos, algo que está para além da modernidade, a chamada Pós-modernidade. A pós-modernidade que é resultado de uma séria de crises, massificações dos meios de comunicação, transporte, informática, mudança da instituições sociais, das lutas e protestos sociais, bem como pelo racionalismo e eliminação de mitos e preconceitos, traz consigo uma nova ética, uma nova mudança na atuação individual, humana e social, que acaba sendo refletido em um comportamento diferenciado diante do mundo, do outro, de si mesmo, e de Deus.Para que a Igreja possa exercer sua vocação diante das questões sociais e das mazelas humanas, não existe melhor quesito a se analisar do que a própria vida de Cristo, pois, uma Igreja missionária, uma Igreja participante da proclamação do evangelho, é ensinada por Jesus, assim sendo somente ensina e pratica aquilo que um dia aprenderam do próprio mestre. E para responder a indagação supracitada, será feito uma analise de três pontos principais da vida de Jesus que podem ser entendidos como fundamentais, não únicos, para o exercício da fé por parte da Igreja, sendo esses pontos: A martíria, a diakonia, e a koinonia. Representando respectivamente, o testemunho, o serviço e comunhão.vocábulo martírio existente no Novo Testamente, deriva de MARTYREÕ e compostos como, MARTYS, MARTYRIA E MARTYRION16. Em um sentido geral as palavras denotam significância de: "Testemunho"; "Testificação" ; "Atestação"; bem como, "dar testemunho"; "testificar"; "evidência"; "prova"; "afirmar" ou "testemunha".a Igreja ensinada por Jesus, é uma mártir, mas não de morte física, de violência, mas sim, a negação do seu próprio ser, a exclusão dos desejos internos, humanos, e aceitação do discipulado em ser semelhança de Cristo, um testemunho real acerca do evangelho, pois o próprio Cristo no livro de João, capítulo 17 deixou explicito seu cumprimento enquanto testemunha do Reino. Para um pregação legítima do evangelho em relação ao mundo, precisamos ser discípulos e assumir a figura de Cristo em nossas vidas regeneradas.Na América Latina, dentre muitos países, o Brasil possui um grande problema social, onde a divisão de riqueza, está muito além de um equilibro entre todos, na realidade poucas pessoas ganham muito, e outros ganham quase nada para viver . Outrossim, com o desenvolvimento das cidades, dos recursos, ocorre um aumento populacional e assim uma massificação da população, e isso não cria obrigatoriamente emprego27, cria sim um aumento de moradores de rua.
Igualmente, dentro da nossa sociedade as relações, as concepções de relações, viraram liquidas, rápidas e pretensiosas, existem fragilidades nas relações, um constante sentimento de insegurança devido desejos conflitantes28, assim sendo o ser humano começa a viver uma vida vazia e sem norte, necessitando de um auxílio, de alguém que direcione, que traga a solução.A igreja, no serviço, deve visar que ela existe unicamente para o mundo e a favor dele, buscando minimizar as carências concretas da humanidade, e isso, não representa somente ajudar a outros, mas igualmente, quando necessário, os membros da nossa própria congregação, ou as comunidades co-irmãs48. Apontando desta forma que a Igreja de atuação legítima em consonância com Cristo, é na realidade e essência uma Igreja servidora.
Neste período considerado como pós - moderno, onde a sociedade humana tem descoberto e vivenciado novos pressupostos, cultura, entre outros, as relações ao invés de aprofundamento e consolidação, tem sido superficiais e limitadas. O sociólogo Zygmunt Bauman, comenta que aceitar a força do preceito do amor ao próximo exige um "ato de fé" ou um "salto de fé".A comunhão, é imprescindível para a missão, para regeneração de um pecador, todo cristão tem como responsabilidade unir as forças, os recursos e dons que foram concedidos por Deus, para obter um resultado glorioso na missão de levar o Evangelho a toda criatura65. Vivenciamos uma cultura, uma prática cada vez mais egoísta, individualista, onde o ser humano coletivo, como ser completo, é deixado de lado em troca do ser individual, que busca ser completo, a realidade social tem apontado para uma ruptura de relações, uma igreja saudável, uma igreja entendida como cristã, que exerce com êxito sua vocação investe e pratica com excelência a comunhão, por que sabe que a partir dela e nela o Reino é devidamente demonstrado.
Paz e bem
Nossa Mesa.....
O salmos (1) de abertura nos apresenta o que não devemos fazer para que tenhamos uma vida diferenciada. As três fases proposta no salmos que diz respeito ao relacionamento sendo estes: ANDAR, DETER e ASSENTAR, nos remete ao capítulo 24 do evangelho de Lucas. Os dois emauenses, discípulos desertores, exemplificam perfeitamente a dinâmica deste relacionamento.
Perceba que eles estão andando, movidos por uma grande decepção. Apostaram todas as fichas em Cristo, porém na cabeça deles seria uma proposta de um reino terreno, aqui e agora. Esta expectativa não fora correspondida e diante disto só restava trilhar o Caminho de volta.
Em dado momento são surpreendidos por um estrangeiro com outra informação bem diferente da mensagem de morte que permeava suas mentes.
Caminharam por horas até se deterem numa bifurcação. O próximo estagio seria caminhar mais um pouco e sentarem à mesa. Sentar à mesa e compartilhar a refeição é aprofundar o relacionamento onde o olhar nos olhos permite desfrutar do verdadeiro relacionamento. Quem são as pessoas que temos trazidos ou convidados para assentar à mesa? Aprendo com estes discípulos que pessoa fonte – Cristo, ou alguém enviado por Ele, não podem ficar de fora. Os discípulos desertores foram felizes em convidar Cristo para compartilhar da intimidade.
Pensando bem temos outros exemplos que aplicaram estes três níveis de relacionamentos, ANDAR, DETER e ASSENTAR.
Zaqueu, no capítulo 19 de Lucas, usou o mesmo expediente. Sempre estará presente em nossa vida este desenvolvimento do relacionamento em ANDAR, DETER e ASSENTAR.
Antes de levar alguém para outro lugar, leve o para a mesa, compartilhe da refeição, se faça conhecido e conheça bem a pessoa, pois este desenvolvimento de relacionamento saudável e de confiança fará toda a diferença em sua vida. Não podemos abrir mão de Pessoa Fonte para trilhar este caminho com direito a celebrar a refeição e comunhão.
Paz e bem
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