FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ressurreição do Senhor


Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
“Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo: pousaste sobre mim a tua mão, tua sabedoria é admirável, aleluia!”(cf. sl 138, 18.5s)

Meus queridos Irmãos,

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!”(cf. Sl 117).

Com grande alegria, as alegrias eternais, celebramos neste dia santo a Ressurreição do Divino Salvador. Hoje a terra celebra o evento mais importante de ontem, de hoje e de sempre, a Ressurreição do Senhor.

Dizia anteontem no Sermão do Descendimento da Cruz que nós não devemos limitar a nossa fé carregando o esquife com um Jesus inerte, que nada questiona. O que nós precisamos fazer é remover a pedra do Sepulcro e enxergar o Cristo luminoso e ressuscitado que irrompeu o império da morte e anunciou a vida eterna, a vida em Deus.

Jesus, o autor da vida, nos dá uma nova e eterna vida; a vida do céu. A morte verdadeira de Jesus continua para todos nós uma doce lição de encantamento e de amor e não é difícil de entender. Sua ressurreição confirma todas as suas palavras e ensinamentos, e será sempre um doce mistério, isto é, um fato que ultrapassa toda a compreensão racional e é apenas apreendido pela fé.

A ressurreição deve ser entendida como ponto fundamental de nossa fé cristã. Fundamental no sentido estrito da palavra: é fundamento sobre o qual se levantou e levanta-se o edifício de nossa fé católica e apostólica.

Tirado este fundamento, todo o edifício ruiria. Um Cristianismo não construído sobre a ressurreição seria impossível. A ressurreição é o único milagre que garante a divindade de Jesus de Nazaré. É a única prova indestrutível de sua messianidade redentora.
           
Irmãos caríssimos,

Hoje é Páscoa, que significa passagem! Para nós passagem do pecado para a vida da graça, passagem da morte eterna para a vida em Deus, a vida plena.

O túmulo está vazio! O corpo de um homem pregado numa cruz não está lá mais. Jesus Ressuscitou para nos salvar ao terceiro dia.

Aqueles que procuravam Jesus entre os mortos não o encontraram, porque Ele havia ressuscitado. Vamos encontrá-Lo falando com os Apóstolos incrédulos, comendo com eles e mostrando-lhes as mãos e os pés perfurados pelos cravos. Encontramo-Lo, consolando Maria Madalena angustiada desde o Calvário. Encontramo-Lo ressuscitado, explicando aos discípulos entristecidos de Emaús o significado das profecias e de suas próprias palavras.

Todos nós hoje devemos repetir a seqüência da santa Missa que encantou a minha infância e permeia toda a minha vida: “Cantai, cristãos, afinal: Salve ó vítima pascal! Cordeiro inocente, o Cristo, abriu-nos do Pai o aprisco!”.

Sim, aleluia, hoje e sempre! Porque Jesus é maior do que a morte e a venceu e, por sua vitória, todos nós viveremos. Aleluia, porque a Páscoa de hoje é certeza de páscoa eterna!

Meus amados Irmãos,

A Páscoa é festa de libertação, desde os tempos de Moisés.  Na páscoa moisaca se celebrava a passagem do povo da escravidão para a liberdade e a sua caminhada para a Terra Prometida.

Agora Jesus veio reescrever a velha aliança nos dando uma nova e eterna aliança: a passagem do pecado para a graça. A passagem da morte para a vida eterna. Jesus arrancou com a sua morte a maldade dos homens e nos transformou em criaturas novas. Ao ressuscitar, Jesus não voltou atrás, como aconteceu com Lázaro, mas foi além da morte, assumindo uma condição que escapa à nossa compreensão e à nossa experiência. Esse destino nos espera depois de nossa morte.

A Eucaristia é a celebração plena da morte e ressurreição de Jesus. Doce e grandioso mistério que nos pavimenta a vida eterna.

Assim, todos nós somos convidados a fazermos a passagem, relembrando Santo Agostinho: “Passar é preciso!” Passar de onde e para onde? De onde estamos, envoltos em trevas, para a luz da ressurreição; de onde estamos, amarrados pelo egoísmo, para o amor partilhado; de onde estamos, cercados de erros que dividem, para o campo da verdade, que acolhe e unifica. Passar de onde estamos, gananciosos e armados de medo, para a pureza do desapego e da fraternidade; de onde estamos, abrindo fossos de autoproteção, para as pontes de paz, que facilitam o encontro; de onde estamos, marcados pelo pecado, para a graça, que é a marca dos filhos de Deus.

Meus irmãos,

A memória de Jesus, na Palavra e na Eucaristia, ensina-nos que ele vive conosco. Ele é o centro de nossa vida. Temos que relacionar tudo com ele, enxergar tudo à sua luz, que venceu as trevas, a vida que venceu a morte. Isso é vivenciar a ressurreição de Cristo em nossa própria vida, procurar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita do Pai, conforme nos ensina a segunda leitura de hoje. A nossa vida velha e abatida morreu, temos uma vida nova escondida lá com ele. Isso transforma nosso modo de viver. Mesmo se exteriormente andamos envolvidos com as lidas e as lutas desta sociedade injusta, interiormente já não nos deixamos vencer por ela. Após uns pequenos três dias, experimentamos a presença daquele que venceu a morte. Por isso, vamos viver de cabeça erguida, os olhos fixos em nossa verdadeira vida, que está nele. Se o pecado nos abate, vamos abrir-nos na comunidade, no sacramento. Se a injustiça nos faz morrer, vamos unir-nos em comunidade em torno a Cristo. Isto é Páscoa, nossa ressurreição em Cristo.

Irmãos amados,

O Senhor Jesus, cujo túmulo hoje foi encontrado vazio, vida que venceu a morte e os infernos, está vivo aqui conosco. Ele está presente de modo invisível, na Palavra que ouvimos e meditamos, na pessoa de cada um de nós, na nossa comunidade orante reunida e no pão consagrado.

Refletimos, pois, sobre o sepulcro vazio, os gestos de amor de Cristo e o testemunho do Cristo ressuscitado. Portanto, Jesus se fez Páscoa, surge a vida, onde as pedras são retiradas dos sepulcros, onde se vive a caridade no serviço ao próximo. Estes são os sinais de que Jesus cristo continua ressuscitando hoje. Eles anunciam a sua ressurreição e suscitam nova vida, pois retiram todas as barreiras que atentam contra vida.
Jesus ressuscitou verdadeiramente, Aleluia! Aleluia! Aleluia

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A GENTE SE ACOSTUMA



Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto. 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto. 
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.  


A GRANDEZA DO MAR


Paulo Roberto Gaefke
(No livro "Quando é preciso Viver" página 29)

Você sabe por que o mar é tão grande?
Tão imenso? Tão poderoso?
É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios.
Sabendo receber, tornou-se grande.
Se quisesse ser o primeiro, centímetros acima de todos os rios,
não seria mar, mas sim uma ilha.
Toda sua água iria para os outros e estaria isolado.
A perda faz parte.
A queda faz parte.
A morte faz parte.
É impossível vivermos satisfatoriamente.
Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber viver.
Se aprenderes a perder, a cair, a errar, ninguém mais o controlará.

Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder.
E isto você já sabe.
Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade
o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda,
a vida e a morte.
Extraído do site: Meu Anjo


A AGUA DO MUNDO


Vou correndo, como se isso me fizesse escapar dos pingos da chuva que se inicia. Menos tempo na chuva, pode ser ilusório, mas tenho a impressão de que ficarei menos molhado, de que chegarei menos ensopado. Com o canto do olho observo o senhor que com a mangueira termina de limpar a calçada, mesmo sabendo que a chuva há de modificar todo o cenário nos próximos instantes. Ou vai trazer de volta toda a sujeira que ele está tirando ou vai lavar outra vez o que ele acabou de lavar.

A água que cai do céu cai purinha, purinha, é o que penso enquanto corro dela. A água que cai do céu. Lembro-me do livro da Camille Paglia em que ela afirmava, ou pelo menos foi o que me recordo de ter dali subtraído, que o homem havia optado por viver em grupo por temor aos fenômenos naturais: chuvas, clima, terremotos etc. Foi preciso se unir contra as forças da natureza. As forças amorais na natureza. Quando passa um furacão levando tudo, bons ou os maus, estão todos ameaçados. Quando chove muito e tudo começa a inundar, anjos e demônios poderão estar, em breve, igualmente submersos. Quando a água falta, senhores e escravos morrem da mesma sede. Há forças mais poderosas que a maldade humana.

Os destinos turísticos são, em sua maioria, lugares interessantes por causa da água. Praias, lagos, rios, cachoeiras: somos naturalmente atraídos pela água. A simples vista para o mar ou rio já torna um ambiente mais interessante. Parece óbvio o que digo mas se levarmos em conta que grande parte do planeta é tomado por água isso passa a ser, sim, digno de nota: vivemos em meio a tanta água e ainda somos tão fascinados por ela! Nosso organismo é também, em sua maior porção, água. Somos água, viemos da água, para a água voltaremos e, enquanto tivermos como aproveitar a vida, queremos fazê-lo perto de alguma fonte de água límpida, na beira de um rio ou mar. Navegando, que seja. Queremos água.

Vivemos, porém, sob o alerta de que a água pode acabar. É preciso economizar. Parece absurdo pois a água é absolutamente indestrutível! Se você toca fogo ela vira fumaça e depois volta  a ser água, se congela ela derrete e volta a ser água, seja lá o que se faça com ela, a água volta a ser água depois de um tempo, pura e cristalina. E na mesma quantidade! Pois é. Mas pode voltar salgada. Sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar? O prejuízo maior que a água pode sofrer é a poluição. Uma vez poluída a água pode demorar muitos anos para voltar ao seu estado natural, potável, como os pingos da chuva lá do início.

Volto ao início e ao senhor que tentava varrer uma folha de árvore, pequenina, da porta de seu prédio, segundos antes da chuva começar. Quantos litros de água pura ele desperdiçava naquela tarefa imbecil? Não seria mais fácil varrer a folhinha ou pegá-la com a mão? Aquela água correria para o bueiro e se juntaria ao esgoto cheio de substâncias químicas e de lá iria parar sabe-se lá onde, mas, poluída, demoraria um tempo enorme para voltar para o reservatório d'água da cidade. Este tempo é que pode ser o suficiente para uma cidade entrar em caos por não ter o que beber. A água não vai "acabar" nunca, mas talvez, um dia,  não possamos usufruir dela onde e como gostaríamos. Talvez as grandes desgraças naturais não nos metam tanto medo porque o que nos vai derrotar mesmo sejam as folhinhas nas calçadas. Aguadas de estupidez.
15/04/2011


terça-feira, 12 de abril de 2011

BENEFÍCIOS PSICOLÓGICOS DA ORAÇÃO




Além da óbvia consequência espiritual, a oração proporciona benefícios psicológicos ao cristão. Cada tipo de oração possibilita ao cristão experimentar vivências psicológicas específicas que se relacionam com a dimensão espiritual.

A oração possui resultados de dissipar emoções negativas, acalmar, oferecer direção, esclarecer o cristão sobre suas crenças irracionais e preconceitos, iluminar sobre comportamentos errôneos, oferecer motivação, elucidar sobre atos impulsivos, além de outros benefícios.

No ato de orar não só falamos, mas escutamos Deus também. No ato de orar, utilizamos a linguagem e expomos nossa psique para Deus a fim de que o Espírito Santo analise nossos anseios, conflitos psicológicos e nossa estrutura de personalidade. Portanto, a oração traz também maturidade psicológica.

Os Tipos e os Benefícios Psicológicos da Oração

Um sistema classificatório de orações se justifica com objetivos didáticos, uma vez que durante o ato de orar elas se alternam. Cada um pode ter vários benefícios, mas destacamos apenas alguns de acordo com a parte da estrutura psicológica utilizada em cada um dos tipos de oração.

Segundo os objetivos de cada oração, poderíamos didaticamente separá-las em oração de clamor, a confessional, a dialógica, a de consagração, a de louvor, a de intercessão e a oração de meditação.

A primeira oração é a confessional. É por essa oração que admitimos a existência de um conflito, pecado ou problema. Nela com a ajuda do Espírito Santo geramos o desconforto psicológico necessário para a mudança através da sensação de culpa positiva.

A oração confessional permite a assunção da parcela de responsabilidade ante o próprio comportamento e motiva para resolução do conflito fazendo com que o cristão seja responsável pelo seu processo de santificação. Beneficia a responsabilidade pela santificação e proporciona autoconhecimento.

A oração de clamor permite ao cristão reconhecer-se como servo e não permite que o ego atinja altos níveis de individualismo que gerariam a sensação de independência plena de Deus. Essa oração tem por característica um pedido de resolução sobre conflito ou problema.

No ato de clamar abrandamos os receios impostos pelo ego, as culpas negativas e também entregamos a Deus nossos desejos impulsivos. Beneficia a dependência de Deus e proporciona maior controle do ego sobre a realidade.

A oração de diálogo é a oração com Deus descompromissada com qualquer temática. Ela nos permite esclarecer nossas crenças irracionais, preconceitos, ignorância e nos ilumina ante um conflito psicológico. A oração dialógica permite análise dos desejos humanos e da nossa forma de relação no grupo, família ou igreja.

A oração dialógica é um bate-papo onde podem aparecer ideias e aflorar criatividade para um projeto no ministério, por exemplo. Nesse tipo de oração não há muita manifestação de culpas, já que não há compromisso com algum conflito psicológico. Beneficia a criatividade e promove capacidade de análise ao ego.

A oração de consagração é aquela onde fazemos pactos com Deus e com nossos irmãos. Consagramos desejos e comportamentos. Como a oração de posse no ministério pastoral, por exemplo. É nessa oração que enfatizamos que apesar da existência de qualquer conflito psicológico, precisaremos nos manter no pactuado.

Na oração de consagração o ego analisa que precisará manter-se firme diante conflitos psicológicos. Beneficia a confiança em Deus.

A oração de adoração e louvor é a oração que engrandece a Deus pelos seus feitos e pela sua misericórdia. É nela que o cristão reconhece-se como dependente de Deus e evita a desobediência. Beneficia a aliança com Deus.

A oração de intercessão é a oração que pedimos a Deus pelos nossos irmãos. É nessa oração que pomos nosso tempo à serviço da igreja, dos familiares e dos não crentes. Beneficia a comunhão com o corpo de Cristo e proporciona misericórdia e compaixão, ou o senso de empatia.

Na oração de meditação nós refletimos na palavra, em nossa vida, em nossa estrutura psicológica e nas relações. Pela oração de meditação nós nos santificamos e iluminamos decisões a serem tomadas e promovemos um processo de autoconhecimento via Espírito Santo. Nessa oração beneficiamos o crescimento espiritual.

Esses cinco tipos obedeceram ao critério do objetivo da comunicação. Outras divisões poderiam ser feitas de acordo com outros critérios. Essa forma de divisão nos é importante e útil, pois evidencia quais as partes da personalidade estão postas em ação para alcançar o objetivo predeterminado da oração.

Apesar dessa análise, cada tipo de oração é um momento único de falar com Deus e não podemos compreender todos os seus benefícios com uma breve análise psicológica. Deus pode ainda quebrar essas regras e oferecer os benefícios que quiser, afinal Ele é o soberano.

ESTARIAMOS NO PRINCÍPIO DAS DORES ?

Pelo menos neste momento, não pretendo escrever de forma sucinta sobre Escatologia Bíblica, e nem defender qual a minha linha de pensamento no que diz respeito às várias correntes defendidas pelos teólogos renomados que já dissertaram sobre o tema, até pelo fato de que esta temática gera uma discussão acalorada.

Todavia, não há como negar que os versículos a seguir parecem se referir aos dias atuais em decorrência das tragédias naturais e daquelas que resultam da violência urbana que assola o nosso pais e o mundo:

"Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Romanos 8:22) ... "Porque ainda um pouquinho de tempo, e o que há de vir virá, e não tardará" (Hebreus 10:37).

Até por ter vivido alguns "apocalipses particulares", sepultei qualquer biblicismo triunfalista, inclusive depois que debrucei o meu olhar sobre as Escrituras e vi a maneira trágica pela qual também morreram muitos servos de Deus, conforme relatos bíblicos e trechos de alguns livros sobre a história da igreja.

Quem só acredita em Deus nos dias bons, corre sério risco de experimentar grandes e terríveis crises existenciais, psicológicas e até no âmbito da fé quando a adversidade arrombar a porta sem pedir licença. Observe o relato da Sra. Nilza Cruz, avó de Karine Lorraine de Oliveira, uma das vítimas fatais da recente chacina na escola de Realengo: “Antes de sair, ela pediu minha benção, como sempre fazia. Eu respondi: ‘Deus te proteja e te guarde, minha filha’. Desta vez, Ele não guardou” (Página 88, da Edição 2212 da Revista Veja).

Lendo estas palavras, meu coração ficou apertado, compungido, e solidarizei-me com a dor alheia, tanto que venho pedindo a Deus consolo em favor dos inúmeros enlutados desta tenebrosa tragédia.

Situações deste gênero servem para ratificar a efemeridade da vida, razão pela qual devemos rever urgentemente a nossa condição espiritual diante de Deus, pois a morte chega muitas vezes sem pedir licença, seja para crentes ou descrentes:

“E, Naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas ? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém ? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lucas 13:1-5).

Nos tempos de Jesus, “a calamidade era comumente considerada como resultado do pecado (João 9:1-2), porém, Jesus nega que esses galileus (conf. relato Lucas 13:1-5) fossem especialmente pecadores. Todos são pecadores, por isso Jesus chama seus ouvintes ao arrependimento – pois de outro modo eles perecerão. Os galileus não tiveram tempo para arrepender-se por ocasião da sua morte e os ouvintes impenitentes de Jesus podiam também enfrentar a morte sem tempo de preparar-se” (Bíblia de Estudo Genebra).

Por isto, longe de mim fazer juízo condenatório sobre as vítimas do assassino da escola de Realengo, mas é inegável que este acontecimento representa uma oportunidade para refletirmos sobre em quem (ou em que) temos crido. E se cremos em Cristo, apeguemo-nos às seguintes Palavras proferidas pelo Mestre, Senhor e Salvador das nossas almas: “Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá terremotos em diversos lugares, e haverá fomes e tribulações. Estas coisas são os princípios das dores” (Marcos 13:8) ... “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

Em tempo: “A Holanda amanheceu de luto neste domingo, um dia depois da matança em um shopping da cidade de Alphen aan den Rijn, a 46 quilômetros de Amsterdã, onde um jovem de 24 anos entrou atirando a esmo, assassinando sete pessoas antes de se matar”.


Que Deus tenha misericórdia de nós !

O DRAMA DA CRUZ

“Jesus teve as mesmas tentações que nós temos, ainda que ele nunca cedeu a elas nem pecou” -- é o que diz a Bíblia (Hb 4.15, BV). Porém, nenhum de nós passou por uma tentação tão difícil como a que ele experimentou na madrugada de seu último dia de vida.

O momento da tentação
Aconteceu logo após o programa da reunião de despedida realizada no cenáculo de Jerusalém na noite de quinta para sexta-feira. Logo após o lava-pés, a celebração da Páscoa, a instituição da Santa Ceia, a exortação “não se perturbe o coração de vocês”, a promessa de outro Consolador, o discurso da Videira verdadeira, o adeus final, a oração intercessória e o cântico de um dos salmos.

O ambiente da tentação
Em certa altura do Monte das Oliveiras, a 830 metros de altura, fica o Jardim do Getsêmani, do outro lado do ribeiro Cedrom, lugar onde costumeiramente Jesus e seus discípulos oravam (Jo 18.2). Foi exatamente ali que aconteceu a última e mais feroz tentação de Cristo. O fato de ter sido num jardim lembra o jardim do Éden, onde se deu a primeira tentação da história humana, quando o pecado entrou no mundo. O detalhe de que o Getsêmani ficava do outro lado de Cedrom (Jo 18.1), lembra a experiência mais dramática de Jacó, quando ele lutou com Deus e venceu, do lado de cá do ribeiro Jaboque. Era um ambiente aberto e bucólico, numa madrugada de lua cheia.

As andanças de Jesus
Logo na entrada do jardim, Jesus deixa alguns discípulos no ponto “A” e leva outros três para o ponto “B”, um pouco mais na frente. Em seguida, sozinho, avança mais um pouco e chega ao ponto “C”. Depois, faz duas vezes o percurso de ida e volta entre o ponto “C” e o ponto “B”. Ele parece agitado. O que era muito razoável, já que, nos momentos seguintes, ele seria traído com um beijo, negado três vezes pelo próprio Pedro, condenado como réu de morte por um tribunal religioso, açoitado, espancado, ridicularizado (cruz de espinhos na cabeça e cetro de caniço na mão direita), entregue para ser morto pela justiça romana e pregado numa cruz. Se ele não estivesse disposto a beber o cálice, nada disso aconteceria.

Oscilações de humor
Ao chegar ao ponto “B”, na companhia de Pedro, Tiago e João, Jesus “começa a entristecer-se e a angustiar-se” (Mt 26.37). Antes, ele não estava nem triste nem angustiado, a ponto de afirmar aos seus discípulos, enquanto no cenáculo: “Tenho-lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15.11). Com Ana, mulher de Elcana e mãe de Samuel, aconteceu o inverso: ela passou da tristeza para a alegria depois de ter orado no templo (1Sm 1.18).

Desabafo
Nunca ninguém fez o que Jesus faz na parada do meio (o ponto “B”). O Verbo feito carne, a imagem visível do Deus invisível, o enxugador de lágrimas alheias, o Todo-poderoso que acalma o mar e repreende o vento, o perdoador da mulher adúltera e da mulher pecadora, o médico dos médicos, o ressuscitador de mortos -- abriu seu coração com Pedro, Tiago e João e desabafou: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26.38). O texto é mais dramático na NTLH: “A tristeza que estou sentindo é tão grande, que é capaz de me matar”.

Trinta metros adiante
Enquanto os três amigos não conseguem vencer o sono, Jesus, a sós no ponto “C”, encosta a parte mais alta do corpo no chão e ora ao seu Pai: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mt 26.39). O teor dessa oração, que seria repetida duas vezes, mostra qual é a tentação pela qual Jesus está passando. É uma tentação atroz: a vontade surpreendente de não beber o cálice transbordante da ira de Deus que iria atingir o ser humano por culpa do seu pecado, caso ele não o bebesse. Alguns dias antes, estando ainda em Cesareia de Filipe, ao norte da Galileia, ele havia sido tentado por Pedro a ter compaixão de si mesmo e evitar a cruz (Mt 16.21-23).

Oração submissa
Embora totalmente livre e soberano, Jesus autoriza: “Não seja feito o que quero [no presente momento da tentação], mas o que tu queres” (Mt 26.39, 42). Em outras palavras, Jesus está dizendo: “Eu quero a tua vontade e não a minha” (BV). Jesus é coerente com o modelo de oração que ele havia ensinado: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra [no jardim do Getsêmani, aqui e agora] como no céu” (Mt 6.10). No início daquela semana, pouco depois da entrada triunfal em Jerusalém, Jesus já estava afirmando sua submissão ao sacrifício: “Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora” (Jo 12.27).

Tentação absurda
Já que sacrifícios e holocaustos de animais não podem em absoluto remover pecados, Jesus, antes mesmo de sua encarnação, havia se oferecido para entregar seu próprio corpo como oferta definitiva pelo pecado: “Estou aqui, ó Deus, venho fazer a tua vontade” (Hb 10.7, NTLH). Agora, no Getsêmani, uma vontade contrária e circunstancial muito forte toma conta dele. Todo o esquema de salvação, na antiga e na nova aliança, fica dependurado por um fio. Tornam-se tremendamente incertas a justificação, a santificação e a glorificação do miserável pecador!

Totalmente impossível
É verdade que Jesus usou a condicional “se possível” na oração do Getsêmani. Mas não era possível, a bem do pecador, afastar de Jesus o cálice da salvação. Desde o Jardim do Éden, desde a queda, “não havendo derramamento de sangue, não há perdão de pecados” (Hb 9.22, NTLH). Nossa redenção não é por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro, “mas pelo precioso sangue de Cristo, como um cordeiro sem mancha e sem defeito”, planejada antes da criação do mundo (1Pe 1.18-21). É o sangue de Jesus que nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7). Todo o processo depende de Jesus, dependia da cruz. Jesus não podia falhar -- e não falhou.

Gotas de sangue
O sofrimento é tão grande que o suor de Jesus fica vermelho, transforma-se em gotas de sangue cai no chão, onde está o seu rosto (em termos médicos, o que acontece é uma hematidrose). O sofrimento é tão grande que Jesus resolve orar mais intensamente (a oração é um recurso para ele e para nós, em qualquer drama). O sofrimento é tão grande que vem ao seu encontro um anjo do céu que o conforta e lhe dá bom ânimo, ajuda indispensável para quem precisa vencer uma batalha ou uma tentação. Trinta e poucos anos antes, uma multidão do exército celestial havia irrompido nos céus de Belém para comunicar e festejar o nascimento de Jesus (Lc 2.13-14).

Tentado, mas não vencido
De repente, a vontade espúria diminui e desaparece, e a vontade legítima volta a vingar e prevalece. A tempestade passa, a crise acaba, a tentação é vencida e o processo de salvação continua. Jesus levanta a cabeça, reúne os discípulos, entrega-se corajosamente aos seus algozes, caminha para a cruz, toma sobre si a iniquidade de todos nós, derrama sua alma na morte e realiza plenamente o seu projeto! O fio no qual a nossa salvação estava dependurada não se rompe. A expiação dos nossos pecados foi tão plenamente cumprida que o véu do templo, naquele mesmo dia, se rasgou por inteiro de alto a baixo! Aleluia!