FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

AMAR A CRISTO E A SUA IGREJA


Robinson Cavalcanti A Igreja nasce da mente e do coração perfeitos de Jesus. É o povo da nova aliança, de todos os povos, que tem a missão de salvar, santificar, sarar, exorcizar, transformar, apontando, ensaiando e anunciando a presença e a plenitude futura do reino de Deus. É inegável a iniciativa e a importância da Igreja, que recebeu de Jesus o sopro do Espírito Santo, que a assiste até a consumação do tempo. Os problemas da Igreja não estão na sua iniciativa divina — que a vê como mistério/sacramento na história e como a noiva das bodas finais —, mas da sua composição humana. Nela sempre haveria “trigo” e “joio”, e a nós não caberia fazer a separação entre ambos. Nela apareceriam sempre “falsos profetas” com “outros evangelhos”. Nela estariam os que nunca foram e as sementes que nunca germinaram. Nela estariam os “carnais”, que não se deixariam trabalhar pelo Espírito Santo. Historicamente, a Igreja teve seus bons e maus momentos, mas tem subsistido há dois mil anos. Periodicamente, tem carecido de reformas e avivamentos para corrigi-la dos seus desvios. Do coração do Senhor nos chegam duas preocupações centrais: a preocupação com a unidade, “para que todos sejam um”, e a preocupação com a verdade: “o Espírito conduz a toda a verdade”. A divisão do Corpo atenta contra a verdade; e a unidade sem verdade é uma falsa unidade. A Igreja é portadora de doutrinas, de verdades reveladas, universais e permanentes, sistematizadas e confessadas, emanadas das Sagradas Escrituras, legadas pela tradição apostólica e pelo consenso dos fiéis. Confessamos com o Credo Niceno: “E cremos na Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica”. A Confissão de Augsburgo, luterana, de 1530, em seu artigo oitavo ensina: “a Igreja cristã, propriamente falando, outra coisa não é senão a congregação de todos os crentes e santos.”. E a Confissão Helvética, calvinista, de 1562, afirma: “Segue-se, necessariamente, que esta é uma só Igreja... por isso chamamos de católica, porque universal”. Emil Brunner, em O Equívoco sobre a Igreja, chama a atenção para a autoridade apostólica: “E o que eles receberam deve ser passado para o mundo... tem o peso pleno da autoridade final. Sem os apóstolos não haveria cristianismo... sem a autoridade divina dos apóstolos não haveria a Ecclesia”. Aprendemos com os apóstolos pela leitura do Novo Testamento, mas aprendemos também com a geração seguinte, os pais apostólicos (discípulos dos apóstolos), e com a seguinte, os Pais da Igreja (discípulos dos discípulos dos apóstolos). Eles tomaram três decisões fundamentais para a Igreja como instituição: 1) o estabelecimento do próprio cânon (quais livros deveriam ou não integrar o Novo Testamento), fechando a revelação escrita especial; 2) o estabelecimento da doutrina (o que deveria ou não deveria ser crido), o que foi feito, principalmente, com a redação do Credo Apostólico e do Credo Niceno; 3) o estabelecimento de uma forma de governo, o que foi feito com o episcopado histórico, tão bem elaborado, no século segundo, por Inácio de Antioquia e Irineu de Lyon, e, no século terceiro, por Cipriano de Cartago. Esses princípios permanecem inalterados, no Ocidente e no Oriente, até a Reforma Protestante do Século 16. Cristo não criou uma Igreja de anjos, mas de pessoas humanas, que deveria ser uma só instituição, o que, pelo pecado, nunca ocorreu. As instituições não apenas são inevitáveis para a vida em sociedade, como também fazem parte da capacidade criativa da humanidade, no exercício do mandato cultural recebido do Criador. Os apóstolos foram o epicentro dessa nascente organização, continuada e consolidada por seus sucessores: os bispos. Nunca tivemos um único centro administrativo, mas diversas sés, situadas nas cidades-chaves do Império Romano, com supervisão sobre as regiões vizinhas, com destaque para as capitais: no Oriente, Constantinopla; no Ocidente, Roma, além de Jerusalém, Antioquia e Alexandria. Diferenças culturais e de pontos doutrinários tópicos concorreram para a fragmentação da cristandade antiga em quatro ramos históricos: A Igreja Assíria do Leste (nestorianos), os pré-calcedônios (sirianos, armênios, coptos, etíopes e indianos), os bizantinos e os romanos, sendo que os dois primeiros nunca estiveram sob jurisdição dos dois últimos, e Bizâncio nunca esteve subordinado ao bispo de Roma, apenas nele reconhecendo um “primado de honra”. Iniciamos o século 16 com quatro ramos do cristianismo e terminamos a era da Reforma com onze. Diante do caos institucional posterior, emanado dos Estados Unidos nos últimos duzentos anos, com 38.000 “denominações”, devemos reconhecer que o caminho da cura para a Igreja passa pela volta aos ensinos da Reforma (que se pretendeu uma reforma e não uma refundação), bem como pelos ensinos de antes da Reforma, dos apóstolos aos pré-reformadores. Sem passado não há presente e não haverá futuro. No meio de tantas doutrinas e “doutrinas”, nos falta conhecer a doutrina da Igreja. • Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada. http://www.dar.org.br/

SER CRISTÃO É PREVILÉGIO E CONQUISTA


Ricardo Gondim Em 29 de junho de 2007, o papa Bento 16 assinou um documento que aponta a Igreja Católica como a única capaz de reunir todos os requisitos da comunidade fundada originalmente por Cristo e seus apóstolos. Logo que a notícia correu o mundo, recebi vários pedidos para que escrevesse sobre o assunto. Não escrevi porque, se o fizesse, teria de aconselhar os evangélicos a não ficarem tão enfurecidos. Bento 16 não disse nada que os próprios crentes não acreditam ou não tenham falado. Quantos líderes igualmente se consideram como a autêntica expressão do cristianismo! Se não simpatizei com a declaração do papa também não concordo com o ufanismo profundamente entranhado entre muitos evangélicos. Eles se enxergam como os mais puros e mais autênticos defensores da verdade, enquanto fazem vista grossa para os grupos neopentecostais que achincalham os valores mais elementares da ética. Acho esquisito que se critique as igrejas adeptas da teologia da prosperidade, mas se faça uso de seu crescimento para cevar as estatísticas sobre a presença evangélica no país. Por que gabar-se do crescimento desses grupos? E o que fazer com seus escândalos horrorosos? Os abalos provocados pelos neopentecostais parecem insuficientes para que as igrejas históricas se mobilizem por uma grande vigília ética, infelizmente. Eles se esforçam em mostrar que preservam a reta doutrina, mas, ao mesmo tempo, se mantêm omissos na defesa das crianças pobres, dos índios, das mulheres negras e dos idosos. Por que tanto zelo em proteger a ortodoxia enquanto deixam um imenso desprezo pela vida? Entre os crentes, sobra ortodoxia e falta ortopraxia. O movimento carece de mobilizações pela defesa do meio ambiente; de quem escreva contra os efeitos terríveis da globalização; de mais passeatas em protesto contra a pedofilia e o trabalho escravo. Restam poucos profetas. Precisa-se de mulheres e de homens que se recusem a vaticinar paz, paz, no meio de tanto sofrimento e morte. Triste ver a esperança propositalmente vendida como ilusão, a fé confundida com a manipulação do sagrado, assistir às multidões procurando um alívio mágico para suas angústias existenciais nas igrejas e serem pilhadas em seus magros salários. Enquanto os membros esperam um milagre, os pastores faturam para deslancharem seus projetos megalomaníacos. É preciso questionar as intenções e os objetivos subjacentes desses sermões pretensamente evangélicos. Aumentar o número dos convertidos? Convertidos de quê a quê? Quanta jactância dos crentes continuarem a aferir a aprovação de Deus pelas estatísticas de seu crescimento. Infelizmente alguns líderes confundem inchaço com verdadeiro crescimento e com avivamento. Com João Wesley, aconteceu um genuíno avivamento e ocorreram mudanças na Inglaterra. Nos avivamentos de Jonathan Edwards e Charles Finney, ambos abolicionistas, leis mais justas foram promulgadas nos Estados Unidos. No Brasil, mesmo com a presença da igreja em áreas pobres, dificilmente acontecem câmbios sociais. Triste observar como algumas lideranças se deixam picar pela mosca azul. A cada eleição, oligarcas espertíssimos procuram os pastores em busca de alianças. Estes, por sua vez, manipulam seus rebanhos, alegando que a igreja precisa de alguém que “faça a diferença”. Os candidatos dos evangélicos são eleitos, mas acabam rebaixados à categoria de “nanicos”. E só se ouve falar neles novamente na eleição seguinte ou quando pipocar algum escândalo. Triste observar como os crentes nutrem uma visão idealizada de si mesmos. Acho estranho que se divulguem libertações com testemunhos fantásticos enquanto uma grande maioria é obrigada a viver com sua realidade inalterada. Toda semana recebo mensagens de pessoas feridas e decepcionadas; perdidas por não saberem relacionar os sermões com suas contingências concretas. Por isso, aumenta tanto a população dos “ex-evangélicos” e dos “sem-igreja”. Triste observar como os cambistas voltaram. Os evangélicos oram pouco e negociam muito. Infelizmente, mais igrejas buscam requintar seu buffet de serviços religiosos e mais pastores tentam ser palestrantes motivacionais bem-sucedidos. Triste observar como os ambientes evangélicos se ensimesmam. Desconectados da vida, líderes insistem em responder a perguntas que ninguém faz; e há um despreparo para dialogar sobre os novos questionamentos. Poucos evangélicos escrevem para o mundo secular; faltam pesquisadores com respeitabilidade acadêmica. Acho insuportável o clima beligerante de algumas igrejas em relação ao mundo, aos poetas, às artes, aos esportes e ao diálogo inter-religioso. A intolerância recrudesce e novos preconceitos confirmam que os evangélicos permanecem proselitistas. Antes de sentirem raiva do papa, os evangélicos deveriam se perguntar o que estão fazendo para honrar o nome de cristãos. Soli Deo Gloria. • Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesda no Brasil e mora em São Paulo. É autor de, entre outros, O Que os Evangélicos (Não) Falam e Eu Creio, mas Tenho Dúvidas — a graça de Deus e nossas frágeis certezas, lançamento da Editora Ultimato. http://www.ricardogondim.com.br/

NÃO SOMOS FILHOS DA NOITE


Não foram só Jesus e os discípulos que passaram em claro a noite de quinta para sexta-feira da primeira Semana Santa. Judas Iscariotes também não dormiu naquela noite. Embora não tenha participado de toda a longa reunião realizada no cenáculo e não tenha acompanhado Jesus ao Getsêmani, o apóstolo não foi para a cama. Logo após ter comido o pedaço de pão passado no molho, Judas se retirou do local. O Evangelho de João explica que o dia já havia escurecido (Jo 13.30). O que Judas fez naquela noite? Ele foi cumprir o acordo que fizera com os chefes dos sacerdotes e com os oficiais da guarda do templo (Lc 22.1-6). Foi apanhar o destacamento de soldados e guardas (“uma grande multidão”, segundo os Evangelhos sinóticos) armados de espadas e varas, para prender Jesus no Getsêmani (Jo 18.1-3). Enquanto os outros apóstolos participaram da parte final e mais emocionante da reunião do Cenáculo e acompanharam Jesus até o olival que havia do outro lado do vale de Cedrom, onde o Senhor experimentou uma tristeza e uma angústia mortal, Judas consumava a sua traição. Peca-se de dia e de noite. Mas, em geral, os crimes mais horrendos são cometidos sob a proteção da escuridão da noite. Daí o discurso de Jó: “Os olhos do adúltero ficam à espera do crepúsculo; ‘nenhum olho me verá’, pensa ele; e mantém oculto o seu rosto. No escuro os homens invadem casas, mas de dia se enclausuram; não querem saber da luz” (Jó 24.15-16). Uma das mais desastrosas realidades da igreja é a presença do joio no meio do trigo, problema sem solução até a vinda do Senhor. Esse drama é esclarecido nesta parábola de Jesus: “Certa noite, quando todos estavam dormindo, veio um inimigo, semeou no meio do trigo uma erva ruim, chamada joio, e depois foi embora” (Mt 13.25, NTLH). O casal em trânsito pela cidade de Gibeá, na tribo de Benjamin, foi advertido por um idoso a não passar a noite na praça. Para proteger o levita e sua mulher dos jovens perversos daquele lugar, o homem acabou hospedando-os em sua casa. Mesmo assim, os bissexuais de Gibeá cercaram a casa do hospedeiro e, não podendo abusar do levita, violentaram a mulher dele a noite toda, até deixá-la morta (Jz 19.22-28). A maior parte dos crimes cometidos sob a proteção das trevas ainda não veio à tona. É por tudo isso que o apóstolo Paulo exorta: “Deixemos de lado as obras das trevas e revistam-nos da armadura da luz” (Rm 13.12). Precisamos nos comportar com decência, “como quem age à luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em desavença e inveja” (Rm 13.13). Em outra magistral passagem, Paulo é explícito: “Vocês todos [os crentes de Tessalônica] são filhos da luz, filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas” (1Ts 5.5). Os crentes de hoje podem ser chamados “filhos da luz”?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Deus não se serve apenas da cúpula eclesiástica e dos pós-graduados


Em artigo publicado no Jornal do Brasil (03/09/07, A12), Leonardo Boff lembra que no quarto século quase todos os bispos aderiram à heresia arianista, segundo a qual Jesus é apenas semelhante a Deus, e não imagem visível do Deus invisível (Cl 1.15). “Foram os leigos que salvaram a Igreja, proclamando Jesus como Filho de Deus”, acrescenta Boff. É preciso lembrar que foi uma mulher (Débora) e não um homem (Baraque) que tornou possível a vitória de Israel sobre o rei de Canaã e sobre seus novecentos carros de ferro, depois de vinte anos de opressão (Jz 4). É preciso lembrar que foi o caçula de Jessé, um rapaz da roça, e não o rei Saul e seu exército, que derrubou o gigante Golias, de quase três metros de altura e livrou os israelitas dos filisteus (1Sm 17). É preciso lembrar que foi uma adolescente, e desterrada que levou Naamã, comandante em chefe do exército assírio, a curar-se da lepra (2Rs 5.1-19). É preciso lembrar que foi um menino, e não um adulto, que ofereceu seus cinco pães de cevada e dois peixinhos para Jesus multiplicar e matar a fome de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças (Jo 6.9, NTLH). É preciso lembrar que é do coração e da boca das crianças e dos recém-nascidos, e não dos marmanjões, que Deus suscita o perfeito louvor (Mt 21.16) Finalmente é preciso lembrar que foi um ex-perseguidor e torturador dos cristãos (Paulo), e não Pedro, nem Tiago nem qualquer outro dos mais influentes líderes da igreja, que a livrou do legalismo, a praga que diminui o valor da graça e aumenta o valor da lei (Gl 2.11-21). Enquanto a sociedade supervalorizava e supervaloriza os doutores, os poderosos, os nobres de nascimento e a hierarquia, eclesiástica ou secular, Deus continua livre para eleger e usar a seu bel-prazer as pessoas que, sob o ponto de vista humano, parecem desprezíveis e insignificantes (1Co 1.26-29).

MALICIA POLICA E ABORTO



Cicero Harada:Político malandro é esperto. Seu olhar fisiológico não se desprega do próprio umbigo. Concorda sempre com o possível eleitor. Surfa nas ondas da contradição e leva o voto de pessoas de concepções mais díspares. Simpático, fala coisas bonitas, ri, chora, esbraveja, protesta, sempre segundo as circunstâncias. Afirma ou nega convictamente algo que lhe dê pontos. Humilde, reconhece ignorância diante de polêmica que lhe possa subtrair votos. Nega, olimpicamente, se for surpreendido em ações comprometedoras. Carrega uma aura de alva e comovente pureza. Diante dele, até a testemunha ocular da falcatrua chega a duvidar de seus sentidos. Se tudo está perdido, com ares de comovida indignação, esbraveja: “as coisas sempre foram assim desde que o mundo é mundo! Mas agora, nunca como antes, é por uma causa sublime!”
Digo isso, porque a Câmara dos Deputados fulminou o Projeto nº 1.135/91, que pretende a legalização do aborto no Brasil. Primeiramente, na Comissão de Seguridade Social e Família por unanimidade (33X0). Depois, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania por expressiva maioria (57X4). Nesta, o parecer aprovado, por força do Regimento da Casa, é terminativo, isto é, põe fim ao processo legislativo, salvo se houver recurso. Ocorre que o deputado José Genoíno (PT-SP) interpôs o recurso nº 201/2008 contra o parecer da Comissão de Constituição e Justiça. O apelo foi subscrito por ele e mais sessenta e dois deputados federais.
Três deputados, Carlos Santana (PT–RJ), Carlos Abicalil (PT–MT) e Vicentinho (PT–SP) apresentaram requerimento de retirada da assinatura do requerimento. Os pedidos foram indeferidos nos termos do artigo 102, §4º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, porque, uma vez publicado o recurso, não cabe a retirada da assinatura. Antes mesmo dos indeferimentos o assessor parlamentar Jaime Ferreira Lopes já o havia previsto. O fato pode ser comprovado aqui: http://www2.camara.gov.br/proposicoes/chamadaExterna.html?link=http://www.camara.gov.br/sileg/prop_detalhe.asp?id=16299
Além dos deputados que desaparecem na hora do voto, eis aí outro álibi. Os eleitores a favor da vida são informados pela assessoria de que houve desistência e pedido de retirada da assinatura. A petição protocolada pode até ser apresentada ao embasbacado eleitor, mas o pedido de desistência não tem efeito jurídico algum. É um zero à esquerda.
Outros juram por tudo aos defensores da vida, que são contra o aborto, o assassínio de crianças não nascidas, que nunca votaram nada a favor da medida, até porque não fizeram parte de nenhuma daquelas comissões. Apenas subscreveram o recurso, a fim de que a matéria pudesse ser debatida em plenário. Notem bem: recurso é meio processual para os inconformados se socorrerem de instância superior, para combater e reformar uma decisão.
Será que alguém assinaria recurso para discutir a possibilidade de legalização do seu próprio assassínio? São tentativas de ficarem em cima do muro ou pura ingenuidade? Ignoram eles recente pesquisa do Datafolha de que só 3% das pessoas acham o aborto moralmente aceitável? Um dia, questionado por jovens, Ulysses Guimarães disse-nos que alguns parlamentares podem não ter formação superior ou acadêmica, mas lá na Câmara dos Deputados não há ingênuos, lá não há bobinhos. Todos têm muita experiência, já foram presidentes de empresas, de grandes entidades, foram governadores, ministros, prefeitos, secretários de Estado, senadores, deputados estaduais, vereadores. Se ainda assim concluirmos que o deputado não tem malícia, merecerá ele o nosso voto?
Matias Aires dizia que malícia é aquela inteligência ou ato que prevê o mal ou o medita, espécie de arte natural, que se compõe de combinações e conseqüências, sendo, por isso, virtude política. Fazia uma distinção importante: “tem malícia quem descobre o mal para o evitar, é malicioso quem o antevê para o exercer”. Também nós precisamos ter muita malícia e discernimento para não cair nas manobras dos maliciosos.
Cicero HaradaAdvogado, Conselheiro da OAB-SP, Presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP, foi Procurador do Estado de São Paulo.cicero.harada@terra.com.br

Última Alteração: 09:31:00
Fonte: Articulista Local:São Paulo

Papa lembra Holocausto e drama no Congo -



70 anos depois da “Noite de Cristal”, que deu início à perseguição aos judeus sob o régie nazi e ao Holocausto, Bento XVI apelou este Domingo ao fim de todas as formas de discriminação e anti-semitismo.
“Ainda hoje sinto dor por tudo o que aconteceu naquelas trágicas circunstâncias, cuja memória deve servir para assegurar que tais horrores nunca mais se repitam”, disse aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação do Angelus.
O Papa lembrou “aquele triste acontecimento que se verificou na noite de 9 para 10 de Novembro de 1938, quando se desencadeou a fúria nazis contra os judeus. Foram atacadas e destruídas lojas, escritórios, habitações e sinagogas, foram também mortas numerosas pessoas, dando-se início à perseguição sistemática e violenta dos judeus alemães, que culminou na Shoah”.
Neste contexto, desejou que “as pessoas se empenhem, a todos os níveis, contra qualquer forma de anti-semitismo e de discriminação, educando sobretudo as jovens gerações no respeito e no acolhimento recíprocos. Convido também a rezar pelas vítimas de então e a unir-vos a mim ao manifestar profunda solidariedade com o mundo judaico”.
O Papa recordou depois as “inquietantes notícias” que continuam a chegar da região do Kivu do Norte, na República Democrática do Congo: “Sangrentos confrontos armados e atrocidades sistemáticas provocaram e continuam a provocar numerosas vítimas entre os civis inocentes; destruições, saques e violências de todo o género constrangeram outras dezenas de milhares de pessoas a abandonar mesmo o pouco que tinham para sobreviver”.
Calcula-se que os deloscados sejam actualmente mais de um milhão e meio, como recordou o Papa.
“A todos e a cada um desejo exprimir a minha particular proximidade, ao mesmo tempo que encorajo e abençoo quantos se estão a empenhar para aliviar os seus sofrimentos, entre os quais menciono em particular os agentes pastorais daquela Igreja local”, acrescentou.
Bento XVI apresentou os seus pêsames às famílias enlutadas, assegurando a sua oração de sufrágio e concluiu com um apelo: “Renovo o meu fervoroso apelo para que todos colaborem em restabelecer a paz naquela terra desde há demasiado tempo martirizada, no respeito pela legalidade e sobretudo pela dignidade da pessoa humana”.

Última Alteração: 15:50:00
Fonte: Agência Ecclesia Local:Cidade do Vaticano

O ANJO


Dia desses eu estava sentado numa sala de espera aguardando a minha vez para cortar o cabelo, com o Toninho, da Super Quadra Tupã.
Estava muito distraído, lendo uma daquelas revistas que sempre tem em sala de espera,quando adentrou uma menina, linda, magra, muito branquinha e aparentemente,de uns sete anos de idade. Ela usava um arco a lhe prender os cabelos finos e lisos que iam até os ombros, roupas que denunciavam a origem pobre, mas que também mostravam um cuidado materno especial, pois estavam muito limpas e cheirosas.
Era uma criança impossível de não ser notada, sorriso aberto, carisma à flor da pele e trazia numa das mãos um cartão de loteria instantânea, dessas conhecidas como "raspadinha".
Já completamente cativado não me preocupei em disfarçar o meu encanto e fiquei ali torcendo para que ela me dirigisse a palavra. Era como se eu soubesse que algo especial estava para acontecer. - O senhor compra pra ajudar? É dez real...- Reais, disse eu para ver a reação dela.- É mesmo.Minha mãe sempre me corrige: dez reais. Mas o senhor compra?A minha vontade era comprar o cartão, mas não queria acabar logo com a conversa e continuei:- Depende... Pra ajudar o quê? - É pra ajudar a gente lá em casa. Meu pai tá desempregado e a minha mãe ta muito doente. Eu tô vendendo essa raspadinha aqui pra poder comprar leite pro meu irmãozinho. Ele tem dois anos e meio.A essa altura eu já tinha certeza de que compraria o cartão. Não que me comovesse além do normal com essa história tão comum do nosso sofrido povo brasileiro. Era puro encantamento com aquela menina.- Como é o seu nome? - Amanda... Nossa! Como o senhor ficou vermelho! - É que eu tive uma filha que se chamava Amanda... A última lembrança que eu tenho dela, ela era assim como você... Sabe? Em todo lugar que eu vou eu sempre encontro uma Amanda.- Onde tá a sua filha agora? - Ela morreu num acidente faz algum tempo. Talvez ela esteja "vendendo cartões" no céu pra ajudar lá em casa. - O senhor ficou triste, né? Desculpa...- Não, eu não estou triste. Mas o que é que a sua mãe tem? - Eu não sei dizer não senhor. Mas o meu pai vive chorando escondido. Ele bem que tenta disfarçar. Eu também finjo que não noto, mas eu sei que ele ta chorando. Eu não gosto de ver meu pai chorando... O senhor vai comprar, não vai? Eu vou contar um segredo: este cartão aqui está premiado, sabia?-É? Onde você conseguiu este cartão? E como você sabe que ele está premiado?- Foi um anjo que desceu lá do céu e me deu ele pra eu vender. Ele disse que é um cartão premiado.

- Um anjo? - É! Por quê? O senhor não acredita?- Acredito sim. Mas se o anjo lhe deu o cartão e disse que é premiado, por que você o está vendendo? Por que você não raspa ele e fica com o prêmio? Assim você vai poder ajudar toda a sua família, a sua mãe... - Mas eu não posso ficar com ele não senhor. - Por que não? - O anjo me disse que era pra eu vender por dez real.- Reais! - É. Por dez reais. E que não era pra eu raspar ele senão eu estaria sendo gananciosa. Eu não sei o que quer dizer essa palavra "gananciosa", o senhor sabe?- Eu também não sei não.Esse anjo fala muito difícil... Mas eu tenho certeza que você não é isso não... - Ele falou que eu tinha de dar a sorte pra alguém que eu encontrasse e que eu gostasse, e eu gostei do senhor. O senhor compra? - Como você sabia que era um anjo de verdade?- Ele tinha duas asas bem grandes e desceu voando lá do céu. - Como era o nome dele?- Ele não falou o nome dele não senhor.- E você não perguntou?- Se o senhor visse um anjo o senhor ia ficar fazendo pergunta? Eu fiquei foi mudinha. - E por que esse anjo apareceu logo pra você?- É que eu estava rezando pro menino Jesus, pedindo pro meu pai arranjar um emprego e pedindo pra Ele curar a minha mãe, então o anjo apareceu pra mim.- Ele disse que se eu vendesse esse cartão que ele me deu, por dez real - Reais!- É, reais... Se eu vendesse, Jesus já tinha autorizado ele a curar a minha mãe e a arranjar um emprego pro meu pai, mas, que se eu ficasse com o cartão só ia acontecer coisa ruim. - Então se eu comprar o cartão que o anjo deu pra você, só vai me acontecer coisa ruim?- Não.O senhor não entendeu. Eu é que não posso ficar com o cartão. A pessoa que comprar ele, vai tá sendo boa e vai tá acreditando no anjo. Então, pra quem comprar, só vai acontecer coisa boa. O senhor vai receber o prêmio e não vai mais ser triste.- Quem disse pra você que eu sou triste? - Os seus olhos e o seu jeito de falar. O senhor parece uma pessoa triste, sabia? - Sabia... Tá bom. Eu compro o seu cartão. Deixando escapar um breve suspiro, Amanda agarrou os dez "real" e, num gesto que me deixou surpreso e muito feliz, me deu um beijo no rosto. Ela parou na minha frente e ficou olhando eu guardar o cartão no bolso, com um sorriso bobo nos meus lábios. Um tanto decepcionada ela perguntou:- O senhor não vai raspar pra ver se está mesmo premiado?- Não. Eu tenho certeza de que está. - Mas se o senhor não raspar não vai poder receber o prêmio. - Eu já recebi quando você entrou aqui.- Eu não entendi o que o senhor quis dizer.
- Mas o seu anjo entendeu, minha filha. O seu anjo entendeu, meu anjo... Ela foi embora meio que desconfiada, olhou pra trás algumas vezes e eu nunca mais a vi. Sempre que volto ao Toninho, ou paro na Super Quadra para alguma coisa, corro os olhos pelas calçadas. Tenho certeza de que a verei um dia. Quero saber se sua mãe está melhor e se seu pai já "arranjou" um emprego. Quanto ao cartão, eu ainda não me atrevi a raspá-lo e creio que nunca o farei. Gosto de acreditar que sou o único homem no mundo que ganhou um cartão de loteria premiado, dado por um anjo e trazido por outro.Quanto ao prêmio, penso que não pode haver um mais valioso do que esta História toda.

Este texto foi escrito por um senhor,de nome Robson,que mora em Londrina, Paraná,e que perdeu sua filha Amanda–de 3 anos–no mar, durante as férias.