FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CONTAMOS COM VOCÊS


Pelo Amor de DEUS, ajude a passar essa foto,
para o maior número de pessoas possível !!!
Esta garotinha foi seqüestrada na Praia do Engenho,
litoral norte de SP, ao lado de Barra do Una.
Passe a foto adiante, o custo é zero e pode ajudar muito.
Deus com certeza há de recompensar- te por isso.
Hoje estás ajudando alguém... Amanhã tu poderás ser o ajudado.
Pense nisso! Não fiques indiferente!...

Que DEUS abençoe a todos quantos ajudarem!
Informações:
Disque Denúncia > 0800 15 63 15 ou
DEIC / DIVISÃO ANTI - SEQÜESTRO
> (11)3823-5867 ou 3823-5868

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A EXTRAORDINARIA BELEZA DA CRUZ


O madeiro, o homem, o sangue. Natureza e humanidade num encontro mortal. Um espetáculo macabro, com requintes do absurdo, mas curiosamente proporcionando beleza. Uma sinfonia onde a dissonância produziu melodia. Do embate amargo entre a truculência romana e a disponibilidade intrigante de um rapaz judeu, nasceu o baile da esperança. Coisas de um Deus detalhista, amorosamente artístico. Deus abraçou a cruz, mas permaneceu com os braços abertos, formando assim o majestoso canal por onde angústias e ódios podem esvair-se...

A cruz é o ponto exato da convergência dos contrastes. A mais aguda dor, na mais doce ternura. A mais apavorante cena, no enredo mais lindo. O frágil judeu espancado, revelando o "Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is. 9.6). No auge das trevas, a luz reclama. No alto da cruz, o Deus solitário grita, mas não é um grito, é meu nome que escapa. Benditos contrastes.

Nos ombros, o peso do mundo. Um caminhar lento, pesaroso, como se milhares de mãos no peito o empurrassem para trás. Ele avança. Sabe que eu preciso. É como o pai que mesmo humilhado na guerra diária da vida, engole calado, sabe que o filho precisa de pão. Quanto mais sobe o madeiro, mais humilhado fica o cordeiro.

Sede. O corpo avista a placa do limite. E já passou. Um líquido horrível apenas destrói o que já está em frangalhos. Fracasso? Não! Triunfo! O mais absoluto triunfo! A chave é virada na fechadura da graça. A porta está aberta. O véu perdeu a legitimidade. Não há mais fronteiras. O servo venceu. O humilhado é digno. Minha alma agora pode adorar. Caiu a cadeia que me sufocava.

Após a ressurreição, ele mantém suas feridas. Um lembrete mudo daquele limite. Ele anda pela vida nos encontros com seus amados. Transmitindo-lhes uma certeza: valeu à pena! Por causa disso, agora estou livre. Posso cruz-ar fronteiras! Posso olhar para dentro de mim. Agora, a Ceia do Senhor tem um colorido magistral: "fazei isto em memória de mim": posso olhar para trás livre dos temores do passado. "Examine-se a si mesmo": posso fechar os olhos, pois sei que os fantasmas dos sonhos mortos já não assustam. "Até que ele venha": posso aguardar o amanhã, o sol já não atrasa.

Como diz a letra de uma música antiga: "Sim, eu amo a mensagem da cruz". A extraordinária beleza da cruz transmite certezas ao meu caminhar. Seu legado anda comigo: perdão, graça, entrega, amor. É libertador ter a certeza feliz do Deus forte nos fracos. O amor é o outro nome da cruz. Paz e bem

A ALEGRIA LOGO VEM


"Ao anoitecer pode vir o choro; mas a alegria vem pela manhã" (Salmo 30. 5b).

Não há quem escape de ter momentos de alegria e momentos de tristeza se intercalando, tendo em vista que, conforme já dissemos (*), vida cristã não é "certificado de imunidade" contra dissabores, nem é "certificado de isenção" de problemas.

Jesus mesmo nos alerta: "No mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16. 33).

Pode parecer, conforme palavras acima, que a alegria é passageira, e que a tristeza é insistente e duradoura, se arraiga em nós, e não nos deixa por nada que se possa imaginar ou fazer.

Pode até ser, todavia não é a regra, pois para os seguidores de Jesus sempre há os momentos de alegria, de satisfação, de regozijo, de exultação até, estes sempre superando aqueles.

Não é qualquer alegria que agrada a Deus, o que já a caracteriza como não verdadeira, aí sim passageira, breve, sem consistência, com base em valores menores, que contrariam os princípios espirituais, os princípios cristãos.

A nossa alegria deve se embasar na esperança, na expectativa, na certeza até de que tudo passa, mas a Palavra de Deus não passará (Lucas 21. 33), ela é para sempre.

"Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que os vossos corações fiquem sobrecarregados com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço" (Lucas 21. 34).

Embora Jesus, ao falar das preocupações, acrescente vícios, maus costumes, neste momento não estamos nos atendo a isso, mas sim às preocupações deste mundo, às dificuldades, aos sofrimentos, que alternam os bons momentos, conforme já dissemos.

Quando o autor do pensamento acima diz "um dia a tristeza acabará" está se referindo ao mesmo dia que Jesus menciona no versículo 34 como "aquele dia".

Toda vez que a Bíblia se refere a "aquele dia" ou expressões similares, está se referindo à segunda vinda de Jesus, quando as pessoas deverão estar alertas, vigilantes, cumprindo em suas vidas a Palavra de Deus para serem achadas fiéis:

"Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim" (Lucas 12. 43).

Cabe aqui uma explicação, tendo em vista que os convertidos a Jesus, chamados de “a Igreja”, não estarão na terra, quando Ele voltar, eis que serão arrebatados antes, para o encontro com Ele nos ares, entre nuvens. São dois momentos distintos!

A primeira palavra, do Salmo 30, foi dita para os judeus, eles sim [os que estiverem vivos] estarão aqui quando da 2ª vinda de Jesus.

Quanto à Igreja, os salvos pela aceitação de Jesus como seu único e suficiente Salvador e Senhor, também deverão estar alertas, atentos, cumprindo a vontade de Jesus, para serem arrebatados para o encontro com Ele nos ares.

Se formos achados vigilantes, fiéis, e esperamos ser [este é o desejo de todo cristão], seremos compensados na glória do Senhor, glória que é muito maior do que as eventuais vicissitudes atuais, que são leves, momentâneas, passageiras, superficiais, se comparadas com a Glória futura, conforme versículos que sempre repetimos (*):

"Porque a nossa [atual] leve e momentânea tribulação produz para nós [futuro] eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas" (II Coríntios 4. 17-18).

Então “a tristeza pode durar a noite toda, mas a alegria vem pela manhã”, e essa noite não se limita às doze horas noturnas, mas representa dias, semanas, meses, anos, quiçá décadas de “deserto”, talvez até uma vida toda; mas a alegria vem pela manhã, quando a Luz, que é Jesus, raiar e não der mais espaço para as trevas. É o exato cumprimento da Palavra deixada acima “que a leve e momentânea tribulação, produz em nós eterno peso de glória.

Prezado leitor, não sabemos se você é cristão ou não, também não temos conhecimento do "como" você vive a sua vida, até porque, como disse um dos escritores de uma das devocionais de hoje, 17.06.08, (*): "todas as coisas têm algo que se vê e algo que não [se vê]".

Podemos até dizer que não passamos as 24 horas do dia juntos, motivo pelo qual desconhecemos as suas intimidades, as suas alegrias, as suas tristezas, razão principal pela qual não podemos e nem devemos julgá-lo.

Assim o que falamos, o que transmitimos é universal, impessoal e genérico.

Não estamos, portanto, "apontando o dedo", não estamos “mandando recado”, mas tratando de assuntos que são comuns a todos nós: alegrias, tristezas, sofrimentos, bem estar, vontade de alcançar a salvação.

Por isso é que auguramos que se você estiver triste, com problemas, e ainda não conheceu pessoalmente o Senhor Jesus, que o procure enquanto se pode achar.

"Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto" (Jeremias 55. 6).

Aí você terá também a esperança, a fé, a convicção de um eterno peso de glória, na presença de Deus, que é imensamente maior e melhor dos que as “leves” aflições momentâneas deste mundo. Paz e bem

A MULHER NÃO FOI FEITA PARA BRIGAR


É um sentimento de tristeza, impotência e decepção. Pelo menos esta é a impressão que tenho quando vejo duas ou mais mulheres se engalfinhando seja num bar, numa rua, numa praça ou na porta de alguma escola.

Drummond escreveu certa vez: "Moça bonita foi feita para namorar. /Soldado barbudo foi feito para brigar. /Só eu não brigo. /Só eu não namoro". Mulheres brigando é uma cena triste, patética e inesquecível.

Sou do tempo em que ser romântico era uma coisa muito natural. O homem procurava agradar a mulher com mimos, carinhos, flores e algumas frases feitas, geralmente nada originais. Década de 70, e lá se foram mais de 30 anos! Bom observador que sempre fui, analisava as mulheres discretamente e via nelas algo tão sublime que até me perdia nos gestos e nas palavras procurando uma forma melhor de agradá-las.

Daí surgiu a necessidade de escrever poemas para agradar as mulheres. Percebi então que elas têm um "fraco" por poesia. Embora nem sempre conseguisse agradar as mulheres tão exigentes da época, até pelo meu excesso de timidêz, continuei escrevendo por décadas, inspirado e bafejado por minhas musas que sempre me apareciam diariamente e principalmente em sonhos.

Já naqueles tempos as mulheres brigavam. E como acontece até hoje, geralmente por nada ou por causa de alguma fofoca espalhada na vizinhança. Brigas, "barracos", são ingredientes que nunca combinam com a beleza, a expressão e a leveza das mulheres. Aliás, eu nunca entendi porque o ser humano briga. Nós temos o poder da palavra, a possibilidade do entendimento, a sensibilidade aguçada e a capacidade de conhecer, compreender e aceitar as diferenças. Resumindo: conversando podemos sempre nos entender e chegar a um acordo sem a necessidade de brigas, altercações e violência.

Sempre quando penso numa mulher me vem à mente uma cena de carinho, um verso uma flor... Eu sei que não é bem assim no dia a dia, na correria, mas eu gosto de sonhar com esse cenário delicado, suave e perfumado. Vinicius de Moraes certamente foi o poeta que mais escreveu sobre e para as mulheres. Também é dele o famoso verso: "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Com esse verso, Vinicius acabou criando uma polêmica que existe até hoje. Foi, digamos, um momento de fraqueza na vida do "poetinha" que tanto cantou em prosa e versos a mulher amada, com seus lindos sonetos e seus poemas arrebatadores.

Por tudo que foi exposto acima, repito: a mulher não foi feita para brigar. A mulher foi para amar e ser amada, beijar e ser beijada. Certamente muita gente, democraticamente, discorda de mim, mas convenhamos, duas ou mais mulheres brigando é uma cena tão triste e deplorável que a gente geralmente nunca esquece. Afinal, como escreveu Drummond: "Moça bonita foi feita para namorar. /Soldado barbudo foi feito para brigar. /Só eu não brigo. /Só eu não namoro". (Carlos Drummond de Andrade). Mulheres brigando, se descabelando é uma cena triste, patética e inesquecível.

sábado, 19 de setembro de 2009

MERCADO E FAMILIA


O divórcio cresceu, no Brasil, de 3,3 para 17,7 em cada 100 casamentos, entre 1984 e 2002, de acordo com a pesquisa patrocinada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).1 Descobriu-se uma correlação significante entre a chegada da televisão e o aumento dos divórcios.

Analisando os censos de 1970, 80 e 91, Chong e La Ferrara descobriram que a proporção de mulheres separadas ou divorciadas cresce significantemente com a chegada das telenovelas. Isso fica mais evidente em cidades menores, onde o sinal de televisão atinge uma fração maior da população.

A pesquisa buscou a influência das novelas sobre a situação socioeconômica das mulheres. Seus autores dizem que as novelas criticam, sistematicamente, valores tradicionais e fomentam a circulação de ideias modernas, como a emancipação e o fortalecimento da mulher no trabalho e em casa. “Separação e divórcio são reflexos naturais dessas atitudes”, dizem eles.

O estudo abrangeu todas as novelas da Globo, de 1965 a 2004. Os resultados revelaram que o relacionamento extraconjugal feminino é relativamente constante ao longo do tempo. Cerca de 30% dos personagens femininos são infiéis.

Outro achado é que separação ou divórcio eram temas praticamente ausentes das conversas entre os personagens até meados dos anos 70. Daí em diante cresceram, até chegarem à média de 20%.

Conduzida em mais de 3 mil municípios brasileiros, a pesquisa revela que novos padrões de “normalidade comportamental” podem ser estimulados pelas novelas e podem atingir grupos específicos (como, no caso, as mulheres casadas), a um baixo custo. Podem, assim, ser empregados como ferramentas de políticas públicas. Nesse sentido, os autores esperam estar fornecendo ao BID e aos governos meios de usar mais eficientemente essa poderosa arma.

Os autores de novelas, ao serem criticados por sua ousadia, alegam que não criam nada; apenas retratam a realidade já existente. Porém, desconfio que a novela já foi eleita “a menina dos olhos do mercado”, senhor todo-poderoso de nossa cultura de massa. Repare que nem governos desafiam o mercado. Quem tentou está soterrado sob os escombros do muro de Berlim.

Se a essa “entidade” misteriosa não interessar uma família formada por casamentos duradouros e fiéis, entre homens e mulheres, ela será ridicularizada nas novelas, que passarão a mostrar o “sexo sem gênero ou número” como sinônimo de liberdade: lindos casais (ou trios) coloridos, lutando contra a opressão retrógrada pelo direito de existir sob a proteção da lei e, por que não, de Deus.

Se o mercado lucrar com gente avulsa e caótica comprando compulsivamente para esquecer a dor da solidão, “desconstruirá” até a proteção que a Constituição brasileira dá à família. Seu objetivo, enfim, é recriar nossa sociedade à sua imagem e semelhança. Para ser-lhe senhor; “...para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome” (Ap 13.17). E a mídia, em geral serva fiel, já recebeu suas ordens.

ATEUCRACIA E HETEROFOBIA


Robinson Cavalcanti

A humanidade conviveu e tem convivido com regimes não-democráticos: monarquias absolutas, teocracias, ditaduras, aristocracias, oligarquias, que privilegiam famílias, etnias, religiões, partidos ou classes. Com a substituição do poder personalizado pelo poder institucionalizado, surgiram os Estados Nacionais, as constituições e a democracia, como “o povo politicamente organizado”. Na maioria das vezes, o formalismo democrático e a liturgia das eleições apenas legitimam grupos, que controlam os aparelhos do Estado. Ao povo cabe apenas escolher periodicamente, entre os escolhidos, os seus senhores. Presencia-se no Ocidente, sob a fachada da democracia, uma nova autocracia: a dos ateus e agnósticos e materialistas secularistas -- netos do Iluminismo -- contra a maioria religiosa dos cidadãos. Essa ideologia aparece mais nítida com o término da Guerra Fria, e pretende confundir Estado laico com Estado secularista. Por Estado laico se entende aquele legalmente separado das igrejas, sem religião oficial, com a igualdade perante a lei, que se constitui um avanço para a civilização, e que foi uma das bandeiras do protestantismo histórico no Brasil. O Estado secularista expressa uma ideologia militante de rejeição da religião, de sua negação como fato social, cultural e histórico, ou a considerando intrinsecamente negativa. No passado, tivemos a influência da filosofia positivista que, com sua “lei dos três estados”, advogava a marcha inexorável da história de uma etapa religiosa inferior para uma etapa superior, pretensamente científica ou positiva. Essa filosofia marcou grande parte das ideologias contemporâneas, inclusive o marxismo, cujos regimes, oficialmente ateus, procuravam “colaborar” com esse processo histórico perseguindo implacavelmente a religião e tornando compulsório o ensino do ateísmo. O que essa elite iluminada tem dificuldade de aceitar é o fato de que, no século 21, a religião em vez de diminuir está aumentando, no que Giles Kepel denomina “a revanche de Deus”, e que dá o título do novo “best-seller” de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, “Deus Está de Volta”. Há todo um malabarismo intelectual para “explicar” essa anomalia, e, por outro lado, se procura promover um combate sistemático para contê-la. O antirreligiosismo teve como epicentro a Europa Ocidental, estendeu-se para a América do Norte, e se espalha pela periferia do sistema mundial, chegando até nós. Há uma prioridade de se atacar as religiões monoteístas de revelação, porque julgam que o monoteísmo promove a intolerância e a revelação traz conceitos e preceitos autoritativos retrógrados (o pecado, por exemplo) que se chocam com as visões tidas como superiores da autonomia das criaturas. Mais particularmente, esse ataque se centra contra o cristianismo. A intolerância para com a religião implica impossibilitar sua expressão nos espaços públicos ou que seus seguidores ajam publicamente por motivações religiosas. A religião, para seus adversários secularistas, deveria apenas ficar confinada às quatro paredes dos templos e dos lares, à subjetividade de cada um, condenada à irrelevância. Essa elite se sente iluminada, superior, com o papel histórico de proteger as pessoas delas mesmas, de corrigir seus “atrasos” e de “educar” a humanidade, seja pelo apropriação dos aparelhos ideológicos do Estado (educação, mídia), seja pelo uso do aparelho coercitivo do Estado (leis, justiça, polícia). Na esteira desse movimento temos tido a chatice do “politicamente correto” (moralismo de esquerda), a luta por retirar símbolos religiosos dos espaços públicos, acabar com os dias santificados, proibir a saudação “Feliz Natal” (deve-se apenas desejar “Boas Festas”), e a defesa de bandeiras como a liberação sexual, o aborto (no lugar do direito à vida, o direito da mulher a dispor do “seu” corpo), a eutanásia e a licitude das “orientações sexuais” -- a chamada agenda GLSTB (gays, lésbicas, simpatizantes, transgêneros e bissexuais). Por sua mobilização política (e não por “descobertas científicas”) se promoveu a retirada dessa anomalia do rol das enfermidades e dos ilícitos -- e se instituir o casamento homossexual -- e se parte para proibir os que querem deixá-la, cassar o registro de psicoterapeutas, forçar a maioria a mudar seus padrões morais e criminalizar os que não aderirem. Enquanto a Europa e a América do Norte já evidenciam um novo ciclo de perseguição religiosa, corre no Congresso Nacional um projeto de lei que faria o autor desse artigo ser condenado a até cinco anos de prisão por escrevê-lo. Enquanto a minoria materialista tenta forçar uma ateucracia e a minoria homossexual tenta fomentar uma heterofobia -- ódio aos que insistem no seu direito de afirmar a normatividade da heterossexualidade, e de não aceitar a normalidade do homoerotismo -- eles recebem o apoio (cavalo de troia) de outra minoria: o liberalismo teológico. A nós, a maioria, cabe, democraticamente, o direito à resistência!


• Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política -- teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo -- desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

SÓ PROTEGEMOS O QUE AMAMOS


“A gente protege o que a gente ama”, declarou recentemente o filho de Jacques Cousteau. Se alguém não cuida, é porque não ama. Ou seja, descuidar da natureza e de si mesmo é evidência não apenas de desnaturação, mas também de falta de amor à vida e a si próprio. Por exemplo, quem sorve constantemente as 4.720 substâncias contidas no cigarro, muitas delas cancerígenas, maltratando assim sua “casa corporal”, (cf. 1Co 12.22) dificilmente será consistente na defesa da “casa comum”, até porque não se importa com os fumantes passivos ao seu redor nem com a condição de semiescravidão dos fumicultores. Quem se conforma com a “dose diária inaceitável” de agrotóxicos no leite materno e no alimento em geral não se interessará em desmascarar o agronegócio como insustentável em termos ambientais (devastação), sociais (trabalho escravo) e econômicos (rendição ao sistema bancário e às multinacionais controladoras das sementes e da maléfica transgenia). Logo, a tolerância com as pequenas incoerências pessoais é uma das causas da pouca eficácia do cuidado pela natureza em nosso sistema de crescimento econômico. Pois, contraditoriamente, ninguém se opõe à preservação ambiental. Afinal, trata-se de um empreendimento ganha-ganha para todos, hoje e no futuro. Contudo, que a promovam os outros e que ela não tolha nosso modo de vida e modo de produção.

Diante do muito que está sendo feito e dos poucos avanços na preservação ambiental, Jean-Michel Cousteau acrescenta que, quando olha para uma criança, alvo do amor humano e carente de proteção, consegue vencer o desânimo e renovar o compromisso de lutar pela preservação do planeta.

Essa motivação “secular” é desenhada de duas maneiras nos textos bíblicos. A primeira, mais conhecida, é a afirmação de que devemos preservar a criação de Deus porque somos parte dela e incumbidos de seu cuidado: ser criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26) significa ser o estandarte do domínio de Deus sobre a terra, representando, anunciando e executando a vontade benfazeja dele. Ao Senhor Deus pertencem o mundo e tudo o que nele existe, inclusive seus habitantes (Sl 24.1). Além disso, a informação de que Deus considerou muito boa toda a sua criação (Gn 1.31) faz lembrar que, na concepção hebraica, “bom” é o que está ligado a Deus, ainda que seja “imperfeito”, ao passo que a concepção grega da “perfeição” do cosmos nos leva à crise diante das deficiências físicas. Qualquer ser humano, por mais falho que seja, pode ser útil na mão de Deus. Embora a criação toda esteja gemendo, e nós com ela, o Espírito de Deus geme com ela e conosco (Rm 8.22-26). Não é bom estar separado de Deus nessa empreitada de cultivar e preservar.

A segunda base, menos lembrada, do empenho em favor da preservação, não vem da teologia da criação, mas da experiência da libertação. É a única que transmite a realidade do amor, sempre nas três vias: amor de Deus ao ser humano e à criação, amor do ser humano a Deus, e amor do ser humano ao semelhante e à natureza. Trata-se da interpelação direta de Deus que intervém na história, transformando a criatura humana em sua parceira de diálogo e ação, e revestindo-a de uma dignidade inaudita (cf. Sl 8.4ss). “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te arranquei do contexto da escravidão” (Êx 20.1). É esse amor divino aos e nos humanos que estremece diante de abusos contra seres humanos indefesos como as crianças, que se compadece da frágil biodiversidade e que se deslumbra com a tenacidade da vida. Que lamenta perplexa e criticamente a mercantilização dos patrimônios universais da humanidade: “Nossa água, por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha” (Lm 5.4). E que levanta a voz, defendendo os direitos humanos, quando escravos libertos submetem outros à corveia: edificar um templo a esse Deus libertador mediante trabalhos forçados? (cf. 1Rs 9.15).

A intensidade da experiência de Deus na história é indutora da crítica social: Quem vê apenas o problema e não o sistema, não vê o problema. E é indutora da luta em favor de soluções socioambientais dignas e consistentes: Não se resolve a questão ambiental à custa da social, nem a social à custa da ambiental. O social e o ambiental estão interligados. Quem não respeita a terra e o ser humano sobre a terra tampouco respeita o meio ambiente. Assim, desumaniza a si próprio. Portanto, cuidamos do jardim por causa de nós mesmos, de nossa coerência conosco mesmos e com nossa posição de interlocutores amados de Deus (Gn 2.15).

A resposta humana a esse amor divino é louvor e reconhecimento: Sim, “os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” (Sl 115.16). É também ser pró-ativo, articulando e difundindo modos de vida e de produção com tecnologias sociais e ambientais que respeitem o meio ambiente e a abundância de vida que ela nos propicia, a exemplo da agroecologia, das cisternas no semiárido, dos projetos comunitários de economia solidária. Porém, essa resposta é sobretudo defender os empobrecidos e fragilizados, em consonância com o agir de Jesus. Porque esmagar a cana quebrada e torcer o pavio que fumega não é somente desumano, mas primordialmente antidivino (cf. Is 42.3; Mt 12.20). Paz e bem