FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

terça-feira, 16 de setembro de 2008

ATOS. O LIVRO DO ESPIRITO SANTO.


O livro dos Atos dos Apóstolos é de autoria geralmente atribuída a Lucas e pode ser visto como a segunda parte do Evangelho de Cristo segundo Lucas, este livro mostra como é que os discípulos recebem o Espírito Santo e se tornam as testemunhas de Jesus Cristo.

É por isso que se diz que os Atos dos Apóstolos é chamado também por alguns de "O livro do testemunho". Este testemunho é a pregação e a vivência dos discípulos de Jesus que anunciam a Palavra e reúnem o povo na força do Espírito Santo para fazer que a missão do Cristo continue. "...mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra." ( Cap 1 v8 - RA ).

Ao lermos Atos dos Apóstolos vemos como o testemunho dos discípulos é a manifestação do Espírito que reúne a Igreja no mundo inteiro. O livro tem um dinamismo: começa em Jerusalém onde Cristo foi morto, onde ele ressuscitou e donde, agora ele está subindo para o céu. Os discípulos irão dar testemunho do Cristo: pregar, servir, e fazer comunidades. Em Jerusalém, depois na Samaria, na terra de Israel, e, de lá, para o mundo inteiro! Isso é o plano do livro dos Atos dos Apóstolos, o testemunho que começa em Jerusalém vai chegar até a cidade de Roma.

Dois grandes personagens, são Pedro e Paulo, chegando até as extremidades da terra que na época era Roma, a capital do Império, o centro do mundo sob vários aspectos, lá o evangelho tornaria-se um evangelho universal após penetrar em toda a extensão do Mediterrâneo - Atos conta a história da origem e da expansão do cristianismo na Judéia, depois na Ásia Menor, no Mediterrâneo e até Roma.

Atos procura mostrar o desenvolvimento da pregação do evangelho de Jesus no mundo dos judeus e que depois penetra no mundo dos gentios para mostrar que o Povo de Deus é um povo universal, o livro fala de uma rede de comunidades e é na vivência destas Igrejas que o Espírito se manifesta. Após a ascensão de Cristo e a promessa da vinda do Espírito Santo para ser a força do testemunho vem a maravilhosa narrativa de Pentecostes, onde o Espírito Santo vem e reanima a fé e a coragem para que os discípulos possam sair pelo mundo para levar a mensagem, a promessa de Jesus se cumpre no capítulo 2, alguns chamam também este Livro de "O Evangelho do Espírito Santo" por causa deste capítulo, a igreja do nosso século precisa buscar inspiração nestas comunidades, Atos é um verdadeiro retrato da Igreja primitiva, os capítulos 3 e 4 retratam perfeitamente uma comunidade cristã legítima, comunidades fiéis, firmes na fé, que viviam o grande amor de Cristo.

Nestas comunidades é que os discípulos receberam pela primeira vez o nome de cristãos, Atos também narra o encontro de Pedro - missionário das primeiras comunidades - com Barnabé e posteriormente com Paulo, Atos fala de Antioquia, uma igreja viva, ativa, um modelo para o que se busca em nossos dias, uma igreja com a difícil tarefa de levar o Evangelho além do judaísmo.

Quando a igreja se reúne, Pedro, Barnabé e Paulo chegam ao consenso de que pela fé em Jesus esta mensagem precisava ser levada ao mundo todo, Pedro leva a mensagem aos judeus e Paulo proclama que irá pregar o evangelho de Jesus Cristo aos pagãos revelando-se como o grande missionário da Igreja Primitiva, um verdadeiro adorador como vemos em sua declaração aos Gálatas "... já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim." - Oh maravilha! - Paulo foi um privilegiado que viu o Ressuscitado e diante DEle para a glória DEle não resistiu ao Seu plano, e não poderia ser diferente... vai então pregando ao mundo todo o caminho da salvação - que é Cristo Jesus. - primeiro em Tessalônica, depois Atenas - que na época era a capital do mundo urbano, depois Corinto que era a capital comercial e cultural, e posteriormente Éfeso - outro importante centro urbano, assim ele foi pregando, formando comunidades, convertendo pelo poder do Espírito Santo, sofrendo e se alegrando com a obra missionária... não é difícil vermos na leitura de Atos entre os sofrimentos e alegrias o tom de entusiasmo de Paulo.Atos é um episódio maravilhoso que retrata comunidades onde todos eram missionários pela força do Espírito Santo.

Atos dos Apóstolos narra a viagem de Paulo para Roma - Paulo foi preso em Jerusalém, julgado em Cesaréia e após de apelar a César foi enviado a Roma para que o plano de Deus se cumpra. Maravilhoso também é o texto do capítulo 27 onde Paulo passa pela tempestade que ameaça a consumação do plano de Deus em sua vida, mas este é o evangelho do Espírito e pelo amor do Pai e do Filho, o Espírito os une e dá-lhes força, e por esta força a comunhão prevalecem sobre o inimigo, e é por esta comunhão que se formam as igrejas que o Espírito da Verdade anima, sustenta e faz permanecer pelos séculos e séculos.

O livro de Atos mostra claramente que é pela comunhão das comunidades onde tudo é comum a todos que o Espírito de Deus mais claramente se faz presente, hoje precisamos resgatar esta comunhão de Atos para obter o tão falado avivamento.

Atos declara: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos." ( Cap 2 v42-43 - RA ). - sem comunhão não há comunidade que permaneça na presença do Espírito Santo.

A igreja precisa hoje resgatar o seu papel de local de adoração e comunhão, local onde se vive o amor do Pai, resgatar seu papel de instrumento de salvação, resgatar seu papel de instrumento para proclamar a todos os povos, tribos e nações que Jesus é o Senhor.

Oremos para que este Espírito esteja no coração de cada uma de nossas comunidades de hoje.

OS OPERARIO DA VINHA


A parábola dos chamados para cultivar a vinha (Mt 20,1,16) traz à baila o grande mistério da salvação oferecida por Deus. A advertência de Cristo, mostrando que “os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos, se liga a sua outra admonição: “Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos" (Mt 22,14). A convocação feita por Deus se insere nos planos insondáveis de sua onisciência infinita. Nas veredas da história de cada um impressionante o que se deu com Dimas, o bom ladrão, canonizado por Jesus em pleno Calvário. Este bandido, ao contrário de muitos, não presenciara os prodígios estupendos que Cristo fizera. Contudo, os agraciados ausentaram-se, os amigos esconderam-se, as autoridades religiosas injuriavam, soldados romanos martirizavam, Cristo é condenado e desprezado e, no entanto, um grande pecador O reconhece como Rei poderoso! Enigmático é sempre o apelo de Jesus a cada ser pensante. Poderosa a influência da graça no coração arrependido. Conversão admirável a de Dimas, o qual aceitou, contrito, o castigo em reparação de seus crimes e disse a Gestas: “Estamos pagando por nossos atos”. Fez, em seguida, uma profissão de fé, pois acreditou na soberania do divino crucificado. Tornou-se um missionário do bem, pois tentou converter o colega de desdita (Lc 23,40). Nas encruzilhadas da vida, Cristo continua atraindo a todos. Entre as verdades teológicas e filosóficas, porém, uma das mais complexas é a conciliação da liberdade humana com a onipotência e a .onisciência divinas. O tratado da graça é um dos mais difíceis de toda a Teologia. Regulando nossos destinos por um sistema de sabedoria que ultrapassa a capacidade cognoscitiva da inteligência, o Criador assiste o desenrolar dos atos humanos e só Ele sabe até que ponto pode chegar a dureza de cada um ao fechar os ouvidos a seus apelos e, apenas Ele, pode medir o valor da adesão e do tempo de fidelidade à graça. Nas agras regiões da vida, ainda que perdido no mais profundo abismo de seus erros, sempre que alguém se voltar para Cristo não se arrependerá, pois ele saberá retribuir muito acima do que qualquer um pode imaginar. Cumpre, porém, aos cristãos estar alertas porque, os que contemplam os prodígios da misericórdia divina e se acham imersos nos favores celestes, não podem facilitar, dado que Cristo foi muito claro: “Vigiai, portanto, pois não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25,13). Recusar ir para a vinha do Senhor ou desconfiar de sua bondade infinita ou se julgar superior aos outros é um erro fatal. O ser racional é livre para aceitar a Jesus ou recusá-lo. A palavra de Deus na Bíblia esclarece, os sinais feitos por Cristo provam sua divindade. Entretanto, nem a poderosa palavra divina, nem os milagres feitos pelo Redentor podem tolher a liberdade humana. Deus quer uma adesão pessoal, consciente de cada um. É por isto que é tão beatificante a entrega a Ele pela fé e aí está o valor da virtude, pois é um ser dotado de razão que se volta para o seu Senhor. Aí a fonte de todo o mérito. Há, porém, um grande obstáculo ao poder da graça, por assim dizer maior do que a palavra do Todo-Poderoso e do que tudo que está nas Escrituras, que é o endurecimento do coração. Bem-aventurados, entretanto, aqueles que se deixam iluminar pelas inspirações celestes e se imergem na beleza das mensagens de Jesus, na grandiosidade de seus prodígios, jamais recriminando os desígnios sapientíssimos do Ser Supremo, murmurando contra Ele. Outra grande lição que Cristo oferece na parábola dos convidados para a vinha é, além disto, que, se é verdade que na eternidade cada um receberá de acordo com seus méritos.Jesus, de fato, afirmou: "Na casa de meu Pai há muitas moradas"(Jo 14,2). Todos, portanto, que lá chegarem, terão, essencialmente, a mesma felicidade, embora aqueles chamados primeiro ou que por mais tempo foram fiéis a Deus venham a usufruir de uma porção ainda maior da mesma beatitude partilhada por todos. Estas verdades merecem profunda reflexão. * Professor no Seminário de Mariana - MG


Última Alteração: 13:41:00

Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Local:Mariana (MG)

ME DA UM MINUTO AI PAI


Oi, pai! Vou roubar um minuto do seu descanso. Senta aí, e me ouve. Vou dizer o que eu penso de você e você vai ter que me ouvir, como eu às vezes tenho que ouvir os seus sermões, que às vezes eu acho que não mereço e às vezes até acho que poderiam ser mais pesados! Vou dizer que pai você tem sido nesta casa, mas não se preocupe. Vou pegar leve!

Sei de muitos filhos que gostariam que os pais lhes dessem mais tempo e chegassem mais perto deles.
Não se sentem amados nem compreendidos e há uma certa mágoa no coração, quando falam dos seus pais.
Alguma coisa não deu certo entre os dois e ele foi embora viver com outra.
Em muitos casos, ela, com outro.
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Não é o meu caso. Vocês dois se entendem, se querem, me aceitam e eu compreendo que nem sempre você pode me dar tudo o que eu peço, quero ou preciso. Sei da sua luta por nos fazer felizes e sei que você não é um super homem.
É meu pai e cuida muito bem de mim. Você é um homem que sabe amar muito bem!

Sabe aquele espermatozóide que encontrou aquele óvulo da mulher que você amava
e ama até hoje? Pois é, pai, ele se fez pessoa e hoje tem treze anos.

Ontem a vó me falou da alegria que foi para a mamãe e para você a notícia de que eu
tinha acontecido. O vô disse que, quando soube que eu nasceria, você abraçou a minha mãe e a levantou até o teto, correu para o quintal e deu três cambalhotas. Não perguntou se seria homem ou mulher. Telefonou para seus pais e amigos e gritava que agora já era pai e Deus lhe dera a graça de se multiplicar. Exagerado como sempre!

Pois é, pai. Eu também tenho vontade de dar umas cambalhotas e gritar que tenho mãe maravilhosa e pai espetacular. Tenho o maior orgulho de vocês dois. Vocês são bons. Vivem um pelo outro e pelos seus dois filhos: seu guri e sua guria. Vocês são pai e mãe nota dez!

É claro que às vezes a gente não se entende, eu levanto minha voz, discuto e grito que vocês não me entendem, você faz aquela cara de pai chateado que não vai aceitar desrespeito, depois eu peço desculpas porque meu temperamento às vezes me vence. Eu quero mostrar quem sou e você tem quer mostrar quem manda em casa. Você vence e eu perco. Fazer o quê, se ainda não cheguei à sua maturidade? Mas eu chego lá, pai! Sou lutador como você!

Apesar das nossas brigas porque eu quero e você não quer; apesar dos meus que-é-que-tem-pai? eu quero que saiba que entendo e quero sua autoridade. Eu sei que às vezes você é exigente porque quer me formar para a vida que eu aind anão saquei como é. Tenho treze anos, né pai. Sei muita coisa, mas é claro que não sei o que você sabe! Tenho colegas que fazem o que querem e agem como se o pai não significasse nada para eles e para elas. Eu não posso dizer o esmo. Seria mentira. Você se importa comigo e eu como você. Você me quer bem e eu quero você bem!

Amo você e amo a minha mãe que você, brincando comigo, diz que, primeiro ela é sua. Eu deixo, pai! Eu preciso dela e você também precisa. E acho que ela também precisa de nós três quando se aninha no seu peito e puxa a gente para o colo dela.

Pensando bem, eu entendo você, pai! Você sempre quis ser pai e, pelo visto, sempre vai querer. E nós realizamos seu sonho. Mas a recíproca também é verdadeira. Do ano passado para cá, depois que o Juliano morreu com um tiro no rosto, disparado por um bandido na porta da escola e o pai dele deu aquele show de paternidade, eu entendi melhor o que é criar e chorar por um filho. Admirei o pai dele. Homem forte, pai!

Não sei se isso lhe fará bem, mas quero que saiba: -Depois de ver você em ação, ficou bem mais claro para mim a existência de Deus e o fato de ele ser Pai de tudo e de todos. Quero sempre repetir a palavra “pai!”, quando falar sobre você ou com você.

Ter nascido de você e de mamãe e crescido com você por perto, me faz um bem enorme! Às vezes eu rezo por meus amigos que não tiveram a mesma sorte que eu tive. Espero que, do jeito deles, acabem perdoando e reencontrando seus pais, e ou alguém que os trate como filhos.

Quando a nós aqui em casa: que seja assim por toda a nossa vida..!

´Tá aí o meu discurso, pai! Passei do minuto que lhe pedi, mas acho que valeu a pena. No dia dos pais, eu, que já virei adolescente, e adolescente não gosta muito de nhem nhem nhem e abraço de pai ou de mãe na frente dos amigos, vou vencer minha resistência e te fazer um carinho. -Ave César, tua prole te saúda! Toca aqui, pai! Você é super-mega-utlra-plus-hiperdemais!

E que Deus te abençoe muito, viu?




Última Alteração: 11:11:00

Fonte: Pe. Zezinho, scj
Local:São Paulo (SP

OS EMPURRÕES DO ESPIRITO


Durante o 3º Congresso Americano Missionário e 8º Congresso Missionário Latino-Americano realizado entre os dias 12 e 17 de agosto, em Quito, dom Luis Augusto Castro, arcebispo de Tunja, Colômbia, um dos expoentes nas principais conferências do evento, concedeu entrevista exclusiva à revista Missões. O arcebispo, missionário da Consolata, é ex-presidente da Conferência Episcopal da Colômbia e não mede esforços para mediar o diálogo entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Governo.

Dom Castro, para onde vai a missão hoje?
É bom retomar um conceito da encíclica Redemptoris Missio, muito importante sobre a missão da Igreja que é tudo o que compreende a atividade evangelizadora. Porém, segundo os destinatários dessa missão existem modalidades específicas que podemos definir em três tipos, sendo a primeira a missão pastoral, que acompanha os cristãos no crescimento da fé. O segundo grupo são os cristãos que se afastaram. Para eles a missão é nova evangelização para recuperar aqueles que esqueceram de Jesus Cristo. A terceira forma de missão é destinada àqueles que ainda não conhecem Jesus Cristo como Deus e Senhor, ou seja, o primeiro anúncio. Trata-se de acender o fogo pela primeira vez. Essa é a missão Ad Gentes da qual fala o CAM 3 – Comla 8. Acontece que hoje, numa família podemos encontrar essas três situações. A separação é mais teórica, porém, nos ajuda a entender a diferença entre essas três dimensões.

O Senhor acha que a Igreja local está comprometida com a missão Ad Gentes como prioridade?
As dioceses devem entender que os missionários dos Institutos e Congregações são um apoio para a missão Ad Gentes, mas isso não lhes tira a responsabilidade de lançarem-se além de suas fronteiras. A diocese tem uma área territorial porque deve interessar-se pelas comunidades cristãs desse território. Dentro desses limites, existe de tudo um pouco. Cristãos, não-cristãos, pessoas que abandonaram, que esfriaram sua fé. Cada uma delas tem um desafio missionário dentro de si mesma. Contudo, cada diocese deve saber que, em virtude de ser católica, deve projetar-se universalmente. Por isso há uma missão Ad Gentes que é Ad Intra e outra Ad Extra, isto é, para fora. As duas são importantes. Temos esquecido um pouco da missão para fora e, muitas vezes, nem sequer nos preocupamos com a missão Ad Intra. Estamos preocupados em não perder os bons cristãos, quando o mais importante é ir aos outros e ajudá-los a conhecer Jesus Cristo.

Este é o 3º Congresso abrangendo toda a América. Alguma problemática em relação à integração América Latina e América do Norte?
Os países da América do Norte, Estados Unidos e Canadá tiveram um compromisso missionário muito interessante, especialmente com a África e a Ásia (a América do Norte envia 8.193 missionários e recebe 1.645). Porém agora, eles devem responder a um desafio missionário diferente que é o das migrações. Por isso a América Latina deve colaborar com eles no sentido missionário. Muitos católicos latino-americanos chegam ao Canadá e Estados Unidos e se perdem. Com razão os bispos estão preocupados em proporcionar um acompanhamento aos migrantes, somando esforços para um trabalho integrado no continente. Eu creio que vivemos um despertar missionário nas Américas e tudo isso é possível graças a congressos como esse.

O senhor publicou um livro intitulado “Fé Missionária, Fé de Primeira”. Por que esse título?
Escrevi esse livro pensando nos leigos e em colaboração com o Celam por ocasião da Conferência de Aparecida. Procurei utilizar uma linguagem clara e popular para explicar as dificuldades teológicas que geralmente são difíceis para a leitura. Tratei de escrever capítulos breves para facilitar a assimilação e espero que o livro ajude a criar consciência missionária sobre a missão Ad Gentes. É um texto que responde cem perguntas sobre a questão missionária, uma pequena enciclopédia de missiologia.

Em que os temas centrais do Congresso: Discipulado, Pentecostes e Evangelização contribuem para intensificar a missão além-fronteiras?
Entendo o discipulado na linha do documento de Aparecida, um discipulado missionário. Tomou-se em consideração o aspecto missionário. Por isso tivemos duas conferências que discorreram sobre o discipulado e a outra sobre o ser missionário. A missão não é algo que brota da natureza humana, mas é ação do Espírito de Deus. Assim como Santa Teresinha desejava ser missionária de norte a sul, e o foi de fato, na oração e sacrifício, todos podemos fazer missão. É como em uma equipe de astronautas. Apenas três chegam à lua, mas por detrás, há uma equipe de apoio com a mesma mentalidade para que a viagem saia bem. Se todos têm uma mentalidade missionária, uns partem, outros ficam, conforme a vocação de cada um.

O senhor fala dos empurrões do Espírito. O que quer dizer com isso?
Eu quis destacar como idéia-chave os empurrões do Espírito para todos os lados. Aparecida usou conceitos muito mais elegantes, mas a idéia é a mesma. O que se espera é que cada um seja dócil aos empurrões que recebe do Espírito.

Que avaliação o senhor faz da Conferência de Aparecida um ano depois?
Há poucos dias fiz uma conferência sobre Aparecida e comecei contando uma história de um rapaz que estava se afogando em um lago e sua mãe estava à margem. Lá havia um homem perto, com capacidade para salvá-lo. A mãe gritava para ele: por favor, ajude-o! Mas o homem permanecia sem reação. O filho perdeu as forças e começou a afundar, então o homem levantou-se rapidamente, saltou como uma flecha, agarrou o rapaz e o retirou da água. A mãe perguntou por que havia esperado tanto para agir e o homem respondeu: se eu agisse antes, seu filho teria força e afundaríamos nós dois. Se eu esperasse um pouco mais, ele morreria afogado. Agi no momento preciso. Da mesma forma Aparecida chegou em um momento preciso, quando havia uma sensação na América Latina de que estávamos afundando. Como um acontecimento do Espírito, Aparecida chega e gera um novo alento evangelizador. Uma nova audácia apostólica. Um novo empurrão missionário. Foi uma resposta exata para uma necessidade vivida pela Igreja na América.

Jaime Carlos Patias, imc, é diretor da revista Missões e mestre em Comunicação.

Os 10 “empurrões” do Espírito Santo de acordo com dom Castro:
01 Para fora: quando o Espírito nos toca, nos empurra para fora das nossas fronteiras.
02 Para todos: não existem mais fronteiras religiosas ou culturais. As sementes do verbo estão espalhadas em todas as culturas e expressões.
03 Para dentro: leva-nos para dentro da Igreja para construirmos a comunhão, unidade, força da missão.
04 Para o fundo: faz-nos entrar em profundidade, vivendo uma espiritualidade missionária que deve estar aberta a todas as espiritualidades, colhendo o novo.
05 Para o lado: faz-nos olhar quem está ao nosso lado, para vencer o “câncer” da exclusão social, vivendo e construindo a solidariedade.
06 Para trás: faz-nos olhar o passado para retomá-lo com coragem, recuperando nossa história, nossas raízes.
07 Para frente: torna-nos pessoas de esperança, olhando para frente sem desanimar.
08 Para baixo: faz-nos olhar a natureza, a criação, as plantas, animais, a mãe terra. Ela merece a nossa atenção e respeito, pois está cheia de dignidade.
09 Para cima: é o convite à santidade, pois o verdadeiro missionário é santo.
10 Para além-fronteiras: é missão não só “do” Continente, mas “desde”o nosso Continente para todas as nações. Só o fogo do Pentecostes pode nos levar a cumprir tudo isso

QUEM MUITO QUER PODE TUDO PERDER



É conhecida a história do cachorro que, cruzando a ponte sobre um rio, com um pedaço de carne na boca, viu a sua própria sombra na água e achou que o outro cachorro tinha um
pedaço de carne duas vezes maior do que a que ele trazia. Imediatamente deixou cair seu pedaço de carne e atacou ferozmente o outro cachorro com a intenção de tomar-lhe o seu pedaço. Ao fazer isso, perdeu a ambos: o que viu abaixo de onde passava, por ser uma sombra e o seu próprio pedaço que caiu e sumiu nas águas do rio.

Temos um bem extremamente valioso em nosso poder que é a salvação alcançada em Cristo Jesus, o nosso Senhor. Certamente encontraremos sombras da verdadeira felicidade que aos olhos carnais poderão parecer maiores e mais atrativas, mas que serão ilusórias e enganadoras.

O mundo tem muitos reflexos de imagens coloridas e atraentes. Muitos se deixam seduzir e não resistem à tentação apresentada. Excitados pelo brilho de suas luzes fulgurantes, enveredam-se por caminhos que apenas conduzirão à perdição. Deslumbrados pelo que julgam ser um horizonte de alegria e júbilo, às vezes, muito tarde, perceberão que tudo não passa de sombras que não conduzem a lugar algum.


A busca incessante pelos bens materiais quase sempre impede que vejamos os tesouros que já possuímos. Queremos ter mais quando o que possuímos já é suficiente. Quando descansamos,
agradecidos, diante de Deus pelas bênçãos alcançadas, aproveitamos muito mais a vida abundante que o Senhor nos outorgou. Se condicionamos a nossa alegria à aquisição de
bens materiais, podemos nunca alcançá-la.

Regozijemo-nos, pois, por Cristo estar vivendo em nossos corações. Não há, em todo o mundo, tesouro maior para uma vida plena de gozo e felicidade. Poderemos até adquirir muitos bens, mas serão apenas complemento em nossa vida e não a motivação única para vivê-la.

Quem busca com ansiedade ter cada vez mais pode acabar perdendo o que já tem.

A ORAÇÃO NOS PADRES DO DESERTO.


Um tema caro à espiritualidade cristã nos primórdios da Igreja é a vida orante, tendo como referência a experiência bi-milenar dos Padres do deserto, que a partir da vida silenciosa, vivida no anonimato do deserto, longe dos centros urbanos e regada a uma boa dose de ascese cristã, buscaram no silêncio o diálogo profundo com Deus. Do deserto, estes homens irradiaram um tesouro espiritual riquíssimo, um testemunho de vida baseado na humildade, simplicidade, interioridade e despojamento.

O estilo de uma pessoa rezar hoje, com todas as formas e as mais variadas expressões diante do sagrado, é uma forma bem diferente da que percebemos nos Padres do deserto há 16 séculos. O que hoje nos é familiar no momento em que vamos rezar; por exemplo, nos recolhermos numa capela ornamentada, com imagens de santos, bela iluminação, presença do Santíssimo Sacramento, genuflexórios... Na época dos padres não era assim, a realidade era outra. Estas expressões não faziam parte do cotidiano deles, mas era comum vê-los na cela, pequeno quarto, fazendo algum tipo de confecção manual: cestos ou esteiras para serem vendidas no mercado mais próximo. O que nos chama a atenção neste trabalho solitário é o fato de que, durante o tempo em que iam trabalhando, iam também repetindo incessantemente alguns versículos dos salmos ou algumas invocações das Sagradas Escrituras.

“Ao realizar o meu trabalho manual, dizia o aba Lúcio, rezo sem interrupção. Sento-me com Deus, molhando os juncos e tecendo as cordas, dizendo: Tende piedade de mim, ó Deus, segundo a vossa bondade; e na vossa infinita compaixão, perdoai o meu pecado”[1].

É mister dizer que a vida de oração não se resumia apenas aos momentos de trabalho. Um mestre espiritual da época aconselhava os que iam até ele para ouvir um conselho da seguinte forma: “Logo de manhã, senta-te num banco pequeno, entra no teu coração e fica lá. E assim, laboriosamente prostrado num espírito de penitência, gritarás com perseverança: Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim” [2].

O desejo de oração constante é uma marca na vida dos Padres que pertenceram ao monacato antigo e mesmo posteriormente, quando as primeiras comunidades monacais foram surgindo, ainda percebemos que a preocupação com a oração foi mantida. São Basílio, um dos idealizadores da vida comunitária entre os monges, preocupou-se em não perder a vida orante dos eremitas primitivos. Escreve ele: “Embora as nossas mãos trabalhem, podemos louvar a Deus através dos salmos, dos hinos e dos cânticos espirituais; com a boca, quando isso é possível e pode edificar, ou, pelo menos, com o coração. Caso contrário, como poderemos conciliar estas duas palavras do Apóstolo Paulo: orar constantemente e trabalhar sem descanso?”[3]. Também se observam várias outras frases que são como que conselhos para os monges no que tange à oração contínua até durante a noite: “Compromete-te a fazer durante a noite várias orações, porque a oração é a luz da tua alma”. “Ama a oração contínua para que o teu coração seja iluminado”.

Desta fase do monacato não percebemos momentos “fortes” de oração comunitária, digo como se houvesse num determinado momento do dia uma hora para eles rezarem. Nesta fase, a vida orante era durante o dia “como um todo”, seja nos momentos de descanso, seja nas horas de trabalho. A oração, para eles, estava intimamente ligada à vida a ponto de não terem necessidade de ter um tempo para orar, pois todas as funções executadas durante as horas eram feitas em espírito de oração. Cassiano, um dos grandes Padres do monacato, vê na oração um dos principais objetivos da vida monástica: “O objetivo último do monge consiste numa perseverança ininterrupta da oração. Uma vez que está sujeito à fragilidade humana, é um esforço em direção à tranqüilidade da alma e a uma pureza perpétua”.

Cremos que podemos dizer sem medo que estes homens do deserto sentiram em profundidade a presença de Deus em suas vidas. Sentiram Deus falar continuamente a eles, pois tinham sempre presente as Sagradas Escrituras na memória, pois como já mencionamos, eles chegavam a decorar trechos inteiros da Bíblia, sobretudo versículos dos salmos para refletirem durante as horas do dia.

Para nosso momento, como Igreja, podemos aprender dos monges ou Padres do deserto, o amor às Escrituras e o valor da solidão na edificação da personalidade. Solidão, não como sinônimo de isolamento, frustração ou fuga da sociedade, mas como vivência, assimilação pessoal da Palavra de Deus. E uma vez que nem todos somos anacoretas, monges enclausurados por vocação, a conseqüência desta vida orante pessoal deve ser o testemunho e engajamento na comunidade eclesial. Tendo assimilado os ensinamentos de Cristo pela vida de oração, o fruto desta descoberta deve ser a manifestação do amor sendo expresso em gestos concretos de ajuda e solidariedade.

PALAVRA DE DEUS


1ª leitura: (Eclo 27,33-28,9 [27,20-28,7]): Embora o presente texto contenha ensinamentos sobre o que não se deve fazer aos outros, ainda de fundo, percebemos que o pensamento do autor do Eclo ainda não conseguiu romper com a idéia veterotestamentária de uma retaliação, mesmo que esta seja futura. Contudo, ao atribuir a ira ao pecador (cf. 27,33), lembra que esse vai precisar do perdão de Deus (cf. 28,5). Assim, colocando a vida na perspectiva do Altíssimo e de sua Aliança (28,9), o autor consegue dar um passo na direção da superação da mera retaliação. Desta maneira, o autor nos chama a espelhar nossas ações no modo fiel e justo de Deus.

2ª leitura: (Rm 14,7-9): Por trás desta breve perícope, está um tema muito caro a Paulo: a unidade da Igreja. Alguns versículos antes, o Apóstolo está tratando do problema dos "fracos" (escrupulosos, ligados a práticas rituais) e dos "fortes" (aqueles que já conseguiram dar um salto na fé para além do escrúpulo). Embora ele mesmo se considere um “forte” (15,1), nos mostra que, na dinâmica do Amor de Deus manifesto em Jesus, o que deve reinar é o respeito e o cuidado dos irmãos, afirmando, assim, que não há lugar para discórdia por causa de coisas secundárias. Em nossa pluralidade que forma a Igreja, a busca da unidade não se reduz à uniformização que mata a criatividade da vida, mas sim, no pertencer completamente a Cristo e viver pelos nossos irmãos em Cristo.

Evangelho: (Mt 18,21-35): Este trecho do evangelho de Mateus que hoje lemos é a última parte do "Sermão eclesial" (Mt 18). Todos estes versículos são dedicados ao tema do perdão. Encontra-se dividido em duas partes: na primeira, surge a regra do perdão sem fim (18,21-22); a segunda a parte desta perícope é constituída pela parábola do servo que é perdoa, mas não é misericordioso com os outros (18,23-35). A regra do perdão sem medida não está fundamentada sob uma lógica de troca, como se eu tivesse que perdoar para ser perdoado. Pelo contrário, nasce no coração daquele que faz verdadeiramente a experiência do Amor misericordioso de Deus, compreende sua situação de alguém, como todos os outros seres humanos, passível de erro, e se abre em misericórdia para com os irmãos. Perdoar é imitar Deus, e dar chance a vida. Assim, quem não perdoa se coloca distante de Deus, pois não se abre para a vivência sincera do amor, que é perdão e justiça. O Pai-nosso ensina-nos a perdoar como Deus perdoa.

Breve Reflexão:
No capítulo 18 de Mt., também conhecido como o "Sermão sobre a Comunidade", depois de ter mostrado a importância da comunhão eclesial como sacramento do amor de Deus, encontramos o discurso sobre o perdão, tarefa primordial da comunidade eclesial. Na primeira parte desta narrativa, Mt nos apresenta Pedro - responsável da comunidade eclesial (lembremo-nos da profissão de fé de Pedro) - perguntando a Jesus até onde deve ir o perdão. É importante ter em mente que, na cultura judaica, o número 7 representa a perfeição, portanto, perdoar sete vezes já é prova de perfeição. Jesus multiplica esse número por setenta, ou seja, um número sem fim, infinitas vezes. Na segunda parte, Jesus conta uma parábola inspirada por Eclo 28,1-5 (cf. 1ª leitura): um funcionário, que tem uma dívida enorme (mil talentos, que representa a enorme quantia de trinta toneladas de ouro...), ganha do seu senhor o perdão completo da dívida. Saindo da presença de seu senhor; ele se encontra com um colega e, por causa de uma dívida ínfima de cem denários (hoje, mais ou menos, dois salários mínimos), lança seu colega na prisão. Diante da atitude do funcionário, o senhor volta atrás e o coloca na prisão até que pague o último centavo. Devemos ser misericordiosos como o nosso Pai celeste é misericordioso (Lc 6,26; cf. Mt 5,48). Contudo, o perdão não é moeda de troca com Deus, mas nasce da gratuidade de um coração que se encontra e experimenta o Amor infinito e misericordioso de Deus e, assim, pode se abrir em amor para com o irmão. Configura-se, desta forma, numa atitude fundamental pela qual o homem se torna semelhante a Deus e filho de Deus. É comunhão com Deus e nossos irmãos. Ao mesmo tempo em que o perdão gera a comunhão, somente onde existe esta comunhão, poderá existir o perdão.
É certo que, em toda experiência humana de “agressão”, ficam marcas naquele que sofre e em quem faz sofrer. Humanamente, tais feridas necessitam de tempo e de cuidado para serem curadas. A experiência cristã do perdão não significa simplesmente “passar uma borracha” sobre tais marcas, como se nunca tivessem acontecido. Contudo, o perdão se configura como passo fundamental para a cura das feridas, pois me retira do lugar egóico da “vítima”. Saber abrir o coração em perdão para aquele que feriu e se arrependeu, e dialogar francamente, implica na experiência comunitária de “curar juntos” as feridas deixadas, crescendo e amadurecendo, assumindo a responsabilidade pelos atos realizados.
Percebemos, desta forma, que o perdão cristão é “sacramento” do amor do Pai. Fundado no Pai que primeiro nos ama de maneira incondicional e nos constitui, em Jesus Cristo, seus filhos, portanto, irmãos uns dos outros, o perdão exercido na história é concreção do amor fraterno que nos une sob um mesmo Pai de toda a humanidade. É pena que, cada dia mais em nossa sociedade, a experiência do perdão seja colocada como estultice.

Durante esta semana, peça a graça de um coração aberto ao perdão, que possa manifestar, ser sinal, no concreto da história, do grande amor de Deus Pai em Jesus, que nos faz todos irmãos uns dos outros